Inzibida colorida …

Inzibida colorida come casca de ferida.

assim mesmo: inzibida. Nada de exibida.

inzibida com o jogo de café feito com as próprias mãos,

a partir de um punhado de barro

– sovado, socado, esculpido, queimado –

que virou pedra cerâmica.

pintado de azul da cor do mar, cor de areia por todo lado.

na concha, um amuleto.

Um seja bem vindo. A praia e a casa de braços abertos.

Era assim que era quando eu era criança. Bastava estar satisfeita e orgulhosa com alguma coisa que o versinho era recitado: inibida colorida come casca de ferida. Feliz e satisfeita com meu novo aparelho de café!

Vai um cafezinho aí?

Café meu de cada dia? Um chazinho, por favor!!!!

Quem me conhece sabe da minha paixão por café. Também deve saber o quanto invento e faço de tudo o tempo todo. Poderiam pensar que sou hiperativa. Um tipo, mais ou menos, assim. Minha agitação essencial tem a ver com ideias e emoções. São elas que organizam minha vida. Meus dias e minhas noites. Se somar café + agitação mental, o resultado – inevitavelmente – vai dar numa estonteante insônia. Ok. À princípio, aproveito as horas sem sono e adianto afazeres e ideias. Gosto disso. A noite seduz e produz. Tudo vai bem até as primeiras crises labirínticas acionarem o alarme. São elas que sinalizam os excessos e exageros. Meu corpo reclama suas horas de sono. É hora de cortar o café. De 7 a 10 dias o que me move são os chás amarelos. Estou no dia 1: chá de capim cidró (cidreira). Então, nos próximos dias, ao invés de contar carneirinhos, ler, escrever e arrumar gavetas em plena madrugada, vou ronronar feito gata e dormir feito bicho-preguiça, noites e dias sem fim. Minhas ideias vão hibernar, minhas leituras, encalhar. Meus escritos vão se perder nas estrelas. E minhas gavetas? Ficarão fechadinhas.

cafe + segunda

 

 

Cafés

Meu maior vício. Amo. Adoro. Pro dia começar bem, tem que ter um café passado. O resto são complementos totalmente substituíveis. O café, jamais. Nunca. E do meu jeito. Até tomo café na Starbucks no Franz Café na padaria em qualquer cafeteria. Mas prefiro o meu, passado na velha e boa cafeteira Walita. Dias atrás, um amigo me presenteou com uma cafeteira Essenza da Nespresso. Com ela vieram as cápsulas de expressos e alguma curiosidade. Um universo a ser desbravado em variados “blends”, aromas e sabores. Hoje, eu e uma amiga, passamos 45 minutos degustando cafés e aprendendo a arte de apreciar minha bebida predileta. Neste primeiro contato aprendi coisas absolutamente básicas. Do plantio ao cultivo do grão, da torrefação à mistura dos “blends”, como harmonizar o café com a refeição e o dia-a-dia, os diferentes tipos, mas principalmente, a arte de apreciar seu aroma, sabor e sua sutileza. O hábito de entornar o cafezinho adoçado com açúcar ou adoçante – um esporte popular nacional –  passa longe desta arte, onde o café deve ser servido puro. Nada de açúcar ou adoçante, no máximo açúcar de beterraba, um biscoitinho ou chocolate ( de preferência amargo) para combinar com o café ou uma água gaseificada pra irritar as papilas e abri-las para conferir cada nota, toque ou corpo deste grão de sabor diverso e aroma inconfundível. Na saída, eu e minha amiga conversamos sobre a degustação e rodamos e conversamos sobre outros muitos e variados assuntos. Ao passar pelo Franz Café ela me olhou e convidou: “Vamos tomar um café de verdade?” Pra ela, café de verdade tem que ser um expresso com um pingo de leite e adoçante. Certamente, amanhã de manhã, vou direto pra minha velha e antiga cafeteira tomar “meu café de verdade”.  Educar o paladar e largar antigos hábitos e preferências também é uma arte. Provavelmente, após saciar meu ritual matinal, estarei em condições de apreciar meu Livanto e suas notas de caramelo. Quem sabe, um Volluto com suas doces notas de biscoitos e frutas. Ou então, um Rosabaya de Colombia, de intensidade 6. Talvez, um Dulsão do Brasil remetendo ao sabor de mel e cereais. Ou então um Cosi, de intensidade 3 e ………..