Entre a arte e as coisas da vida

Cá estou eu, mergulhando a nadando de braçada no lodo da política brasileira, subindo de vez em quando à tona pra respirar arte e serenidade. Porque de resto, a vida segue: família, trabalho, casa, amigos, faxina, jardim, agendamento de exposições, literatura, grupo de estudos … e minhas aulas de cerâmica.

Depois de tanto tempo, eis que trago pra casa minhas primeiras cerâmicas esmaltadas. Por recomendação da professora esmaltei apenas algumas das menores peças. Pra aprender. Pra registrar. Porque cerâmica é uma arte milenar e é preciso observar e anotar o resultado das experiências. E fui logo corrigida: não estou pintando cerâmicas. Estou esmaltando. Estou depositando minérios que se fundem em temperaturas de até 1300 ºC. Eis o resultado:

arte8Meio chinfrim minha primeira experiência … mas é assim com praticamente tudo na vida: começa pequeno e meio sem graça. Depois melhora.

A boa notícia é que me sinto cada vez mais integrada e familiarizada com o universo argilino (e pensar que tudo começou pelo amor à Psicologia e Arteterapia). E cada vez mais, minhas cerâmicas expressam meu estilo e ganham minha assinatura artística.

 

 

Hoje resolvi extrapolar na esmaltação e fazer todo tipo de experimentação. Misturei tudo com tudo em mais de vinte peças. O  resultado final, de roer até as unhas do pé, só daqui uns 15 dias.

 

 

Este contato com o barro tem me dado chão.

Tem me dado tempo.

Tem ampliado conceitos.

Tem me apresentado à pessoas muito bacanas.

E foi assim que conheci a “Maga das Velas”, a mundialmente famosa Maria Pessoa. Uma artista que já expôs velas em diversas galerias da Europa, fez matérias para várias revistas nacionais e internacionais, produziu velas para lojas de grife, enfim, me senti no Jardim de Infância das velas artesanais. Maria, minha colega de velas e cerâmicas me mostrou quanta coisa posso fazer com a parafina e também com a argila. Percebi o quanto é possível fazer quando nos permitimos pensar “fora da caixa” e dar asas à experimentação. Sem medo de ousar ou errar.

Mas ela e as velas serão tema de um próximo post. Em breve.

A pintura como método arteterapêutico – Diálogos do Inconsciente

O artigo científico de conclusão do curso de Arteterapia ganha forma e conteúdo.

O tema: a Pintura como forma de expressão, uma ferramenta psicológica de alto impacto, incrivelmente prazerosa e reveladora do universo inconsciente de cada um de nós. Alguns chamam esta técnica de Pintura Espontânea, outros de Pintura Intuitiva.

Gosto de pensar que são Diálogos do Inconsciente.

Afinal, qualquer um pode praticá-la, pois não é necessário nenhum conhecimento prévio na arte pictórica. Sei do que estou falando. O resultado são telas exclusivas e cheias de personalidade. Por este motivo, decidi desbravar o que acontecia quando juntava lona preta, tinta, telas, varetas, água e pinceis + a vontade quase insana de ganhar espaço e encontrar alguma forma de revelação para minhas emoções. O resultado sempre me surpreendeu. O processo também. Entender teoricamente o que fundamenta a arte abstrata, como e porque ela acontece, foi mais que atender uma exigência acadêmica. Foi uma busca pessoal e um desafio profissional. Uma extensa referência bibliográfica já fundamenta o que tantos outros já viveram e sentiram. De Pollock a Miró, Picasso e Kandinsky, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Portinari e outros tantos.

Todos, artistas a frente de seu tempo, conectados a seu próprio tempo.

Deste extenso trabalho, estudo e reflexão, uma nova construção profissional ganha forma. Um reinventar-se acontece. E tudo, absolutamente tudo, decorrente da escuta atenta do que a intuição e o inconsciente pessoal tem a dizer. A mim, a você, a qualquer um que esteja aberto a mergulhar nas profundezas do próprio mundo interno.

“ A pintura permite que o “invisível se torne visível”. (Paul Klee)

 

Jornada Arteterapêutica – Para viver o tempo

Já visualizo textos encadernados, ciclo fechado, fins de semana livres e nada de correria de última hora em busca de materiais, sucatas e textos. Depois do Sound Book, da Síntese Arteterapêutica, enfim a Jornada em Arteterapia. Depois, e quase por último, o Artigo Científico, com data de entrega para abril de 2017. Meu tema? A Arteterapia como terapia, escrita em 1a pessoa: o relato do que foi meu curso, as vivências, insights e aprendizados pessoais. Se eu quiser colocar a mão em mais um certificado, a de Arteterapeuta reconhecida e cadastrada pela Associação dos Arteterapeutas, um cem número de horas de estágio e supervisão me aguardam. Durante o ano que passou, quando algumas colegas iniciaram seus estágios, optei por esperar para quando estivesse atendendo em consultório.

A ideia original ao escolher e fazer o curso de Arteterapia era me reaproximar e retornar à Psicologia (depois de tempo demais longe do consultório), sem muita cobrança e exigências, mas, sempre com muito prazer. Terminar o curso – pelo menos a parte teórica – era o tamanho ideal. Assim, o título de Arteterapeuta, em nenhum momento, pesou para a evolução e finalização do curso. Sabia que participaria dos 3 anos de formação. Como psicóloga, vejo a Arteterapia como um acréscimo bárbaro no atendimento clínico. E pra quem pensa que Arteterapia é tipo uma Terapia Ocupacional, está muito enganado. Eu mesma me surpreendi com o efeito de muitas técnicas e entendimentos psicodinâmicos. São ferramentas e técnicas de trabalho que ampliam e diversificam ainda mais o meu fazer terapêutico, assim como o Coaching Pessoal e tantas outras formações realizadas ao longo do caminho. Sem contar, no passeio que fiz pela teoria analítica de Jung (e que pretendo transformar numa grande expedição), outro referencial teórico que certamente fará alguma diferença.

Enfim… o tema e a própria jornada.

material publicitário usado para divulgação da jornada.
material publicitário usado para divulgação da jornada.

“Jornada Arteterapêutica de finalização do curso de formação de terapêutas em Arteterapia pelo instituto Incorporar-te:Espaço Terapêutico Corpo Artes, no qual foi vivenciado o tempo com mais prazer e consciência. Essa vivência aconteceu no dia 03/12, em Florianópolis. As terapeutas em formação : Andréa Mosqueta, Carol Schesari, Giovanna de Medeiros Cargrin, Helen Cristina Ferreira, Margareth Amud, Marina Luz Rotava Paim, Nanci Hass da Cruz e Suzete Herrmann, conduziram essa vivência.”

momento de falar de expectativas
momento de falar de expectativas
Trabalho em argila.
Trabalho em argila.
O olho de Deus.
O olho de Deus.
Musicoterapia, dança, exercícios respiratórios, meditação.
Musicoterapia, dança, exercícios respiratórios, meditação.

Uma das ferramentas usadas na Arteterapia é a contação de histórias. O conto escolhido foi o fio mágico.

Um pouco de teoria: Aión, Cronos, Kairós e Anenké. Os deuses do tempo.
Um pouco de teoria: Aión, Cronos, Kairós e Anenké. Os deuses do tempo.
O tempo segundo grandes pensadores da história da Humanidade.
O Tempo, segundo grandes pensadores da história da Humanidade.

 

A semana que passou.

Ainda bem.

Assisti Prometheus e sua ideia de engenheiros da criação. Haja criatividade e crueldade na concepção do que seria a gênesis do Universo.

Amanheci com a notícia de que a delegação da Chapecoense + convidados + jornalistas caiu próxima ao Aeroporto de Medellin, na Colômbia. Comoção mundial. Emoção, dor e incredulidade. Convenceram-me de que “todo conto dá conta”: O ferreiro e a tecelã + o conto da verdade = Mulheres que correm com lobos. Preciso reler o clássico de Clarissa Pinkola Estés. Concluí que a dança circular – para mim – é puramente meditativa. Disseram-me que os chacras são como vórtices de energia. E assim, através do chacra ligado ao coração (não me perguntem o nome que se dá ao dito cujo) fizemos um exercício meditativo enviando energia, consolo e amor para as vítimas, familiares e a cidade de Chapecó. Depois de mais uma noite alternativa no espaço da Cida, em Jurerê, confirmei que esta tribo ainda me é bem estranha. Desconfio que voltei ao modo de funcionamento estressado de ser e estar.

Aquele avião que caiu, caiu por uma pane seca: FDP do empresário/piloto, que pra economizar, não respeitou sequer a autonomia de 3000km que a aeronave tinha, nem solicitou pouso antecipado pra não ter de pagar multa. Morreram 71 pessoas. Indignação e revolta. Ódio da ganância e da petulância humana.

Namoro, vinho, briga, insônia. Quando a crítica extrapola, a vontade é de não existir. Fugir. Desaparecer. Qualquer dia destes.

O sol da 5a convida a um passeio na praia. Minha lombar olha para as conchas e deixa passar. Nem elas convencem meu esqueleto a se curvar. Aliás, disseram-me dias atrás, que o que determina ser idoso ou não, são as articulações. OK. Sou uma senhora milenar. Já em casa, de novo, minhas plantas me encaram e imploram por comida: andam todas tão mirradinhas! Lá vou eu fazer papinhas e sucos de adubo, já que areia é pobre pobre de maré de si. O texto sobre kairós e chronos continua perdido no espaço. A tarde é de atelier. Leitura. Escrita. Quem sabe fisgue os tempos perdidos por aí.

Também não quero mais me curar do que sou. Li algo assim no livro “A mão esquerda de Vênus” de Fernanda Young. Descobri que quanto mais leio a mesma poesia – ou o mesmo livro – mais gosto e entendo do babado. Por isso vou reler o também inacabado livro “Toda Poesia” de Paulo Leminski. Enquanto isso, chronos e kairós continuam enigmáticos, e a cada minuto, mais urgentes. Procrastino com a pilha de livros em couro verde de Casanova. Dou uma espiada nas páginas amareladas e me convenço de que a leitura combina com o frio do inverno, com tardes chuvosas e solidão. E isso, parece que vai demorar. E o fim de semana chegou. A Jornada Arteterapêutica também: Para viver o tempo fechou um ciclo. A formação em Arteterapia está praticamente concluída. Elogios, feedbacks, gente nova, querida, diferente. Hora de pensar no que vem a seguir. Depois do ciclone avassalador e 12 horas sem energia elétrica, o almoço foi na Comunidade Católica. Jurerê quer uma igreja pra chamar de sua.

E eu, uma cama. Ainda bem que a semana passou.

A trilha sonora da minha vida

Para o curso de Arteterapia tive de fazer um Sound Book. A regra era eleger 3 músicas que marcaram minha vida a cada 5 anos. A tarefa é muito mais difícil do que pode parecer. Inúmeras músicas ficaram de fora. Mas valeu o exercício de escolher e reviver tempos e momentos inesquecíveis perdidos no passado. O objetivo da atividade foi contar e entender a própria estória de vida através das músicas. Para as músicas de outros idiomas, a tradução é imprescindível. Acompanhando cada uma um trabalho artístico em folha A3 (ou meia cartolina) com cores distintas e símbolos/imagens que a música desperta. Ou seja 33 trabalhos. Haja inspiração, giz de cera, lápis de cor, tecido, papel, etcetcetc. As músicas que elegi como as mais representativas, seguem abaixo.

sound-book-1

Dos 0 aos 5 anos

  1. Roda Cotia
  2. Atirei o Pau no Gato
  3. Os Futuristas no jardim

Dos 5 aos 10 anos

  1. Noite Feliz
  2. O Bom Miguel (Moacir Franco)
  3. El Condor Pasa (Simon & Garfunkel)

Dos 10 aos 15 anos

  1. Vira (Secos e Molhados)
  2. Baby I love your way (Peter Frampton)
  3. Hole in the Sky (Buraco No Céu) (Black Sabbat)

Dos 15 aos 20 anos

  1. Somebody to Love (Alguém Para amar)(Queen)
  2. Tragedy (Tragédia)(Bee Gees)
  3. The way things are (O jeito que as coisas são)(Blue)

Dos 20 aos 25 anos

  1. Top Gun (Take My Breath Away) – Tire Meu Fôlego
  2. Pintura Íntima (Kid Abelha)
  3. Eu sei que vou te amar (Tom Jobim)

Dos 25 aos 30 anos

  1. Superfantástico (A turma do Balão Mágico)
  2. Barcelona (Freddie Mercury & Montserrat Caballé
  3. (Everything I Do) I Do It For Yo (Tudo Que Eu Faço) Eu Faço Por Você  (Bryan Adams)

Dos 30 aos 35 anos

  1. Tocando em frente (Almir Sater)
  2. Who wants to live forever (Quem quer viver para sempre) (Sarah Brightman)
  3. La Isla Bonita (A Ilha Bonita) (Madonna)

Dos 35 aos 40 anos

  1. It’s my life (É a Minha Vida) (Bon Jovi)
  2. The memory of the trees (Enya)
  3. I don’t want to miss a thing (Eu Não Quero Perder Nada) Aerosmith – Armagedon

Dos 40 aos 45 anos

  1. Lifted (Erguido) (Lighthouse Family)
  2. Californication (Californicação) (Red Hot Chili Pepers)
  3. Big Girls don’t cry (Grandes Garotas Não Choram) (Fergie)

Dos 45 aos 50 anos

  1. Poker Face (Cara de Blefe) (Lady Gaga)
  2. A Thousand Years (Mil Anos) (Christina Perry)
  3. You’re Beautiful (Você É Linda) (James Blunt

Dos 50 aos 55 anos

  1. Ojos Asi (Olhos Assim) (Shakira)
  2. Rolling in the deep (Rolando Nas Profundezas) (Adele)
  3. Love Me (Me ame) (Joss Stone)

Encontrei as músicas no You Tube e converti para pen drive. O processo é simples e fácil. O tutorial segue abaixo:

sound-book-2

Cores e símbolos que se repetem + a letra das músicas + a percepção dos fatos e acontecimentos da época dão a diretriz de todo o entendimento do Sound Book. O que mais me impressionou foi o fato de ter escolhido – na sua maioria – músicas de língua inglesa sem entender nem conhecer as respectivas letras. O que sempre me cativou nas músicas foi o ritmo e a vibração, o timbre de voz e a entonação. Com a tradução em mãos, descobri que elas retratavam o que eu vivia e sentia.

De todos os trabalhos feitos no curso, sem dúvida, este foi do que mais gostei. Reviver o passado e perceber minha evolução como ser humano, ou como dizem, minha Linha do Herói, foi bem esclarecedor. Saber o que norteia minhas escolhas, perceber e confirmar o que de fato importa na minha vida verificando que grande parte dos meus dilemas, conflitos e ilusões já estão integrados, me tranquilizou.

Independente da interpretação do Sound Book, escolher as músicas que marcaram a própria vida pode ser uma excelente atividade pra qualquer um. Que tal arregaçar as mangas e fazer esta seleção?

Cinderela, um Conto de Fadas – parte 1

Introdução

Cinderela, ou, A Gata Borralheira é o conto de fadas mais conhecido, e possivelmente, um dos mais apreciados em todo mundo. Existem mais de 300 versões do conto. As mais conhecidas são as de Perrault e a dos irmãos Grimm. O conto é antigo, sendo que uma das primeiras versões remontam à Elieno, orador e narrador romano, no século três. Outros atribuem as primeiras aparições do conto, à China do século nove, quando se falava da heroína dona de um incomparável pezinho. Pés pequenos para os chineses eram um sinal de virtude extraordinária, de distinção e beleza, sendo um costume na China antiga, enfaixar os pés das mulheres para torná-los extremamente pequenos, bonitos e delicados.

Qualquer conto de fada é a expressão mais pura e simples do psiquismo inconsciente da coletividade. Os contos são o esqueleto da psique. Eles tentam descrever um fato psíquico – normalmente complexo – de difícil representação quanto aos mais diferentes aspectos. A quantidade de contos e suas numerosas versões tornam-se necessárias para que possam penetrar a consciência, sem que o tema seja totalmente exaurido. Jung chama de SELF a totalidade psíquica do indivíduo, mas também, define o SELF como o centro regulador do Inconsciente Coletivo. Ou seja, indivíduos e grupos tem suas próprias formas de experienciar a realidade psíquica. Por isso, diferentes contos de fada retratam diferentes fases desta experiência individual ou coletiva.

Segundo Marie-Louise von Franz “nossa tradição escrita data aproximadamente de 3.000 anos e o que é mais interessante, os temas básicos não mudaram muito.” (pg. 12) Constatou-se a aparição dos mesmos temas, em milhares de variações nos mais diferentes lugares, como: França, Rússia, Finlândia, Itália, etc. As diferentes versões do conto, sugerem diferentes versões das várias formas de Arquétipo, podendo tornar-se símbolo central de algum evento ou crença humanas.

Jung define o arquétipo como “ … possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma … Seja qual for sua origem, o arquétipo funciona como um nódulo de concentração de energia psíquica.” (Nise da Silveira, pg 68/69)

Assim, enquanto o inconsciente pessoal é decorrente de experiências e vivências individuais, o inconsciente coletivo é impessoal, comum a toda humanidade e transmitido hereditariamente.

Marie- Louise von Franz afirma que “ Um arquétipo é um impulso psíquico específico que produz seus efeitos como um único raio de irradiação e, ao mesmo tempo, um campo magnético expandindo-se em todas as direções.” (pg 11) Um arquétipo não é somente um pensamento padrão, mas também uma experiência emocional. Jung afirma, que se podem encontrar todas as Grandes Mães do mundo, todos os santos, e tudo que se possa imaginar, mas se não conseguirmos interligá-los à experiência afetiva do indivíduo, nada de substancial teremos. Afirma também, que todos os arquétipos acabam sendo contaminados, um pelo outro, no inconsciente.

Quanto à interpretação dos contos de fada, a autora afirma que “Interpretação é uma arte”, exclusivamente pessoal, tipo confessional. Segundo ela, pode-se interpretar o conto de fada, usando as quarto funções da consciência:

  • Tipo Pensamento: apontará a estrutura do conto e como todos os elementos se relacionam;
  • Tipo Sentimento: haverá uma busca por valores hierarquicamente mais importantes e valorosos;
  • Tipo Sensitivo: contenta-se em olhar e identificar os símbolos, para depois, amplificá-los;
  • Tipo Intuitivo: verá o conto em sua totalidade.

Possivelmente é o tipo intuitivo quem melhor entenderá o conto em sua totalidade, percebendo que o conto não é apenas uma história discursiva, mas, uma única mensagem com muitas facetas.

foto cinderela sapatos

Antes de apresentar a Análise Simbólica de Cinderela – num próximo post  é imprescindível apresentar o Conto (é só clicar na palavra Conto – em vermelho – para ir ao post com a estória completa de Cinderela, na versão dos Irmãos Grimm), listar os Capítulos, conforme temas específicos, a Estrutura Básica, os trabalhos artísticos, e só então, apresentar a Análise Simbólica (em processo de revisão). O Conto Pessoal, fechamento desta etapa da formação, aconteceu de modo imediato – quase instantâneo – no final de uma aula, alguns meses atrás.

Cinderela apresentação

Os Capítulos:

Onde tudo acontece: o mapa do conto.

Cinderela O mapa

  1. Era uma vez … Uma família feliz, com mãe e pai, atenciosos e carinhosos;

Cinderela Era uma vez

  1. A mãe adoece e morre… Mas antes, aconselha Cinderela a ser uma boa e piedosa menina;

Cinderela A mãe morre

  1. O pai casa novamente e Cinderela fica duplamente órfã… Cinderela é transformada em empregada da casa, pela madrasta megera. Surge a rivalidade das irmãs desleais;

Cinderela O pai casa novamente

  1. O pai dá presentes … Cinderela contenta-se com o galho de aveleira, que se transforma em árvore;

Cinderela O pai dá presentes

  1. O príncipe escolhe sua Princesa … São preparadas 3 noites de baile e o príncipe conhece Cinderela;

Cinderela Bailes

  1. A Procura … Quem é? O príncipe procura pela amada.

Cinderela A procura

  1. O Engodo … As irmãs – desleais – tentam enganar o príncipe, tentando de formas desesperadas fazerem caber o pé dentro do sapatinho;

Cinderela O engodo

  1. A Princesa é encontrada … O príncipe encontra Cinderela e casa-se com ela;

Cinderela A princesa é encontrada

  1. A cegueira das irmãs … No casamento, os pombos cegam as irmãs.

Cinderela a cegueira das irmas

A Estrutura Básica: Segundo minhas próprias observações e conclusões.

  1. Início: A morte da mãe – perda da imagem idealizada, mágica e irreal de si mesma
  1. Ruptura: O casamento do pai com a madrasta. Cinderela é transformada em empregada, as irmãs exigem vestidos e jóias, enquanto Cinderela, contenta-se com um galho de aveleira – a realidade e o pensamento mágico/etéreo impõe um Princípio de Realidade.
  1. Confronto: Cinderela vai aos três bailes, desafiando a proibição da madrasta;
  1. Superação de Obstáculos e Perigos: Cinderela foge do Príncipe, e de ser reconhecida, três vezes, pedindo ajuda aos pássaros e à mãe –
  1. Restauração: O Príncipe encontra Cinderela. O sapato serve como uma luva – A Identidade está quase definida.
  1. Desfecho: Cinderela e o Príncipe casam-se e as irmãs ficam cegas – A integração total do EGO.

Esta é a primeira parte – e a mais longa – do trabalho dos Contos de Fada. (Trabalho este que encerra o segundo ano da Formação em Arteterapia). É na Análise Simbólica (próximo post em Arteterapia) que estudamos os símbolos universais, integrando-os numa análise analítica (junguiana) para entender – não apenas o conto da Cinderela – mas também, futuros pacientes com suas produções artísticas e oníricas. Também seguem no próximo post, as Referências Bibliográficas que deram embasamento teórico à todo trabalho.

 

 

 

Escudos, armas, gritos de guerra, bandeiras e lemas de vida

Anos atrás fiz uma Academia da Vida, durante uma formação de Coaching Pessoal. De tudo que aconteceu naqueles dois finais de semana, num auditório de hotel na Avenida Paulista, em SP, ficaram duas certezas: Minha necessidade básica = Liberdade; Meu Lema de Vida = Fazer a Diferença.

Procuro seguir à risca estas diretrizes no meu dia a dia.

Meses atrás, num final de semana de Arteterapia (depois de duas ausências forçadas) fui atropelada por dinâmicas intensas sobre nosso Guerreiro Interior. Com duas faltas – dois meses – eu estava literalmente, boiando na maionese. Havia faltado duas aulas importantes, mas nada que me impedisse de realizar as atividades do Guerreiro (certamente, ainda uma cratera a ser preenchida em aulas de reposição com o grupo de Curitiba). Depois das dinâmicas iniciais, relatos, sentimentos etcetcetc  foi pedido que confeccionássemos um escudo de guerra. Minhas colegas logo entenderam o que era pra fazer e se jogaram no chão com cartolinas, canetas, guaches, giz de cera, tesouras, fios, e tudo que se pode imaginar que seja necessário a um escudo.

E eu, boiando na maionese.

Nesses momentos confusos, adoro me deitar e deixar o esqueleto se acomodar. Por isso, sempre levo meu colchonete de ioga. Tentei entrar no clima e deixar a imaginação fluir. À minha volta, escudos de Mulher Maravilha, Shel-ha e outras guerreiras celtas e gregas, estavam sendo confeccionados com energia e determinação. E eu, não encontrando nenhum contraponto e nada que combinasse comigo. Fechei os olhos e a imagem do filme Gladiador, em que os Centuriões posicionam seus escudos, num cercado protetor, me veio à mente. Um escudo retangular, protetor.

Esse era meu escudo. Um escudo de proteção.

Não sou guerreira de ataque. Sou defesa. Acalanto. Proteção. Minha guerra é na retaguarda.

Hora de confeccionar minhas armas: uma Peneira e Palavras. Quando entendi minha posição na batalha, foi fácil definir o que deveria me acompanhar nesta jornada. Sou essencialmente mediadora.

Meu grito de Guerra? Apenas minha apresentação. Nenhuma lua, nenhum sol, nenhum rompante ou atrito, me atiçam para a guerra. Nasci dentro do próprio fogo e nele me acomodo. Poderiam pensar que sou mansa. Não, apenas Serena.

Minha bandeira? A Paz. A Harmonia. O Bem Querer.

Meu Lema de Vida? Fazer a Diferença.

Não importa nossa posição no Jogo da Vida. Defesa ou Ataque, todos somos importantes. O que ficou da dinâmica do Guerreiro Interior é que devo ser fiel à minha maneira de ser e usar apenas as armas que se ajustam a mim e que sei usar. Se usar as armas dos outros, alheias ao meu jeito de ser, irremediavelmente, vou me machucar e me prejudicar.