o medo de ser impulsiva me tornou indecisa

Em dezembro de 2014 postei minha última Miniatura. Uma categoria para as ideias simples. Recortes, retalhos e porções. Sementes e grãos. Tipo um insight, um flash, uma sacada … e, das duas uma: ou ando sem ideias simples, apenas ideias complicadas e complexas: ou, ando despersiva demais.

Pra não dizer que não falei das flores:

“o medo de ser impulsiva me tornou indecisa”

Uma tulipa de miniatura.

Buscadora

O tempo todo e quase sempre estou à caça de algo novo. Pode ser uma roupa, um corte de cabelo, a cor da unha. Não, não sou vaidosa. Quando muito, curiosa. … Os anos passam, a gente muda, o mundo muda, tudo meio que muda. Revolvo minha essência em busca de um novo jeito de ser, saber e existir. Me busco e me reencontro outra. Mudar faz parte do processo de existir e ser alguém.

Sem luz

Acabou a luz faz um bom tempo. Tipo duas horas. Acendi quatro velas ao meu redor e coloquei a lanterna sob meu travesseiro (nunca se sabe). Não faço a mínima ideia do que aconteceu. Lá fora o breu é funebre. Tipo assombração. Um gerador liga ao longe. Ficar sozinha numa casa deserta, numa noite escura, com o mar roncando desvairadamente ao lado, é meio assustador. Ainda bem que tenho um Lexotan, pois as baterias do celular e do computador acabaram de morrer. Pra quem queria passar a noite lendo e escrevendo … Por algum motivo pensei na complicada e depressiva Virginia Woolf. Será que já existia eletricidade na época em que ela escrevia? Quantas velas eram necessárias para iluminar um aposento, ou pelo menos, uma mesa de trabalho? Ficar sem luz é morrer para as possibilidades da noite. Virginia se suicidou. Minha noitada literária também. Vou dormir.