Souplat de crochê

Minha amiga Isa disse que fez mais de 200. Por isso me deu a receita do modelo. Ela já sabe de cor. Imagino. Estou no sexto souplat e também – quase – já sei de cor.

Fácil e rápido de fazer, o modelo fica uma graça para servir a mesa no maior capricho. De repente me animo e faço como Isa. Um montão de souplats pra dar de presente e vestir a mesa de todas as cores. A ideia me agrada.

A receita é fácil de seguir e a maior dica que posso dar é: comece com 7 correntinhas e fique atenta aos pontos baixos e baixíssimos. São eles que definem o acabamento perfeito.

 

Descansa pés

Ou seriam puffs? Pra mim tanto faz. São úteis e muito fofos.

Assim que vi na casa de uma amiga, decidi que faria alguns: um ou dois pro atelier, três pra casa da minha mãe, mais alguns de reserva. Gosto de presentear amigos com meus trabalhos. O preço e o resultado final compensam: sem contar meu trabalho – que é pura curtição – cada puff deste modelito (redondo, quadrado ou retangular) custa cerca de R$ 70,00.

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Depois de providenciar os materiais, hora de crochetar. 

Assim que começo o primeiro trabalho com fio de malha percebo que existem falhas/nós em toda sua extensão. Algo em torno de 10 falhas por kilo, que é como a gente compra o fio de malha. Cones de 1kg. Aprendo a cortar a falha e colar com a cola universal para artesanato. Seca rápido e a falha desaparece na trama do crochê.

 

O que pude perceber neste início de curso é que tudo gira em torno do ponto baixo, baixíssimo e alto. E as correntinhas. Prepare-se para desmanchar seus trabalhos, pois conforme o material do fio (lycra, malha fina ou grossa) ele pode ficar grosseiro ou espichar demais. O puff creme tive de refazer 3 vezes, porque o fio de malha usado era fino e elástico e se espichava demais.

A novidade foi o círculo mágico. Aprendi por repetição. Faz, desfaz, faz, desfaz, faz, desfaz até aprender. A grande vantagem de iniciar o crochê com este círculo (e 12 pontos altos) é que facilita muito o trabalho com o fio de malha, que normalmente, é muito grosso.

Esse tutorial ensina exatamente do jeito que aprendi a fazer.

Para este tipo de puff, várias etapas são trabalhadas:

  1. A pintura das bases de madeira. Optei por este stain. Um tipo de verniz fosco que precisa de duas demãos para dar um acabamento adequado.

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2. Preparação do forro de tecido para o estofamento. Depois de cortar a espuma com uma faca de pão, no tamanho da base do puff (acho que poderia aumentar uns 2 cm do valor exato), é hora de fazer a capa de tecido. Um conselho: leva para um estofador ou costureira. É mais fácil. Até tentei fazer, embalada pela série “O tempo entre as costuras” da Netflix. Mas, diferentemente da personagem Sira Quiroga, não levo jeito para costura.

 

Como a parte de baixo da espuma fica em contato com a base do puff, aproveitei esta capa horrorosa que costurei. O encaixe é feito com a última carreira do crochê que depois de diminuído – em ponto baixo – e concluído, é finalizado com o fio de malha remanescente, transpassado com agulha de tapeçaria. Puxa-se com força (cuidado com o fio que pode se romper)  até que o conjunto crochê + espuma fique bem firme sobre a base de madeira.

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Ajeita o crochê e está pronto.

 

Cerâmicas Inacabadas

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Decidi dar um tempo na cerâmica. Não pela cerâmica em si. Que aprendi a amar, fazer e vou continuar fazendo. Num outro momento.

Decidi dar um tempo, porque tem hora que a gente precisa entender e aceitar o que está escrito entre linhas, ou como pude perceber, entre as trintas peças cerâmicas produzidas e não finalizadas. O que elas estão me dizendo? Porque, quase que apenas elas, entre tantas peças de tantas colegas, ficaram pra trás e não foram queimadas? Algumas sequer biscoitadas? Uma enorme tristeza me assaltou quando percebi que meu fazer incomodava quem deveria me incentivar e motivar.

Decidi não sofrer mais com o descaso e o desleixo alheios, os eternos ranços e desculpas.

Decidi trazer minhas peças cerâmicas inacabadas para casa e curti-las como estão. Frágeis e inacabadas. Estou como elas. Simples argila modelada e seca. Falta a energia, o calor e a força do fogo que virá no devido tempo. Outras artes me preencherão. Vê-las abandonadas nas prateleiras era ver-me igualmente abandonada.Juntas nos fortaleceremos. Pressinto e sinto isso.

Decidi esperar a tristeza e a decepção abrandarem. Depois vou em busca de um novo espaço de arte cerâmica, de novas energias e conhecimentos. De um novo professor.

É do que eu e minhas cerâmicas inacabadas precisamos.

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Crochetaria

Não sei exatamente quando aprendi a fazer crochê. Era menina ainda. A mãe de uma amiga ensinou e nós duas fizemos quilômetros de correntinhas. Pra fazer, enrolar e depois, desenrolar e desmanchar. Vieram outras professoras, amigas, cunhadas, colegas. Cada uma ensinando um ponto aqui, um arremate ali. Sempre fugi dos esquemas, receitas e revistas com pontos endiabrados. O básico do crochê sempre me satisfez.

Anos atrás, fiz minha primeira manta de crochê de lã. Depois dela, vieram outras oito. Todas doadas.

2018 12Em 2018 resolvi inovar. Andava às voltas com mandalas e círculos. E assim, fui fazendo círculos de crochê enquanto assistia à filmes e séries dubladas da Netflix.  Quando chegou a hora de emendar um círculo no outro, achei que precisava de ajuda. Era hora de fazer aula com quem entendia do assunto.

Além da manta de mandalas e círculos, que segue no paralelo, o que tem agitado meus dias é a novidade do fio de malha e todas as suas possibilidades. Pra quem não sabe, o fio de malha, também conhecido como trapilho, é produzido a partir da reciclagem de retalhos de malha que sobram da indústria têxtil.

E o crochê do fio de malha nada tem a ver com o crochê da vovó. Moderno, funcional, rápido e fácil de fazer, ele vai bem em praticamente toda casa e no vestuário também. A lista do que e pra quem fazer está cada dia maior.

O primeiro mutirão vão ser os puffs. Muuuuuuitos puffs.

Pra começar comprei fios e agulhas. Bases e espuma também. É hora de começar a crochetar e experimentar.

O resultado da crochetaria vou postando aos poucos. Com passo a passo, dicas, fotos, etcetcetc e tudo mais.

Poltronas restauradas

Sabe aquelas poltronas de rattan ou vime queimadas pelo sol?

Tinta nelas.

Já tinha feito, anos atrás, uma pintura provençal. Não gostei.

Nesta nova repaginada, primeiro pensei no preto. Depois, vermelho. Laranja. Goiaba.

Queria ousar. Fui de verde. Desisti.

Me ative ao programado: preto combina com tudo.

Sem arrependimentos.

 

Making Off DI em Lajeado – RS

Quando liguei pra Claudine – do SESC – oferecendo levar a exposição Diálogos do Inconsciente pra Lajeado, não imaginei que em 37 dias estaria expondo no Shopping de Lajeado. Trazer pra cá os Diálogos do Inconsciente é tipo “Se Maomé não vai à montanha então a montanha vai à Maomé.” Mesmo pronta, a exposição exige ações do porte da mesma. As telas são grandes. A quantidade também (e isso que várias telas não viajaram pra Lajeado).

Decidi não pensar nestes detalhes e viver o momento. Fiquei felicíssima.

Lajeado me viu crescer e florescer como psicóloga e mulher independente. Foi onde vivi momentos inesquecíveis e fiz incontáveis amigos. Expor em Lajeado tem a ver com um projeto e processo pessoal e como disse minha amiga Jussara “O bom filho à casa torna! E quando retorna com uma obra grandiosa, a Terra o aplaude!” Palavras inspiradoras. Que assim seja!

Passado o momento feliz, hora de cair na realidade: definir quais telas levar; como transportar; burocracia … Apesar de noites mal dormidas, momentos de ansiedade, no final, sei que tudo se ajeita e acontece.

convite DI

E assim, no dia 22/02 iniciei os preparativos para a exposição: depois de definidas quais obras levar, hora de preparar “as meninas” (como chamo carinhosamente minhas telas) para o passeio, embrulhá-las em plástico bolha, acomodá-las na camionete (Obrigada maridão pela força!!!!), viajar 600Km a 80-100Km/h, chegar em Lajeado com 37o C, descarregar, recolher outras telas na casa da mãe e de Lajeado e integrá-las à exposição. Dia 25 é dia de preparar os totens/biombos e os cavaletes e pensar na apresentação.

 

E aí amanhece o dia 26, o grande dia. É hora dos ajustes finais. Posicionar os totens e cavaletes. Prender as telas maiores. Organizar o espaço para projeção de vídeos e o coquetel. A exposição está preparada.

 

 

Diálogos do Inconsciente – como tudo começou

Difícil acreditar que não houve programação nem para a pintura das telas, nem para a exposição Diálogos do Inconsciente. Aquele tipo de coisa que simplesmente acontece porque tem de acontecer.

Havia feito releituras de pintores famosos de 1996 à 2000 com professores, pinceis, técnicas e escolas. Abandonei os cursos porque não conseguia dar aquelas pinceladas marcantes e fenomenais. Era boa nos fundos, nos preenchimentos, uma ou outra sombra, algum reflexo. Meu tempo era escasso. A dedicação também. Fechei a maleta de tintas, limpei os pinceis, emoldurei as últimas telas. Me recolhi. Não queria mais aquela obrigação de mostrar um trabalho que não me satisfazia. Voltei aos crochês e ao bordado arraiolo. Me dediquei à família e à carreira. Brinquei com paisagismo e, jardinagem. Fui ler e escrever. Viajei.

E um dia, passados 15 anos, renascia o desejo de trabalhar com as tintas. Encomendei uma tela. Grande até para meus padrões anteriores. Como dizia minha professora Anelise Dessoy, uma telinha era como um cocô de mosca na parede. Uma tela de 1,00 X 1,50 era outra coisa. Um espaço todinho meu. Pintei, lambuzei, repintei, colei, raspei, pintei de novo e de novo. Um trabalho de persistência e experimentação. O resultado agradou. “Mudança”, a tela da adega, reflete exatamente meu momento de vida.

Depois dela, vieram outras.

Durante quatro anos, uma ou duas vezes por ano, quando sentia aquela necessidade de pintar, encomendava telas, providenciava tintas, e, chegada a hora, forrava a garagem com lona plástica preta e organizava todo material. Abria uma garrafa de vinho e convidava Beethoven, Mozart, Schubert, Brahms e Strauss a dar ritmo e movimento. O incenso aceso me conduzia a um estado onírico de entrega total. As telas iam ficando prontas e eu as colocando nas paredes. Elas conversavam comigo e eu com elas.

Chegou o momento de apresentar o artigo científico para a conclusão da minha formação em Arteterapia. Depois de aventar sobre diversos temas, escrever sobre meu processo arteterapêutico, me pareceu o único tema possível. Nascia assim os Diálogos do Inconsciente. Meu artigo arte-científico ganhava contorno e forma com teoria, técnica e vivência pessoal. Nesse meio tempo, um amigo entendido em arte e nos trâmites para expor, descobriu minhas telas e agendou minha primeira exposição no Espaço Cultural BRDE, em Florianópolis, em 2018.

A partir daí a coisa ficou realmente séria. Expor minhas telas era me expor. Era expor meu inconsciente e meu processo terapêutico. Era arte. Era terapia também. Era Arteterapia pura.

Passado o susto, foquei na exposição: a finalização e acabamento das obras; a burocracia do espaço cultural; a contratação do coquetel e garçom; a curadoria e o projeto da exposição; o transporte e a montagem e o mais difícil de tudo: colocar preço nas obras. A terapia virou negócio.

Depois da primeira mostra, uma certeza: o inconsciente coletivo é bárbaro.

O meu, o teu e o nosso inconsciente se revelam entre cores e formas.

Os Diálogos do Inconsciente prometem uma conversa interessante.

Venha também.

Eu e Sinapses

Eu e a tela Sinapses (vendida em Florianópolis)