Retomando a cerâmica.

Quase um ano sem ceramicar. Meu último registro no blog, data de 03 de agosto de 2020. Estava eu, na época, curtindo meu recém criado espaço pra fazer cerâmica em casa e fazendo as primeiras peças para esculturas de jardim. 

O ano passou. E, quase nada aconteceu. A cerâmica hibernou. Ateliê arrumado, organizado, fechado. Nada de ideias, nem projetos. Nada de esculturas.

Hoje, mais de um ano depois, amanheci inspirada. De onde veio a inspiração, nem imagino. Talvez estivesse entediada de acompanhar a política, o crochê, as leituras e escrevinhações. Talvez precisasse colocar a mão na massa. 

E assim foi: sem grandes programações ou projetos, decidi fazer pit pots maiores e cheios de estilo que vão para a mesa do “cheff”, assim como as travessas. Se ficarem boas. 

Talvez amanhã, as peças estejam em ponto de couro e comece a modelá-las. Depois esperar secar, a primeira queima, a esmaltação e a queima final. Enquanto isso vou produzir mais peças – naquela “wibe” de consumir meus materiais – algo em torno de 30 kg de argila. 

Visualizo mais travessas, bacias, pit pots, panelinhas … 

Voltar a frequentar algum ateliê. Uma possibilidade.

primeira etapa

A quantas andam minhas cerâmicas

Nem preciso dizer que 2020 ainda não aconteceu no quesito cerâmicas. Iniciei o ano cheia de ideias (normal) mas as aulas presenciais ainda não começaram. Terminei 2019 super-hiper-mega-motivada para operar o torno. Fato que ainda não aconteceu e com poucas possibilidades de acontecer no decorrer deste ano. Por outro lado, consegui acomodar um pequeno atelier de cerâmica no meu depósito e já fiz as primeiras peças. Ainda não finalizadas, nem biscoitadas.

 

Isso sim, culpa do COVID19. Com as notícias alarmantes da pandemia, “fui de mala e cuia” ao RS para dar suporte à minha mãe octogenária. Tem sido um ir e vir entre o RS e SC. Retornando à Floripa espero conseguir fazer a primeira queima. Quem sabe, finalizar as peças. Por enquanto o que sei do atelier de cerâmica frequentado em  2019, é que todos (exceto eu que estou no RS) retiraram seus materiais. E alguns, tem feito aulas online, tipo lives. Prefiro aguardar o segundo semestre. Quem sabe, agosto nos propicie enfim, a retomada das aulas presenciais. E o torno, eu sei, não vai fugir.

 

 

Viralização da Arte

Faz tempo que não escrevo. Blog hibernado. Cadernos fechados. Quando muito, listas de compras, coisas a fazer, contas a pagar, compromissos a cumprir. Motivada pelo Projeto “Viralização da Arte” fui desafiada a publicar 4 obras durante 4 dias consecutivos. Busquei nos posts do blog fotos para atender ao convite e ao desafio. Aí me dei conta de que a meta das 100 palavras por dia, mal havia nascido; Uma intenção e nada mais. Os últimos posts que aparecem foram escritos em 2019 e agendados pra 2020. Um ou outro texto foi escrito este ano. E não é por falta de assunto. Ao procurar pelas fotos para viralizar a arte, percebi o quanto deixei de registrar. Não sei se vai ser rastilho de pólvora – talvez – decidi voltar a escrever no blog. Até pq o romance não está deslanchando, a vida está acontecendo. Confinada por conta da Covid19, em quarentena, distanciada socialmente mas a mil pelo Brasil, como gosta de dizer minha mãe. Ando dividida – pra variar – entre o RS e SC. Cuidando da mãe idosa, mantendo os atendimentos online, fazendo arte, restaurando móveis e colocando um sem número de pendências em dia. E escrever é uma delas. Então, depois de uma olhada atenta no blog, percebi que muitos assuntos estão incompletos, precisando de um fechamento. Assuntos que, certamente, vou querer rever no futuro. Praticamente todas as categorias estão capengas. A poesia “Inverno chegando” foi escrita e postada hoje. Pra aquecer artelhos e ideias. Outros posts vem a reboque. Espero!!!!

Estas são as obras selecionadas para o projeto “Viralização da Arte”.

Festival de Queimas Alternativas

Se alguém me contasse eu não acreditaria.

Verdade é, que minha professora de cerâmica Carmem Melo comentou desse encontro e foi ela quem mandou o convite via Whatsaap. Me inscrevi e fui. Na maior curiosidade. O que vi e vivi durante as oito horas em que acompanhei a montagem dos fornos foi surreal. Uma trabalheira do cão e, pelo que vi no dia seguinte, uma grande decepção. Muitas peças quebradas, rachadas e deformadas. Algumas poucas, bonitas. O velho e bom forno elétrico ou à gás, apesar de infinitamente mais caros, garantem melhor resultado, tanto em qualidade das queimas como em termos de aproveitamento das peças. A ideia do festival é experimental para mostrar que qualquer um pode queimar sua própria produção – em casa – bastando para isso, boa vontade, disposição e enorme desapego.

E foi com este intuito que fui. Ao chegar me apaixonei pelo mural de placas cerâmicas que vem sendo montado ao longo dos diversos anos do festival. O mural é alimentado por artistas e interessados que se inscrevem, mediante especificações da professora Rosana Bortolin (UDESC).

Queima cerâmica é coisa de índio, bem frisou a professora Viviane Diehl, do Instituto Federal do RS – Campus Feliz, que trouxe o projeto “Ceramicando” e o processo de queima com Sulfato de Cobre e Cloreto Férrico (diluídos em água para vaporizar), sal grosso, fio de cobre e pó de cobre. A oficina foi bem concorrida. A finalização pede que se embrulhe a peça em papel alumínio amassado (as bolhas de ar criam efeito na queima). Foram montados os fornos de maravalha (serragem grossa) e carvão, que chega à 900ºC, o forno exclusivo de carvão, que chega à 1000ºC., o forno para queima com jornal e barbutina (argila líquida) que chega a 400ºC (adequado para biscoito) que se consome totalmente. E dois fornos para raku. Infelizmente, não consegui acompanhar a queima dos três últimos fornos.

Das três peças que levei, apenas o prato preto foi ao forno 100% carvão. Saiu esturricado, deformado e rachado. Apesar do resultado, valeu a experiência.

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Esmaltação no Deriva Atelier – cerâmicas do mar

Neste meio tempo, conheci a ceramista Bruna em São Paulo, por obra do destino e inacreditáveis coincidências: conhecidos comuns, experiências e vivências à parte, Bruna, do Deriva Atelier, estava se preparando para dar um curso de esmaltação cerâmica em Santo Antônio de Lisboa, Floripa, no mês de novembro, dias 25 e 27. Me inscrevi e fui. Lá encontrei outras ceramistas: Catarina, Zezé, Elizângela e Arinete. Todas alunas da Escola de Oleiros de São José.

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O curso foi bem básico. Serviu para revisar conceitos e esclarecer algumas dúvidas:

  • Queima de biscoito (primeira queima): 700 à 980ºC;
  • É necessário esmaltar a parte interna dos utilitários (queima de 1240 a 1280ºC) senão a peça vaza;
  • A base para formulação dos esmaltes é o 093 (base incolor/transparente/alcalina) ou o 621;
  • Tipos de esmaltação apresentados no curso: Pincel (máximo de 3 demãos), Banho (1X) e Imersão (1X);
  • Sempre que for esmaltar deve-se usar máscara e luva e o Gral para misturar os óxidos com a base;

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  • Tipos de Óxido: de ferro – dá o tom marrom; de cobre – dá o tom azul turquesa; de titânio – tom branco; de cobalto – azuis escuros;
  • Os óxidos de cromo /chumbo dá a cor verde. É tóxico e não deve ser usado na parte interna dos utilitários;
  • CMC é um tipo de cola que ajuda a fixar o esmalte na peça (não é necessário usar);
  • Titânio, zinco e estanho a 2% deixam os esmaltes mais opacos, tipo mate;
  • Fórmulas usadas no curso: para cada 100g de esmalte base (093) mistura – 2% ferro (marrom) ou 15% titânio (branco) ou 3% a 5% cobre(turquesa) ou 1% cobalto ( azul escuro) ou 15% cobre (verde bandeira), depois acrescenta água para ficar num ponto cremoso aquoso. Estes valores de concentração podem variar até 10 ou 15%.

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  • No curso, as técnicas e esmaltes usados foram:
  1. Concha: banho com cobre 3%;
  2. Folha: pincel, miolo cobre 15% + ferro 2% + borda 4%;
  3. Bowl: banho, titânio 15% + cobre 3%.

Agora é só esperar a queima e ver o resultado.

A cerâmica em 2019 – algumas considerações

Feliz pelo fechamento de 2019 no quesito cerâmica e esmaltações.

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No final de 2018 dei um tempo na cerâmica por conta de frustrações e decepções. Minha antiga professora não podia ou não queria queimar minhas peças. Um banho de água fria semanal. Parei oito meses. Timidamente retornei em agosto em outro atelier e outra professora. O atelier da ceramista Carmen Mello tem sido um bálsamo. A professora é a motivação em pessoa. O que quer que seus alunos façam, ela elogia. Tudo está sempre bom. Apesar de nem sempre concordar com ela – e céus, tem coisa feia demais sendo produzida – estar neste ambiente de energia positiva e produtiva tem sido revigorante. Projetos antigos – como a louça exclusiva do cheff – estão ganhando espaço e corpo; técnicas e acabamentos diferenciados acontecem sem grande planejamento mas sempre de boa vontade; as colegas vem e vão o tempo inteiro (mas quem está sempre presente às quintas-feiras é a Dona Selmira, de 86 anos, uma entusiasta na arte cerâmica); mas, o mais importante de tudo é o astral da peça concluída: finalizada e queimada, pronta para ir pra casa.

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Talvez este seja o maior motivo de ter retomado a cerâmica e fazer mais. Sempre e cada vez mais. Pra 2020 me vejo operando o torno elétrico. Quem sabe seja a hora de comprar um. Talvez o forno, um pouco mais adiante. Por hora, a certeza de transformar meu entulhado depósito num prático atelier de cerâmica. A ideia é produzir peças para toda família, luminárias para o jardim, para a cozinha e um cem número de possibilidades.

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Além de produzir algumas peças novas (a maior de todas foi a base do abajour escultórico) consegui biscoitar todas as peças produzidas entre 2017 e 2019, conhecer o “engobe” e finalizar todos os projetos, esmaltando em alta temperatura. Este “engobe (argila líquida com corante) foi aplicado antes da queima do biscoito.

Quando fui a São Paulo, por ocasião do lançamento da antologia “Do que antes nunca tarde”, comprei diversos esmaltes (3073 – Esmalte Marrom Temoko; 6013 – Esmalte Oliva; 6003 – Esmalte Verde Cobreado; 3013 – Esmalte Saara; 2015 – Esmalte Blueberry) na loja Arte Brasil, na Vila Mariana.  Prático e barato. Depois foi só misturar com água, identificar os potes e esmaltar. Usei a técnica do Pincel e o Banho. Agora é só esperar a queima e conferir o resultado.

 

 

 

A arte de Anelise Bredow e os cactos

Vem de longa data minha paixão pelos cactos. Talvez o que mais me encante neles é sua resiliência: são resistentes e extremamente independentes. Faça chuva ou faça sol, com adubo ou sem adubo, eles seguem em frente. Melhores ou piores, eles apenas seguem. Do jeito que for ou puder ser. Já a paixão pela cerâmica é mais recente. Do tempo das oficinas do estágio de Arteterapia no Posto de Saúde do Itacorubi, em Florianópolis, SC,  onde as dinâmicas mal sucedidas e fracassadas com argila me levaram às aulas de cerâmica em ateliês profissionais. Tenho de reconhecer que esta paixão oscila esquizofrenicamente. Tem hora que amo. Tem hora que odeio. Não lembro como conheci o trabalho da ceramista Anelise Bredow – via Facebook? Email? Whatsaap? Youtube? Tudo junto e misturado? – mas lembro da certeza de que conheceria o trabalho dela pessoalmente. E assim aconteceu.

Inclui uma visita ao ateliê da artista, na cidade de Morro Reuter, no km 217 da BR 116, numa viagem entre amigos, pela serra gaúcha. De Nova Petrópolis até a casa antiga e pink onde Anelise mora e trabalha, são 33 km de curvas e plátanos. Sugiro agendar a visita para não ficar se remoendo inteira com a possibilidade de dar com a cara na porta fechada, já que o sinal de internet ou telefone, neste trajeto, não tem nenhuma garantia. Não aconteceu comigo, mas bem poderia ter acontecido. Por pura sorte encontrei Anelise retornando do mercadinho após me deparar com um bilhete na porta do ateliê, tipo saí – volto logo. Felizmente ela estava voltando.

O que dizer da arte e da artista? Me apaixonei. Anelise é uma pessoa querida, simples e muito simpática: mostrou os fornos, o ateliê de trabalho, a casa, a loja. Ela se mostrou inteira. E eu me encantei com a certeza dela de viver da cerâmica enquanto fosse possível. A casa onde ela mora reflete exatamente este pacto. Esta decisão. Saí de lá com sete trabalhos artísticos (levaria mais, se não fosse o olhar de censura e espanto do meu marido). Anelise me presenteou com um quadrinho de 10cm X 10cm. Me disse que este mimo poderia me guiar no meu caminho pela arte.

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Retornando à Floripa, depois de um devido descanso, me pus a plantar os cactos – comprados no Cactário Horst, em Imigrante /RS – e os distribuí pela casa.

Óbvio que faltaram peças.

Óbvio que coloquei tudo em lugares diferentes do que havia programado.

Mas o que realmente importa é que adorei o resultado final.

Sobre o quadrinho na parede? Tenho olhado para ele. E ele para mim.

Por enquanto é isso. E a certeza de que, “cerâmica é a arte de transformar terra em poesia”.

Registros

Muita coisa aconteceu nestes 6 meses out bysuzete.

Em tempos de selfies e fotos de celular, uma série de instantâneos retratam bem o que foi o agito destes meses: passeios, exposição, lançamento de antologias, aniversários, o atelier de uma grande artista, o felino Aipin, a retomada da cerâmica, do crochê e do tricot. Uma santa terapia. Sem contar a restauração de móveis e utensílios desgastados. O outono, o inverno, a primavera e o verão; as quatro estações distribuídas em 6 meses  mega produtivos e cansativos. E tem mais, muito mais.

Como eu poderia deixar de registrar tudo isso?

 

Cerâmicas Inacabadas

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Decidi dar um tempo na cerâmica. Não pela cerâmica em si. Que aprendi a amar, fazer e vou continuar fazendo. Num outro momento.

Decidi dar um tempo, porque tem hora que a gente precisa entender e aceitar o que está escrito entre linhas, ou como pude perceber, entre as trintas peças cerâmicas produzidas e não finalizadas. O que elas estão me dizendo? Porque, quase que apenas elas, entre tantas peças de tantas colegas, ficaram pra trás e não foram queimadas? Algumas sequer biscoitadas? Uma enorme tristeza me assaltou quando percebi que meu fazer incomodava quem deveria me incentivar e motivar.

Decidi não sofrer mais com o descaso e o desleixo alheios, os eternos ranços e desculpas.

Decidi trazer minhas peças cerâmicas inacabadas para casa e curti-las como estão. Frágeis e inacabadas. Estou como elas. Simples argila modelada e seca. Falta a energia, o calor e a força do fogo que virá no devido tempo. Outras artes me preencherão. Vê-las abandonadas nas prateleiras era ver-me igualmente abandonada.Juntas nos fortaleceremos. Pressinto e sinto isso.

Decidi esperar a tristeza e a decepção abrandarem. Depois vou em busca de um novo espaço de arte cerâmica, de novas energias e conhecimentos. De um novo professor.

É do que eu e minhas cerâmicas inacabadas precisamos.

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Inzibida colorida …

Inzibida colorida come casca de ferida.

assim mesmo: inzibida. Nada de exibida.

inzibida com o jogo de café feito com as próprias mãos,

a partir de um punhado de barro

– sovado, socado, esculpido, queimado –

que virou pedra cerâmica.

pintado de azul da cor do mar, cor de areia por todo lado.

na concha, um amuleto.

Um seja bem vindo. A praia e a casa de braços abertos.

Era assim que era quando eu era criança. Bastava estar satisfeita e orgulhosa com alguma coisa que o versinho era recitado: inibida colorida come casca de ferida. Feliz e satisfeita com meu novo aparelho de café!

Vai um cafezinho aí?

Aero Brush

Na última aula de esmaltação cerâmica aprendi a usar uma nova técnica. Lembrou da época em que usávamos o “Flit de Neocid” para espantar e matar moscas, mosquitos e demais insetos asquerosos e pestilentos. O conceito é o mesmo: coloca–se a composição mineral no reservatório plástico e aciona–se a bomba com movimentos rápidos e rítmicos. É importante mirar e acertar o objeto onde a mistura deve ser pulverizada uniformemente.

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Na cerâmica, o uso do Aero Brush permite que a esmaltação não apresente as possíveis marcas que os pinceis podem deixar.

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Depois de pulverizado, usa-se o dedo indicador num movimento leve e circular para terminar de preencher e conferir se a espessura de 2 mm de minério foi alcançada de forma parelha em toda a peça a ser esmaltada.

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Das três peças pulverizadas pelo Aero Brush, uma vai ser finalizada com “terra sigillata” ou argila líquida aplicada com pincel. Foi usado fita crepe para dividir o vaso em duas metades, cada uma com acabamentos diferentes.

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Como o tempo e o processo de execução e finalização de cada peça cerâmica é demasiado longo (devido a questões do ateliê/forno), optei por postar as fases em que as etapas vão acontecendo.

As peças que aparecem neste post foram produzidas há um ano. 

Porta-ostras em flor

Esta bela flor nada mais é do que um porta-ostras. Em cada pétada uma ostra poderá ser servida crua, com queijo “cheddar” ou molho branco, assada e gratinada no forno. No miolo da flor, um vinagrete para acompanhar, maionese ou qualquer molho.

porta-ostras

Como diz minha professora: aqui ficou lambuzado; aqui faltou esmalte; aqui tem esmalte demais; aqui faltou limpar melhor … sim, sim, sim. Concordo. Constatações pós-queima, quando a fusão dos minérios apenas ressalta as imperfeições.E aí não adianta chorar sobre o minério esmaltado.

Como é com os erros que se aprende, espero que as próximas queimas fiquem melhores.