Eu alienígena

Sensação estranha.

De ser e estar no lugar errado, 

no corpo errado, 

com a pessoa errada,

na família errada, 

dentro da roupa errada, 

no país e hemisfério errado, 

na profissão errada.

Fazendo tudo errado.

Sabe aquele dia errado que a gente não é mais a gente?

Quando até a respiração soa estranha

 e o coração bate e sente, sabe sei lá o que.

Não dá pra entender.

É quando a vida que te cerca, aprisiona. Asfixia.

Tá tudo tão estranho e errado comigo,

que até meu amado e venerado xangrilá, meu porto seguro, meu refúgio ficou estranho. Errado.

O que é que eu estou fazendo aqui?

Tenho me angustiado, me perguntado, me questionado. Minuto a minuto.

Ando exausta, sei disso.

O calor me destempera.  O suor destila minhas incertezas.

Tá tudo errado.

São 11 horas da manhã.

Vou voltar pra cama e acordar mais tarde. Mais tarde.

Quem sabe este “alien” estranho e errado que habita nas profundezas daquilo que me imagino

suma nas brumas do sonho e se consuma no sono que me consome.

Calor

Calor calor calor

Quanto ardor.

Um pavor de horror.

Sim, o calor me deprime, me oprime.

Viro peste de poucas vestes.

Reparo arestas e saliências. Protuberâncias e jactâncias.

Exposta me reparo inteira. Desgosto e gosto.

Gosto e desgosto. O olhar que mal vê.

O dia a sol aberto, cega, queima, 

fuzila o olhar.

Saudade do mar, do ar a beira mar.

Anseio pra lá voltar.

Calor de verão

Sobre cansaço já falei muito. Escrevi outro tanto.

Sobre exaustão também.

Verdade verdadeira é que sou exagerada,

cheia de ideias, vontades e desejos.

Verdade é esta incapacidade de lidar com limites.

Os próprios. O dos outros. E limite importa:

Senão a gente se entorta e se esgota.

O corpo reclama. Dói. A alma encolhe. Dorme.

O sono avança. Consome.

Ando às voltas, pra variar, com zanga de verão.

E eu na contagem dos dias.

Ao menos, menos um. Quantos dias faltam?

O outono se aproxima. Vixe Maria. Uma benção.

Depois vem o inverno. E então, a primavera. Puro deleite.

E do nada, lá vem o verão sorridente de novo.

Todo ano é a mesma coisa. O mesmo desconforto. Físico. Mental. Emocional. Social. Astrológico. Biológico. Transcendental. Imagético. Estrutural. Gutural. Cibernético. Natural e cíclico.

E eu, eterna desadaptada estacional. Vou sobrevivendo.