Cascalhos

Colhi cascalhos no leito seco do rio. Esparramei-os na mesa de centro, no living. Rústicos cinzentos e adormecidos, espraiaram-se sossegadamente entre livros de arte, castiçais e velas. Eles me falam de infância. Travessuras e aventuras. Os cristais kosta boda? Encaixotei-os todos. Eram mudos e frios. Não havia diálogo entre nós.

Encontrei meu sumido Logan

Quem diria! Passados mais de 4 anos, descubro que meu sumido Logan, meu Lolinho, continua vivo. Acabei de vê-lo, na escuridão da noite, zanzando na calçada da casa do vizinho. Assobiei baixinho – afinal, eram 5 horas da manhã – ele olhou, assobiei de novo, ele olhou de novo, e seguiu em frente. Era ele,…

Contagem regressiva

Depois de perder a Nina, mais ou menos um ano após perder o Logan, decidi que só teria novamente um animal de estimação quando tivesse espaço e tempo para me dedicar a ele. Na época vivia na ponte aérea Lajeado/RS X São Paulo/SP e quem cuidava dos meus pets era minha assistente doméstica. E ela,…

“Os Segredos de Serena” já tem 3 donas

Eu já imaginava! Mas queria confirmar: muitas pessoas tem dificuldades para postar comentários nos blogs, tem vergonha ou medo, não tem tempo … Quando surgiu a ideia de promover um sorteio comemorativo pelos três anos do bySuzete, pensei que poderia medir quem lia ou transitava pelo blog. Logo, várias pessoas me disseram que não sabiam…

Pragas domésticas

Quem vive em casa, em bairros residenciais com terrenos baldios e abandonados, sabe do incômodo que é encontrar barata, rato, sapo, morcego, mosquitos, moscas, cobra, aranha, formiga, etcetcetcetc, vagando livremente – e muitas vezes, perigosamente – pelo jardim. Já tive invasões de ratos, sapos, morcegos e baratas. Formigas são uma constante para quem tem gramado…

Que foi que eu fiz?

Está tudo muito confuso na minha cabecinha. Quis aproveitar a janela aberta e respirar o ar puro e o sossego da noite, dar minha passeadinha diária e voltar antes que alguém reparasse minha ausência. Gosto de estar em casa quando a turma chega. Sempre ganho um colinho, um carinho na cabeça, palavras que não entendo…

Eu tinha uma gata preta

Eu tinha uma gata preta. Amava a gata preta que eu tinha. Alguém – não sei quem – a tirou de mim. Não sei se por maldade, crueldade ou simples falta de humanidade. Acredito que quem envenena gato, cachorro ou outro animal, ou é mau ou é cruel ou tem algo de desumano. A prática…

Nininha

Nina, Chanel, Chanelita, Nininha, Bebê. Era menina peluda negra, brilhante. Jeito de gatinha manhosa, meiga e mimosa. Chegou pequenina miando solto. olhou o olho amarelo no meu, e ficou. Nos encantamos. Meu olho azul e meu coração apaixonou. Dormia junto. Ao lado. Aos pés. À volta. O espaço era felino e afetivo. Fingia acordar quando…

Chove

chove lá fora! a grama cresce. eu escuto. os pingos caem. eu sinto.  folhas se amassam no vento que canta. cães latem, gatos miam. as nuvens escuras da noite se chocam. estrondam como carros que deslizam nas pedras da noite, molhadas e lavadas – na prata da luz – brilhosa e lustrosa. rebrilham sussurros perdidos e,…

Noite

Nina poderia ser Noite. negra e silenciosa, – camuflada de breu – misturada na escuridão, – esconderijo e refúgio – some. desaparece. confunde-se. de dia, quase uma pantera negra se esgueira suave e doce transita entre mundos e tempos. o olhar, sol que incendeia e aquece. Lanterna na noite. Farol no dia.

Brincadeira

Olho redondo Ágata dourada Pupila negra Espiralando em rodelas Maiores ou menores “Quer brincar? Quer brigar?” Nina me engole com o olhar Suga o instante A ágata vira ônix Granada de puro atrevimento O olho Agora negro como petróleo O pelo Preto cintilante da noite. O rabo batendo no compasso. Ela quer arranhar. Ela quer…

A arte felina

Sempre que assisto a leões espreitando zebras, impalas ou gnus, lembro do meu sumido Logan. A pose felina agachada se esgueirando silenciosamente, os ombros marcados ao alto, as pupilas dilatadas fixando o alvo, a concentração máxima, a preparação para o bote, a explosão nas quatro patas, a surpresa do desprevenido e distraído, a presa na…

Gatos

Não se fazem mais gatos como antigamente. Lembro dos gatos selvagens que viviam na minha casa, sobreviventes ao meu avô (o responsável para dar fim às ninhadas que se sucediam descontroladamente). Minos, Minas e Mingos comiam restos de comida, perambulavam pela casa antiga e fresca, de pé direito alto, e sesteavam debaixo das cercas vivas…