Tábua de frios

A propaganda não é para o vinho. Nada a ver com o meu paladar. O salame e o pepino, sim!!!! Ambos, uma delícia. Mas o post é para a tábua de frios. 

Para quem não conhece, este é um “plat pleta”, ou, martelo para bater roupa suja. Como comentou uma amiga “A mamis tinha um destes no super tanque dela com duas pias, que virava piscina no verão. Até instrumento de guerra dos 3 anjinhos dela.” Os antigos lembram bem deste apetrecho de limpeza. Era batendo com esta marreta de madeira que se tirava a sujeira da roupa muito suja. Como morávamos nas margens do Rio Taquari, era comum as lavadeiras – lembro da minha avó aproveitando a movimentação e acompanhando o séquito – levando trochas de toalhas, lençóis e colchas para lavar nas águas limpas do rio. Aproveitavam as pedras, ensaboavam bem as roupas molhadas no rio e batiam com este apetrecho. Depois de limpas, torciam entre duas e estendiam a roupa  nos galhos das pitangueiras, deixando antes para “quarar” nas pedras quentes do caminho do rio. O dia era de festa. Entre as lavadeiras e as roupas, nós, as crianças aproveitávamos para tomar banho e brincar nas águas imprecisas do rio.

Uma memória de outros tempos reavivada agora, com a reciclada tábua de frios em que sirvo petiscos quando estou em Lajeado.

E pensar que levei algumas palmadas com este troço.

20.000 livros

20.000 livros

Foi o que chamou minha atenção da biografia de Susan Sontag. Ela vendeu sua biblioteca a uma universidade norte-americana pelo valor de hum milhão de dólares. Dinheiro este, usado para a compra de um apartamento para seu filho. 20.000 livros é muita coisa.

Por isso, ao arrumar, limpar e reorganizar a biblioteca me vejo contando meu acervo literário. Mal comecei a epopeia (que deve durar ainda uns 3 dias) e me vejo já cheia de dúvidas: devo contabilizar os livros de meus filhos (requisitados e lidos), a enciclopédia Barsa que era de uso familiar, os livros de viagens, o coleção de Casanova que herdei de meu pai?

… ainda vou decidir. Tem uma fileira de livros de engenharia, livros de publicidade da minha filha, tem os “Onde está Wally?”, “Kalvin e Haroldo”, “Uma história por dia, da Disney”, enfim, o acervo de toda a família: muitos livros foram doados ao longo dos anos (principalmente leituras obrigatórias, livros escolares, atlas e dicionários). Grande parte do que restou, ou é meu, ou do meu marido. 

Por enquanto estou contando. Cheguei em 780 livros, faltando os livros que estão na casa de Lajeado, o nicho não trabalhado, os livros de culinária, os emprestados … enfim, devo chegar aos 1000 livros. 

E 20.000 livros é livro demais. 

As pinhas e o Natal

Alguém mais adora pinhas para a decoração de Natal? Por mim, a árvore de Natal precisaria apenas de luzes e pinhas. Minhas pinhas são antigas e bastante usadas, do tempo em que eu vivia em Lajeado e fazia caminhadas quase que diárias pelo Bairro Carneiros, e trazia em cada mão, como se fosse um peso, uma bela e bem formada pinha caída ao chão. Percebo o quanto elas perderam o viço e a cor. Então, este ano resolvi dar um trato nelas: Carreguei o flit ( que uso para esmaltar cerâmicas) com óleo de peroba e pulverizei uma a uma, depois dei acabamento com pincel velho, deixei secar e elas ficaram assim: como se tivessem acabado de cair do pinheiro. Nada de verniz ou dourados. Pinha bonita é pinha in natura” com peroba.

Sala de jantar – um espaço cheio de história

Tudo começou com a mesa – presente de minha mãe. 

A mesa era da minha avó, mãe da minha mãe. O primeiro passo foi retirar a camada de tinta à óleo cor de laranja. Anderson foi quem fez (conheço o processo trabalhoso e extremamente tóxico de retirada da tinta). Com a peça livre de tintura, usei Osmocolor Natural para a base da mesa e tinta preta fosca para o tampo, judiado por cupins e lascas soltas de madeira. Após tratar e preencher os buracos e vãos com massa de preenchimento de madeira, o tampo foi lixado. Originalmente pensei deixá-lo ao natural como a base. Mas os remendos eram muitos. Algumas demãos de tinta garantiriam um acabamento melhor. A cor preta foi inevitável. Outros móveis e telas representam meu período sombrio e o preto reina absoluto na área social da casa. Preto, a cor da morte e do renascimento.

Originalmente, as cadeiras foram compradas para a copa da casa de Lajeado. Em Floripa, o cromado começou a ser atacado pela maresia, e ficava dia a dia mais enferrujado. Trazer as cadeiras de volta pra casa foi a melhor solução. O problema foi que as cadeiras ficaram baixas para a mesa antiga de minha avó. Antes de radicalizar e cortar alguns centímetros dos pés da mesa, preparei as almofadas com o tecido antigo da venda dos meus avós. A flanela quadriculada foi escolhida pela explosão de cores, que dariam vida ao ambiente sombrio da sala de estar. (E pensar que guardo até hoje uma calça feita com este tecido pela costureira Selma, de quando eu era adolescente.) O pingente na cor uva, feito em casa,  além de segurar a almofada à cadeira, deu um charme único a todo o conjunto.

As telas da exposição Diálogos do Inconsciente contemporizam com o acabamento do armário da tia avó Maria. A placa de madeira entalhada foi encontrada no velho porão, misturado com as lenhas destinadas a queimar no fogão à lenha ou lareira. Salva da fogueira, a placa foi lavada, secada ao sol, e depois, lixada ao estilo provençal. Optei por manter a cor envelhecida da placa, nada de aplicar camadas novas de tinta. O efeito ficou perfeito: do tempo da vovó.

O lustre preto foi a única peça comprada para este ambiente.

Visualizo ainda um velho armário para colocar cristais e louças antigas. O mimo está num galpão, e por enquanto, acomoda sementes, adubo e medicação veterinária. Este móvel era da minha avó paterna Liloca. Quem sabe, num futuro breve, ele venha compor com este ambiente. Depende da boa vontade do meu tio e dos meus primos. Outra possibilidade é trazer uma prateleira cromada, comprada na Tok Stok, cada dia mais enferrujada, sofrendo com a maresia de Floripa. O tempo dirá qual das duas possibilidades acomodará a louça antiga que servirá a mesa de jantar.

Por enquanto, estou feliz pelo espaço criado. Anseio pelos almoços e jantares e noites de carteado, com o retorno dos amigos.

Momento de contemplação

Bom chegar em casa. E casa, para quem ainda não me conhece, é minha casa antiga, encalacrada no interior do RS. 

Depois de 40 dias em Floripa, retornei ontem. Uma passada rápida de 3 horas na casa de minha mãe e depois, o mergulho no meu xangrilá gaúcho. Quem me aguardava era um gato laranja garfinkeliano, postado feito esfinge sobre o portal de entrada da garagem. Não poderia haver melhor recepção. A casa que me acolhe há mais de 25 anos me inunda de paz, boas vibrações e muita energia. Nela encontro minha alma e quem verdadeiramente sou. Meu Santo Graal. É por isso que sempre retorno. Os próximos 7 dias serão de idas e vindas à casa de minha mãe, compras de Natal (reduzidas por conta da COVID19) e de nutrição uterina. Saio renascida daqui para qualquer canto, desencanto ou desafio. 

Há meses que escrevo pouco, mesmo surgindo temas e insights incríveis. Outros compromissos e interesses roubam minha atenção, os assuntos voam com o vento e se perdem nos dias atribulados e desassossegados. Até minhas leituras pontuais se perderam no decorrer do ano. O sono, as preocupações e a desatenção cobraram seu preço. A sutileza literária deixou suas marcas na lista dos livros lidos em 2020. Meu consolo é que li verdadeiros tijolões, livros recomendados da Oficina Literária e muita alta literatura. Pouca poesia, poucos best sellers e nenhum livro de beira da piscina. Minha erudição literária foi uma seriedade só. Tenho de melhorar isso. Pra 2021 tenho algumas ideias de leitura sérias – Proust, Virginia Woolf e Freud – e muito livro leve e muita poesia e muita receita de comida e muito assunto divertido e enxabido.

O ano, de fato, foi de organização, faxina e arrumação. Interna e externa. Exterior e interior. Iniciei pelo ap de Felipe em SP, em janeiro. Veio a exposição dos  “Diálogos do Inconsciente” no CIC, em Florianópolis, também em janeiro. Depois, veio a crise e a COVID19. Em março me mudei de mala e cuia pra fazer um período sabático no RS. Além da psicoterapia individual, usei o trabalho e a criatividade como terapias alternativas.

Tem épocas na vida, em que a gente precisa de um tempo pra reavaliar a jornada, definir ou confirmar os rumos da vida, pra depois seguir em frente, retroceder ou mudar de direção. Fazer arrumações, reciclagem e arte são uma excelente ferramenta para superar crises, deixar a poeira baixar e recomeçar … A vida precisa destas paradas e avaliações. Por isso, me embrenhei na casa de Lajeado, na casa de minha mãe em Colinas, no jardim da casa dela. E agora, pra finalizar, a casa de Floripa. 

Tenho de admitir que estou exausta de combater cupins, mofos e móveis ressecados e descoloridos; restaurar e sucatear móveis, lavar lustres, tapetes, cortinas, colchas e almofadas; selecionar louças, panelas e todo arsenal doméstico embutidos numa casa. Meus artelhos e unhas não suportam mais a química que desentoca a sujeira impregnada; minhas pernas andam bambas e desanimadas dos “steps” forçados pelo sobe-desce de escadas e escadarias. Cheguei à conclusão que para uma boa dona de casa sou uma excelente psicóloga. Desencavo até parafuso, ferrugem ou ponto de mofo. A ideia, tanto na psicologia como na arrumação das casas é livrar-se de tudo que não mais agrega nem faz bem. 

Recentemente baixei toda minha biblioteca e revisei um por um, cada livro, em busca de poeira, traças e mofos – aproveitei e reli lombadas e contra-capas, e céus, se somar todos os livros não lidos que redescobri nas prateleiras, posso ficar sem comprar pelos próximos 10 anos. Aproveitei também e fiz uma contagem parcial, depois de ler que Susan Sontag vendeu sua biblioteca de 20 000 livros por 1 milhão de dólares. Faltando alguns nichos e prateleiras, cheguei a 780 livros. Devo me aproximar dos 1 000 livros. Pelos meus cálculos, sou a feliz proprietária de 50 mil dólares em livros. Óbvio que em terras tupiniquins, ninguém pagaria uma soma exorbitante destas. Pouco importa. Meus livros são companheiros, amigos para todas as horas. E estes, definitivamente não tem preço.

Lá fora agora, ouço o barulho irritante do cortador de grama e do podador das unhas de gato que recobrem os muros da casa. Coincidiu também da PML fazer a limpeza das ruas para o Natal. O barulho é infernal. Mal ouço o CD de Rimsky – Korsakov que toca no aparelho de som. Quem me acalma são os incensos de Alecrim que me cercam. E sei, reconheço e quero que o jardim tenha seus cuidados: gramas desinçadas e aparadas, galhos podados, plantas tratadas. O verão com o sol escaldante, temperaturas exorbitantes e chuvas torrenciais (assim espero) acenam para os próximos dois meses. 

Enquanto isso, olho à minha volta. 

Muito ainda por fazer e providenciar. Devo ter comentado, senão, comento agora: Tenho trazido para meu Xangrilá móveis e utensílios antigos, gastos e estropiados. A ideia é comprar o mínimo de coisas novas e reciclar, reavivar a história de toda a vida que faz parte deste lugar. Tem coisas para sucatear. O tampo de mosaico aguarda finalização. Algumas telas precisam vir para cá. Aqui é o lugar delas. Também aqui é o meu lugar. Como também é o lugar de muitas novas histórias que estão por vir.

 

 

 

Souplats, souplats, souplats …

Então, este ano, sei não: ou monto uma lojinha ou todo mundo pra quem preciso dar presente de aniversário, dia das crianças, Natal e Reveilon (já que o dia das mães, das avós e dos namorados já passou) vão ganhar souplats de crochê. No final de 2019, ainda animada com as aulas de crochê e motivada pelas colegas, melhor dizendo, indo na onda delas, fiz uma compra substancial de fios para as aulas de 2020, que ainda não aconteceram, nem vão acontecer. Os fios, foram devidamente empilhados e organizados na prateleira do crochê, ou ensacolados, ou escondidos atrás das pilhas de roupas e não me fizeram esquecer da sua presença. Eles queriam ser algo além de possibilidades.

De rolo em rolo, de cone em cone, fui pegando um a um e encarnei a fazedora de souplats. Acho que inspirada, ou desafiada pela colega Isa, que fez mais de 200. Talvez porque foram os souplats o que mais gostei de fazer. Sei lá. Além dos puffs, que já foram presenteados a todo mundo que demonstrou interesse, fiz algumas flores e uma bolsa escroncha (onde guardo meus bonecos de ludoterapia). Ou seja, de tudo que aprendi, sobraram os souplats pra dar conta dos fios comprados.

Pelas minhas contas já dei uns 20 souplats de presente:

  • souplats para a amiga Dirce (pela atuação nos 80 anos de minha mãe. Sim, ela mereceu o mimo cor verde musgo que deveria ser da casa de Lajeado, por fritar rissoles e pasteis, servir as mesas, cortar o bolo, servir bebidas e lavar louças e limpar a cozinha.);
  • souplats dei de presente para minha ex-nora que ainda era minha nora na época  e que agora não é mais, agora os souplats são do meu filho porque minha ex-nora não queria saber de levar nada que a lembrasse do meu filho nem da família dele. Ou seja, os quatro souplats do apartamento do meu filho, e que, originalmente era pra ser da casa da praia por conta da cor azul espetacular e que minha ex-nora adorou e depois refugou, eu sei e já que fui eu quem guardei, estão no fundo do box da cama de casal e que provavelmente ele ainda não usou e conforme for minha futura nora, nunca vai usar.  Assim mesmo, pertencem a ele e quem com ele estiver.
  • souplats para minha mãe, e estes, sei que são usados diariamente, já que sou eu quem veste a mesa na casa dela, sempre que estou lá. Tenho como mantra de vida que a gente também come com os olhos e que uma mesa bem vestida alimenta 50% da fome. Louças, talheres e guardanapos também fazem parte do pacote. Eu garanto a porcentagem com o charme do souplat de crochê. E sei o quanto esta porcentagem representa!
  • souplats pra minha amiga Angela, que mora entre as araucárias e as ovelhas na serra catarinense e que está recomeçando a vida numa casa emprestada, e continua cheia de sonhos e projetos aos 66 anos, divorciada e falida. Achei que os souplats cor de nozes dariam algum tipo de aconchego a ela. Acho que ela gostou. Por precaução, levei de presente um creme para o corpo da Natura, porque naquele frio de renguear cusco, a pele resseca feito crosta de pão italiano.
  • Total de souplats dados = 20. Acho. Talvez alguns estejam perdidos entre amigos presenteados de improviso. Preciso preparar uma lista, vai que eu repita o presente. Se bem que, nunca é demais ter souplats a mais em casa. Acho eu.

Continuando com minhas contas devo ter ainda uns 10 souplats 100% prontos. E mais alguns em fase final. E fase final pra quem trabalha com fios sabe que é porque faltou uma quirelinha de linha pra terminar. Porcaria.E agora, cá estou eu definindo o que fazer com os ditos cujos souplats com 1 ou 2 carreiras faltantes:

1. Arremato com a mesma cor, que não é mais a mesma cor, já que a partida é outra. Pra quem não sabe o que é partida de linha, o número e a cor de um novo novelo/cone/rolo pode ser a mesma da que foi comprada anteriormente, mas a partida refere-se ao um novo tingimento que aconteceu em outro momento e não existe nenhuma garantia de que a cor seja exatamente igual à primeira, e óbvio, você que sabe deste detalhe, vai ver com a precisão de uma águia, a tonalidade diferente das duas partidas diferentes da mesma cor; ou

2. Faço o acabamento com uma cor totalmente diferente, tipo marrom com bege, vermelho com preto, azul com amarelo; ou

3. Desmancho o souplat e vou juntando as sobras de todas as linhas trabalhadas e monto souplats planejados com sobras de cores e carreiras planejadas?

A resposta é simples: Depende do trabalho que quero ter.

 

 

 

Peças antigas

Tanto a mesa como a cartela da Inti  são antigas. A mesa é do final do século 20. A cartela da Inti, de 2014, do período da construção da casa. De repente, encontrei alguma serventia para todas as peças antigas: a mesa e a cartela da Inti.

Retirada da praia, a mesa com detalhe cromado e lateral esfolada, foi para o interior do RS. Desde sempre a ideia era fazer algum detalhe em mosaico. E então, em um daqueles momentos de insight, de “deja vu”, de arrumação do depósito, eis que a caixa abandonada salta aos olhos: o detalhe perfeito para a mesa desgastada numa casa organizada com móveis antigos, detonados e restaurados. Agora é esperar para ver se a cola Cascorez vai dar conta do recado.

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Puxadores antigos

Comentei sobre a mega operação/faxinão/repaginação realizada na casa da minha mãe e sobre as antiguidades que lá encontrei. Se não comentei, deixa comentar e mostrar agora. Pra começar vou falar dos puxadores. Céus, adoro puxadores antigos. Por conta desta adoração me apropriei de todos os puxadores que encontrei (óbvio que minha mãe consentiu, até porque não tinha onde colocar na casa dela. Estes puxadores foram retirados de móveis que se perderam para os cupins. Tipo vão-se os dedos, ficam os anéis = puxadores)). Sorte a minha ter um móvel precisando de puxadores novos.

PUX1

Antigos, melhor dizendo. São tantos os puxadores e tantas as possibilidades que ainda vou experimentar outras opções. Acredito na combinação perfeita.

Promessa antiga

Há alguns anos prometi à minha mãe que colocaria a casa dela em ordem; tipo, além da faxina, uma boa organização em todos os ambientes, restauração, doação e sucateamento do espólio de toda a vida. Como ela gosta de dizer, é herdeira de três gerações, teve uma loja e não liquidou o estoque. Ou seja, a casa da minha mãe, além de imensa, é um verdadeiro tesouro a ser reivindicado. Com a decisão de dar suporte à ela, neste período de COVID19, sabia que teria tempo para a empreitada. A questão inicial era por onde começar. Comecei por aquilo que dependia do calor do sol. Estávamos no final de março, início de abril. E lá fui eu descer cortinas, colchas, cobertores, edredons, roupas, tapetes, almofadas, cúpulas de abajour, calçados, bolsas, etcetcetc. Enquanto isso secava ao sol, escolhi iniciar pelo quarto que me acomodaria neste período. O processo se repetiria em todos os ambientes da casa: esvaziar gavetas e prateleiras, checar a presença de cupins, tratar, dar acabamento; selecionar e organizar o material (lavar, mandar pra costureira ou sapateiro, mandar consertar, doar, sucatear); passar óleo de peroba ou lustra-móveis ou tinta, aspirador de pó, pano úmido, etcetcetc. Alguns ambientes foram repaginados. Outros tiveram móveis restaurados. As flores de seda lavadas e transformadas em belos arranjos.A garagem voltou a acomodar dois carros. Os porões passaram por uma varredura minuciosa. Muita coisa foi queimada ou posta na lixeira, sob o olhar atento da dona que revisava item por item o que eu decidia sucatear. Tenho de reconhecer: alguns itens foram desviados desta inspeção. Mas diferentemente do que havia planejado, mantive grande parte dos seus objetos. Preferi respeitar o desejo e não teimar/brigar para que ela se desfizesse de objetos inúteis carregados de recordações. Na casa tem espaço e só bati o pé com relação à moveis tomados por cupins (queimados) e eletrodomésticos sem serventia alguma (encaminhados ao ferro velho). Estamos na reta final. E lá se vão quase 3 meses, de terça à sexta-feira (com 3 pequenas interrupções) cinco horas diárias de trabalho. Mais quatro semanas e a parte interna da casa deve estar finalizada. Talvez seis semanas. Minha mãe gostou tanto do resultado que me escalou para ajudá-la a reinventar o imenso jardim que circunda a casa. Algo pra mais adiante. Projeto para um ano, já que a ideia é gastar o mínimo possível, do jeito que foi repaginar o interior da casa.

Um charme extra

Às vezes, basta uma pincelada displicente, um puxador moderninho ou um detalhe qualquer pra transformar aquele móvel sisudo, num móvel encantador.

Às vezes, o efeito tão desejado é obtido por acaso. Quando decidi pintar a penteadeira de azul, desisti de lixar o acabamento em verniz que já havia no móvel. Pensei que pintando três demãos de tinta iria dar conta do recado. Ledo engano. Ao passar um pano para limpar a peça, em vários pontos a tinta se soltou. Amei o resultado, e fiz do acaso, algo planejado. Dei o efeito desgastado exatamente nos lugares que queria. Hoje, passado mais de um ano, a tinta secou, e por mais que esfregue, ela não solta mais. Só lixando mesmo.  Às vezes, até cortar as pernas da mesa de jantar e transformá-la numa mesa de centro é suficiente para reaproveitá-la melhor (óbvio que guardei os pedaços das pernas, caso um dia precise dela para atender na copa ou na cozinha). Existem colas capazes de colar o céu e a terra (sei do que estou falando). Por precaução, até guardei pastilhas de vidro adequadas para dar o acabamento necessário, e ninguém jamais, perceberá que aquela mesa, um dia, teve suas pernas cortadas.

ma5O mundo da restauração é cheio de pequenas surpresas e grandes milagres. Pode confiar. E se você não encontrar alguém que faça para você, arregace as mangas e faça você mesmo. Você vai ver que é fácil. Trabalhoso. E muito gratificante.

 

 

E não é que esqueci do mosaico?

Aprendi a fazer mosaico na mesma época em que aprendi scrapbooking. Ambos na Casa da Arte, no Brooklin, em São Paulo. A primeira peça que fiz é até hoje a minha preferida: a mesa de apoio com galhos de bambu, com pastilha de vidro.

 

Vieram caixas, bandejas, mandalas, outro tampo de mesa, e agora, mais um tampo. O material usado inclui pastilhas de vidro (ou azulejos), alicates apropriados, lixa, pinça, cola Cascorez, uma base, e para finalizar, rejunte de azulejo. Foi o que aprendi a fazer. Existem outras técnicas e outros materiais. Me contentei com o básico. Até houve uma tentativa de aprender a fazer o mosaico indireto (aquele em que vc cola a pastilha de vidro/azulejo num papel/tela, e depois de concluído o mosaico, o aplica na base escolhida, finalizando com rejunte). Era um projeto com o fundo do mar e muitos peixes para a beira da piscina. Desisti na segunda aula. Percebi o tamanho da empreitada, o atelier era longe e não gostei de troço todo colado ao contrário. Deu um tilt no meu cérebro. No mosaico convencional fiz um sem número de utilitários para uso próprio, dei de presente outro tanto e depois, aposentei o material. Mas antes, comprei um pequeno estoque de pastilhas de vidro. Sabia que um dia voltaria a mosaicar.

Percebo este movimento entre as artes que faço. Aconteceu com a pintura. Acontece com o scrapbooking. Conforme o conflito que estou vivendo, escolho uma forma de arte distinta para atravessar o período. E o mosaico me reporta a colar cacos. Picar, lixar, encaixar, colar. Há de ter raiva e delicadeza. Força e paciência.O período passa. O mosaico fica.

Este é o tampo em andamento. A ideia é uma mesa para a copa. Colorida e alegre como a vida deve ser.

Aquele armário antigo …

… passou por mais um processo de restauração caseira. Tô ficando boa nisso … Após remover toda a tinta esmalte e acrílica com produto específico + espátula, descartei as portas (carcomidas e infestadas de cupim) e transformei o armário numa grande prateleira para acomodar a maioria dos meus materiais artísticos e artesanais. Pintei com tinta acetinada branca e dei acabamento provençal, com quinas e vincos lixados com lixa grossa, coloquei prateleiras em fórmica branca (de fácil manutenção) e alguns aramados. Ficou prático e espaçoso.

A4

Nele acomodo todo material para fazer velas, cerâmicas, aromatizadores, pintura, roupas e acessórios para o fazer artístico.  Às vezes, uma mudança radical pode dar certo. Tirei o armário do quarto e o levei ao depósito. Trocando de lugar e de função, pude aproveitar o armário da vó Angelina da melhor forma. Caso contrário, ele acabaria sim, na fogueira.

 

A quantas andam minhas cerâmicas

Nem preciso dizer que 2020 ainda não aconteceu no quesito cerâmicas. Iniciei o ano cheia de ideias (normal) mas as aulas presenciais ainda não começaram. Terminei 2019 super-hiper-mega-motivada para operar o torno. Fato que ainda não aconteceu e com poucas possibilidades de acontecer no decorrer deste ano. Por outro lado, consegui acomodar um pequeno atelier de cerâmica no meu depósito e já fiz as primeiras peças. Ainda não finalizadas, nem biscoitadas.

 

Isso sim, culpa do COVID19. Com as notícias alarmantes da pandemia, “fui de mala e cuia” ao RS para dar suporte à minha mãe octogenária. Tem sido um ir e vir entre o RS e SC. Retornando à Floripa espero conseguir fazer a primeira queima. Quem sabe, finalizar as peças. Por enquanto o que sei do atelier de cerâmica frequentado em  2019, é que todos (exceto eu que estou no RS) retiraram seus materiais. E alguns, tem feito aulas online, tipo lives. Prefiro aguardar o segundo semestre. Quem sabe, agosto nos propicie enfim, a retomada das aulas presenciais. E o torno, eu sei, não vai fugir.