Aromatizando a casa

E quem não gosta da casa perfumada com cheirinho de mar ou mato, flor ou fruta, semente ou grão? Concordo que nem todo cheiro é bom. Particularmente, evito os adocicados e azedos. Exageros à parte, perfume é sempre uma ótima pedida, inclusive perfume de casa.

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Morando na beira da praia, onde a umidade do ar é alta, o cheiro de mofo tem sido um dos meus grandes desafios. Basta alguns dias de casa fechada, sol encoberto, chuvas e trovoadas e o maldito, sorrateiramente, aparece. Sempre comprei aromatizadores de ambiente de todos os tipos e fragrâncias e os distribuía por toda a casa, inclusive dentro de balcões e armários. Casa grande exige vários, muitos, inúmeros aromatizadores. Quem usa, sabe o quanto custa ($$$$$$) manter ativas estas pequenas preciosidades. E assim, como aconteceu com as velas, decidi aprender e fazer, eu mesma, meus cheirinhos e personalizar a casa.

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Meu primeiro passo foi pesquisar na internet. Sr. Goooooooogle me passou as dicas e descobri o Armazém Peter Paiva, de São Paulo. No YouTube percebi o quanto era fácil fazer um aromatizador. Bastava comprar o material e colocar as mãos nas essências. A primeira ideia foi comprar pela internet e mandar entregar em casa. Quando saiu o valor do frete pra entregar em Floripa, desisti na hora. Algo em torno de 35% do valor total da compra. Esperei a primeira oportunidade de ir a São Paulo e fui pessoalmente conhecer o Armazém. De certa forma, é o melhor a fazer. O lugar é cheiroso e muito charmoso. E entendi porque o frete é tão caro: tudo que vai no aromatizador, pesa. Felizmente, são poucos os ingredientes.

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E assim, me aventurei pelo universo das essências. Haja nariz!!!! Depois de cheirar as primeiras essências, o olfato simplesmente desapareceu. Nem mesmo o truque de esfregar e cheirar café em grão, normalizou o sentido. Acabei comprando o básico: essências, álcool de cereal, frascos, medidores, 2 receitas de bolso e varetas. Quem gosta, pode comprar corante e dar cor aos frascos. Preferi deixar os meus com a cor natural das essências.

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Escolhi a cozinha como local pra fazer as misturas. Além da bancada ser de granito, ter acesso à água facilita bastante. Mas, assim como aconteceu na loja, foi começar a mexer com as essências, comecei a expirar e em pouco tempo, não sentia mais nenhum cheiro. Ou seja, quem é alérgico a perfumes melhor ficar longe.

Usei as essências Carro Novo, Bebê, Floresta, Mar, Limão Siciliano puras.

A receita (testada e aprovada) foi a Romantic: 30% de essência Bulhões Flower + 30% Romã com Champagne + 20% Floral + 20% Macadâmia. Maravilhosa!!!!!

Para fazer o Aromatizador de Varetas basta misturar 700ml de álcool de cereais + 200ml de essência + 100ml de água mineral e depois colocar nos frascos.

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Para fazer a Água aromática para lençóis basta misturar 200ml de álcool de cereais + 100ml de essência + 700ml de água mineral + Renex (substância usada para dar transparência à mistura). Esta água serve tanto para borrifar lençóis como toalhas, sofás, almofadas, persianas. Enfim … a casa toda.IMG_0352Usei vários frascos de aromatizadores antigos e em desuso. Um que fica uma graça é o de leite de coco Sococo. O da foto é um frasco de Azeite de Oliva, trazido de uma viagem, que ficou encantador nesta mesa de canto da Sala de Estar.

Uma dica é que o tamanho da vareta deve ser pelo menos o dobro do tamanho do frasco e a quantidade de varetas em torno de oito.

Velas Recicladas

Pra quem gosta de velas é interessante aprender a fazer e reciclar velas. É possível aproveitar praticamente toda a parafina e grande parte dos elementos usados para decorá-las (canela, folhas, sementes, cafés, pimentas, cascas, etc.) Quando apagar a vela, escorra o parafina derretida num pote (para ser reaproveitada depois) evitando assim que o pavio mergulhe na parafina líquida e dificulte quando acender novamente a vela. Costumo ir juntando cacos e restolhos de velas, flores e sementes secas, canelas, conchas, poupouris, xícaras, potes velhos e tudo mais que possa ser usado pra deixar a vela ainda mais especial.

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O segundo passo é separar os materiais e preparar o ambiente para trabalhar com parafina. É fundamental ter em mente que aonde a parafina cai, ela gruda e é um Deus nos acuda removê-la. Por isso, forro com papelão toda a área a ser usada – do piso à mesa. Por mais cuidado que se tenha, sempre cai ou respinga parafina. E, se você for atrapalhada ou acidentada, convém usar um avental com segurança apropriada.

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Costumo separar os materiais conforme o uso e as cores das velas: brancas com brancas, amarelas com amarelas e laranjas, creme com creme, e no final, faço a vela da cor de burro quando foge. É quando misturo tudo que não combina com nada.

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Depois de selecionar e misturar as diferentes cores de velas, deixo algumas brancas pra clarear a vela se for preciso. Se quiser – e gostar – é possível usar corantes artificiais. Depois de derretida, é fundamental peneirar a parafina, separando impurezas, pavios, elementos e sujeiras. Uso um bule velho de alumínio, coloco um pano de prato velho (que será descartado quando as velas estiverem prontas) pra peneirar a parafina líquida. É neste momento que recolho os elementos e esparramo sobre o papelão, para secar e serem reaproveitados mais adiante.

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Alguns equipamentos são fundamentais para fazer velas. Além de panelas, formas, pavio e fogareiro, o termômetro é imprescindível, já que a parafina alcança altas temperaturas e pode pegar fogo. Chegando aos 120 graus é hora de desligar o fogareiro e esfriar os ânimos.

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Outro ítem fundamental é a vaselina líquida para untar as formas e permitir que as velas escorreguem e desformem facilmente. Economia zero na vaselina, ou a vela, simplesmente não sai. Gosto de usar citronela  por causa do cheirinho e também porque espanta os mosquitos. Diferentemente do que a maioria pensa, a citronela não é amarela e pode ser misturada – na temperatura correta – a qualquer cor e forma de vela.

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Também gosto de fazer velas em potes, xícaras e vidros resistentes. Na hora de reciclar, a forma de tirar e limpar os recipientes da parafina antiga é levar ao banho-maria até que a parafina derreta totalmente. Deixe o frasco de ponta cabeça, espere esfriar e coloque de molho em água fria pra lavar e deixar o recipiente pronto para uma nova vela.

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O maçarico foi minha última aquisição. Vale à pena, mas é melhor comprar uma luva protetora. Na fração de um suspiro, a chama passou pelo meu dedo e levantou uma bolha do tamanho de uma bola de gude.

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Duas velas: uma sem, e a outra com acabamento do maçarico.

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Dedinho medicado e a aparência da vela depois que o excesso de parafina foi derretida pelo maçarico. O resultado valeu o acidente, mas uma luva adequada já está na lista de compras pro atelier.

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Experiência com velas em conchas de ostras. A ideia é esparramá-las nas mesas em noites de moqueca, caldeirada, peixes fritos, frutos do mar…

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Gosto deste excesso de elementos que sobe e abraça toda a vela. A nitidez dos elementos é obra do maçarico malvado.

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Faltou parafina amarela pra preencher a vela deprimida. Gostei das saliências e reentrâncias desta vela com sementes reaproveitadas!

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Vasos marajoaras pequenos, xícaras da vovó sem uso e potes de barro ficam uma graça e viram presentes bem exclusivos. Talvez da próxima vez eu ouse em alguma cor.

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Conchas e flores secas!

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E a vela cor de burro quando foge … o azul, rosa, vermelho, branco e marrom ficou cor de uva e já animou um jantar entre amigos. O recipiente de vidro foi remodelado e ficou com cara nova.

vela uva E então, deu vontade de fazer suas próprias velas?

Velas deprimidas

Depois do casamento da minha filha Fernanda, em março deste ano, fiquei – entre outras sobras – com um saco cheio de restolhos de velas. Sou uma apaixonada por velas que uso sem cerimônia em jantares, bate-papos com amigos, pra namorar, ler, perfumar e iluminar a casa. Uma vela é sempre um bom motivo e qualquer motivo é sempre bom com uma vela.  Assim…….o que fazer com todo este material? Óbvio: reciclar. Primeiro passo: aprender a fazer e reciclar velas. Em junho fiz um curso no Empório das Velas, em Moema, São Paulo, onde aprendi o básico suficiente pra me aventurar na arte das velas artesanais.

Segundo passo: comprar o material. Já aproveitei na saída do curso e com orientação da professora (faltou um mini-maçarico para os acabamentos – uma aquisição futura) Terceiro passo: mãos à obra. A primeira tentativa – depois do curso e do olhar atento da professora – foi no meu fogão de inox LOFRA, no apartamento em Sampa. Caos total na cozinha. Ainda bem que era dia de faxina: enquanto a faxineira arrumava de um lado eu zoneava do outro. Por incrível que pareça, ainda hoje (semanas depois da empreitada) me vejo raspando vela no granito branco polar da bancada ao redor do fogão. E olha que eu cuidei ao máximo!!!!!! Uma meleca. Juntei todo material e decidi que este é o tipo de atividade pra se fazer em lugar adequado – meu atelier de Lajeado-RS.

Nada de improvisos. Valeu a primeira tentativa pra adequar procedimentos e providenciar materiais faltantes absolutamente imprescindíveis.

Chegando em Lajeado, preparei meu atelier: juntei todos restolhos de velas (tanto os do casamento, quanto outras velas usadas no dia-a-dia),

forrei piso e mesa com papelão em rolo, emprestei um fogareiro com um bocal potente (outra aquisição futura), comprei um panelão (para uso exclusivo), recolhi xícaras, potes, formas, etcetcetc. Comecei fazendo velas dentro de recipientes. Adoro usar peças antigas, como esta xícara da minha bisavó.

Dá pra perceber a depressão da vela? É essa “caída” no centro que faz uma vela deprimida. Quem diria!!!!! Mas ela tem remedinho. São estes quadradinhos – feitos da própria parafina – que preenchem o vazio que se cria no âmago de toda vela.

Na forma, quando a vela deprime, a gente recorta – no momento apropriado – à 1 cm da borda, escorre a parafina líquida de volta pra panela e preenche com os quadrados (remedinhos). Depois de preenchida com o remedinho, acrescenta-se parafina a 120 graus pra uniformizar, deixa descansar e espera secar. Se a vela deprimir de novo um simples preenchimento resolve a questão.  

Gosto de velas artesanais com elementos. Escolhi umas sementes velhas (que antigamente tinham um perfume maravilhoso mas que sumiu), comprei umas pimentas, folhas amareladas e grãos de café. Amanhã vou recolher alguns ramos com folhas do plátano na calçada da minha casa e fazer velas outonais.

Neste momento, meu atelier está gestando o trabalho do dia. Durante a noite, espero que minhas velas recicladas e devidamente medicadas e preenchidas, recuperem a beleza e a funcionalidade.

Encerrado este processo noturno, o amanhã reserva a hora derradeira: desenformar as velas e dar o acabamento. Mas este é outro assunto e outro dia. Isso se as velas saírem ilesas e inteiras. O amanhã dirá.