Caixa de Pássaros – não abra os olhos

Bird Box foi o filme escolhido na Netflix para assistir no sábado à noite. Rapidamente o filho e a nora juntaram-se a nós, falando das críticas positivas do filme. Eles também queriam assistir. À medida que o filme ia passando, lembrei que havia lido o livro. Quando? Não lembro. Um ou dois anos atrás. Tirando a questão das vendas nos olhos de todos os personagens, não lembrava de quase nada do que havia lido. Assisti o filme até o fim. Quando o filme terminou busquei meu exemplar e o reli.

Ao longo dos anos, vários livros foram transformados em filmes: “O Senhor dos Anéis”, A saga “Crepúsculo”, “Harry Potter” e tantos outros. “O menino do pijama listrado” talvez tenha sido um dos filmes mais fidedignos ao livro que já assisti. O filme Bird Box me fez entender o livro Caixa de Pássaros de Josh Malerman. Relendo o livro percebi que sua essência foi mantida. Várias passagens e personagens foram alterados, possivelmente para dar mais dinâmica ao filme. Outro filme que me fez entender o livro foi “A vida íntima de Pippa Lee” de Rebecca Miller.

Recomendo ambas as leituras. Ambos os filmes. Comece vendo o filme. Depois, leia o livro. Fica mais fácil. Mais compreensível.

Sobre as interpretações psicanalíticas, li de tudo um pouco e concordo com um pouco de tudo. Depressão e suas variações tem sido a tônica. A venda nos olhos me remete à negação. Não ver nem tomar conhecimento, nos mantém a salvo dos outros e de nós mesmos. Tem sido estressante conviver com pessoas que pensam diferente da gente. Tem sido estressante o simples ato de falar, porque tudo pode ser mal interpretado e mal entendido. Ver o sucesso e a realização do outro, tão propagado nas mídias sociais, mexe com nossos fracassos e incompetências. Com a inveja e a vaidade. Nossa e a alheia. Sem contar no tanto que tem sido mostrado: corrupção, crueldade, violência, absurdos e bizarrices de uma raça inteira seduzida pelo mundo mostrado na palma da mão. Melhor não ver. Melhor não saber. Uma questão de sanidade mental.

Os tempos tem sido difíceis. Conviver numa sociedade desesperançada, paranóica, egoísta e desprovida de bom senso e humanidade poder ser realmente, muito perigoso. O uso de vendas, às vezes, faz-se necessário.