Inzibida colorida …

Inzibida colorida come casca de ferida.

assim mesmo: inzibida. Nada de exibida.

inzibida com o jogo de café feito com as próprias mãos,

a partir de um punhado de barro

– sovado, socado, esculpido, queimado –

que virou pedra cerâmica.

pintado de azul da cor do mar, cor de areia por todo lado.

na concha, um amuleto.

Um seja bem vindo. A praia e a casa de braços abertos.

Era assim que era quando eu era criança. Bastava estar satisfeita e orgulhosa com alguma coisa que o versinho era recitado: inibida colorida come casca de ferida. Feliz e satisfeita com meu novo aparelho de café!

Vai um cafezinho aí?

Aero Brush

Na última aula de esmaltação cerâmica aprendi a usar uma nova técnica. Lembrou da época em que usávamos o “Flit de Neocid” para espantar e matar moscas, mosquitos e demais insetos asquerosos e pestilentos. O conceito é o mesmo: coloca–se a composição mineral no reservatório plástico e aciona–se a bomba com movimentos rápidos e rítmicos. É importante mirar e acertar o objeto onde a mistura deve ser pulverizada uniformemente.

aero 2

Na cerâmica, o uso do Aero Brush permite que a esmaltação não apresente as possíveis marcas que os pinceis podem deixar.

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Depois de pulverizado, usa-se o dedo indicador num movimento leve e circular para terminar de preencher e conferir se a espessura de 2 mm de minério foi alcançada de forma parelha em toda a peça a ser esmaltada.

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Das três peças pulverizadas pelo Aero Brush, uma vai ser finalizada com “terra sigillata” ou argila líquida aplicada com pincel. Foi usado fita crepe para dividir o vaso em duas metades, cada uma com acabamentos diferentes.

aero 1

Como o tempo e o processo de execução e finalização de cada peça cerâmica é demasiado longo (devido a questões do ateliê/forno), optei por postar as fases em que as etapas vão acontecendo.

As peças que aparecem neste post foram produzidas há um ano. 

Porta-ostras em flor

Esta bela flor nada mais é do que um porta-ostras. Em cada pétada uma ostra poderá ser servida crua, com queijo “cheddar” ou molho branco, assada e gratinada no forno. No miolo da flor, um vinagrete para acompanhar, maionese ou qualquer molho.

porta-ostras

Como diz minha professora: aqui ficou lambuzado; aqui faltou esmalte; aqui tem esmalte demais; aqui faltou limpar melhor … sim, sim, sim. Concordo. Constatações pós-queima, quando a fusão dos minérios apenas ressalta as imperfeições.E aí não adianta chorar sobre o minério esmaltado.

Como é com os erros que se aprende, espero que as próximas queimas fiquem melhores.

“Bowls” tamanho médio

Depois dos “bowls” pequenos e “pit pots” minúsculos, chegou a hora de equipar minha cozinha com “bowls” médios. Aquele tipo que serve arroz branco, purê de batatas e macarrão para duas ou quatro pessoas.

Bowl 1

A técnica usada tem sido o acordelado. Quase um ano fazendo e montando cobrinhas sobre cobrinhas. Grudando, moldando e aparando excessos. A próxima técnica será o torno elétrico, e com ele, uma maior produção de “bowvs”. A meta para 2019.

bolw 2

Quando conheci as técnicas cerâmicas, achei exagerado o tempo de 1 ano para aprender cada técnica (acordelado, torno e figurativo ou artística). Agora, passado um ano, percebo que este tempo, é o mínimo necessário. A cada peça finalizada, a certeza de que a peça seguinte sairá melhor e mais perfeita que a anterior.

bolw 3

Ainda não consigo padronizar os tamanhos dos “bowls”. Cada um tem seu tamanho e formato. Pelo menos, consigo encaixá-los um dentro do outro. Estes foram pensados brunidos por fora e esmaltados por dentro. Brunir uma peça cerâmica é fechar totalmente seus poros antes da primeira queima.  Para brunir, é necessário que a peça esteja 100% finalizada. Utiliza-se o fundo de uma colher, ou um equipamento próprio, esfregando toda a superfície, que ficará brilhosa.

brunidoDepois, esfrega-se um plástico para dar o último acabamento antes de ir ao forno. O resultado final remete à aparência de pedra na parte brunida.

panela brunida

Nesta panela – finalizada e pronta para uso – a parte interna foi esmaltada com preto e a parte externa foi brunida.

A repor

Hoje era dia de reposição de duas aulas de cerâmica que perdi no último mês. Poderia participar com a turma da manhã e da tarde. Duas aulas de três perdidas. Amanhã, vou perder a quarta aula do mês. Serão dois dias inteiros pra recuperar quatro tardes de aulas perdidas. Eu bem que poderia ter ido hoje. Preferi colocar o sono, a solidão e a leitura em dia. Verdade, verdade é que eu havia programado perder todas a aulas de cerâmica do mês de outubro – pois estaria no RS – e repô-las em novembro. Ir hoje era ir contra minha programação. Além do mais, não estava com vontade alguma. É como faltar na academia. Pra manter o hábito tem que ir sempre. Mas, voltando à cerâmica. Nas próximas duas semanas preciso recuperar aulas perdidas e colocar em dia todo meu trabalho e peças. Estranho pensar, mas esta conclusão já faz parte do processo de finalização de 2018.

Além da cerâmica, outros temas e metas aguardam suas próprias conclusões.

O ano está acabando. Releio na minha agenda o que havia programado para 2018. Hoje, aquela lista irrealizada não me entristece mais. Sei que ela serve apenas como direção, o norte a seguir. A vida nos coloca frente à tantas questões imprevistas, que o previsto muitas vezes padece em segundo plano e o simples findar do ano, já me alegra. Com o passar dos anos a gente aprende que não pode tudo. A gente aprende que nem tudo depende apenas do querer da gente. As coisas acontecem ou não acontecem. E sim, a gente pode brigar, insistir, persistir. Ou pode simplesmente, aceitar que não era mais aquilo ou aquele não era mais o momento. Aprendi a desistir. Aprendi a esperar. Aprendi que tudo e todos tem seu tempo. Em parte, devo à cerâmica este aprendizado. Assim como ela, eu também tenho meu tempo e meus momentos.

Por isso, cá estou eu, terminando de ler o livro de crônicas de Miriam Leitão, “Refúgio no Sábado”. Aliás, naquela lista da agenda 2018, um dos itens era escrever no mínimo uma crônica por mês. Pelo que pesquisei no blog, atendi a contento este item. Já, o item escrever pelo menos um conto por mês, fracassou completamente. Quem sabe em 2019.

Pit Pots Prontos

Enfim, meus primeiros pit pots … prontos para receberem patês, geléias, frutas secas, clips, botões e tudo mais que couber nestes potinhos feitos com restos de argila.

Pit pot 1

Da bola de barro ao pote cerâmico.

Pit pot 1A

Ficou perfeito? Não. Quando esmaltamos é recomendado colocar uma quantidade razoável de esmalte para que o resultado fique bom. O interior do pit pot até que ficou aceitável.

Pit Pot 2A

Mas as bordas … Por esquecimento, as bordas receberam apenas uma camada de esmalte, quando o correto seriam quatro camadas. E a cor, que deveria ficar igual ao fundo do pote, ficou apagada, cor de gato molhado. Já a base, mostra a fusão de restos de argila tom tabaco misturado com tom creme.

Mas é assim que, muitas vezes, se aprende: errando. Da próxima vez que for esmaltar, ficarei mais atenta e detalhista.

 

Entre a arte e as coisas da vida

Cá estou eu, mergulhando a nadando de braçada no lodo da política brasileira, subindo de vez em quando à tona pra respirar arte e serenidade. Porque de resto, a vida segue: família, trabalho, casa, amigos, faxina, jardim, agendamento de exposições, literatura, grupo de estudos … e minhas aulas de cerâmica.

Depois de tanto tempo, eis que trago pra casa minhas primeiras cerâmicas esmaltadas. Por recomendação da professora esmaltei apenas algumas das menores peças. Pra aprender. Pra registrar. Porque cerâmica é uma arte milenar e é preciso observar e anotar o resultado das experiências. E fui logo corrigida: não estou pintando cerâmicas. Estou esmaltando. Estou depositando minérios que se fundem em temperaturas de até 1300 ºC. Eis o resultado:

arte8Meio chinfrim minha primeira experiência … mas é assim com praticamente tudo na vida: começa pequeno e meio sem graça. Depois melhora.

A boa notícia é que me sinto cada vez mais integrada e familiarizada com o universo argilino (e pensar que tudo começou pelo amor à Psicologia e Arteterapia). E cada vez mais, minhas cerâmicas expressam meu estilo e ganham minha assinatura artística.

 

Hoje resolvi extrapolar na esmaltação e fazer todo tipo de experimentação. Misturei tudo com tudo em mais de vinte peças. O  resultado final, de roer até as unhas do pé, só daqui uns 15 dias.

 

Este contato com o barro tem me dado chão.

Tem me dado tempo.

Tem ampliado conceitos.

Tem me apresentado à pessoas muito bacanas.

E foi assim que conheci a “Maga das Velas”, a mundialmente famosa Maria Pessoa. Uma artista que já expôs velas em diversas galerias da Europa, fez matérias para várias revistas nacionais e internacionais, produziu velas para lojas de grife, enfim, me senti no Jardim de Infância das velas artesanais. Maria, minha colega de velas e cerâmicas me mostrou quanta coisa posso fazer com a parafina e também com a argila. Percebi o quanto é possível fazer quando nos permitimos pensar “fora da caixa” e dar asas à experimentação. Sem medo de ousar ou errar.

Mas ela e as velas serão tema de um próximo post. Em breve.