Azul da cor do céu, da noite, do mar, da piscina …

Todo ano é a mesma coisa. Depois do dia 06 de janeiro – dia dos reis – é hora de recolher toda a decoração natalina e preparar a casa para o verão. Retirar a parafernália natalina dá leveza à casa. Recolocar e realocar adornos e móveis prepara a casa para o ano que se inicia. Tenho recolhido e guardado muitos dos itens de decoração amealhados ao longo dos anos, dando à casa um ar mais “clean”. Limpo. A ideia de que “menos é mais”.

E nesta repaginação de ambientes e adornos encontro algumas peças em estado periclitante. Gosto das peças, que ou estão esquecidas dentro de armários ou tão usadas, sujas e desgastadas que, certeza absoluta, algumas demãos de tinta vão lhes dar vida nova.

Por isso, assim que ensaquei os papais noéis, arregacei mangas e calças, vesti um maiô baleado e me pus a pintar, em meio ao calor infernal deste janeiro úmido e tórrido em Floripa, entre um sem número de dúvidas, banhos de mar e piscina,  e questionamentos sobre os rumos que quero dar na vida. E pintar, tem sido terapia há muito tempo.

Optei pelo tom azul profundo para pintar cestarias de uso diário além da antiga mesa de rattan e do puff comprado em brechó.

azul 11O processo é simples: depois de escolher a cor e comprar a tinta, limpar bem as peças com pincel ou escova seca. Passo 4 demãos de tinta e entre cada uma delas, um rolo de espuma para emparelhar a pintura. Desta vez optei por não dar nenhum toque provençal (bordas lixadas e/ou envelhecidas). O tipo de tinta é muito importante para o bom acabamento. Já usei sem cerimônia as tintas acrílicas foscas. Atualmente uso sempre as acetinadas ou semi-brilho.azul 10

 

Aula de férias

Aluna aplicada é assim: na falta das aulas, nada como uma boa pesquisa na internet. As aulas de férias vão ter Youtube e caderninho de anotações. Na volta às aulas, a ideia é sabatinar a professora. E me candidatar ao torno elétrico.

Uma ideia mais estonteante que a outra. É nessas horas que morar em São Paulo faz toda diferença,

Pior que nem copiar e repetir direito a gente consegue. Impossível mesmo!!!

Então, segundo a ceramista leva 3 anos pra fazer um potinho médio perfeito. Aff, gostei dos meus potinhos. Um ano e já saiu potinho nota 8.

Esses eu vou mostrar pra minha professora. Plágio em cerâmica não é crime. Jamais vou conseguir repetir a façanha da ceramista mor.

Adorei o processo neste atelier. Imagina coletar a própria argila no quintal de casa. Até ando pensando em fazer isso para peças artísticas, Sei que na casa da minha mãe em Colinas, no RS, existe bastante “let” que é como a gente chama a argila em alemão. Vou experimentar e ver no que vai dar. Quanto ao forno, Jesus!!!! Não tenho coragem pra lidar com fogo e ácidos assim tão de perto.

E o que dizer destas peças?

Nem em um milhão de anos …

 

 

Efeito mate

Das 3 peças feitas com a técnica Aero Brush, apenas uma foi 100% finalizada. O resultado não ficou exatamente o que eu imaginava. A esmaltação não ficou brilhosa. O efeito foi do tipo “mate” (palavras da professora). Pintura falha e opaca.

Como tudo que se aprende, aprende-se muito com os erros. Da próxima vez que usar esta técnica, é necessário mais braço, mais camadas de pulverização e mais fogo. Esta peça foi queimada a 1200 graus centígrados. Possivelmente com 1300 graus, o resultado seja diferente. Anotação feita.

Meu filho gostou. Ainda bem, porque a luminária foi presente dele neste Natal.

Inzibida colorida …

Inzibida colorida come casca de ferida.

assim mesmo: inzibida. Nada de exibida.

inzibida com o jogo de café feito com as próprias mãos,

a partir de um punhado de barro

– sovado, socado, esculpido, queimado –

que virou pedra cerâmica.

pintado de azul da cor do mar, cor de areia por todo lado.

na concha, um amuleto.

Um seja bem vindo. A praia e a casa de braços abertos.

Era assim que era quando eu era criança. Bastava estar satisfeita e orgulhosa com alguma coisa que o versinho era recitado: inibida colorida come casca de ferida. Feliz e satisfeita com meu novo aparelho de café!

Vai um cafezinho aí?

Reciclando barro e vida

O ano está terminando e com ele meus materiais para fazer cerâmica. Ou seja, os minerais usados para a esmaltação das peças e a argila. Como o período de férias do curso vai até março – e não pretendo fazer cerâmica em casa, durante este período – optei por reciclar a argila usada (excessos remanescentes, aparas de trabalhos e trabalhos rejeitados). 100% do que sobra pode ser reciclado e reaproveitado.

Modo de fazer: Coloca-se a argila a ser reciclada num saco plástico mais grosso ou pote plástico (de sorvete, por exemplo) e acrescenta-se água. Difícil precisar a quantidade necessária para que a argila se recomponha garantindo plasticidade e fácil manuseio. A tarefa exige força, paciência e obstinação. Ou tem água demais ou de menos. O jeito é ir amassando, sovando, embarrando as mãos, deixando secar ao sol, suavizar ao vento, tentar de novo e de novo.  E de novo. Tem de bater, rolar, amassar, amassar, amassar. Até que não hajam mais grânulos cerâmicos endurecidos. Tem quem recicle semanalmente pequenas quantidades. Tem quem junte uma maior quantidade e recicla por mês, semestre ou ano. Esta é a segunda vez que reciclo meus refugos. Apesar de útil, o processo é chato, trabalhoso, e, conforme a quantidade, pesado. Não é incomum ficar com dedos e artelhos doloridos. Mas reciclar argila é necessário. Tanto por causa do preço (a argila atóxica de boa qualidade é cara), pela questão ecológica de aproveitar ao máximo o que se extrai da natureza, como também pela disponibilidade do produto, que não existe em Florianópolis e vem de Curitiba ou SP).

Reciclar tem sido um modo de vida. O scrapbooking, o mosaico, o patchworking, a pintura, o cozinhar no dia a dia e a própria vida me ensinaram que reciclar é ressignificar. A apara de barro, o folder de um evento ou mapa de uma cidade, a roupa velha, a bijuteria que arrebentou, o móvel velho, o adorno quebrado, botões perdidos, chaves, espelhos, potes de vidro e de plástico, cestas de vime, garrafas … absolutamente tudo pode ter nova serventia. A apara de barro vira um novo pote cerâmico; o folder de um evento ou mapa contextualizam de forma pessoal o álbum de scrap da viagem dos sonhos; a roupa velha (conforme o estado) pode ser doada para quem precisa ou ser usada como pano de limpeza ou de chão; o móvel velho pode ser pintado e restaurado e ter outra serventia; o adorno quebrado pode ser usado numa peça de mosaico, a garrafa pode virar candelabro ou aromatizador de ambiente, o espelho quebrado pode ganhar nova forma e função, etcetcetc.

A vida nos ensina o mesmo.

Do limão uma limonada.

Da casca do limão uma água frutada.

Ressignificar os eventos diários e cotidianos

  • bons e ruins, justos e injustos, certos e errados, tristes e felizes –

é se permitir viver em plenitude.

Também a vida tem seu tempo, momentos e dosagens.

A vida é luta diária.

Desistência ou persistência.

Lágrimas e gargalhadas.

Otimismo e pessimismo.

O céu e o inferno.

Recicle-se.

Reinvente-se.

Ressignifique-se.

Transforme-se na sua melhor obra de arte.

O artista é você.

A matéria prima:

Sua vida.

2018 em cerâmica

O ano foi cheio de ideias e projetos cerâmicos. Na prática, ainda me ressinto dos resultados. O tempo e o ritmo do ateliê é um. O meu, definitivamente, outro. Por mais milenar que seja a arte, por mais tempo e memória que a argila tenha, pra continuar aprendendo e fazendo cerâmica, preciso encontrar o equilíbrio entre o meu jeito de funcionar – que é absolutamente dinâmico e contemporâneo – e o tempo da cerâmica. Preciso ver o resultado do que faço e 8 a 12 meses entre o início e o fim, é tempo demais. Desestimulante demais. Comecei a trabalhar esta luminária em 21/03/18, finalizei a peça em julho, mas ainda não está concluída (falta a queima de 900graus, responsabilidade do ateliê).  A referência do Pinterest era esta. Houve um momento em que quis desmanchá-la, mas aí veio a ideia de acrescentar uma base e transformar a luminária externa num abajur interno.

luminaria 10

O processo:

A finalização, após meses vendo as peças – na prateleira – aguardando a queima. A opção de deixar o abajur com aparência de pedra, invés de esmaltar, me pareceu perfeita. O problema é que até hoje, 20/12/18, a queima não aconteceu. Por isso, pra 2019, a meta é comprar um forno usado. Frustradíssima!!!!!

Assim respeito meu ritmo e assumo minha independência quanto ao processo cerâmico; participar de mais cursos; conhecer novas técnicas; aprofundar conhecimentos e conhecer outros mestres e professores. A psicóloga que em mim habita gosta das profundezas e de resultados. Gosta de independência para explorar possibilidades. Então 2019, vai ter muito barro pra amassar.

Como presente de Natal, algumas peças finalizadas.

E 2019 já está encaminhado. Além das peças que aguardam queima há meses, muitas outras começaram a ser amassadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Placas = peixes, conchas, folhas e muito mais

O ano está terminando e com ele os materiais. Entenda-se: a argila (base para qualquer cerâmica) + os minerais usados na esmaltação das peças. Felizmente, todo e qualquer restolho de argila já trabalhado pode ser 100% reaproveitado. Por isso, catei trabalhos rejeitados e ainda não biscoitados e aparas de trabalhos finalizados. A junção de todo este material rendeu uma boa quantidade de argila pronta para o reuso.

A opção foi praticar mais a técnica da Placa Cerâmica.

Placa 3

À princípio parece a técnica mais fácil de todas, mas não é. Os trabalhos com placa trabalham durante as queimas, o que pode rachá-los, entortá-los ou até quebrá-los, no pior dos cenários.

Placa 26

Não tive bons resultados com as placas anteriores, possivelmente por deixá-las com espessuras finas demais. A espessura correta é essencial para que o resultado final seja satisfatório. Nesta segunda remessa de trabalhos com placa, optei por deixá-la mais encorpada.

Uma das grandes dificuldades da técnica é a eliminação completa das bolhas que surgem enquanto amassamos a argila. Estas devem ser eliminadas com agulha e alisadas com espátula plástica. Cada bolha que persiste é um risco para quebrar a cerâmica durante a queima.

Placa 22

O uso de algum tecido é fundamental durante o processo. O tecido garante que ao manusear a peça, ela não fique grudada (colada) na superfície de trabalho e deforme quando retirada.

O bom desta técnica é a quantidade de peças que podem ser produzidas em pouco tempo: em duas tardes de aula, produzi 11 peças. Acho que apenas a técnica do torno consegue ser mais eficiente. Mas a técnica do torno é projeto para 2019.

Com as primeiras placas fiz 3 suportes que poderão ser usados para servir “sushi” ou qualquer outro petisco seco, para acomodar velas + tantas outras possibilidades ainda não vislumbradas.

Placa 23

A placa também foi usada para fazer conchas cerâmicas. Usei um molde plástico, presente de um amigo. O molde plástico não é o mais adequado, devido à dificuldade de desformar a concha; a chance de deformá-la é grande; tenho controlado um tempo de 45 minutos a 1 hora, tempo em que a argila seca o suficiente para que a concha seja retirada do molde com menos riscos de sair deformada. Mesmo assim, já perdi várias conchas.

Placa 6

À princípio elas serão as casquinhas para servir siri. Conforme o resultado, poderão ser usadas como porta trecos/aperitivos. Porque conchas são sempre bem vindas e muito charmosas em qualquer canto.

Placa 20

Também fiz folhas com placas. Usei como molde uma folha de antúrio do próprio jardim do ateliê. Assim como as conchas, além de porta trecos, as folhas podem ser usadas como pequenas bandejas ou mesmo pratos.

Ou seja, existe uma infinidade de peças que podem ser feitas com placas. Uma mais linda que a outra. E eu, estou só começando …

Todos estes últimos trabalhos, devidamente acabados até 20/12/18, ficarão parados no ateliê durante o período de férias e só serão trabalhados novamente a partir de 03/2019. É quando vão para a esteira da esmaltação. Que venha 2019.