Aero Brush

Na última aula de esmaltação cerâmica aprendi a usar uma nova técnica. Lembrou da época em que usávamos o “Flit de Neocid” para espantar e matar moscas, mosquitos e demais insetos asquerosos e pestilentos. O conceito é o mesmo: coloca–se a composição mineral no reservatório plástico e aciona–se a bomba com movimentos rápidos e rítmicos. É importante mirar e acertar o objeto onde a mistura deve ser pulverizada uniformemente.

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Na cerâmica, o uso do Aero Brush permite que a esmaltação não apresente as possíveis marcas que os pinceis podem deixar.

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Depois de pulverizado, usa-se o dedo indicador num movimento leve e circular para terminar de preencher e conferir se a espessura de 2 mm de minério foi alcançada de forma parelha em toda a peça a ser esmaltada.

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Das três peças pulverizadas pelo Aero Brush, uma vai ser finalizada com “terra sigillata” ou argila líquida aplicada com pincel. Foi usado fita crepe para dividir o vaso em duas metades, cada uma com acabamentos diferentes.

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Como o tempo e o processo de execução e finalização de cada peça cerâmica é demasiado longo (devido a questões do ateliê/forno), optei por postar as fases em que as etapas vão acontecendo.

As peças que aparecem neste post foram produzidas há um ano. 

Perfumando a casa para o Natal

E quem não gosta de cheirinho bom dentro de casa? Eu adoro.

Já há alguns anos, faço eu mesma aromatizadores de ambiente. É fácil, rápido e barato. Mas se você for hipersensível à perfume, melhor usar máscara e trabalhar num ambiente bem arejado. O risco de enxaqueca ou rinite é bem provável. Eu que o diga!!!!

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Bastam 3 ingredientes básicos: álcool de cereais, essência perfumada e água de torneira + frascos e varetas para difusor. As minhas varetas reaproveito até não poder mais. Deixo-as de molho em água pura, vou trocando a água até perceber que estão limpas e livres de qualquer tipo de cheiro. Depois deixo secar e estão prontas para o re-uso. Quanto aos frascos, qualquer frasco de vidro serve. Uso os de leite de coco e de azeite de oliva (vidro claro de preferência) sem cerimônia. Além de frascos antigos, vasos, vidros diferentes e cerâmicas próprias para receber líquidos. Em casa, a regra é clara: reaproveitar e reciclar tudo. E esparramo sem limites pela casa inteira. Quando quero presentear algum amigo compro vidros com tampa de rolha em Atacadões. Tem pra todos os tamanhos e bolsos.

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Depois de experimentar vários tipos diferentes de essência, optei por dar identidade olfativa à nossa casa de praia. As essências de Algas e Ozônio tem sido as escolhidas pois trazem o cheiro de mar pra dentro de casa. Reservo as essências de Capim Cidreira e Floresta para dar de presente aos amigos e perfumar a casa de Lajeado e da minha mãe.

Como este ano estou dedicando tempo e espaço para as conchas na decoração de Natal, decidi que também os amigos receberão aromatizadores com cheiro de Algas e decorado com conchas de Jurerê.

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Quanto ao detalhe do cordão, sabe aquele velho e fuzilado tapete de sisal? Depois de aproveitar o aproveitável, o resto virou matéria prima para os mais belos acabamentos com barbantes.

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Porta-ostras em flor

Esta bela flor nada mais é do que um porta-ostras. Em cada pétada uma ostra poderá ser servida crua, com queijo “cheddar” ou molho branco, assada e gratinada no forno. No miolo da flor, um vinagrete para acompanhar, maionese ou qualquer molho.

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Como diz minha professora: aqui ficou lambuzado; aqui faltou esmalte; aqui tem esmalte demais; aqui faltou limpar melhor … sim, sim, sim. Concordo. Constatações pós-queima, quando a fusão dos minérios apenas ressalta as imperfeições.E aí não adianta chorar sobre o minério esmaltado.

Como é com os erros que se aprende, espero que as próximas queimas fiquem melhores.

“Bowls” tamanho médio

Depois dos “bowls” pequenos e “pit pots” minúsculos, chegou a hora de equipar minha cozinha com “bowls” médios. Aquele tipo que serve arroz branco, purê de batatas e macarrão para duas ou quatro pessoas.

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A técnica usada tem sido o acordelado. Quase um ano fazendo e montando cobrinhas sobre cobrinhas. Grudando, moldando e aparando excessos. A próxima técnica será o torno elétrico, e com ele, uma maior produção de “bowvs”. A meta para 2019.

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Quando conheci as técnicas cerâmicas, achei exagerado o tempo de 1 ano para aprender cada técnica (acordelado, torno e figurativo ou artística). Agora, passado um ano, percebo que este tempo, é o mínimo necessário. A cada peça finalizada, a certeza de que a peça seguinte sairá melhor e mais perfeita que a anterior.

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Ainda não consigo padronizar os tamanhos dos “bowls”. Cada um tem seu tamanho e formato. Pelo menos, consigo encaixá-los um dentro do outro. Estes foram pensados brunidos por fora e esmaltados por dentro. Brunir uma peça cerâmica é fechar totalmente seus poros antes da primeira queima.  Para brunir, é necessário que a peça esteja 100% finalizada. Utiliza-se o fundo de uma colher, ou um equipamento próprio, esfregando toda a superfície, que ficará brilhosa.

brunidoDepois, esfrega-se um plástico para dar o último acabamento antes de ir ao forno. O resultado final remete à aparência de pedra na parte brunida.

panela brunida

Nesta panela – finalizada e pronta para uso – a parte interna foi esmaltada com preto e a parte externa foi brunida.

Preparando o Natal 2018

Fazem 5 anos que vivo à beira mar entre o calor e as ondas, entre as gaivotas e as conchas. Desde o primeiro Natal, em 2013, imaginava como seria fazer um Natal bem praiano. Nada a ver com o excesso de vermelhos e verdes e Papai Noeis da Lapônia. Queria os tons de areia e mar vestindo a casa de praia na temperatura de verão em pleno Natal. Como ainda faltam aproximadamente 50 dias para o dia 25 de dezembro, arregacei as mangas e comecei a preparar nosso primeiro Natal Praiano: conchas recolhidas na orla de Jurerê, bolas de isopor antigas (dá pra imaginar que aprendi a fazer bolas de isopor revestidas de tecido? Hora de reciclar!!!) e cola quente. Fácil e rápido. O problema são os dedos: Não tem como, de vez em quando, não encostar na cola quente e fsfsfsfsfsfs a pele ficar sapecada e dolorida.

Bola de concha 1

Além das bolas natalinas, pinheiros, adornos, pingentes e um universo de possibilidades começa a ganhar vida.

Pinheiro conhas

Pit Pots Prontos

Enfim, meus primeiros pit pots … prontos para receberem patês, geléias, frutas secas, clips, botões e tudo mais que couber nestes potinhos feitos com restos de argila.

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Da bola de barro ao pote cerâmico.

Pit pot 1A

Ficou perfeito? Não. Quando esmaltamos é recomendado colocar uma quantidade razoável de esmalte para que o resultado fique bom. O interior do pit pot até que ficou aceitável.

Pit Pot 2A

Mas as bordas … Por esquecimento, as bordas receberam apenas uma camada de esmalte, quando o correto seriam quatro camadas. E a cor, que deveria ficar igual ao fundo do pote, ficou apagada, cor de gato molhado. Já a base, mostra a fusão de restos de argila tom tabaco misturado com tom creme.

Mas é assim que, muitas vezes, se aprende: errando. Da próxima vez que for esmaltar, ficarei mais atenta e detalhista.

 

Entre a arte e as coisas da vida

Cá estou eu, mergulhando a nadando de braçada no lodo da política brasileira, subindo de vez em quando à tona pra respirar arte e serenidade. Porque de resto, a vida segue: família, trabalho, casa, amigos, faxina, jardim, agendamento de exposições, literatura, grupo de estudos … e minhas aulas de cerâmica.

Depois de tanto tempo, eis que trago pra casa minhas primeiras cerâmicas esmaltadas. Por recomendação da professora esmaltei apenas algumas das menores peças. Pra aprender. Pra registrar. Porque cerâmica é uma arte milenar e é preciso observar e anotar o resultado das experiências. E fui logo corrigida: não estou pintando cerâmicas. Estou esmaltando. Estou depositando minérios que se fundem em temperaturas de até 1300 ºC. Eis o resultado:

arte8Meio chinfrim minha primeira experiência … mas é assim com praticamente tudo na vida: começa pequeno e meio sem graça. Depois melhora.

A boa notícia é que me sinto cada vez mais integrada e familiarizada com o universo argilino (e pensar que tudo começou pelo amor à Psicologia e Arteterapia). E cada vez mais, minhas cerâmicas expressam meu estilo e ganham minha assinatura artística.

 

Hoje resolvi extrapolar na esmaltação e fazer todo tipo de experimentação. Misturei tudo com tudo em mais de vinte peças. O  resultado final, de roer até as unhas do pé, só daqui uns 15 dias.

 

Este contato com o barro tem me dado chão.

Tem me dado tempo.

Tem ampliado conceitos.

Tem me apresentado à pessoas muito bacanas.

E foi assim que conheci a “Maga das Velas”, a mundialmente famosa Maria Pessoa. Uma artista que já expôs velas em diversas galerias da Europa, fez matérias para várias revistas nacionais e internacionais, produziu velas para lojas de grife, enfim, me senti no Jardim de Infância das velas artesanais. Maria, minha colega de velas e cerâmicas me mostrou quanta coisa posso fazer com a parafina e também com a argila. Percebi o quanto é possível fazer quando nos permitimos pensar “fora da caixa” e dar asas à experimentação. Sem medo de ousar ou errar.

Mas ela e as velas serão tema de um próximo post. Em breve.