Entrevista via Wathsapp + email = Ping Pong

Fazia tempo que não escrevia para jornal. Anos atrás, quando ainda estava na ativa, era comum escrever ou dar algum tipo de depoimento a respeito do tema jornalístico em questão.
O tema, agora proposto é o casamento na atualidade. Pra quem for ler, que fique claro tratar-se da opinião de uma psicóloga terapeuta de casais enferrujada, mulher antenada, escritora afiada.
O contato aconteceu assim:
Segunda-feira, 18:25h. – Boa tarde, Suzete! Tudo bem? Adicionei você pois estou preparando uma matéria sobre casamento para o jornal O Informativo do Vale. Quem me passou seu contato foi a minha colega Luciana. Busco seu conhecimento em comportamento para esclarecer alguns aspectos sobre novos modelos de casamento e a importância de celebrar as datas. Podemos conversar a respeito? Qual é o seu telefone de contato? Abraços e obrigada desde já.
– Olá Taciana. Estou morando em Florianópolis. Se quiseres me mande uma relação de perguntas e escrevo, ou um pequeno texto, ou as respostas às suas perguntas. O que vc acha? Tenho um blog e acho que tenho algum post sobre o assunto, já que minha filha casou anos atrás e escrevi algo a respeito. Vou procurar e te repasso. Meu blog ó bysuzete.wordpress.com. Grande beijo
– Olá, obrigada pelo retorno. Vou providenciar algumas perguntas sobre o tema e envio para você amanhã de manhã. Poderá me responder até quarta-feira? Um grande beijo pra você também.
– OK. Fico no aguardo. Bjo
TER 17:28. – Boa tarde, Suzete! Estou enviando as perguntas por aqui, conforme combinamos. Meu prazo de entrega esticou. Se puder, me responda até quinta-feira? Agradeço desde já.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… Qual é a melhor forma de celebrar estas datas?
TER 22:09. – Olá Taciana. Meu dia foi corrido. Amanhã passo as respostas. Pode ser num formato de crônica? Me manda seu email. Grande beijo.
QUA 17:53. – Oi, Suzete! Ideal seria se pudesse responder as perguntas. Sinta-se livre para responder o que achar pertinente e, se quiser acrescentar, ainda assim, uma crônica, tudo bem. Um beijo
– Ok. Amanhã cedo estará em suas mãos. Podes mandar seu email?
QUI 07:38. – Taciana, suas respostas estão prontas. Espero que esteja de acordo com sua matéria. Preciso de seu email para encaminhar o texto. Podes me enviar?
– Ou preferes que mande para o jornal a seus cuidados?
Ping Pong

Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? Todos os casais, enfrentam desafios durante toda a jornada a dois. Os desafios somente mudam conforme avança o casamento e a idade de cada membro do relacionamento. No início, as questões mais desafiadoras dizem respeito às regras que regerão o casamento: quais valores e princípios familiares serão adotados pelo casal (os dele ou os dela?), existe uma disputa mais acirrada pelo poder na relação (é quem manda e decide: desde o sabão em pó comprado no supermercado, até o momento de ter filhos, comprar a casa própria ou uma simples bicicleta). Com o passar do tempo, vem a rotina e os problemas comuns da própria vida: filhos, dificuldades financeiras, doenças, crises variadas. Alie-se a tudo isso o fato de o casamento ter se transformado numa instituição frágil – meio “fast” para alguns casais com baixa tolerância à frustração – onde a possibilidade de divórcio é constante no horizonte; onde homens e mulheres – cada vez mais – insistem em seus próprios direitos; onde ceder representa submissão ou inferioridade. O vínculo amoroso tem que ser substancialmente maior do que qualquer ímpeto egoísta e individualista. Outras questões vem com a própria modernidade: as mídias digitais (tipo Facebook ou wathsapp) quando não bem discutidas e combinadas a dois, geram enormes dores de cabeça, cenas de ciúme e rompimentos; a urgência no “ter” faz com que casais desgastem o relacionamento pelo excesso de trabalho e distanciamento afetivo.

De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Eu diria que com reservas. São raros os casais que vão com tudo pra fazer o relacionamento dar certo. É comum haver um Plano B (consciente ou inconsciente) em alguma gaveta do casamento. Hoje, o casamento é sempre uma possibilidade que pode dar certo. Ele, não necessariamente precisa dar certo. Se o casamento fracassar, outro pode se concretizar em curto espaço de tempo. Existe uma certa sensação de banalidade na autenticidade dos sentimentos que mantém muitos dos relacionamentos humanos. As pessoas confiam muito pouco umas nas outras, e qualquer mal entendido pode virar tempestade em copo d’agua.

Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Na década de 50/60 a liberdade sexual feminina se instalou com a descoberta dos anticoncepcionais (o sexo passou a representar prazer, além de fecundidade e procriação). Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a independência financeira a libertou de casamentos desgastados e complicados podendo se divorciar e retomar uma nova vida. A necessidade da mulher competir e se sobressair no mercado do trabalho, levou a batalha dos sexos para a arena conjugal, dentro da própria casa. Existe pouca paciência e tolerância – feminina e masculina – para as questões do dia a dia.

Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Me parece que a mulher entrou numa rota sem volta, e ela vai seguir em frente, em busca de maior independência prática e financeira. A mulher se fortaleceu como ser individual. Ela almeja depender o mínimo possível dos homens, tidos por muitas, como fracos e perdidos. Este “levante feminino” embaralhou tudo o que os homens pensavam e queriam das mulheres. E eles estão sim, em busca de um novo papel social. Óbvio que existem mulheres que preferem e se mantém submissas e dependentes dos homens. Óbvio que existem homens seguros e autoconfiantes. A verdade é que estamos num momento de encruzilhada quanto aos relacionamentos. A sociedade como um todo vive este momento. O certo é, que homens e mulheres precisam um do outro, e não apenas para procriar como espécie. Também não mais, como no tempo das cavernas, quando o homem saía pra caçar e a mulher cuidava da colheita e da prole; não mais como o homem que saía pra trabalhar e tudo podia, enquanto a mulher ficava em casa cuidando dos filhos e odedecia aos mandos e desmandos do marido; não mais como duas feras que competem no mercado de trabalho e se engalfinham na cama como machos e fêmeas em busca de sexo, estando o amor encolhido e escondido com medo de mostrar a fragilidade inerente à espécie humana. Um simples FF (Foda Fixa), Pau Amigo, Garota de Programa, Ficante ou a Transa de uma Noite, não dão conta da necessidade humana de carinho, amor, cuidado, segurança e afeto. O sexo pelo simples sexo escancara o grande vazio em que podemos transformar a relação a dois. Não acredito num modelo de papel feminino e masculino massificado que dê certo. Somos todos seres únicos e diferenciados, e assim devem ser nossos relacionamentos. Precisamos encontrar a melhor forma de viver a dois, respeitando a individualidade de cada um.

Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Basicamente com amor, diálogo e respeito. O amor é a base para absolutamente tudo na vida. O diálogo corrige enganos e acerta rumos. O respeito mútuo permite ser quem verdadeiramente somos enquanto seres humanos, enquanto casais. Quando um destes pilares da conjugalidade falha, a estrutura despenca, o relacionamento desaba, o casamento termina.

Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? A felicidade e a realização conjugal são a maior conquista de qualquer casamento: Filhos, gratificação sexual e afetiva, sucesso profissional e financeiro, uma casa para morar, uma viagem por ano ou de vez em quando, amigos, saúde, paz, etcetcetc são medidas para avaliar as conquistas no relacionamento. Talvez a grande questão seja como dimensionar estas conquistas. Tem o eterno insatisfeito que quer sempre mais. Tem sempre aquele que se contenta com pouco. A busca pelo equilíbrio é a grande conquista.

Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… É importante celebrar, sim. O casamento é um ritual que demarca, tanto para a sociedade, quanto para o casal, uma mudança de papel e de status como indivíduos. Todas as formas de ritual tem esta função: batismo, festa de 15 anos, ida ao exército, vestibular, noivado, casamento, funerais, etcetcetc. O que está faltando é um ritual para o divórcio (até existem algumas tentativas individuais e pessoais, mas nada no âmbito social) Assim como o casamento anuncia à sociedade a união de um homem e uma mulher, não existe nada que anuncia o rompimento desta união.

Qual é a melhor forma de celebrar estas datas? A forma que o casal achar que combine mais com suas necessidades e interesses. Pode ser um jantar em família ou a dois, uma festa de arrasar quarteirão, uma viagem, a compra de algo significativo. Ambos devem conversar e definir o que melhor combina e agrada aos dois. Tem aqueles que preferem não fazer nada. Se a decisão de deixar passar a data “a ver navios” for conjunta, tudo bem. O que desgasta a relação é um dos cônjuges querer e fazer tudo a seu jeito, sem ouvir e respeitar o que o outro cônjuge gostaria de fazer. O diálogo na vida a dois é fundamental desde sempre.”

O texto ainda não chegou até Taciana, pois ainda não recebi o email dela. Se chegar, tomara que se transforme em matéria de jornal. Já estou curiosa pra ver como vai ficar. Curiosa também estou, pra conhecer Taciana.

Sexo e casamento

Fala-se muito de sexo: sexualidade infantil, virgindade, sexo na adolescência, liberação sexual feminina, dificuldades e satisfação sexual conjugal, homossexualismo, transsexualismo, pílula do desejo, Viagra, DSTs,, AIDs, camisinha, etcetcetcetc. Apesar de parecer desmistificado e de ser – aparentemente – falado abertamente, sexo ainda é, assunto complicado, quando envolve sentimento, afeto e intimidade.

Na relação conjugal, sexo é fundamental, pois constitui a ligação central e energia organizadora na vida do casal. O relacionamento sexual, define claramente o espaço do casal, tanto em relação `as famílias de origem, como com os próprios filhos.

Quando o casal se forma, ambos levam para o casamento, sua bagagem familiar. Fazem parte desta bagagem – ou legado familiar – as crenças, mitos, os valores sexuais apreendidos em família: sexo visto como pecado, como coisa feia e vergonhosa, como prazer, consequência natural do amor entre um homem e uma mulher … O modelo adotado pelos pais geralmente serve como guia para o casal.

No relacionamento conjugal, vários são os pontos a serem ajustados no começo da relação: o sexo é apenas um destes pontos. Seguramente, um ponto nevrálgico para a saúde e felicidade conjugal, já que envolve entrega, confiança, intimidade, amor(outros pontos dignos de nota são questões relacionadas a hábitos, manias, dinheiro, poder, controle).

Quando surgem dificuldades no relacionamento conjugal, a vida sexual pode ser afetada, e vice-versa. Ou seja, quando surgem dificuldades sexuais, o relacionamento conjugal também pode ser afetado.

No decorrer da vida a dois, vários podem ser os problemas sexuais: falta de desejo sexual, incompatibilidade quanto `a frequência, incapacidade ou dificuldade orgástica, disfunções sexuais (impotência sexual, ejaculação precoce, frigidez, vaginismo, aversão ao sexo, etcetcetc), entre outras. As causas destes problemas podem ser orgânicas, psicológicas, falta de informação e conhecimento e atingem tanto o homem quanto a mulher, e em proporções semelhantes. A forma de lidar com estes problemas também é bem variável: fingindo que não há nada de anormal, justificando-se ou acusando o parceiro, fugindo do envolvimento afetivo, buscando sexo e casos extraconjugais, ocupando-se com outras atividades (trabalho, estudo), brigando, agredindo, mostrando-se indiferente ao parceiro, etcetcetc. Todas estas reações tendem a aliviar temporariamente e individualmente a situação, embora o relacionamento conjugal ressinta-se, tornando-se vulnerável e angustiante para marido e mulher.

Quando o casal perceber que existe algum desajuste sexual atrapalhando o relacionamento, o primeiro passo é dialogar abertamente sobre o que está acontecendo. Muitas vezes o casal tem problemas sexuais por não se conhecerem intimamente, muitos tem vergonha de falar sobre sexo, do que gosta, do que não gosta, expor duvidas, dividir fantasias e desejos, enfim, criar um ambiente erótico de aceitação, cumplicidade, intimidade e amor.

Como o casamento e o relacionamento sexual é a dois, a ajuda também deve ser para os dois (pouco importa quem é o culpado neste primeiro momento).

Alguns problemas sexuais e conjugais podem ter origem orgânica, e o medico (urologista, ginecologista) pode diagnosticar e tratar. No entanto, a grande maioria das disfunções sexuais são de origem psicológica, e a psicoterapia, o melhor remédio e tratamento. Bom salientar que quando existe um desajuste sexual, recomenda-se inicialmente a terapia de casal, e depois, caso haja necessidade, o atendimento individual.

O casal e sua sexualidade

A sexualidade faz parte do nosso dia-a-dia desde que nascemos, época em que está centrada em nós mesmos. O interesse sexual centrado no outro, começa na puberdade/adolescência. É quando acontecem profundas mudanças físicas, psíquicas e relacionais, em parte, provocadas pela maturação hormonal, que dá forma ao corpo do menino, transformando-o em homem e a menina, em mulher. Os caracteres sexuais femininos e masculinos começam a desenvolver-se, como o aumento da genitália, surgimento dos pelos, aumento dos seios e a menstruação na menina, a primeira ejaculação e o engrossamento da voz no menino, etc. Este amadurecimento físico capacita a procriação. Além das mudanças físicas, ocorrem mudanças emocionais. Entre elas, o interesse sexual e afetivo por um parceiro. Homens e mulheres se buscam desde o início dos tempos, mas a forma de se relacionar mudou muito no decorrer dos séculos, em especial nos últimos 50/60 anos. Entre as causas desta mudança significativa está a industrialização, a emancipação feminina nos anos sessenta, a descoberta dos anticoncepcionais, liberdade sexual, o divórcio, a situação sócio-política-econômica mundial, etc, que provocaram uma verdadeira e inimaginável revolução social e cultural, afetando drasticamente os valores do casamento e da própria família. Querendo ou não, gostando ou não, o homem teve de mudar (junto com a mulher, o casamento, família e sociedade) pra conviver nesta nova realidade, onde homens e mulheres disputam, lado a lado, chances e oportunidades.

Antigamente a mulher conhecia de antemão seu futuro: casamento e família. Outras opções eram quase inexistentes. O relacionamento conjugal tinha normas claras, com o marido assumindo o controle total sobre a mulher e sua família. Questionamentos quanto à sexualidade e questões conjugais eram raros, já que no sistema paternalista, o homem tudo pode e sabe. Assim, o sexo no casamento estava mais a serviço da procriação do que do prazer. Nada incomum era a mulher atribuir ao sexo, categoria de obrigação matrimonial.

Felizmente hoje, a maioria das mulheres participa ativamente das questões sexuais e conjugais, ou pelo menos tenta, busca se esforça. Mas, nem todas. Muitas ainda reproduzem o modelo antigo de casamento com sexo por obrigação. Para as mulheres e/ou casais que buscam a satisfação sexual no relacionamento conjugal , importa saber que ela não depende apenas de vontade e desejo. Fatores individuais, relacionais e inter-geracionais podem interferir na plenitude da gratificação sexual. Legado, mitos e crenças familiares, bem como o modelo conjugal transmitido, de geração para geração, com suas atitudes e formas de expressão de afetos, poder, diálogo. A forma como a família transmite a ideia de sexo tende a ser incorporado e repetido. Sexo visto como pecado, algo nojento, leviano, coisa feia, carinho, amor, respeito farão parte da bagagem que o indivíduo levará para o casamento e poderá afetar a sexualidade individual e conjugal.

Geralmente, no início do casamento existe maior facilidade de diálogo e interesse, de parte a parte, no que se refere a sexo. Ambos querem causar “boa impressão” e agradar ao parceiro. Existe o desejo de ter um casamento único e gratificante. Com o tempo o casal vai se conhecendo como realmente é, já não mais idealizado, surgindo sentimentos de frustração, decepção, raiva, ressentimento, medo de envolvimento,controle e intimidade, que começam a interferir no relacionamento sexual, que por si só, já é uma forma de controle conjugal. Questões financeiras, profissionais, sociais e individuais também podem ter efeito sobre a sexualidade do casal. A conjugalidade pressupõe compromisso. Ambos os parceiros contribuem para o sucesso e fracasso da relação. Do ponto de vista sexual, informações incorretas sobre mitos sexuais (tamanho do pênis, orgasmos múltiplos) podem aumentar a culpa e ansiedade do casal, gerando disfunções sexuais. As mais conhecidas são a ejaculação precoce, impotência masculina, frigidez e disfunção orgásmica feminina. Existes outras disfunções sexuais menos conhecidas,mas não menos importantes. Suas causas são variadas. Embora a maior parte esteja ligada a causas ou efeitos de caráter emocional, é prudente uma avaliação médica, pois alguns distúrbios neurológicos, urológicos, ginecológicos, endocrinológicos e de circulatórios afetam o desempenho sexual. Nestes casos, a indicação de tratamento medicamentoso ou cirúrgico pode ser necessário. As disfunções sexuais podem deixar seqüelas emocionais e relacionais, reativando fantasias inconscientes dolorosas, sentimentos de inadequação e inferioridade, interferindo potencialmente no relacionamento conjugal total. Outro fator individual que pode minar a satisfação sexual conjugal é a relação com a própria imagem corporal. Numa sociedade em que a beleza física e supervalorizada, muitos casais vêem sua libido e desejo sexual diminuídos em função de uma imagem corporal inadequada aos padrões estéticos vigentes. Embora as maiores vítimas sejam as mulheres, muitos homens começam a se preocupar com a dupla imagem corporal/desempenho sexual. Estas questões, embora individuais, podem ser acentuadas pela observação e cobrança insistente do parceiro.

Sexo e afeto nem sempre são complementares, mas a confusão entre homens e mulheres resiste aos mitos e crenças. Um dos parceiros, geralmente o homem, acredita que o afeto é expresso através do ato sexual. O outro parceiro, geralmente a mulher, acredita que o afeto tem valor em si, e interpreta as manifestações de afeto do parceiro como tentativas de sedução sexual. Ou seja, homens e mulheres percebem o ato sexual de formas distintas e acabam negociando sexo para conseguir afeto, e o afeto pra conseguir sexo. A insatisfação pode ser o resultado deste intercâmbio. Quando a frustração cresce, crescem também a raiva e o ressentimento, inibindo o desejo e a gratificação sexual do casal.

A sexualidade humana é complexa demais. Cada ser humano é único, assim como sua sexualidade. Na relação a dois existe o somatório das particularidades de cada um. Nesta soma não existe um único resultado esperado. Cabe ao casal fazer suas escolhas e encontrar satisfação na vida a dois.

 

 

 

 

 

Bodas de Oliveira

Hoje é dia de comemorar! Bodas de Oliveira.34 anos de casados painelLocalize-se:

01º – Bodas de Papel
02º – Bodas de Algodão
03º – Bodas de Couro ou Trigo
04º – Bodas de Flores, Frutas ou Cera
05º – Bodas de Madeira ou Ferro
06º – Bodas de Açúcar ou Perfume
07º – Bodas de Latão ou Lã
08º – Bodas de Barro ou Papoula
09º – Bodas de Cerâmica ou Vime
10º – Bodas de Estanho ou Zinco
11º – Bodas de Aço
12º – Bodas de Seda ou Ônix
13º – Bodas de Linho ou Renda
14º – Bodas de Marfim
15º – Bodas de Cristal
16º – Bodas de Safira ou Turmalina
17º – Bodas de Rosa
18º – Bodas de Turquesa
19º – Bodas de Cretone ou Água Marinha
20º – Bodas de Porcelana
21º – Bodas de Zircão
22º – Bodas de Louça
23º – Bodas de Palha
24º – Bodas de Opala

25º – BODAS DE PRATA

26º – Bodas de Alexandrita
27º – Bodas de Crisoprásio
28º – Bodas de Hematita
29º – Bodas de Erva
30º – Bodas de Pérola
31º – Bodas de Nácar
32º – Bodas de Pinho
33º – Bodas de Crizopala
34º – Bodas de Oliveira
35º – Bodas de Coral
36º – Bodas de Cedro
37º – Bodas de Aventurina
38º – Bodas de Carvalho
39º – Bodas de Mármore
40º – Bodas de Esmeralda
41º – Bodas de Seda
42º – Bodas de Prata dourada
43º – Bodas de Azeviche
44º – Bodas de Carbonato
45º – Bodas de Rubi
46º – Bodas de Alabastro
47º – Bodas de Jaspe
48º – Bodas de Granito
49º – Bodas de Heliotrópio

50º – BODAS DE OURO

51º – Bodas de Bronze
52º – Bodas de Argila
53º – Bodas de Antimônio
54º – Bodas de Níquel
55º – Bodas de Ametista
56º – Bodas de Malaquita
57º – Bodas de Lápis-lazúli
58º – Bodas de Vidro
59º – Bodas de Cereja
60º – Bodas de Diamante
61º – Bodas de Cobre
62º – Bodas de Telurita
63º – Bodas de Sândalo
64º – Bodas de Fabulita
65º – Bodas de Platina
66º – Bodas de Ébano
67º – Bodas de Neve
68º – Bodas de Chumbo
69º – Bodas de Mercúrio
70º – Bodas de Vinho
71º – Bodas de Zinco
72º – Bodas de Aveia
73º – Bodas de Manjerona
74º – Bodas de Macieira
75º – Bodas de Brilhante ou Alabastro
76º – Bodas de Cipestre
77º – Bodas de Alfazema
78º – Bodas de Benjoim
79º – Bodas de Café
80º – Bodas de Nogueira ou Carvalho
81º – Bodas de Cacau
82º – Bodas de Cravo
83º – Bodas de Begônia
84º – Bodas de Crisântemo
85º – Bodas de Girassol
86º – Bodas de Hortênsia
87º – Bodas de Nogueira
88º – Bodas de Pêra
89º – Bodas de Figueira
90º – Bodas de Álamo
91º – Bodas de Pinheiro
92º – Bodas de Salgueiro
93º – Bodas de Imbuia
94º – Bodas de Palmeira
95º – Bodas de Sândalo
96º – Bodas de Oliveira
97º – Bodas de Abeto
98º – Bodas de Pinheiro
99º – Bodas de Salgueiro

100º – BODAS DE JEQUITIBÁ

Inclusão Conjugal

Conflito gera crescimento! Essa máxima pode ser aplicada a todas as situações em que o ser humano está implicado: do individual ao social, do social ao conjugal. Crises conjugais coincidem com as crises individuais. E vice-versa. É quando casamento e indivíduo batem de frente. Surge o momento de avaliar a relação e a si próprio. Muitos aproveitam e dão uma guinada na vida pessoal e/ou conjugal. Outros mantém a estabilidade conquistada, permanecendo como estão e onde estão. Mas todos redimensionam a própria vida, o relacionamento e se forem sábios, as expectativas. Casais constroem histórias sem regras que definem como devem proceder para terem uma vida digna e satisfatória, porque não existem manuais que se ajustem à pluralidade e singularidade humanas. Alguns sonham em viver contos de fadas e se decepcionam. Particularmente prefiro as histórias reais. Elas são possíveis. Testadas e aprovadas. Concordo que existem casamentos duradouros mantidos pela aparência, por interesses, por medo. Mas, existem também casamentos por amor, carinho, respeito. Imagem rara, extremamente invejada e almejada, são os casais que envelheceram e permaneceram juntos, sobrevivendo a toda sorte de situações com que foram presenteados. Vê-los de mãos dadas, passeando, fazendo compras, indo ao cinema, jogando cartas, viajando, indo ao médico … nos mostra a possibilidade de uma vida longa, a dois. Estão juntos, não pela beleza física, pelo sexo, pelos filhos, pela carreira, nem pelo dinheiro. Estão juntos porque aprenderam a viver a vida juntos, incluindo-se mutuamente com cuidado, carinho, respeito, confiança e companheirismo. Construíram o amor porque acreditaram nele. Muitos dirão que hoje as coisas são diferentes, que são raros os casamentos felizes e duradouros, que não podemos mais confiar no outro como acontecia antes, tipo Antigamente era assim … O risco do divórcio é real e nos rodeia. Vivi pessoalmente divórcios em família, acompanhei muitos casais se separando. Acredito que muitos divórcios são bênçãos, outros tantos são equivocados. Para a grande maioria, o casamento passou a ser um investimento de risco. Ou apenas uma tentativa – e como tentativa, já nasce abortado.  Como investimento de verdade – de risco ou não – quanto maior o investimento, a crença e confiança, maior o retorno. Invisto 100% e nunca me arrependi. No final, tudo o que queremos é alguém para amar e estar junto. O resto é apenas isso, resto.

imagem de internet
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Ensaios Pornográficos

Li minha primeira cena sexual aos 14 anos. O livro era um bestseller de Sidney Sheldon, “O outro lado da meia-noite”, que retirei na biblioteca pública de minha cidade. Vi pela primeira vez uma Playboy aos 17 anos. Encontrei a revista entre os pertences de meu namorado. Assisti a meu primeiro filme pornográfico quando tinha 25 anos. Foi o segundo filme a rodar no nosso primeiro aparelho de vídeo-cassete. O primeiro filme a rodar foi “A história sem fim”. Nem preciso dizer quem escolheu cada filme, certo? Assisti a um show erótico pela primeira vez aos 31 anos. Em nossa primeira viagem à Europa nos encontramos com amigos alemães na cidade de Hamburgo. Lá nos disseram que íamos ao show mais quente de toda Europa. Confesso que fiquei curiosa, mas jamais poderia imaginar o que eu ia ver. Sobrevivi a uma peça de teatro de sexo explícito, a menos de 10 metros da mesa onde estávamos sentados. Recentemente assisti a um strep tease feminino e masculino. Ao longo dos anos aprendi que cada pessoa tem suas próprias zonas erógenas. Que cada pessoa é estimulada de forma diferente. Órgãos diferentes captam os sinais e os estímulos genitais. Aprendi também que a maioria dos homens adora filmes pornográficos ou qualquer tipo de estímulo genital visual. Enquanto que a maioria das mulheres detesta filmes pornográficos ou estímulos genitais visuais, preferindo as demonstrações de romantismo como um poderoso estímulo sexual. Obviamente que existem exceções. Mulheres que gostam de pornografia e homens que não gostam. Mulheres que desconfiam e ridicularizam demonstrações de romantismo e homens que se sentem estimulados. Também existem situações em que determinados estímulos podem ter o efeito contrário ao que sempre tiveram, fazendo com que uma mulher sinta-se excitada com um filme pornográfico quando normalmente este tipo de filme a aborrece e a irrita. Muitos dirão que estas preferências são culturais e aprendidas. Que desde cedo, nós mulheres, aprendemos a reprimir nossos desejos e fantasias sexuais e por isso não apreciamos filmes pornográficos, nem cultivamos fantasias sexuais. Muitos dirão que homens são estimulados pelo que veem, que os estímulos visuais são poderosos para o gênero masculino, não ocorrendo o mesmo com o gênero feminino, que prefere outras formas de estimulação. Acredito nas duas possibilidades. Ambas contribuem para haver ou não estímulo sexual. Ambas atiçam ou não nossos desejos. Depende de cada um! Infelizmente este saber pouco resolve o impasse entre homens e mulheres quando a questão é que, o que acende o desejo de um, tem o poder diametralmente oposto, de apagar o desejo do outro. Tanto a pornografia como o romance pode ter este mesmo efeito! Imagina o homem que está apenas a fim de sexo, e se vê enredado numa história romântica, numa relação de intimidade para a qual não se sente preparado. Ou uma mulher, que quer viver seu conto de fadas com seu príncipe encantado e é levada a assistir a um filme pornográfico. Pane geral! Com a facilidade e a quantidade de conteúdos pornográficos em nosso dia-a-dia, principalmente via internet (mas também em outros meios de comunicação), cada vez mais mulheres convivem com o olhar genital, aprendendo e desenvolvendo este lado reprimido do universo feminino. Cada vez mais mulheres têm recebido mensagens, piadas e fotos mostrando ensaios fotográficos sensuais com homens parcialmente ou totalmente nus, de frente ou de costas, valorizando bumbuns e pênis, nas mais diversas posições e situações. Confesso que alguns, ainda hoje, me deixam encabulada e até envergonhada. Afinal, esta ainda é uma área pouco explorada em nosso universo feminino. Durante muito tempo via este tipo de material nos micros de meu marido e filho. Obviamente, eram mulheres nestas mesmas condições, que eles exibiam orgulhosamente, indiferentes ao olhar recriminatório feminino da casa. Sempre que questionados sobre estes gostos e necessidades, escutávamos que eram “coisas de homem”. Parece que precisavam de constantes estímulos visuais para manterem sua libido em alta, sua sexualidade alimentada e valorizada. Diferentemente das mulheres que estão aprendendo a gostar destes ensaios fotográficos, a pornografia neles embutida, parece ser muito mais uma desforra, uma revanche. Do tipo, “se não pode com ela junte-se a ela”. Bela e brilhante saída! No entanto, e apesar de haver ganhos com esta evolução, temos sofrido um ataque maciço de dimensão planetária, uma overdose de estímulos genitais visuais via Internet, filmes, novelas e programas de televisão, revistas, músicas, entre outros meios de comunicação, que têm dado uma nova dimensão à sexualidade humana, vista cada vez mais de forma banalizada, descartável, reduzida apenas a um mero e insignificante objeto a ser usado, abusado e jogado fora. Ainda assim, têm surpreendido a selvageria e a promiscuidade dos filmes pornográficos atuais. Coisa quase inimaginável!!! Cada vez mais se percebe que neles existe uma coisificação sexual brutal. Infelizmente as maiores protagonistas das cenas deprimentes que vemos nestes filmes, são mulheres. São elas que comandam cenas de sexo animal. Sem qualquer limite físico ou orgânico. Parecem querer provar sua supremacia sexual frente aos homens, que apenas aparecem como meros coadjuvantes, acessórios necessários para que haja um “falo” em cena. Que não raramente falha em sua representação, tamanho o desempenho sexual feminino! Me entristece pensar que chegamos a este nível de competição com os homens. Por outro lado, vemos cada vez mais homens se prestando a ser objetos sexuais, fazendo a alegria de uma infinidade de mulheres. Pelo simples prazer de olhar, de admirar o que é belo, de se permitir fantasiar, de se excitar sexualmente. Mas parece que principalmente pela diversão que proporcionam. Talvez seja este o novo olhar feminino sobre a pornografia e a estimulação visual de sua sexualidade. Como os homens têm reagido a esta invasão, a este novo aprendizado feminino? Não sei quanto aos outros, mas os meus não estão gostando nem um pouco. Acho que esta nova revolução sexual feminina pegou os homens novamente desprevenidos. E a nós também.

                                                                                    Los Canales, outubro de 2006.