Deu pra ti 2017

O que dizer do ano que finda?

Houveram fatalidades da vida.

Retomadas e guinadas. O que parecia estar tomando um rumo,

rumou em outra direção.

Retomei o consultório. Ainda de forma tímida.

Mas, certa. Apesar das dúvidas.

A Psicologia faz parte de quem sou e me completa como ser humano.

Não posso, nem consigo, viver sem ela.

A Arte ganhou novos contornos.

A Pintura Espontânea ganhou técnica e estilo pessoal.

A Literatura, uma das minhas paixões, andou a passos curtos.

Mantive alguns dos meus hobbies. Outros, hibernaram.

Projetos foram cancelados. Adiados. Suspensos.

Repensados.

A vida pessoal teve seus solavancos. Entrei na menopausa.

E foi ela quem ditou os humores e rumores do ano.

A família vai bem. A saúde também.

Pra 2018, vou fazer enfim, meu Mapa Astral.

Decidi ler sobre Vidas Passadas e Botânica.

Fazer pão caseiro e Pilates.

Andar de bicicleta.

E deixar a vida acontecer.

Cada dia mais, percebo o plano maior.

Vou viver um dia de cada vez.

Ser feliz e cuidar dos meus.

Os planos, vou manter no horizonte ensolarado.

Haverá um se e vários porques,

quando for a hora de acontecer.

Pois,

Que venha 2018.

Balanço

Além dos lugares, aproveitei também 2017 pra viajar através de livros que há séculos me encaravam da estante, pedindo releitura. Quando decidi voltar a clinicar, me parecia correto reler textos e resgatar expressões da área psi, há muito empacotadas e adormecidas. Livros que foram fundamentais em outros tempos e momentos pediam outro olhar. Até porque, novas expressões e novos saberes habitaram meu dia a dia neste último setênio. O ano me trouxe Jung, sua história e inúmeros livros da Psicologia Analítica, Símbolos e Arte. Imagino que algumas teorias e percepções tenham mudado com a tecnologia que transformou o mundo e as pessoas que nele vivem. Quanto ao que li e reli, perdi o fio da meada. Dos que lembro – e ainda hoje são marcantes – estão “Complexo de Cinderela”, de Colette Dowling; “Homens que odeiam suas mulheres & As mulheres que os amam”, de Susan Forward, e “Perdas Necessárias”, de Judith Viorst. Três livros de autoajuda que sempre recomendo. “Neve”, de Orhan Pamuk, tem sido meu livro de cabeceira. Mas, o que deu o tom de 2017 foram as atividades em Arteterapia. Artigo científico, estágio, supervisão, leitura e muita pesquisa. Após 3 anos e meio, enfim, mais uma formação concluída. E a certeza do poder das ferramentas arteterapêuticas e da profundidade das bases teóricas. Através da Arteterapia me inseri no universo da cerâmica. Uma, ainda, ambivalência. Gosto. Apenas isso: gosto. Pra levar adiante, preciso de paixão desenfreada (assim como foi com as velas, a pintura espontânea, a literatura, o blog). O ano foi de conflito. Aprendizados. Escolhas e decisões. Como todos os anos são, o que beira a castigo e benção. Escrevi pouco. Me exercitei pouco. A eterna meta de emagrecer, permanece eterna.

brindando com espumante

Não sei se repito 2013, e deixo acontecer. Ou se faço lista de metas. Sinceramente, uma esdrúxula questão em aberto. Certeza única e irrevogável é ler e escrever mais. Publicar meu livro de poesias. Promover a vernissagem das telas de pintura espontânea. Voltar a clinicar mais. Muito mais. Fazer pilates. Ir ao cinema uma vez por semana. Passar uma semana por mês com minha mãe, no RS. E assim, já elenquei 8 itens pra 2018. Emagrecer e me exercitar mais. 10 itens. Renovar meu closet. 11 itens. Prefiro números ímpares.

Que seja.

Com lista ou sem lista, sinto que o ano novo, será cheio de colheitas.

Plantei, reguei e adubei durante muitos anos.

A hora da colheita se aproxima.

Os balaios estão a postos.

 

Sobre a Arte 2

Com o passar dos anos e das viagens, viajar tem sido um excelente exercício para os sentidos. Além de alguns pontos turísticos indicados, um dos programas tem sido a visita à museus e galerias. Na medida certa que é nada de exageros.

Ao visitar o impressionante National Gallery of Vitoria, em Melbourne – AU, pode-se observar a evolução da arte decorrente da própria evolução da raça humana, da arte e dos próprios artistas. Obras de Matisse e Picasso, de início de carreira, me empolgaram (eles também fizeram trabalhos questionáveis). Por toda a galeria, – ela própria um verdadeira obra arquitetônica da arte contemporânea – a exposição “Linguagem dos Ornamentos” mostra a evolução da arte (pinturas e esculturas), roupas, móveis, utensílios domésticos(cerâmicas e porcelanas) até chegar ao momento atual com impressoras 3D, o computador e o cinema 3D.

A mudança no conceito de arte – do século 13 até os dias atuais – exorbita aos olhos: a Arte Sacra, uma Pietá originária da Alemanha, Marco Antônio e Cleópatra, entre tantas outras esculturas, talhadas à mão, em mármore e pedra, evoluindo para os polímeros sintéticos das caveiras de Ron Mueck; a pintura lúgubre de El Greco à coloridíssima de Mark Rothko e Andy Warhol … sem contar a arte dinâmica de Yayoi Kusama (onde todos somos convidados a participar, colando flores adesivas em qualquer espaço do apartamento exposto), além da grande tela formada com espaguetes coloridos de piscina (coloquei a minha lá) … Pela primeira vez, cheirei aromas da natureza em peças de exposição. Sissel Tolaas é uma smell designer. Sua biblioteca pessoal é de 7000 aromas (como será que ela guarda os cheiros? Tipo essência?). Para ela aroma é informação. Quantas lembranças surgem instantaneamente quando algum cheiro familiar é deflagrado? Lembrei de um perfume da Avon que usava quando adolescente: Sweet Honesty: O aroma, ainda hoje, me transporta àquele tempo e lugar. Uma viagem no tempo e no espaço. E sem sair do lugar.

Sobre a arte? Ela mudou. E muito.

À primeira vista, a impressão é de pressa, pouco detalhamento, pouco acabamento, pouco conhecimento, pouco talento. Mas esta é a arte do nosso tempo. Ela, assim como os aromas, transmite quem somos e como vivemos. Nosso tempo. Nossa época. A abstração como forma metafórica de se fazer entender.

 

 

Os lugares de 2017

Neste ano, revisitar lugares vistos no decorrer de toda uma vida, aconteceu quase que por acaso. Assim como eu, alguns lugares surpreenderam, outros decepcionaram. Foz do Iguaçu (PR) foi uma grata surpresa. A infra-estrutura do parque é coisa de primeiro mundo. E as cataratas, únicas também. Já o Itaimbezinho (RS), decepcionou. Há 22 anos, quando conheci a região dos Canyons, a paisagem exuberante era selvagem e o acesso ao canyon feito com carro próprio. Hoje, a impressão é de abandono e pouco interesse na exploração e melhorias do local. Uma pena! O Canyon Fortaleza (RS), ainda rústico e selvagem, encheu os olhos e a alma de emoção. Macapá (AP) ainda é pobre, mas o Rio Amazonas, sempre majestoso, compensou. Até banho tomei nas águas mornas em praia de areias negras! Pra quem não sabe o Marco Zero cruza a cidade de Macapá, no Amapá.  Aquele por onde passa a Linha do Equador. Em Belém (PA), sujeira e pobreza. Mas, o que dizer dos sucos? Das frutas? E da comida? Simplesmente, divinas. Ver o peso, Icoaraci e a Estação das Docas, os pontos turísticos visitados. Faltou, porque sempre falta ver algo. O que fazer quando o calor e a umidade intimidam até o mais intrépido turista? Deixar para outra vez. O Cactário Horst, em Imigrante (RS), o maior de toda America Latina é sempre uma visita inesquecível. Assim como a serra e o litoral catarinense (Jurerê e Serra do Rio do Rastro) minha querida Colinas (RS), a fazenda dos amigos(SC), o Parque Ibirapuera (SP). O mundo, esta enorme aldeia global. Um mosaico de possibilidades.

Pensando nos passeios e viagens que fiz, lembrei de um conto africano:

“Certo dia, um índio viajou de trem pela primeira vez na vida. Ao chegar ao seu destino, a última estação do trem, ele desceu, se sentou num banco e ali ficou por horas a fio, sem se mover. Um senhor que trabalhava por ali, intrigado com aquele índio sentado há horas no mesmo banco, aproximou-se e perguntou o porquê dele estar ali sem fazer nada. Então, o índio, com aquela calma, típica dos serenos, respondeu que ele não estava sem fazer nada. Que como a viagem tinha sido muito rápida, ele  estava esperando a sua alma, que ainda não havia chegado.”

Creio que minha alma esteja por aí. Me procurando. Me buscando. Pronta pra se perder de novo. Afinal a grande viagem do ano ainda está por vir.

Assim como o ano que finda, viagens são um convite para a distração e o desencontro. Hora de desacelerar e se inteirar.

 

 

 

 

Sobre a arte

Tenho evitado comentar sobre a exposição das 270 obras do Santander Cultural de POA – RS, o QueerMuseu – Cartografias da Arte Brasilleira – e do MAM.

Primeiro por não ser especialista no assunto.

Segundo, por preguiça.

São tantos os viés do tema, que só de pensar em escrever …

isso não quer dizer que não tenho pensado no assunto, nem que não tenha opinião a respeito … muito pelo contrário.

Então, vamos lá.

Mais um pitaco num universo de pitocos.

Quando saíram as primeiras postagens, imagens e comentários sobre a exposição da QueerMuseu em Porto Alegre, fiquei sem palavras. Embasbacada, me definiria melhor.

Primeiro,

por ter sido usada verba federal (Lei Rouanet) no valor de R$ 800.000,00 (supõe-se que o valor seja devolvido aos cofres públicos) para patrocinar uma exposição destinada a gerar reflexão sobre a homofobia, lembrando que o respeito à dignidade humana é direito de todos, e a arte, um poderoso instrumento de expressão.

Segundo,

porque a mostra artística fez parte da programação escolar de estudantes da capital gaúcha mesmo trazendo imagens pornográficas, de zoofilia e desrespeito a símbolos religiosos. Embora o Santander Cultural não tenha um levantamento sobre quantas escolas levaram alunos para ver as obras, o próprio projeto da mostra estabelecia ações voltadas a esse fim. Ou seja, visitas e distribuição de material impresso para alunos e professores.

De opiniões do tipo “Vai quem quer”, “A mostra é de ódio e não de arte”, Arte é a representação da coisa. A representação da coisa não é a coisa.”, “não se persegue obra de arte.”, As crianças veem coisas piores na internet”, “a molecada faz coisa que até Deus duvida”…. Ok. Concordo. Vai quem quer? Sim. Vai quem quer. Particularmente, adoraria ver. Nada que aos 55 anos me traumatize ou ofenda. Certo? Não sei. Não vi.

O que sei é que vivemos tempos bizarros, de valores invertidos; uma sociedade líquida em que tudo é fluido, transitório e passageiro. Onde a corrupção, os interesses e a violência banalizam a vida. Onde as regras são meras sugestões, e a verdade, sempre relativa.

O que acredito é que o tema proposto e o objetivo inicial da mostra se perdeu. Não acredito que a comunidade LGBT se identifique com grande parte das obras da exposição. Daquilo que vi nas mídias, tenho certeza de que a mostra não é, em absoluto, destinado à crianças e adolescentes menores de 18 anos.

Não tenho diploma nem de Artes Plásticas, nem de Belas Artes. Sou psicóloga, arteterapeuta, especialista em psicoterapia psicanalítica de crianças e adolescentes, entre outras especializações e formações na área Psi. Artista autodidata de garagem/porão de pintura, papel, barro, pedra. Enfim, uma apaixonada por arte. Uma viajante inveterada que passa horas em museus do mundo todo, apreciando as mais diferentes formas e expressões artísticas. Do Prado ao Louvre. Do Museu de Picasso ao de Miró. Do Museu das Armas ao Museu do Sexo, em Paris. Museus de História Natural, ao ar livre e tantos outros. Já vi, imagino, um pouco de praticamente de tudo. De cadeira masturbatória no Museu do Sexo, em Paris, à Mona Lisa (A Gioconda, ou, Mona Lisa del Giocondo) de Leonardo da Vinci, no Louvre, também em Paris. Do teatro erótico em Hamburgo (na Alemanha) ao ping pong show em Bangkok (na Tailândia).

São 55 anos de experiências e vivências culturais. 55 anos.

Fico imaginando o que se passa pela cabeça de uma criança ou de um adolescente em fase de maturação sexual ao ver as cenas bizarras e/ou perversas de sexualidade – mostradas nas mostras, ditas artísticas – e mais ainda, se este tipo de exposição não seria uma forma de abuso sexual. Por mais precoces e informadas que sejam as novas gerações, a maturidade emocional destas crianças e adolescentes precisa, e deve, ser preservada. Cada coisa no seu tempo e contexto. A estimulação erótica inadequada, de forma alguma, irá contribuir na formação e resolução de uma personalidade coesa e saudável. Muito pelo contrário.

Quanto à exposição, acredito que existam espaços adequados para ela. Existe quem gosta deste tipo de “arte”. Se chegar à Floripa, certamente vou visitá-la. O que considero fundamental é a utilização de um método classificativo por faixa etária recomendada para assistir este tipo de arte. Afinal …

“Mais que representar alguma coisa, a obra criativa representa seu autor, uma época, uma cultura.” (Sara Paim)
“O artista é um homem coletivo que exprime a alma inconsciente e ativa da humanidade.” (Nise da Silveira)

Dito isso, espero que a polêmica das recentes exposições do QueerMuseum e do MAM estimulem uma profunda reflexão sobre o mundo em que vivemos e sobre o mundo que queremos construir para nossos filhos, netos e bisnetos.

No mosaico de fotos acima, um pouco da herança artística de nomes consagrados (outros, nem tanto) que marcaram seu tempo e fizeram história.

Arte em poesia

Fui crocheteira, tricoteira, bordadeira, tapeceira.
Linhas, lãs, agulhas e pontos me teceram meiga e carinhosa.
Acolhedora insaciável.
Aprendi a domar minhas entregas
pra não ser desperdiçada.
Me embrulhei em papeis, tesouras e estiletes
e recompus minha história em álbuns de retratos decorados.
Foram anos acertando pontas e redefinindo arestas.
Me apaziguei.
Perambulei por panos e fitas, letras e livros.
Me diluí nas tintas.
Vieram tempos desérticos e secos.
Dor. Decepção. Depressão.
Das paisagens áridas surgiram belezas.
Os cactos e as pedras
sopraram resistências e bravuras.
Dos espinhos vieram flores. Das pedras, esculturas.
Endureci.
Me impregnei de barro e pedra.
Fui ser ceramista e escultora.
Na paisagem, vislumbro muitos e novos tempos
O inóspito, como e desde sempre, me torneará.
Me bordará com novos fios.
No mosaico da vida, esperneio e encaixo. Aprecio a paisagem.
Das pedras ao ferro.
E depois ao pó.

Saudades do meu pai

Passei o dia amuada

– da cama quase não saí –

li, escrevi, organizei fotos e poesias.

O dia passou esquecido.

Era aniversário do meu pai. Nem acredito. Esqueci.

Lembro dele todos os dias. Mesmo estando ausente tantos anos.

Seriam os 80 anos do meu pai.

-“Feliz Aniversário, paizinho querido”-

Aplaquei minha saudade.