Descansa pés

Ou seriam puffs? Pra mim tanto faz. São úteis e muito fofos.

Assim que vi na casa de uma amiga, decidi que faria alguns: um ou dois pro atelier, três pra casa da minha mãe, mais alguns de reserva. Gosto de presentear amigos com meus trabalhos. O preço e o resultado final compensam: sem contar meu trabalho – que é pura curtição – cada puff deste modelito (redondo, quadrado ou retangular) custa cerca de R$ 70,00.

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Depois de providenciar os materiais, hora de crochetar. 

Assim que começo o primeiro trabalho com fio de malha percebo que existem falhas/nós em toda sua extensão. Algo em torno de 10 falhas por kilo, que é como a gente compra o fio de malha. Cones de 1kg. Aprendo a cortar a falha e colar com a cola universal para artesanato. Seca rápido e a falha desaparece na trama do crochê.

 

O que pude perceber neste início de curso é que tudo gira em torno do ponto baixo, baixíssimo e alto. E as correntinhas. Prepare-se para desmanchar seus trabalhos, pois conforme o material do fio (lycra, malha fina ou grossa) ele pode ficar grosseiro ou espichar demais. O puff creme tive de refazer 3 vezes, porque o fio de malha usado era fino e elástico e se espichava demais.

A novidade foi o círculo mágico. Aprendi por repetição. Faz, desfaz, faz, desfaz, faz, desfaz até aprender. A grande vantagem de iniciar o crochê com este círculo (e 12 pontos altos) é que facilita muito o trabalho com o fio de malha, que normalmente, é muito grosso.

Esse tutorial ensina exatamente do jeito que aprendi a fazer.

Para este tipo de puff, várias etapas são trabalhadas:

  1. A pintura das bases de madeira. Optei por este stain. Um tipo de verniz fosco que precisa de duas demãos para dar um acabamento adequado.

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2. Preparação do forro de tecido para o estofamento. Depois de cortar a espuma com uma faca de pão, no tamanho da base do puff (acho que poderia aumentar uns 2 cm do valor exato), é hora de fazer a capa de tecido. Um conselho: leva para um estofador ou costureira. É mais fácil. Até tentei fazer, embalada pela série “O tempo entre as costuras” da Netflix. Mas, diferentemente da personagem Sira Quiroga, não levo jeito para costura.

 

Como a parte de baixo da espuma fica em contato com a base do puff, aproveitei esta capa horrorosa que costurei. O encaixe é feito com a última carreira do crochê que depois de diminuído – em ponto baixo – e concluído, é finalizado com o fio de malha remanescente, transpassado com agulha de tapeçaria. Puxa-se com força (cuidado com o fio que pode se romper)  até que o conjunto crochê + espuma fique bem firme sobre a base de madeira.

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Ajeita o crochê e está pronto.

 

Ceramicando

Florianópolis é um celeiro de arte e artesanato. Do tipo alternativo, rústico, movido à inspiração, criatividade e sustentabilidade. Anos atrás, tipo 25 anos, fiz um curso de tear, no Mercado Público, no centro da cidade. Foram 3 tapetes com técnicas e cores diversas. E, totalmente tortos. Foram os únicos tapetes de tear que fiz. A técnica não me seduziu: o processo, os movimentos, a poeira, o esforço físico, o resultado final. Das artes tradicionais da ilha, é a cerâmica que mais me encanta (não o tear). Não sei quanto é realidade, quanto é fantasia na arte de produzir artefatos e esculturas em barro. O que sei é que adoro cerâmicas exclusivas, e o quanto gostaria de fazê-las eu mesma.

Como tudo na vida, o melhor jeito é fazer e ver o que acontece. Amar ou odiar são possibilidades do novo.

Com o término do curso de Arteterapia, a curiosidade quanto ao uso terapêutico da argila me motivou a buscar possibilidades de prática e estudo.

E possibilidades de curso de cerâmica em Florianópolis, é o que não falta.

A primeira opção sugerida é gratuita e vai ao coração da arte em barro na ilha. A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, em São José (arredores de Florianópolis), é referência na tradição oleira do estado. Professores e materiais são por conta da Prefeitura Municipal de Florianópolis. A taxa cobrada de R$ 20,00 serve para pagamentos diversos da escola.

O curso é de 3 anos. 2 vezes por semana. 2 horas cada aula = 4 horas semanais.

As técnicas abordadas são o torno, o figurativo e o acordelado. Pretendo saber mais sobre cada uma destas técnicas, e depois, escrever sobre elas.

Infelizmente, por questões de “sob nova direção”, não estão acontecendo aulas de acabamento em pintura. Aprende-se do sovar e trabalhar o barro, preparar e queimar a peça em forno elétrico e/ou à lenha.

Zanzando pela escola, me deparei com várias esculturas em diversas fases de acabamento e peças utilitárias já queimadas, prontas para o acabamento final. Óbvio que me encantei e me horrorizei ao mesmo tempo.

Será que quero?

De qualquer forma, “quem não arrisca não petisca”, não é mesmo?

A maior dificuldade é a distância. De casa até a escola são 45Km de ida + 45 Km de volta = 90Km por aula. 2 aulas por semana = 180 Km.

Ou então, fazer aula em atelier particular, esparramado em qualquer canto da ilha. São vários, cada um com propostas mais interessantes, técnicas de acabamento e pintura mais exóticas e sofisticadas que outros.

Me recomendaram o espaço da ceramista Vânia Bueno (acima). Vai ser, tipo assim, um pós graduação em cerâmica. Ou quem  sabe algum estúdio ou ateliê em Santo Antonio de Lisboa ou no João Paulo. As opções são várias se o enfoque for o fazer cerâmico.

Quando o enfoque se tornar terapêutico, o curso da a psicóloga curitibana Maria da Glória Bozza “Argila – Espelho da Auto-Expressão” será tipo, meu doutorado em cerâmica. Projeto para um pouco mais adiante.