Psicodinâmica Escolar

A escola tem papel importantíssimo no aprendizado e desenvolvimento global da criança e do adolescente. Quando a criança ou o adolescente chegam à escola, além dos aspectos constitucionais e vivências familiares, outro fator importante para seu processo da aprendizagem e desenvolvimento pessoal é o ambiente escolar em que ela se encontra.

Portanto o tripé do processo de aprendizagem é formado por 3 elementos:

  1. Aspectos Constitucionais individuais;
  2. Vínculos Familiares;
  3. Ambiente escolar.

As escolas são instituições com “culturas próprias” e significados diferentes para diferentes alunos. A escola e a sala de aula são um “lugar imaginário” muito além do espaço real de cadeiras, classes e salas. Ela é aquilo que o aluno percebe a partir de sua história, seus desejos e medos. Na escola acontece um interjogo de forças inconscientes que se cruzam, se opõe, entram em conflito e se reforçam através de situações manifestas (claras e evidentes), ou de forma oculta, latente e inconsciente – e nem por isso – menos significativas. Cria-se uma dinâmica (comportamento grupal) próprio daquela escola. É a Identidade Escolar” (= Identidade Familiar).

Algumas escolas tem seu processo educacional mais dirigido, com limites mais estreitos. Ao contrário de outras, mais liberais e abertas. É o que chamamos de filosofia escolar.

As escolas tem um “currículo manifesto” e “currículo oculto”, ou seja, aquilo que é manifestamente dito e/ou escrito, e a verdadeira prática do cotidiano escolar e da sala de aula.

A escola é constituída por pessoas – professores, diretores, orientadores, funcionários, pais alunos – que lidam de maneiras diferentes com os mesmos fatos. Alguns lidam bem ou mal, conforme as circunstâncias.

Qualquer manual de educação moderna aponta para a necessidade de respeitar as características individuais dos alunos, entretanto na prática, vê-se um ensino massificado em grandes escolas, com turmas grandes, mais ao estilo de uma linha de montagem. Como exemplo, observa-se a dificuldade que professores e escolas tem de reprovar um aluno quando este não conseguiu dominar quantidade X de conhecimento em tempo Y, e acabam projetando na família ou no próprio aluno, sua dificuldade em aceitar a reprovação do aluno, sentindo sua incapacidade de ensinar como uma ferida narcisista.

É importante que tanto pais quanto professores saibam, que dentro de uma visão psicodinâmica, os professores serão recipientes de impulsos, ansiedades, fantasias, emoções, paixões, pensamentos – mais ou menos conscientes – que crianças e adolescentes tem em relação aos próprios pais. Amor e agressividade, originalmente, dirigidos aos pais são transferidos (ou projetados) para os professores. E não são apenas os sentimentos agressivos que serão transferidos, os amorosos também. Muitas dificuldades escolares se organizam em torno destas projeções.

É interessante lembrar também, que trabalhar com crianças e adolescentes, desperta aspectos infantis e adolescentes nos próprios adultos. Professores podem desenvolver sentimentos por determinada criança ou adolescente, que lhe evoque situações de vida (memórias, fantasias, sentimentos infantis ou adolescentes) vividas em etapas do seu próprio desenvolvimento.

A escola serve como simulador de vida, onde existem regras a ser seguidas, mas que podem ser transgredidas sem sofrer as consequências impostas pela sociedade, e ser esta a oportunidade de aprender com a transgressão.

Além do aprendizado, a escola tem função de socialização. Em busca de sua identidade, o jovem encontra na escola um sistema de forças que atuam sobre ele – reedita seu ciúme fraterno, compete, divide, rivaliza, oprime e é oprimido – ou seja, ele reproduz dentro da escola o sistema social e familiar onde vive.

Muitas vezes a família e a escola dissociam suas funções. É frequente pais criticarem a escola, projetando nela todos os aspectos negativos do ensino-aprendizagem, como também a conduta dos filhos. A escola também dissocia, projetando nos pais todas suas incompetências (falta de limites, participação, etc).

É fundamental que família e escola se aliem e se tornem parceiras no desenvolvimento global de seus membros.

Escola, família e sociedade atuam em conjunto no processo educacional. A visão espacial é considerar a escola como o meio do caminho entre a família e a sociedade, quase um espaço de transicionalidade (Winnicott); não é mais o conhecido e protegido “espaço familiar” nem tampouco o temido e desejado “mundo adulto”.

A escola é o lugar onde a criança e o adolescente exercitam seus passos em direção à independência, à individuação e à separação do seu grupo original. Evidentemente, também a escola sofre importantes pressões, manifestas ou latentes, tanto da família como da sociedade, pois ambas esperam que a escola cumpra sua função educativa.

Aprendizados

Existe um ditado alemão que diz mais ou menos o seguinte: esperto é aquele que aprende com os erros dos outros, inteligente é aquele que aprende com os próprios erros e burro é aquele que não aprende nem com os próprios erros nem com os erros dos outros. Já fui esperta, inteligente e burra. Tenho tentado ser o mais esperta e inteligente possível. Quando insisto naqueles erros inadmissíveis – dando uma de burra – me consolo dizendo que foi por causa da minha teimosia taurina ou culpa da minha determinação alemã. Não que isso diminua o impacto ou o estrago do erro, mas poupa minha auto-estima, a esta altura sensivelmente abalada.

Aprendi com meus próprios erros que devo sempre:

– acreditar em mim mesma, na minha capacidade, na minha intuição e em meus instintos;

– evitar tomar qualquer atitude radical por impulso;

– ouvir uma segunda ou terceira opinião médica quando desconfio do diagnóstico ou do tratamento;

– evitar sair às compras quando estou de mal comigo mesma ou com o mundo;

– desconfiar quando um produto é muito barato;

– aceitar minha paixão à primeira vista por alguém ou alguma coisa;

– prestar atenção aos limites do meu corpo;

– dormir 8 horas por dia;

– comer exatamente aquilo que estou com vontade de comer;

– tomar cuidado com as roupas listradas, muito justas ou de tamanho menor que o meu;

– usar calcinhas com foro de algodão;

– ter sempre na bolsa um remédio para enxaqueca e cólica;

– evitar ter estoque de balas, chocolates ou sorvete em casa;

 Aprendi com os erros dos outros que: Continuar lendo “Aprendizados”