Fotos que contam filmes

Janeiro acabou de terminar, fevereiro mergulha com Iemanjá em pleno dia dois, eu ainda estou às voltas com a faxina de final de ano (o que passou), a lista de metas e providências para 2018 continua se debatendo perdida entre desejos e necessidades, meu tarô embaralhado e posto, com o Diabo apontando como a carta Essência do ano, aguardando interpretação, a agenda com apenas os dados de identificação assinalados … O ano mal começou e já me sinto atropelada. Cantando pneus e levantando a poeira, me convenci de que é verão, o calor baixa minha pressão arterial (e minha energia), 2017 me exauriu com muitas viagens, compromissos, preocupações, decisões e sustos. 2018 que sossegue um pouco. Tudo tem seu tempo e seu jeito. Também eu. Decidi fazer de fevereiro o mês de descanso, férias e organização. Por algum motivo – entre o consciente e o inconsciente – pedi que Carla colocasse todos os álbuns de fotos de toda a vida sobre a enorme mesa da churrasqueira.

img-1193.jpgFui pegando um a um, e aos poucos, observei o amarelado das páginas, o mofo esbranquiçado em capas e contracapas de álbuns de scrap, fotos arrancadas e misturadas, caixas com postais, pequenos e antigos mini-álbuns gratuitos de papelão, uma infinidade de fotos fora de foco, imprecisas e descoloridas, com uma nitidez sofrível de momentos, lugares e pessoas, algumas ainda presentes, outras distantes e agora desconhecidas, perdidas pela vida ou sugadas pela morte.

IMG-1198Rever fotos é rever a própria vida. O tempo que as consome, também nos consome. A vida que se vê nas fotos se desenrola como num filme. A dimensão do tempo que passou redimensiona a própria vida vivida e sentida. De repente, percebo que nunca fui tão gorda como sempre me lembro de ter sido, que meus filhos sempre foram lindos e queridos demais (apesar das incomodações e preocupações), alguns lugares nem eram tão bonitos, algumas pessoas tiveram vidas incompatíveis com aqueles olhares, poses e histórias que sabíamos até então. Muitos morreram, outros tantos sumiram do mapa. Eram amigos de outros tempos. Assim como muitos sonhos e projetos que se perderam pelos mais diversos motivos. A família cresceu. O jeito de viver mudou. Todos mudamos e nos transformamos. A vida apenas seguiu seu rumo e se perdeu em algumas encruzilhadas. Hoje, consigo ver por onde andei, onde me perdi, a que ponto cheguei. Também sei que nem tudo que acontece – ou deixa de acontecer – depende do meu querer ou fazer. Tem coisas que simplesmente acontecem. Simples assim.

img-1196.jpgAos poucos, separo álbuns que precisam de consertos, algum tipo de limpeza ou acréscimo de fotos e informações.

img-1197.jpgMe encanto com antigos álbuns de scrap produzidos com capricho e amor. Preciso voltar a fazê-los e contar a vida através de fotos. Daqui a 10, 15, 20 anos, sei que vou adorar ver pra onde e como a vida me levou.

IMG-1195Por isso, mãos à obra.

Primeiro scrap de 2018.

Pra começar meu ano com arte, decidi mais uma vez, fazer minha própria agenda.

E lá fui eu providenciar os materiais.

Dos materiais a serem providenciados, apenas o miolo da agenda crua.

FullSizeRender-17Papeis, colas e ferramentas (que tenho aos montes e de outras épocas) andam mofando em baús, caixas e prateleiras. Tenho feito pouco scrap. E, a arte do papel exige consideração. Muito mais. Quem sabe no decorrer do ano, me inspire mais vezes.

Porque o tema deste ano eu já sabia qual seria: a magia do Senhor dos Anéis: Hobbiton Movie Set.FullSizeRender-13Além da minha, também fiz a agenda da minha afilhada de 13 anos, que pediu algo mais antigo. Ela separou papeis e materiais do seu agrado, juntei uma foto de 2008, guardanapo de papel e uma moldura acrílica. E partiu daí o design das capas e contra-capas,  além dos bolsos internos: perfeitos para acomodar papeizinhos, bilhetes, provas, cartões, etcetcetcetc.

Inovei e fiz um porta-bloco para anotações: de telefones, compras, compromissos …

Como as agendas, tudo feito com sobras e materiais antigos, um pouco de vontade e, alguma inspiração.

 

Cadernos escolares

Durante as férias de verão recebi a visita da minha afilhada. Assim que ela descobriu meu atelier e meus materiais de scrap, foi logo pedindo se eu encaparia os cadernos dela. “Claro que sim” respondi, certa de que seria mamão com açúcar. E foi. Três cadernos em espiral comuns, fitas dupla face, tesoura, restos de papeis antigos, adesivos, inspiração e a curiosidade da minha afilhada bafejando minha nuca, foram suficientes para fazer um trabalho divertido e exclusivo. A cara da minha afilhada adolescente. Se ela gostou dos cadernos?

O primeiro caderno foi trabalhado com papeis brilhantes, nos tons rosa, lilás, roxo e verde.

Já o segundo, seguiu uma padronagem mais envelhecida, em tons terracota e adesivos escolhidos para dar um colorido jovial às donzelas do século passado.

O terceiro caderno priorizou a alegria e o colorido da juventude.

Todos os três cadernos tiveram as capas e contra-capas frontais e traseiras decoradas, seguindo o tema escolhido de cada um. Um recurso que adoro colocar tanto em agendas como em cadernos são os envelopes internos. Além de bonitos e charmosos,são extremamente úteis: sempre tem um papel, orçamento, foto, folder que precisa ser bem guardado e acomodado.

Pelo que me lembro, minha afilhada ADOROU os cadernos. E você? Se animou?

Agenda 2017

Que tal começar o ano fazendo arte? Fazer uma agenda personalizada é fácil e rápido. Use restos de papeis, adesivos, fitas, bailarinas, fotos, qualquer coisa que vc goste e que possa ser colado.

Este é a terceira agenda que faço.

2015 - 2016 - 2017
2015 – 2016 – 2017

O primeiro passo é adquirir a agenda crua. As minhas, consegui em loja de Scrap. Separe o material. Das fotos à fita dupla face. Depois é soltar a imaginação. Deixe-a voar. Use e abuse de cores, momentos, figurinhas e lembranças. Não tenha medo de ousar. A agenda é sua. O estilo, também.

Juntando fotos e materiais
Juntando fotos e materiais

2017 deve marcar meu retorno aos consultórios de psicologia. Pelo menos, é o que está escrito numa das primeiras páginas da agenda, no primeiro item das Metas Profissionais. Por isso, a escolha da foto na entrada do museu de Freud.

Entrada na casa /museu Freud em Viena
Entrada na casa /museu Freud em Viena

Primeira e segunda capas expressam o desejo do ano: investimento pessoal e profissional em primeiro plano. Nas primeiras capas.

Verso da capa.
Verso da capa.

Atividade profissional combina com calendários e relógios. Fotos, adesivos e recortes compõe o verso da primeira capa. Tudo junto e misturado. O enredo do Quem ainda usa agenda de papel, sabe que além de anotar compromissos, a agenda serve pra guardar de tudo um pouco.

Segunda capa + Envelope Interno
Segunda capa + Envelope Interno

Abrindo a agenda.

Envelope interno, pra guardar papeizinhos, folders, fotos, receitas, etcetcetc.
Envelope interno, pra guardar papeizinhos, folders, fotos, receitas, etcetcetc.

Nesta capa são três bolsos. Atrás da foto da família tem um bolso para guardar cartões de visita; atrás do papel quadriculado com flores, a meia lua abre um bolso de tamanho médio, e atrás do papel verde pespontado, o maior de todos os bolsos.

Verso do envelope interno. Mais bolsos, mais esconderijos
Verso do envelope interno. Mais bolsos, mais esconderijos

O risco é perder anotações e informações. Perder é só uma maneira de dizer. A questão é saber o que e onde encontrar, porque no verso do envelope, foram feitos mais dois bolsos.

capa interna 2
capa interna 2

A família tem espaço garantido. Na agenda e no coração. Na hora da saudade, a terceira capa traz fotos de quem faz a vida valer a pena.

A quarta capa
A quarta capa

A família estendida: genro e nora. Pessoinhas que fazem bem aos filhos da gente. Fazem bem pra gente também. Fotos compõe um mosaico de recortes e adesivos. A ideia é brincar usando todo tipo de materiais.

Gostou da brincadeira?

Um pinheiro de flores

Já comentei em algum post antigo que não gosto de muito fricote, rendas e flores nos meus scraps. Prefiro o estilo clean na arte do papel. Mas, não resisti ao encanto do pinheiro feito com todo tipo de flores. Papel, pano, crochê.

arvore de natal de flores de scrap

Os primeiros pinheiros que saíram na aula de scrap foram com 35 cm de altura. Todas as colegas que fizeram, acharam cansativo o trabalho de cortar, modelar e colar entre 60 e 100 flores no pequeno cone.

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Na hora de comprar o cone de isopor, optei por levar duas alturas: dois cones de 35 cm e dois de 50 cm. Ao chegar em casa, achei que o cone mais alto combinaria mais com meus ambientes e com o restante da decoração de Natal que tenho distribuída por toda casa. Nem imagino – nem contei – quantas flores tive de fazer, modelar e colar no pinheiro mais robusto. Ao me verem chegando com o cone de 50 cm, minhas colegas acharam que o pinheiro só ficaria pronto para o Natal de 2016. A dúvida serviu como desafio e me estimulou a concluir no mesmo dia – e noite – a primeira torre de flores.

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Para fazer o pinheiro de flores o primeiro passo é pintar o cone de verde, para melhor disfarçar os espaços em branco que por ventura não conseguirem ser preenchidos. Optei por fazer flores com restos de papeis natalinos (ou com papeis de tons avermelhados, dourados, terracota e verdes) usando furadores de diversas formas e tamanhos. Depois de recortados, o efeito boleado pode ser feito com boleador (ou agulha de tricô). Para cada flor foram usados entre 3 e 4 camadas (de flores) e quase todas receberam, além da cola de silicone, uma bailarina para dar acabamento, e também pra ajudar a fixar melhor a flor no cone de isopor.

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Comecei distribuindo as flores maiores, depois as médias e por último, as menores. Além das flores feitas com furadores da Toke e Crie e Imaginisce, usei uma faca para fazer os gelos dourados, utilizando a Sizzix Big Shot. Para preencher os espaços vazios e fazer o topo da árvore usei stickers natalinos autocolantes colados em tapetinhos de papel, também da Imaginisce.

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A segunda torre (pois a ideia é colocar as duas na mesa da ceia natalina) vai começar a tomar forma a partir de amanhã. Espero conseguir dar a ela o mesmo tom e estilo que adotei na primeira. O que não posso garantir é que ela seja feita no tempo recorde da primeira. A única certeza é que estará pronta no dia 25 de dezembro de 2015.

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Repaginando uma mala antiga

Não sei a idade desta mala, nem quantas viagens fez. Sei apenas que pertenceu a meu bisavô Francisco, e a encontrei jogada no porão da casa da minha mãe. Anos atrás iniciei o trabalho de restauração, mas não terminei. Assim que meu ateliê em Florianópolis ficou pronto, decidi concluir todos meus artesanatos inacabados e terminar 2015 com tudo zerado. Entre scraps, costurinhas e pinturas, o tamanho da mala não passou despercebida. Ela parecia implorar por atenção. E assim, separei retalhos de papeis, cola, guilhotina, tesoura, e, mãos `a obra.

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Assim que encontrar – se encontrar – vou forrar a parte interna com tecido adesivo.

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Foi o que me recomendaram.

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Esta foi a parte iniciada anos atrás. A duvida era revestir com folders de viagens, e usar a própria mala, para guardar folders e souvenirs . Ou então, usar papeis antigos e usa-la  para guardar retalhos de papeis antigos.

DSC08642Uma das laterais da mala ficou assim.

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A outra, assim.

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A frente ganhou selos, relógios e retalhos.

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A mala pronta atende duas funções: mesa de apoio e caixa de retalhos de papeis.

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Acho que meu bisavô Francisco iria gostar de ver que sua mala, mesmo idosa e fora de moda, continua sendo útil, e, para meu gosto, muito bonita.

Questão de estilo!!!

scrap 5

Voltei a fazer aulas de scrap em setembro. Sei que ainda estou enferrujada e fora de forma (mais ou menos como ficar um tempo sem escrever ou ir na academia). Entre organizar e encontrar o material, fazer as aulas e me adequar ao estilo da professora e colegas, vou demorar algum tempo. Mas, tem hora que precisa começar. E como a frase que sai torta, a perna que sai dolorida, meu quarto trabalho saiu o “ó” , como diz uma amiga. O “ó do borogó”. Nem um pouco minha cara, nem um pouco meu estilo e gosto. A ideia era levar todos os papeis e fazer duas paginas para um quadro com meu filho e nora. Só que não havia fotos dos dois que eu pudesse aproveitar.

scrap 4a

Pra quem aprendeu a fazer scrap partindo das fotos a serem usadas, dá pra imaginar o auê que foi a aula. Aprendi a aplicar textura no papel, recordei como se estressa papel (e a própria scraper) e foi só. Sai 15 minutos antes do final da aula, e tentei – em vão – finalizar as duas paginas em casa. Frustrante!!!!!

scrap 3

Erro na escolha dos papeis, dos acessórios, do LO a ser seguido, mas principalmente, o erro maior, foi a ausência das fotos. Sei que muitas scrapers fazem trabalhos fantásticos sem elas. Definitivamente, não é meu caso.

scrap 1

Outra questão a ficar atenta é o estilo. Ao longo dos anos fui desenvolvendo um estilo muito próprio de scrapear. Sou do tipo clean, trabalhos sequinhos, nada de flores, rendas, babados. Nada de muito fricote. Fotos, folders e “jornaling” resumem o que significa o scrap para mim.

scrap 2

O objetivo destas aulas em Jurerê – depois de anos fazendo scrap – é aprender novas técnicas, quem sabe, descobrir um novo estilo. Usar os materiais do Stravagance 2013, e muitas outras aquisições trazidas de SP, Austrália e USA.

Será este um desafio possível?