Aprendendo com os outros

Existe um ditado alemão que diz mais ou menos o seguinte: esperto é aquele que aprende com os erros dos outros, inteligente é aquele que aprende com os próprios erros e burro é aquele que não aprende nem com os próprios erros nem com os erros dos outros. Já fui esperta, inteligente e burra. Tenho tentado ser o mais esperta e inteligente possível. Quando insisto naqueles erros inadmissíveis, dando uma de burra, me consolo dizendo que foi por causa da minha teimosia taurina ou culpa da minha determinação alemã. Não que isso diminua o impacto ou o estrago do erro, mas poupa minha autoestima, a esta altura sensivelmente abalada. Aprendi com meus próprios erros que devo sempre: acreditar em mim, na minha capacidade, intuição e instintos; evitar tomar qualquer atitude radical por impulso; ouvir uma segunda, terceira, quarta … opiniões médicas quando desconfio do diagnóstico ou do tratamento; evitar sair às compras quando estou de mal comigo/mundo; desconfiar quando um produto é muito barato; aceitar minha paixão à primeira vista por alguém ou coisa; prestar atenção aos limites do meu corpo; dormir 8 horas por dia; comer exatamente aquilo que estou com vontade de comer; tomar cuidado com as roupas listradas, justas ou de tamanho menor que o meu; usar calcinhas com foro de algodão; ter sempre na bolsa um remédio pra enxaqueca e cólica; evitar ter estoque de balas, chocolates ou sorvete em casa … Aprendi com os erros dos outros que preciso dar atenção e conversar freqüentemente com filhos, familiares e amigos; que o divórcio machuca demais; não devo gastar mais do que ganho ou tenho; não devo dar ouvidos às fofocas; preciso ser atriz da minha vida e não expectadora da vida dos outros; preciso avaliar muito bem para quem emprestar dinheiro; ser fiador apenas para pais ou filhos; não fumar jamais; não beber demais, não comer demais, não trabalhar demais; devo lutar com unhas e dentes pelo amor da minha vida; nunca usar de chantagem e violência com quem amo; ser a maior responsável pela minha felicidade; sempre acreditar naquilo que aprendi com a vida e comigo mesma … Ainda não aprendi a falar inglês e espanhol fluentemente; lavar louça enquanto  cozinho; usar religiosamente os cremes prescritos pela dermatologista; beber menos café; comer menos doces; “armar barraco”, “rodar a baiana”, “subir nas tamancas”, ou seja, “botar a boca no trombone” … Possivelmente estou esquecendo de muitas coisas que aprendi de um jeito ou de outro ou que ainda não aprendi. Muitos dos nossos erros/aprendizados são uma escolha pessoal. Aprendemos na prática aquilo que já sabíamos da prática dos outros. Ousamos e insistimos em tentar do nosso jeito, acreditando que pode dar certo ou não, nos boicotamos, fazemos gol contra e nos prejudicamos, consciente/inconscientemente. Parece que não queremos aprender, não queremos acertar. Por quê? Saber a serviço do que estão nossos acertos e erros pode nos indicar o lugar onde queremos chegar! Como queremos chegar! Com quem queremos estar!

                                                     Los Canales, setembro de 2006.

Tudo que hoje preciso realmente saber aprendi no jardim-de-infância

Foto de Internet
Foto de Internet

“Tudo que hoje preciso realmente saber – sobre como viver, o que fazer e como ser – eu aprendi no jardim-de-infância. A sabedoria não se encontrava no topo da montanha do pós-graduação, mas no montinho de areia da escola dominical. Estas são as coisas que lá aprendi: Compartilhe tudo. Jogue dentro das regras. Não bata nos outros. Coloque as coisas de volta onde pegou. Arrume sua bagunça. Não pegue as coisas dos outros. Peça desculpas quando machucar alguém. Lave as mãos antes de comer. Dê a descarga. Biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você. Leve uma vida equilibrada – aprenda um pouco e pense um pouco e desenhe e pinte e cante e dance e brinque e trabalhe um pouco todos os dias. Tire uma soneca todas as tardes. Quando sair, cuidado com os carros, dê a mão e fique junto. Repare nas maravilhas da vida. Lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém realmente sabe como ou porquê, mas todos somos assim. O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a  sementinha no copinho plástico – todos morrem. Nós também. E lembre-se da sua cartilha e da primeira palavra que você aprendeu – a maior de todas. OLHE. Tudo o que você precisa saber está lá, em algum lugar. A Regra de Ouro e o amor e a higiene básica. Ecologia e política e igualdade e vida sadia. Pegue qualquer um destes ítens, coloque-o em termos mais adultos e sofisticados e aplique-o à sua vida familiar ou ao seu trabalho ou ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós – no mundo todo – tivéssemos biscoitos com leite todos os dias por volta das 3 da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica devolver todas as coisas ao lugar em que as encontraram e arrumassem a bagunça que fazem. E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficar junto.”

Autor deconhecido

A família como estimuladora da aprendizagem

http://www.flickr.com/photos/johncarleton/33052669/

A família é parte de um contexto amplo, moldada pela sociedade e pelo legado familiar. Ela cumpre com duas funções básicas:

– Garantir a sobrevivência (proteção psicossocial, afeto, carinho, comida, casa, vestimenta, etc.);

– Transmitir o legado familiar (crenças, costumes, tradições, etc.) Famílias de médicos, traficantes, professores, etc.

Como em qualquer organização social, também na família existem regras, políticas e padrões de funcionamento. Nem sempre claras e verbalizadas. O silêncio diz muito. Nossos comportamentos, pensamentos e atitudes transmitem crenças e valores: valor do ensino, transmissão da violência, mentiras, racismo, etc. É a chamada linguagem familiar, que se inicia tão logo ingressamos na família. O que acontece por nascimento, adoção ou casamento. A interação inicial com o mundo é feita através da mãe, depois pela família. A forma de agir, pensar e viver são introjetados como certos, copiados e repetidos. A criança se adapta ao funcionamento familiar assim como a família se adapta à sociedade na qual está inserida, flexibilizando-se para acomodar mudanças sociais (telefone celular, internet, questionamento de autoridade, etc.) e mudanças inerentes ao ciclo vital familiar e pessoal. Quando a criança sai do meio familiar e ganha o mundo, inicialmente através da escola, noções de limites, regras, respeito e moral já estão introjetadas. Se em casa ela não aprendeu estas noções , esta dificuldade repetir-se-á fora de casa. Quanto mais claras e explícitas forem as regras, mais fácil a educação e as relações intra e inter familiares.

Cada família é única. Pais e filhos não são iguais em termos de autoridade e responsabilidade. Quando o papel dos pais não está bem definido, é provável que busquem na força física ou psicológica uma forma de controle e dominação, para deixar bem claro quem manda em casa, demonstrando assim, insegurança para exercer a paternidade, disputando com os filhos o controle e poder familiar. Continuar lendo “A família como estimuladora da aprendizagem”