Simplificando o Natal

Acho que todos já ouviram falar da célula killer, aquela que dá início ao processo de destruição e morte do corpo humano. Há quem diga que também temos uma célula killer que elimina e aniquila emoções: decisões, sonhos e concepções de mundo. Algo como Complexo de Sabotagem. É quando a gente se ferra porque – consciente ou inconscientemente – escolheu se ferrar, mesmo sem entender porquê. Acredito na célula killer afetiva. A danadinha habita a superficialidade do nosso Ego. Ela acredita que tudo pode, merece e consegue fazer. E ambivalentemente, ela acredita que não merece o tudo de bom que tem, se sente culpada pela própria felicidade, pela sorte, pelas bênçãos conquistadas, por tudo de bom que existe no simples viver.

Tudo isso só pra dizer que às vezes a gente joga contra a gente mesmo.

A gente se sabota.

Se inflige dor, sacrifícios, renúncias.

Há anos recebo amigos por ocasião do Natal. Decoro a casa com o maior prazer e piloto a cozinha como a Dona Benta de Jurerê Internacional. Asso perus deliciosos, preparo molhos e farofas de comer sentado. Literalmente. Pelo menos eu como, pois meus joelhos e pés chegam ao ponto de não conseguir me manter de pé, tamanhos cansaço e dor. Ano após ano, prometo que vou mudar minha atitude e ser mais complacente comigo mesma. Encomendar peru assado de padaria, fazer arroz e maionese. Um trivial básico salpicado com muita uva passa.

No Natal de 2017 uma amiga sugeriu que minha casa comportava um pinheiro maior do que aquele que eu vinha preparando desde os tempos de São Paulo. Com o pé direito 3 xs maior, concordei com ela. E lá nos recônditos do meu ser, comecei a sentir minha célula killer afetiva se movimentando, ganhando espaço e atropelando minha decisão de simplificar a vida e meus Natais. Quando chegou o mês de outubro ela estava pronta pra dar o bote fatal e planejei ir ao Paraguai comprar a árvore dos sonhos da minha amiga, que agora, por tabela, também era a árvore dos meus sonhos. Facilitei a vida e comprei por internet. Em 3 dias,  estava em casa, a colossal caixa do pinheiro dos sonhos.

Montar e decorar o monstro de 3,5m exigiu 3 escadas em torno da circunferência de 1,7m, uma sacola cheinha de bolas, pinhas, anjos, papais noéis, etcetctec, pendurada no pescoço, e um sobe e desce frenético para dispor de forma uniforme, absolutamente tudo que encontrei que pudesse compor minha nova árvore de natal. Suplício foi pouco para definir a dor das pernas e joelhos. Estar fora de forma também. E só não despenquei do topo de nenhuma das escadas por detalhe. Cada nova investida ao topo exigia a conferência de que estava munida com absolutamente tudo que fosse precisar. Chega uma hora que os joelhos não dobram mais e as pernas recusam a empreitada. E apesar de todo esforço e de repetir a meu marido (e a mim mesma) a todo momento: “Como foi possível viver nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho?”, por mais que eu coloque badulaques na árvore, ainda falta muito adorno para que ela fique realmente com a cara da árvore de Natal dos meus sonhos.

Para o próximo ano, aquela viagem ao Paraguai deverá ser melhor planejada, e colocada em prática. Não acredito que vá encontrar na internet um mini-guindaste. Nem uma metralhadora pra eliminar de vez minhas células killers afetivas. Sem contar, nos enfeites de Natal. Ou compro ou faço.

Quanto a simplificar a vida e os Natais? Acho que ainda vou aguentar um tempo. Porque a árvore ficou linda e não sei mesmo como pude viver tanto tempo nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho. São estes pequenos – porém grandes – detalhes que fazem parte da alegria do Natal.

Um Feliz e Abençoado Natal a todos!!!!

Que assim como eu estão sentados de tão cansados; ou estão satisfeitos com o pinheiro de vaso na mesa de canto da sala de estar; ou com o peru encomendado da padaria; ou que vão presentear com vale-presente; ou simplesmente vão assistir o Natal dos outros na telinha da televisão, nos filmes cheios de neve e compras de última hora em New York; ou vão dormir e simplesmente, deixar passar. Porque amanhã é dia 26, a vida segue, e Natal é apenas Natal. Viva-o do seu jeito. Talvez nem todos sejamos vítimas de células killers natalinas.

 

Eleições 2018

As eleições de 2018 serão um marco na história do nosso país. Enfim, a sociedade acordou, teve acesso e informações sobre o que aconteceu em quatro mandatos do PT – o Mensalão, a Operação Lava Jato, o Petrolão, a queda do governo Dilma, 14 milhões de desempregados, recessão, violência desenfreada e tantos outros escândalos. O Facebook e o WhatsApp bombaram as campanhas políticas e o povo brasileiro, pode se envolver diretamente na escolha de seus representantes a governador, deputados estaduais e federais, senadores e presidente.

Pra guardar um recorte do que vivemos neste período, onde “petistas” e “bolsonarianos” batalhavam virtualmente por seus candidatos (Fernando Haddad e Jair Bolsonaro respectivamente) selecionei um dos posts em que houve troca de ideias na minha página de Facebook entre eleitores de ambos os candidatos. Durante todo o processo eleitoral evitei discussões desnecessárias (tive apenas uma mais calorosa). Mesmo assim, as mídias sociais tornaram-se terra sem lei, uma arena onde se brigou e discutiu como nunca. Amigos foram bloqueados e banidos … Outros silenciados.

O futuro é incerto. Cada lado luta por ideais, verdades, medos, desconfianças. A eleição parece absolutamente polarizada entre os extremos de direita e esquerda. Certeza ninguém tem de nada. O que me move, e move grande parte da população é um sentimento anti-petista (PTNUNCAMAIS) e a outra parte, o #elenão.

Que passem as eleições. Que comecem os novos governos. Que o Brasil saia da crise. Que o povo se acalme. Que as amizades se restabeleçam. Que a vida retorne ao doce balanço dos dias com a certeza da batalha travada e vencida, independente do resultado das urnas. Que vença o melhor. Pelo país e pelo povo.

Bolsonaro

“EU: Aqui em casa também!

Ana: Na minha tb.

Beatriz: Na minha também. Dentre eles o de acolher a todos os humanos, de respeitar as diferenças, de lutar por justiça social, de não aceitar autoritarismo, de valorizar cada vida independente da raça, cor, credo, religião, condição social…

Juliana: Tudo isso que citaste Beatriz e muito mais! Sem corrupção, sem apoiar ditaduras socialistas, sem mentiras, sem ilusão!

Beatriz: Sim…sem ditaduras, sem corrupção de todos os tipos e níveis, sem mentiras (tipo fake news), sem ilusões… Inclusive sem acreditar em mitos e em salvadores. Por isto mesmo me encontro entre a cruz e a espada hoje.

EU: Todos nos encontramos. Mas Beatriz e Jussara,13 anos de governo PT nos colocaram na situação que estamos hoje, com índices de violência e desemprego assombrosos, saúde e educação deficitárias … Precisamos de mudança. E só podemos mudar fazendo diferente. Vc realmente acredita que 46% da população brasileira votou em Bolsonaro pq somos fascistas, homofóbicos, machistas, torturadores? A equação é simples: PT roubou assombrosamente. Investiu fora do Brasil e isso não é Fake NEWS. Vivi isso pessoalmente. Lembra que mudei para Venezuela? A África era destino frequente de muitos executivos que ainda hoje frequentam a minha casa (engenheiros e CEOs das grandes empreiteiras do país que foram e estão sendo punidas via Operação Lava Jato). Por isso minha determinação em PT Nunca Mais. O que foi investido e perdoado nas ditaduras fora do Brasil pelo governo PT, poderia ter sido alento e avanço para nossa população e nosso país. Se o PT vencer é o fim da Lava Jato. Pq o que veio à tona até agora é apenas a ponta do iceberg. Ontem mesmo esteve na minha casa um ex executivo da Odebrecht que ainda vive em Angola, e que acaba de finalizar o mestrado na mesma Universidade do citado Ministro de Economia de Bolsonaro. O que ele disse é simples: se o governo não se meter e priorizar saúde, segurança e educação, a economia vai crescer, o desemprego cair. A vida do brasileiro vai melhorar. O Brasil precisa desta parada. Tentar outro caminho. Votar no PT, nunca votei, e não vai ser agora que vou votar. Quero o bem do meu país e do meu povo. Se só temos estas duas opções, eu não tenho nenhuma dúvida. Os avanços em termos de direitos humanos são garantidos pela constituição, e os até aqui, 46% da população não vão mudar isto e vão resguardar. Disso eu tenho certeza. Bolsonaro não representa a perpetuação no poder. Daqui a 4 anos, poderemos reavaliar. Ele representa uma parada no avanço do PT. Tenho amigos na Venezuela e o que está acontecendo lá é estarrecedor. Tenho certeza de que esses próximos 4 anos serão difíceis, mas necessários. E nós, como brasileiros, precisamos nos unir para que nosso país se torne um lugar melhor, mais justo de se viver. Somos um país riquíssimo e mais de 50% da nossa população vive na pobreza. É só olhar ao redor.

Jussara: Tenho muito medo deste jeito Bolsonarodeser.

EU: quando optei por votar no Bolsonaro, fiz uma pesquisa no Google, e realmente fiquei indecisa. Aí veio a facada e uma serie de situações, entre elas eu ter sido insultada em minha timeline. O que sei é que desde o início deste processo eleitoral, tudo sinalizava para os dois extremos. Bolsonaro jamais imaginou que se tornaria um dia um presidenciável. Falou porcaria pra caramba. PQ? Sabe-se lá. A verdade é que todos nós, nossos familiares e amigos já falamos e pensamos coisas politicamente incorretas. Só que não fomos gravados, nem estamos concorrendo pelo poder maior em nosso país. A política é suja e desleal e a sede de poder cega. Já circulei por Brasília (morei 2 anos lá) e quem lá vive, vive numa bolha. Não existem escrúpulos para se manter no poder. Felizmente, todos nós mudamos e evoluímos como seres humanos. Acredito que Bolsonaro também. Ele tem tido apoio de negros, gays e mulheres que não querem mais ser vistos como minoria e vitimizada . Ele não é nosso salvador da Pátria. Isso não existe. Somos nós, o povo brasileiro que temos de fazer diferente. Ser mais honestos e menos corruptos. Precisamos resgatar valores e ser modelo para as gerações mais novas.Precisamos nos unir e não nos dividir. Somos um só povo.

Jussara: meu problema é … será que vamos ter essa possibilidade de nós espressar que foi um direito adquirido e que agora podemos colocar na lata de lixo.

EU: mais garantido com Bolsonaro do que com Haddad. O processo venezuelano foi sutil, mas muito do que vi dos 13 anos do PT aconteceram por lá. Com a morte de Chaves, Maduro apenas apressou o processo de desmantelamento do país. Vive bem lá, quem é do partido. Aqui no Brasil, vive bem quem faz (fez) alianças com o partido. E isso tem de acabar. Precisamos voltar a valorizar a meritocracia. Lembro que eu tinha uma faxineira e pedi pra ela como era viver na Venezuela de Chaves. E ela, apavorada, olhou ao redor, e me disse cochichando: não posso falar, as paredes tem ouvido. Já era uma ditadura. Tenho um amigo que foi deputado federal por SC e tinha seu gabinete ao lado do de Bolsonaro. O cara não é um monstro, foi o que ele nos disse, impressionado pelo Tsunami que Bolsonaro representa. Vejo neste movimento por Bolsonaro um desejo patriótico por um país melhor.Por isso meu voto é dele. Sem medo de errar.

Jussara: nisso não concordo….não voto no PT … espero estar enganada com esse tal de Bolsonaro…esquecem tudo o que ele falou…

EU: não esqueço. E pesquisei. Por isso, o povo tem de se unir. Estar atento. Acho que toda esta discussão política mostra o quanto o povo quer e precisa de mudança. O que vejo é uma sociedade doente, neurótica e paranóica. Tenho lido e visto tantos absurdos que me entristeço com o que nos tornamos como sociedade. Todos queremos o mesmo: um país melhor. Um povo menos sofrido. Se vc pesquisar tudo o que Lula disse ao longo dos anos … E tenha certeza, meu envolvimento político não vai se esgotar com o final das eleições. Vou seguir em frente, acompanhando tudo o que estiver sendo feito. E se tiver de voltar a ir para as ruas, eu volto. Acho que todos os brasileiros precisam pensar e agir assim.

Jussara: Não aceito nada do Lula.. mas a livre expressão continua .. podemos falar o que pensamos…espero estar enganada. Acho que isso não vai mais existir.

Beatriz: eu entendo os argumentos. Mas coaduno com Jussara sobre o medo desse jeito de ser Bolsonaro. Tenho duras e sérias críticas ao PT, mas discordo que 50% da população viva em situação de pobreza. E vejo com meus olhos o quanto melhorou a situação de muitos com os governos do PT. Não que esteja ótimo. Entretanto, pesquisei muito o Bolsonaro e jamais votaria em alguém como ele. Acredito que corremos risco, sim, de ver morrer a democracia em nosso país. Ele, além do mais, demonstra um despreparo gigantesco. Sobre os extremismos, sou totalmente contra. E, amiga, assim como foste insultada por te posicionar favorável a ele, eu fui (e ainda sou) por me posicionar contrária. Tenho um cuidado extremo com as minhas manifestações, inclusive não replicando frases prontas e ofensivas aos apoiadores de, mas muitas vezes vi na tua timeline frases ofensivas aos que são contrários… só para pensarmos e estou aberta a me apontares se tenho sido ofensiva de alguma forma. Detesto essas discussões em fundamento, mas adoro debater pontos de vista diferentes, pois assim é que crescemos. Confesso que quando vi teu apoio a ele e também de outras pessoas que considero bastante, fiquei em dúvidas. Por isso mesmo fui pesquisar mais e mais… vejo que ele mudou a postura depois do atentado, mas não conseguiu me convencer. Sobre os 46% que votaram nele, me perdoe, mas muitos são os que seguem as massas sem sequer saber o que fazem, outros tantos são violentos, machistas, homofóbicos, preconceituosos. E poucos são conscientes. Da mesma forma em relação só PT. Infelizmente. E, por conta disso, a maioria sofre.

Beatriz: sobre a meritocracia, minha opinião é que em condições desiguais ela apenas reforça as desigualdades.

Jussara: Beatriz concordo contigo…

Jussara: A mulher que lutou para conquistar seu espaço tá votando num ser que não valoriza nem um pouco a nossa luta ..

Beatriz: Jussara, na verdade é muito mais profundo do que isto, no meu entendimento. Entendo que as mulheres lutaram justamente para ter o direito de escolha, livremente. Portanto, se preferem votar nele, paciência, desde que tenham consciência da escolha. Me preocupa muito mais essa credibilidade de que, caso não governe como se espera, que o tirarão. Eu não acredito que se consiga. Tenho visto colocações absurdas dos seus pares, inclusive querendo tomar atitudes ilegais e inconstitucionais. Até concordo que a constituição precisa ser revista em alguns pontos, mas o radicalismo que demonstram (sem contar a violência que se espalha por conta de seguidores mais fanáticos) me assusta.

Eu: Beatriz e Jussara, entendo os medos de vcs com Bolsonaro. O meu medo do PT é exponencializado centenas de vezes. Convivi de perto com o poder das empreiteiras e dos políticos. O Brasil é um país riquíssimo com uma economia contida, o estado inflado e uma população empobrecida. O Lula fez um brilhante primeiro mandato. E foi só. Se os gaúchos não reelegem governador/partido pq reelegeremos pela 5a vez o mesmo partido que nos colocou na posição que estamos? Talvez vcs não acreditem na venezuelização do país. Estamos no caminho, sem sombra de dúvidas. Basta pesquisar e ver tudo que foi noticiado e documentado. Por isso, minha posição por Bolsonaro é basicamente Anti -PT. Entre quem vota em Bolsonaro tem gente violenta, homofóbica etcetcetc. Tem. Tem também no PT. Tenho procurado não ser hostil nas minhas postagens. Meu maior objetivo é fazer com que as pessoas se deem conta de que o que o PT fez no Brasil é muito grave. Desculpa se ofendi. Também me senti ofendida muitas vezes. Mas é assim que é. Estamos todas pensando no melhor para o nosso país e nosso povo. E cada um tem sua opinião. Desde quando me posicionei a primeira vez, foi a única coisa que pedi: respeito à minha opinião. Respeito a de vcs. Se respondi a estes comentários, coisa que tenho evitado, é por consideração e por saber que vcs também são gente de bem. E dia 28, de um jeito ou de outro estaremos votando no futuro do Brasil. PT ou Bolsonaro. Depois é torcer e fiscalizar de perto tudo o que vai acontecer. Meninas, gosto muito de vcs e não vejo a hora de voltar a postar sobre literatura, cerâmica, psicologia e arte. Fiquem bem. Bjo

Beatriz: concordo contigo. Eu já retomei minhas potagens. Porque se ficarmos somente na política, o coração não aguenta. é muita sensibilidade afrontada. Amor deve ser a tônica!!! Bjo.

EU: Beatriz, assim mesmo!!!! Grande beijo

Jussara:‪ não quero ter me arrepender.

Letícia: Aqui também!!

Vanessa: Up #B17

Juliana: Estamos criando uma fantasia que vai se instaurar a ditadura militar! Só não se dão conta que o projeto de poder do PT é instalar uma ditadura socialista! O que é o foro de SP?? A Ursal e todos esses devaneios socialistas dessa turma??! Acordem!

Paula: Aqui também…

Renata: Também faço parte deste grupo.”

PS: Todos os nomes foram alterados pra garantir a privacidade.

 

 

A vida segue em frente

Segue mesmo. E por mais que tentemos resgatar algo que ficou pra trás, resgatamos apenas pedaços de um todo que já não existe mais. Esse algo completo, esse todo, faz parte do passado. Compreendi enfim, que é lá que deve ficar. Qualquer resgate será sempre parcial. A completude daquilo que vivemos no passado, só é completo lá. No passado. Decidi seguir em frente e só olhar pra trás por precaução. Não quero ser atropelada por lembranças perdidas num outro tempo. Decidi viver o aqui e o agora, atenta ao que a vida apresenta. Tem coisa boa? Tem. Tem coisa ruim? Também tem. Sou eu quem escolho. Aqui e agora é meu presente. Sou eu que escolho gostar ou não gostar. Decidi que gostar ajuda a superar o passado, o presente e o futuro, e seguir em frente.

Bolsonaro para presidente

Antes que atirem as primeiras pedras e me rotulem do que quer que seja, quero que todos tenham claro o básico: sou apenas uma mulher brasileira como tantas outras, cansada da violência, da impunidade, da corrupção, do mau uso do dinheiro público, da politização da miséria, da falta de limite indiscriminado em todos os setores da sociedade. Sou mãe, esposa, filha, amiga, colega, psicóloga, artista, escritora e uma leitora voraz.  Austin Leon, autor do interessantíssimo e criativo livro “Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade – afirma que “Assim como você tem uma genealogia familiar, possui também uma genealogia de ideias. Você não pode escolher sua família, mas pode selecionar seus professores e amigos e a música que escuta e os livros que lê e os filmes aos quais quer assistir. Você é de fato um mashup do que escolhe deixar entrar na sua vida. Você é a soma das suas influências.”(pg. 19)

Ou seja, somos todos influenciados:

  1.  pelos livros/revistas/jornais/mídias digitais que lemos;
  2.  pela música que escolhemos ouvir;
  3.  pelos noticiários que assistimos. Só por curiosidade, alguma vez vc já se perguntou quem seleciona as notícias que vc ouve e vê diariamente no rádio e na TV e porque foram justamente estas as notícias escolhidas, quando há tanta outra coisa tão ou mais importante acontecendo à nossa volta, no nosso país e no mundo?; Já se perguntou qual o interesse por trás da perspectiva, do contexto isolado do todo ou o viés abordado pela emissora?
  4. pelas ideologias e pessoas que decidimos seguir. O que vc realmente sabe sobre as ideologias e as pessoas que segue? Vc pesquisa, estuda, questiona, ou apenas segue a manada? Questiona verdades e mentiras ou prefere mergulhar no lodo do oásis paradisíaco?

Vc sabia que de tanto repetir a mesma mentira, ela acaba se tornando uma verdade? Por isso, cuidado. Preste atenção. O que ou quem realmente propulsiona suas ideias, seu coração e suas entranhas? Qual o mundo que seus olhos realmente veem ou que o fazem ver?

Somos todos seres únicos e ao mesmo tempo, um complexo e intrincado conjunto de muitos. Muitos palpites e opiniões. Muitos diz que diz. Muitas modinhas e teorias mirabolantes. Muitas crenças, princípios e valores. Muitos amigos, muitos influenciadores de opinião. Somos todos seres bombardeados por todo tipo de interesses. O tempo todo.

Há que se usar um filtro. Uma peneira para separar o joio do trigo.

Do povo brasileiro sorridente e hospitaleiro nos tornamos o povo da desesperança; o povo da fome e da miséria de tudo que nos faz humanos: educação, segurança, saúde, casa, comida … Somos subjugados – feito baratas tontas – pela ganância cruel e implacável dos políticos que elegemos para representar nossos interesses. Interesses? O que vejo são conchavos e mutretas. E uma engrenagem gigantesca cujo único objetivo é criar uma “casta” de políticos, funcionários do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, cheia de privilégios, dignos dos Deuses do Olimpo. Sei que existem sim, políticos corretos e honestos, querendo o que todo o povo brasileiro quer: um Brasil melhor para TODOS os brasileiros. Pena pela representatividade tão pouco expressiva.

Poderia falar de Lava Jato (com detalhes da cova da Jararaca). Poderia falar dos impostos exorbitantes usados para manter a fome descabida da máquina pública – um Tiranossauro Rex Tupiniquim -. Poderia falar do desemprego, da violência, da falta de hospitais, escolas, creches, estradas, portos, aeroportos, ferrovias, incentivo às Ciências e Cultura, melhores salários aos policiais, bombeiros, professores, médicos, servidores públicos competentes e dedicados …  Poderia … escreverei mais adiante.

Infelizmente, grande parte do povo brasileiro está desempregado ou subempregado, a corrupção e a violência rolam soltas de norte a sul, leste a oeste do país, esfolando do mais alto ao mais baixo escalão do boteco da esquina ao Palácio do Planalto, no Distrito Federal. Nosso povo está infectado, nossas empresas infestadas. A corrupção virou um câncer na alma do brasileiro, devastando a esperança e a alegria de ser. Metástases de violência, desrespeito e intolerância estão nos segregando e nos colocando em lados opostos de trincheiras e posições. O certo e o errado passaram a ser relativos e confusos. O ser humano passou a ser coisa. Os interesses passaram a governar nossos afetos e comportamentos.

E tudo o que queremos não é um Brasil melhor para todos os brasileiros?

Porque eu vou votar em Jair Bolsonaro? Porque ele é o homem certo para este momento do Brasil.

Ele é o melhor candidato? Não. Mas nenhum dos outros candidatos vai ter a coragem necessária para fazer o que precisa ser feito pra colocar o Brasil nos trilhos. É urgente que se extingam ministérios ineficientes e dispensáveis. É urgente que se reduzam privilégios, salários e mordomias de ministros, deputados estaduais e federais, assessores e gastos supérfluos. É urgente que se revise a quantidade necessária de vereadores para cada município. É urgente que se cortem cabides de emprego, bolsas e cotas pra quem não precisa. É urgente que se coloquem as contas públicas em dia.

Vc realmente acredita que candidatos de carteirinha que fecharam acordo com os mais diversos partidos – pra ter mais tempo de propaganda de televisão – terão coragem de cortar na própria carne? Sem contar que os ministros escolhidos serão os velhos politiqueiros – dos ditos partidos políticos -, que nadam nas águas da impunidade e do foro privilegiado há tantos anos, que suas falcatruas/ roubos/ corrupção acabam expirando no tempo e memória de todo mundo.

E o STF? Alguém ainda respira aliviado quando algum tema sério é levado para votação? Sem contar, o absurdo de tempo e dinheiro gasto, em votações, cujos votos o Brasil inteiro sabe de antemão como serão.

Acredito que o que está faltando no Brasil é RESPEITO:

  • À CONSTITUIÇÃO
  • À todas as leis existentes: dentro de casa, nas escolas, no trânsito, em todas as instituições públicas e privadas;
  • Que os limites sejam claros e cobrados; que pais possam agir como pais, professores como professores, policiais como policiais …
  • Direitos Humanos? É pra todo cidadão brasileiro. Certo?
  • Direitos e Deveres para todos. Certo? É assim que funciona na maioria dos países. A impressão que tenho, é que no Brasil, todos conhecem muito bem seus direitos. Já os deveres …
  • População armada? Concordo plenamente. Já tive minha casa assaltada, meu cachorro envenenado e morto covardemente, armários quebrados, familiares amarrados e presos no quato. Sei da sensação de desamparo, falta de proteção e de impunidade. Hoje mantenho um espeto ao lado da porta para a eventualidade de precisar me defender, porque o bandido que for chegar, vai chegar chegando, armado e disposto a tudo. Enquanto a população de bem se desfez das armas, a bandidagem arrematou o que conseguiu surrupiar dentro do Brasil e ainda trafica arsenal de guerra do Paraguai e outros pontos pouco fiscalizados das nossas fronteiras. Acredito que todo bandido teria um pouco mais de receio para invadir uma casa, sabendo que pode existir alguma forma de proteção, que não apenas espetos e vassouras.
  • Respeito à todo e qualquer ser humano: negro, índio, gay, transexual, homens, mulheres, crianças, pobres, gordos, feios, doentes … Somos todos seres humanos, dignos de consideração e respeito.

Não tenho partido político. Tenho amor pelo meu país. Tenho amor a meu povo.

Raramente escrevo sobre política, se bem que todos praticamos política dentro de nossas casas, com nossos familiares, vizinhos e toda coletividade. E todos sabemos o que acontece quando fazemos conchavos e fofocas. Quando cometemos injustiças. E é isso que vejo acontecendo no Brasil. A grande família brasileira perdeu o rumo.

Quando Bolsonaro fala, sinto a tensão e o medo da mudança no ar. Ele não fala manso. Não é demagogo. Diz o que pensa. E fala o que muitos brasileiros querem ouvir pra voltar a acreditar que o Brasil tem jeito. Eu acredito que o Brasil tem jeito. E é por isso que decidi compartilhar minhas ideias sobre este momento  político brasileiro. Porque acredito que se é para mudar, tem de fazer diferente. E a mudança, por mais assustadora que possa parecer, precisa acontecer. Por que escolheríamos “mais do mesmo” pra continuar dilapidando a pátria e a alma do brasileiro?

Aliás, não fomos todos às ruas gritando por um país diferente?

Só vejo uma alternativa para mudar: Minha aposta é Bolsonaro.

Pra onde

Talvez não sejam as coisas que estava fazendo ou deixando de fazer. Querendo sem saber o que querer. Percebo que o que me incomoda é como ando fazendo as coisas acontecer. Mais pelos outros. Menos por mim. E aí me pergunto? Ainda tenho algo a provar para alguém? Ando farta de cobranças … quantos pacientes você está atendendo? … tem mais tinta no chão e nas paredes do que nas telas, não acha que já deu, que a tela está pronta? … como você consegue cozinhar numa cozinha tão bagunçada … porque você não guarda logo o que já usou, invés de deixar jogado pela bancada … cadê o pano de prato que já guardei trezentas e duas vezes no lugar. Vou sair daqui …

Foi? Graças a Deus!

Adoro trabalhar e produzir sozinha.

Sozinha pra fazer como e quando quero.

Cozinha tem de ter alquimia

Com um cem mil de louças à disposição, panos de prato a postos,

temperos, cor, cheiros e excessos e atribulação por todos os lados.

Só sei cozinhar assim:

tentando, errando, aprendendo. Experimentando.

Meu atelier de pintura repete a fórmula.

Brahms e Bethoveen dão o tom, o incenso perfuma … as tintas e as espátulas esparramadas vão se reencontrar tantas vezes quantas forem necessárias.

Quanto ao consultório … ele tem sido meu ponto de encontro comigo mesma.  Recomeçar nunca é fácil, é quase um soco no estômago.

Algum tempo atrás uma colega de profissão ao saber do meu retorno aos consultórios fez um comentário bem profético:

“a gente deve andar pra frente”.

Começo a compreender aquele comentário:

os poucos pacientes que atendi, os muitos movimentos que fiz (entre projetos, telefonemas, reuniões, eventos, apertos de mãos e outros tipos de ações) tem sido um “deja vu” incômodo.

Já fiz muito disso. Demais até.

Sobressaiu minha bendita irritação menopáusica.

As pessoas estão complicadas demais,

os pais se tornaram chatos e incoerentes,

as crianças pensam que são adultos em miniaturas,

as mulheres não aceitam levar um fora do namorado,

e os homens, de tão inseguros  que estão,

deveriam morrer em seus quartos jogando vídeo games.

Quanto a mim, sou o que restou do romantismo psicológico.

Por mais que tente e entenda, nos tornamos mero negócio.

A magia e o desconhecido andam perdidos por aí.

Vou ser detetive.

 

Areando panelas

Em algum momento, perdido entre minhas idas e vindas ao consultório, meu rebuliço nas tintas, entre o fogão, os livros e as mensagens de whatsaap, algo aconteceu. Não era nada daquilo que eu queria. Não que estas coisas não fossem importantes. Até eram. Mas não eram nem tão importantes, nem exatamente o que eu queria que fossem:

Retomar o consultório era resgatar o passado. Conhecido e bem sucedido. Será que ainda quero?

Pintar era conquistar algo novo, porém, jogado inadvertidamente em meu colo, sem consentimento ou querer bem. Um hobbie transformado em profissão? Quero realmente isso?

A cozinha sempre foi espaço meu de direito, desde que me conheço como neta da avó Anita. Entre bolos de cenoura com cobertura de brigadeiro, suflês de queijo e pipocas açucaradas, os anos desbotaram o sabor do delicioso trivial e exigiram moquecas e casquinhas de siri com azeite de dendê, macarrons, carne de paca com farofa de ameixa preta e vinho madeira, entre outras excentricidades com ares de sofisticação. Nos meus raros momentos de cerco ao palácio alquímico de casa, ando amassando massa pra fazer pastel recheado de carne moída com ovo e sem ar. De comer ajoelhada. E se for frita em banha de porco, beijo o chão.

Quanto aos meus livros, eles se bastam e se recolhem quando nada mais espero deles. Eles tem a delicadeza de esperarem sua vez. São companheiros fieis. Alguns, esnobes, entrincheiro entre os bons. Que aguardem!

Já minhas conexões virtuais – uma verdadeira epidemia universal – tem seu tempo e espaço, mas em hipótese alguma, dão conta do meu mundo e minhas necessidades. Coisas da modernidade líquida.

A casa, de repente, ganhou um novo general: marido aposentado tem disso. Acredita que precisa dar ordens e organizar tudo que está errado (e que sempre funcionou maravilhosamente bem).

Cedi, pra evitar a terceira guerra mundial entre vassouras e panelas. Cedi, mas não engoli tamanha intromissão. Estou areando as panelas.

Evoluindo…

Na sociedade, dita matricêntrica, a mulher era o núcleo, a figura central. Como pariam os filhos e perpetuavam a espécie humana, eram valorizadas e importantes. Não se sabe quando o homem descobriu seu papel na reprodução, mas foi a partir de então – segundo antropólogos e estudiosos – que eles passaram a controlar a fecundidade das mulheres e assim a controlá-las como pessoas.

Com a descoberta dos anticoncepcionais – na década de 60 – a mulher retoma o poder de gerir sua própria fecundidade, além de separar definitivamente, sexo e prazer. Cabe a ela decidir se, quando e quantos filhos quer ter. Ao mesmo tempo, a Revolução Industrial com todos seus progressos e facilidades, criou uma indústria moderna que dispensava, na maioria das vezes, a força física do homem, permitindo à mulher manter-se a si própria e a seus filhos.

Assim, a mulher, o casamento e a própria sociedade começam a mudar significativamente e inexoravelmente. Em 1977 é aprovado a lei do divórcio no Brasil e com ele novas e mais profundas mudanças acontecem na sociedade brasileira. Famílias se separam, se dividem. Outras se somam e se multiplicam.

Há quem diga e acredite que a família está se espatifando e acabando. Perdendo seus alicerces e sua estrutura, se desconjuntando e transformando-se numa entidade deformada e anormal.

Particularmente, acredito que a família apenas está mudando e se adaptando a novos tempos e novas necessidades. Não acredito na extinção da família. Acredito na evolução da família como única forma de se perpetuar e sobreviver.

uma flor para vc