Um pouco mais de um ano depois

Coisas demais aconteceram neste período. Com exceção das fotos na galeria do telefone, postagens no Facebook e Tweeter (nada no Instagram) e uma ou outra anotação num diário, que nada de diário tem, retomar o blog tem a ver com resgatar este tempo, retomar a escrita e quem sabe, manter o by suzete.com  em dia. Afinal o último post data de 27/08/21: Retomando a cerâmica

Retomei mesmo e esgotei toda argila que tinha em casa. Basicamente, preparei utilitários de cozinha: pitpots, vasilhas e acessórios escultóricos (que viraram um abajur). Foi uma das metas de 2021, que ainda se mantem: Consumir todo material do ateliê. O mesmo aconteceu com os fios de crochê. Tudo virou “souplat” e se transformou na coqueluche do Natal passado. Todo mundo ganhou. Espero que tenham gostado. Do material de crochê só sobraram os cones de  fios de malha. Todos devidamente encaixotados. Ainda não sei se vou doar ou crochetar o material. O trabalho é mais hard do que imaginei. Minha moída mão direita que o diga. 

Outra meta remanescente de 21 é reorganizar e limpar a casa após 3 anos de construções de casas e prédios  no meu entorno. Só não finalizei por questões alheias à minha vontade:

Infartei em 25 de janeiro de 2022. Fiquei de resguardo. A empregada deu nó. Peguei Covid-19 como presente de aniversário e minhas rotinas sofreram alguns ajustes. Além de 9 comprimidos, a caminhada tem sido diária. Aos poucos o fôlego está voltando, apesar da pressão abaixo do aceitável. O processo de revisão dos medicamentos deve começar em breve. Minha postura tem sido de otimismo. Nada de vitimismo. Porque, como, quando, pq eu, já está digerido. A lição que ficou é: aproveite a vida, seja bom e generoso, faça o que e quando puder e siga em frente.

Mantenho as viagens mensais ao RS e a reforma do jardim da casa da minha mãe. Adoro. A grande viagem pós-pandemia foi Bariloche/Mendoza, na Argentina, no início do inverno, e foi simplesmente, sensacional. 

Um grande marco deste 2022 foi a transformação do depósito em ateliê. Ficou perfeito. Do topo foi ao subsolo da casa, onde é mais fresquinho e a claridade controlada. Juntei todos os materiais, pintei paredes e repaginei móveis. Neste momento, a mesa centralizada está tomada por conchas, bolas de isopor e cola quente. O Natal começou a ser gestado. Serão vinte bolas novas, revestidas com conchas, pra enfeitar a árvore de Natal. Afinal, este ano, após sete anos, Fernanda e Antônio, estarão conosco.

A grande tragédia do ano foi a perda da minha melhor amiga, minha quase irmã Liane. Ainda  choro quando lembro que ela não está mais aqui.  Que não faremos mais nossas visitas por telefone, nem agendaremos e reagendaremos  mais uma vez nossos famosos cafés na Padaria Suíça, no RS. Com a pandemia e seu zelo extremo, praticamente não nos vimos neste período. Morreu em 07 de agosto, com AVC hemorrágico. Assim, do nada. Feito eu infartando. Do nada. 

2022 foi marcado por várias homenagens à minha mãe: cidadã colinense, o jardim mais bonito de Colinas e uma bela homenagem da Comunidade Católica de Colinas, por serviços prestados.

Já vislumbro o final do ano. Novos exames médicos me aguardam. Uma nova empregada – Jucele –  começa a ser preparada. A academia no subsolo precisa ser concluída. As conchas 100% utilizadas. 

Hoje encomendei novas telas. Cinco telas de tamanhos variados. Pra casa, pro ateliê, pra Fernanda. Tem ainda o jardim aqui de casa. Vasos pra pintar. Costelas de Adão pra plantar. 

A vida segue.

E 2021 começou

Pra variar, nem “Banquetes Intermináveis” nem “O poder do Agora”. Estes já estão naquela pilha dos livros iniciados e não finalizados. Instigada por uma amiga que disse não conseguir ler o escritor português, baixei o livro “Claraboia” de José Saramago e me pus a ler. Uma delícia de texto. Assim como foi ler “Caim”, também de Saramago. Uma delícia. O próximo cotado, do mesmo escritor, redescoberto na última organização da biblioteca é “A jangada de Pedra”. É com Saramago que inicio meu ano literário. (E, ops. Não é que eu já havia lido Claraboia em 2013? Bem que o enredo me soava familiar … mesmo assim, continua sendo bom.)

Pra variar, também não fiz listas de metas e providências, nem coloquei as cartas de Tarô – um hábito/ brincadeira antiga. Ainda tem tempo. Imagina que sequer preparei o scrap da capa da agenda de 2020. E 2021 começou. Sequer comprei agenda para este ano. A dúvida é: vou comprar? Com certeza. Que seja pra fazer listas + listas, anotações, textinhos, textões. O que realmente espero é preencher a agenda com compromissos e pacientes. 

A sensação de incompletude me fez iniciar o ano com o firme propósito de finalizar o que está iniciado: os crochês, as cerâmicas, os textos, as faxinas. Há muito a fazer, mas também pouco: algumas quirelas e pendências que precisam de um ponto final. Aos poucos me pego anotando um pequena providência aqui, um conserto acolá. O verão será assim: cheio de arremates e fechamentos. São pequenas listas produzidas a partir de outras listas, com alguns itens não ticados. A motivação é finalizar o infindado.  Infindável, talvez?

Como vivemos no país em que o ano começa após o Carnaval – mesmo que neste ano a festividade esteja cancelada, por conta da COVID19 – a ideia é só planejar 2021 após esta data. Até lá, vou finalizando o que foi iniciado; planejar e avaliar mentalmente projetos que zanzam há tempos, feito miríades de pirilampos, ideias e pensamentos. São projetos que exigem energia e determinação e um ano inteiro de experimentação e adequação.

Por ora, vou curtir Saramago, as maratonas na Netflix, o mar, os banhos de sol, e diariamente, dar cabo aos bocados de 2020. 

2021

O ano iniciou como quase todos os outros:

Por conta da pandemia, foi menos gente, menos visita, menos comida, menos bebida,

menos trabalho, menos fogos de artifício, menos muvuca. 

Foi a virada de menos …

Menos muita coisa boa,

menos muita coisa ruim.

Mantive as folhagens de Costela de Adão sobre a mesa, as helicônias nos vasos,

velas brancas, potes com sal grosso e alho. Pimentas e conchas.

As sete ondinhas. A lentilha.

Vesti minha velha blusa branca da sorte e a mule bordada de dourado. 

Desejos e votos retumbaram nas mídias sociais, nos telefones,

nos abraços contidos e diminuídos entre os que estiveram entre nós.

O primeiro dia amanheceu nublado e fresquinho,

A casa registrava, óbvio, os exageros da virada.

Neste novo ano 

listei mentalmente rumos para 2021. 

Vício inevitável: uma bússola que mostre um norte a seguir:

Desejos, sonhos, expectativas, metas, idiotices, maluquices.

Um baú de projetos e possibilidades.

Coisas a fazer;

Coisas a abandonar;

Coisas a retomar, melhorar, mudar, enfim … 

Sem agenda, sem listinha (ainda) 

vislumbro anseios e necessidades.

O bom de tudo isso, 

não é exatamente cumprir o programado,

é reconhecer que existem sonhos e necessidades

e motivos pra seguir em frente.

Os motivos?

Que sejam fúteis e inúteis

Nobres ou esnobes,

Saudáveis ou não,

Rentáveis ou não,

Inteligentes ou não,

Louváveis ou não.

Importa, 

existirem.

Feliz Ano Novo. Que venha 2021.