Ponto de Equilíbrio

Acabei de voltar da ioga. Ando, pra variar às voltas, com dieta e academia. Pra variar também, estou acima do peso, sem perspectivas de emagrecer. O que perco com tortura e sacrifício em 3/4 dias (este tem sido meu tempo de tolerância pra alface e proteína e restrição de carboidratos e doce) recupero numa noite de queijos e vinhos e sorvete com morangos. Ando completamente indisciplinada e revoltada com os resultados dos meus esforços. E jurei pra mim mesma, não fazer nem dietas malucas, nem tomar medicamentos. Não sobreviveria comendo 2 ovos por dia + 4 biscoitos cream cracker como fez uma conhecida. Morreria de fome, desgosto e apatia. Também não sobreviveria comendo somente proteínas. A imagem de uma cobra com um boi entalado na garganta, me define perfeitamente nesta condição.

Decidi que, por enquanto, vou comer e beber o que alimenta meu corpo e minha alma. Decidi me amar do jeitinho que sou e estou. E vou ficar bem.

Sobre a ioga de hoje. Posso garantir que foi a primeira e última vez que fui. Pelo menos com esta professora, adepta – sem sombra de dúvida- de tortura física e humilhação coletiva.

Posso explicar: ainda não. Meus braços continuam tremendo e minha cabeça ainda não encontrou o ponto de equilíbrio.

Para os que ficam em casa

Sou ambivalente quando o assunto é viajar. Amo e odeio. Amo sair de casa, respirar novos ares e hábitos, conhecer novos lugares e pessoas, desbravar culturas e costumes, fazer compras, comer e beber novidades, ou simplesmente, sair da rotina. Odeio porque adoro ficar em casa. Odeio porque detesto preparar malas de viagens – invariavelmente erro no que levar e não levar. Odeio porque adoro o café de casa, o conforto, minhas rotinas.

Então, o que fazer?

Viajar sempre que possível.

No fim das contas, o que conta é o bem que a gente se faz. Ficar em casa – por estes, e por tantos outros motivos possíveis – limita nossa visão de mundo e nosso estar neste mundo. Tenho uma amiga – que assim como eu – adora ficar em casa. Ambas adoramos nosso canto, hobbies e rotinas. Disse-me ela que se obriga a sair de casa, pelo menos dois dias por semana. Pouco importa o motivo: que seja para visitar uma amiga, ir ao cinema, supermercado, costureira, shopping. Importa sair do ambiente carregado de afetos em que vivemos. Quantas vezes ja estivemos em casa ruminando assuntos, se desesperando e se deprimindo, e quando, ao sair e respirar novos ares, ver outras pessoas, pensar outras coisas, o tal assunto ganhou nuances de um novo colorido, não tão cinzento e desesperador? As vezes, sair de casa, e principalmente, sair de si próprio, nos permite ver mais longe, mais aberto, mais leve.

Enquanto minha rotina profissional não se instala,

ir na academia tem sido uma das minhas saídas obrigatórias.

Faz bem pro corpo. Faz bem pra mente.

?

Em dia de academia

… lembro de um monte de coisas que quero, preciso ou estou com vontade de fazer. Pra academia não ver navios, preciso seguir uma regra básica: acordar, colocar roupa de academia e não pensar em nada, muito menos começar qualquer coisa pela manhã. Entrar no carro e só parar quando estiver dentro da academia. Qualquer desvio de conduta ou itinerário, é falta na certa. Se deixar para fazer as aulas da tarde – ao meu ver, as melhores – também.

Por enquanto, academia pra mim, se resume nisso: não pensar. Apenas ir e garantir a evolução na minha ficha de musculação. Por isso, tô saindo.

Horário

“Cheguei à conclusão de que meu problema com academia é o horário. Ou é cedo demais ou tarde demais. Tipo 8 horas ou 20 horas. Não consigo me imaginar fazendo pilates, spinning ou musculação em nenhum destes horários. Ou então é bem no meio do turno. Tipo 10 horas ou 16 horas. Impossível!!! Sem contar a chuva, o calor, o frio, a faxina, o consultório … Como posso encaixá-la na minha agenda? “

Abandono

Meu corpo venceu.

Definitivamente, não sou mulher de Academia.

Aprisionada e limitada nas minhas manhãs,

ficava anoréxica.

Prefiro a bulimia quanto ao viver.

Voracidade, quantidade, intensidade.

Andava faminta, insatisfeita e refém .

Também não sou mulher de Salão de Beleza,

como bem disse a Jô.

Sou mulher de outras fomes, vontades e desejos.

De uma coisa tenho certeza:

Ou como a metade

Ou exercito o dobro.

Bloqueei para o ritual matinal de torturas.

Voltaram a ser somente

E apenas, isso: Torturas.

Preciso de uma saída.

Também não sou mulher

Tamanho Grandão.

Não posso ser.

Não me permito ser.

Meu Corpo Sutil

Minhas manhãs de academia continuam em ritmo agonizante. Sinto muito, mas….. As aulas de yoga tem salvado a academia da exterminação total da minha agenda semanal, já que elas são minhas favoritas. Mas tem que ser com a professora Ana Maria (já tentei fazer as aulas noturnas, porém – tenho de admitir – meu nível corporal continua no Básico). São aulas mais relaxantes e focam mais em exercícios respiratórios e pequenas incursões pelo Corpo Sutil. Por mais light que pareça elas tem um poder incrível. Como é uma aula sem grandes movimentos e com muito exercício de reflexão e respiração (com o baixo ventre, com o coração, com o fígado, com os olhos) acabo me centralizando e acalmando. A expressão “Corpo Sutil” é da professora e expressa exatamente o que são nossas aulas. Pura sutileza onde se trabalha a “Sagrada Indiferença” e as “Profundezas das nossas águas”. Parece coisa louca, mas sobre o tatame e ao som das músicas indianas o mergulho neste mundo acontece de olhos fechados e mente aberta. Assim como o poderoso sutra Entrega-Confia-Aceita-Agradece. Mas o que eu realmente tenho adorado fazer é a posição do “Cadáver” no final de cada aula. Literalmente me entrego de corpo inteiro e morro na minha preguiça.

ooooooooooooooooooooommmmmmmmmmmmmmmm, Shanti – Shanti – Shanti

Vestida para malhar

Hoje fechei 3 semanas de retorno à academia. Tenho de reconhecer que tem sido difícil. Muito difícil. Além de estar totalmente fora de forma – depois de 6 meses afastada por recomendação médica – meu ânimo tem sido sofrível. Como se não bastasse as dores normais de um corpo que protesta, meu ombro está me trucidando. O diagnóstico de capsulite adesiva (ombro congelado) justifica a limitação e a dor do meu ombro direito. Por isso, tenho evitado as aulas mais “puxadas”. Percebo que esta meia vida na academia, este poupar-me tem me desestimulado bastante. Acabo intercalando esteira, yoga, AXIS (automassagem) e alongamento. Semana que vem retomo à musculação e ABS (abdominais). E quem sabe, na próxima semana à Dança do Ventre e Localizada. Espero que com mais alternativas meu ânimo melhore. Perceber este desestímulo diário e localizar sua origem tem me ajudado a encontrar alguns paliativos e evitar que “matar” a academia seja uma rotina. Até porque desculpa pra isso eu tenho (meu ombro detonado). Outra coisa que tenho percebido é que preciso me vestir para a academia. E não é apenas com roupa adequada, mas com a energia e o astral que  alimenta a atividade física. Preciso incorporar o ambiente e respirar o ar daquelas salas e equipamentos injetando em cada poro, célula ou molécula a ideia de saúde e bem estar. Assim, todas as manhãs vivo um conflito energético. Um atrito entre o querer e o precisar. Entre a dor e a necessidade. Diria que estou equilibrada na matemática desta disputa. Tem dado empate. Custoso, mas ainda um empate.

Convalescendo

12 passos da cama ao banheiro. 22 passos até o topo da escada, 9 degraus, mais 22 passos até o sofá da sala de estar, e de lá até a geladeira na cozinha, mais 30 passos. Se quiser respirar o ar puro e apreciar a natureza, na beira da piscina, são outros 9 degraus, mais 60 a 70 passos, conforme o local exato em que vou desmoronar sobre minha poltrona de rattan. Além dessas odisseias – repetidas algumas vezes ao dia – as drenagens linfáticas diárias e o ultrassom, dia sim dia não, e depois o banho e a recomendação médica de nunca, jamais, em hipótese alguma, elevar mais de 90 graus os braços, constituem minha atividade física diária. Depois de 12 dias de cirurgia, alguma dor, muitos senões e muito tédio, assim tem sido meus dias, alegrados apenas pela leitura, palavras cruzadas, visitas, alguns filmes e um pouco de internet. Qualquer atividade fora desta rotina, percebo, ainda me deixa cansada. Mesmo assim, quase ganhei uma estrelinha na minha consulta de revisão, 4 dias atrás. Para o médico, minha recuperação está acima da média e, tirando o sacrifício de não poder erguer meus braços, estou liberada para tudo. Apenas para dirigir, meu corpo precisa de mais 2 dias. De resto posso fazer tudo que eu quiser. Como se eu aguentasse, espertinho. Tanto ontem como hoje, saí ao lado do meu filho. Ele dirigindo e eu absorvendo a vida do lado de fora. Fomos a uma feira num dia, no shopping no outro. Ao chegar em casa, a alegria de sair do tédio e o cansaço de exigir do corpo retalhado algo que ele ainda dispensa. Os dias estendida na cama com almofadas, almofadinhas, almofadões, travesseiros e travesseirinhos amparando os membros, acolhendo a dor e o desconforto tem sido o consolo maior para quem ainda se descobre em novas medidas e curvas. Mas cada dia é melhor que o dia anterior. Diariamente faço a contagem regressiva, e, segundo dizem, em uma semana, pelo meu ritmo, estarei quase novinha em folha. Existe um tempo enormemente maior para outras recuperações, mas poder levantar os braços e dirigir por aí, já representa um prêmio considerável e valioso.

Após 3 meses de academia e dieta –levadas muito a sério – o acabamento final foi feito por um escultor de corpos. Um cirurgião plástico. Em vias de fazer 50 anos, existe gordura grudada em lugar que nem a rigidez da dieta, o suplício do exercício físico ou a massagem vigorosa de mãos treinadas conseguem arrancar. Pensei estar crescida e madura para os procedimentos. E me fui. Sem pensar muito. Foram mais de 10 anos pensando e avaliando. Quando a motivação e a coragem subjugaram o medo e as desculpas, marquei a data e fiz. Sem muitas delongas. Está feito.

Apesar da redução total de tudo em minha vida, para me recuperar bem e saudável, sei que valeu a pena. Agora, além de calma, preciso de tempo. Calma para ver o corpo se achando e se remodelando. Tempo para colocar tudo em dia. Inclusive meu blog.

Mas, com calma – braços livres – e tempo, eu seu que chego lá. E vou contando como, o que, quando, porque. Essas coisas de mulher.

Como o diabo gosta

É assim que me vejo. 9:50h. Esparramada no sofá, checando e-mails, o livro “Entre Atos” de Virgínia Woolf ao lado, Carmina Burana de Carl Orff ao fundo, tomando café sossegadamente. Lá fora o dia está cinzento e frio. Nuvens do vulcão chileno. Compromissos do dia: almoço com minha “boadrasta” e cabelereiro às 16.  E é isso. Vontade de caminhar? Nix. Desde que cheguei ao sul, há exatos 10 dias, troquei a academia (plano bloqueado por um mês) pelas caminhadas diárias e massagens com drenagens linfáticas. Faço massagem 3 vezes por semana – exercício passivo – e as caminhadas, infelizmente não tem sido diárias. Poderia listar inúmeras razões para este relaxamento mas a esteira aí do lado não me permite nenhuma complacência ou desculpa. Minha dieta tem seus altos e baixos, mas no geral, estou indo bem. Fazia tempo que não escrevia sobre a academia e talvez tenha dado a impressão de que assim como a escrita, também a prática física tenha ficado de lado. Tenho saudades do meu menu matinal de torturas. Com o tempo fiz amigas, meu corpo foi acostumando e selecionei aulas e horários sagrados nas minhas manhãs de academia. Retorno dia 8 de novembro, e, tenho que admitir, não vejo a hora. Meus dias – antes cansativos e doloridos – tornaram-se divertidos e dinâmicos. Passamos – eu e meu corpo – a ansiar por determinadas aulas. Ioga e AXIS (uma espécie de automassagem com rolo) eram as relaxantes. As aulas de Localizada e ABS (abdominal) as que mostravam resultados. Mudei a cor dos pesos. Do azul fui ao amarelo e ao verde, ou seja, dos 500 g a 1 e 2 Kg, tanto para pernas como braços. Sair dolorida destas aulas começou a simbolizar exercício bem feito, e não tortura. As aulas de alongamento me envaidecem sempre: fofinha e flexível. Programas de Esteira e Musculação, intercalados entre si, fechavam 2 a 4 horas diárias de academia. As aulas de Dança do Ventre, fechavam duas das minhas manhãs, mas começo a concluir que, definitivamente, uma gaúcha branca de descendência alemã, tem tanta aptidão para o remelexo da dança exótica e sensual quanto um cabo de vassoura. Mas, como taurina teimosa e determinada, tenho alguns meses para que minha “performance” a La Shakira não seja minha ruína completa como bailarina.

O sol começa a sorrir lá fora, já são quase 11h, e combinei pegar minha filha na academia (a dela) em cinco minutos.

Amanhã vou fazer meu exercício passivo. E caminhada também. Possivelmente antes do sol se por.

Briga silenciosa

Crise corporal existe?
Desconfio que sim.
Corpo teimoso, birrento e rebelde
Esse meu.
Parece gostar de si
Assim mesmo.
Fofinho, robusto, enferrujado.
Uma linha reta sem curvas
Apenas ondulações.
Ele se gosta e se basta
Não tem pretensões de mudar.

Uma guerra silenciosa.
Eu, minha dieta e minha academia.
Alimentação e exercícios físicos
Munição básica.
Ele e sua teimosia e golpes baixos.
TPM, desânimo, sono, fissura por doce,
preguiça, dor, enxaqueca, pressão baixa.
Minando minhas resistências e trincheiras
Ao longo das horas e dos dias
Como dor de dente.
Tem certeza da vitória.
Vencedor a vida toda, nem desconfia
Do tiro no pé que é essa sua
mania teimosa.

Tô de olho nele e em suas artimanhas.
Conheço sua força e determinação.
Decidi ir por bocados
Caminhadas, ioga, alongamentos, dança do ventre
Até ontem, mansinha e compreensiva.
Hoje engatilhei o Leg Extension e o Leg Press,
Abdução e Adução dos quadris,
Depois saquei da Flexão Plantar e dos joelhos
Com uma Seated Leg Curl
Finalizei com o Abdominal Crunch.
Duas saraivadas completas
Quinze lances com pesos variados.
Ele ficou quietinho
Só me observando.

Pela primeira vez vejo indecisão
Em sua atitude obediente
Possivelmente durante a noite
Ele planeje a retaliação, a vingança.
Dores, distensões e outros truques sujos.
Ele que se engrace. Estou de olho nele.
Ele nem desconfia do que sou capaz.

Recaída

Fico maluca ao me pesar depois de dias e dias de privação, fome e sacrifício, e perceber que o esforço pouco valeu a pena. Quando estou de dieta evito me pesar. Conforme o número da balança a decepção é imediata e a recaída idem.
Foi o que aconteceu hoje. Segunda-feira. Seis dias de academia, onze de dieta. Reconheço que não estou seguindo religiosamente o menu prescrito pelo médico, mas devo ter eliminado pela metade ou mais, as calorias diárias. Nada de bolos, doces, sobremesas, batatas, refris, vinho, lanches, salgados, amendoins. Ou seja, estou espartana no comer e beber há consideráveis onze dias. Se seguisse a prescrição médica certamente já teria desmaiado ou entrado em apatia total. Comida de coelho me deprime. Reconheço também que minhas manhãs na academia não tem sido tão produtivas quanto gostaria. Primeiro porque a primeira semana é a primeira semana. Horários de avaliação e entrevista, reconhecimento de atividades e possibilidades, ritmo lento e evitação de dor ( a exceção foi o pilates que debulhou corpo e alma). Tá certo que estou seguindo as recomendações – nada de excessos e exageros – mas a sensação é de incompletude e fracasso. Soma-se a isto um conflito matinal diário: tenho tanta coisa pra fazer em casa, preciso escrever, terminar meus textos técnicos, ler, arrumar a bagunça do atelier, finalizar o álbum de NY. Sem contar na vontade de dormir até mais tarde e funcionar no piloto automático. Acrescenta-se ainda dois mal-estares (dignos de calafrios, vertigens e pressão baixa) e uma senhora enxaqueca durante as sessões de academia. Além do depois. Cansaço e dores. Minhas tardes se arrastam nas migalhas de energia. Estamos sobreviventes.
Então hoje, foi dia de programação e entrevista na musculação. Por ordens médicas só membros inferiores. Minha tendinite e bursite nos ombros me livrou de parte do menu matinal de torturas. Apenas membros inferiores. Pelo menos. E por enquanto. Dia de pesagem e medidas. Já vou avisando logo que não quero nem saber. Podem tirar meus números à vontade. Minha única condição é a total ignorância. Conheço muito bem o efeito diabólico da consciência destas informações na minha motivação e determinação.
Apenas, esqueci do efeito curiosidade. Não dizem que a curiosidade matou o gato? Pois é, a minha matou minha disciplina e alegria em plena manhã de segunda-feira. Mesmo desviando o olhar da balança, o número na ficha deixada displicentemente a um braço de distância e visível a minha cegueira quarentona foi devastadora. Como?
Ao colocar o jeans, pernas apertadas.
Ao passar pelo shopping, um saco de balas.
Amanhã, às 9:00 recomeço tudo de novo.
O bom da recaída é que ela vale cada tiquinho do pecado cometido.

Na academia

Nem vi meu amor sair da cama
Fazer barulho pra ganhar café da manhã.
Estava em coma e não sabia.
Exausta fui erguida.
Beijo gostoso de despedida.
Pilates às 9?
Fui.
Ainda dormindo encontrei Patrícia
Animadíssima.
E eu, aninhada no casaco quente
Acordando. Ela, espevitando há horas.
Ritmos. Apenas isso, pensei.

Pilates sem aparelhos?
Ok, nunca fiz.
Em pé
Braços, pescoço, cabeça, nuca, tronco.
Agradável alongamento
Variável e diferente.
No chão.
Hora das pernas, glúteos e abdômen.
Sinto-me uma parkinsoniana.
Tremo inteira
Mal consigo ficar alinhada.
Joelhos com quadris? Onde fica?
E caio na lona.
Exaurida. Trêmula.
Céus, sinto-me um caco desgovernado.
Uma baleia à deriva.

Ioga. Graças a Deus.
Dia de trabalhar respiração.
Inspirar e expirar. Inspirar e respirar.
Pulmões e nariz em ótimo estado.
Respiro pelos olhos e pelo coração.
Em ótimo estado.
Levar o umbigo até a coluna. OK. Foi.
Sentir o assoalho da pelve
E fechar as cavernas.
Contrair e descontrair.
Me conecto com o mundo
E comigo mesma.
Ooooouuuuuuuuummmmmmmmmmmmmm.
Um cobertorzinho.
Oooooouuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmm.
Derrubadézima.

Animada na academia

Um recorde, digno do Guiness.
Foram várias as academias ao longo da vida.
Poucas horas, muitas dores.
Pouco resultado, muitas desculpas.
Enfim, tenho que me render:
Já era sem tempo.
Dedicação total em tempo parcial.
Minhas manhãs viraram agito:
Esteira, ioga, musculação,
Dança do ventre e hidroginástica
Alooooooongamentos e localizada.
O menu de meia semana,
Três dias já é um começo.
Melhor que a solidão e o tédio.
Quem diria!!!!!

Na aula de dança do ventre
Me lembrei da Glória.
Lembra da Glória?
É a simpática e desengonçada hipopótamo
De Madagascar.
De frente ao espelho
Impiedoso e cruel
A imagem, antes aterrorizante
Virou risos e graça.
Minhas jovens colegas garças
E eu, Glória de 49,
Rebolamos e giramos
Felizes e soltas.
É melhor o humor
Sem pudor sem vaidade
Corajoso e determinado.
Quem sabe Glória vira garça?
É melhor ter esperança.
Senão, senão……. nada.