Escolarize-se.

“Escola é uma coisa. Educação é outra. As duas nem sempre se sobrepõem. Estando ou não na escola, é sempre sua tarefa melhorar a sua educação.

Você tem de ser curioso com relação ao mundo em que vive. Confira. Investigue cada referência. Vá mais fundo do que qualquer outro – é assim que você irá em frente.

Dê um Google em tudo. Mesmo. Dê um Google nos seus sonhos, nos seus problemas. Não faça uma pergunta antes de você dar um Google nela. Você vai encontrar a resposta ou vai acabar esbarrando numa pergunta melhor.

Leia sempre. Vá à biblioteca. Há magia em estar rodeado de livros. Perca-se pelas estantes. Leia bibliografias. O negócio não é o livro com o qual você começa, mas o livro ao qual aquele livro te levará.

Colecione livros., mesmo que não planeje lê-los no momento. O cineasta John Waters falou: “Nada é mais importante que uma biblioteca não lida.”

Não se preocupe em fazer pesquisa. Apenas busque.” (KLEON, Austin – “Roube como um artista” p.27/28)

Arte em poesia

Fui crocheteira, tricoteira, bordadeira, tapeceira.
Linhas, lãs, agulhas e pontos me teceram meiga e carinhosa.
Acolhedora insaciável.
Aprendi a domar minhas entregas
pra não ser desperdiçada.
Me embrulhei em papeis, tesouras e estiletes
e recompus minha história em álbuns de retratos decorados.
Foram anos acertando pontas e redefinindo arestas.
Me apaziguei.
Perambulei por panos e fitas, letras e livros.
Me diluí nas tintas.
Vieram tempos desérticos e secos.
Dor. Decepção. Depressão.
Das paisagens áridas surgiram belezas.
Os cactos e as pedras
sopraram resistências e bravuras.
Dos espinhos vieram flores. Das pedras, esculturas.
Endureci.
Me impregnei de barro e pedra.
Fui ser ceramista e escultora.
Na paisagem, vislumbro muitos e novos tempos
O inóspito, como e desde sempre, me torneará.
Me bordará com novos fios.
No mosaico da vida, esperneio e encaixo. Aprecio a paisagem.
Das pedras ao ferro.
E depois ao pó.

Sobre estilo

Um tema recorrente. Uma opinião coerente. Uma questão de estilo.

“Um estilo não se adquire; não se troca de estilo como se troca de camisa. O estilo individual de uma pessoa corresponde a seu modo de ser, de viver, de conviver e de produzir. Corresponde a seu modo de dar e de se dar. Nem que se quisesse, seria possível trocar de estilo. Estilo é estilo de vida. É a essência de uma pessoa, sua integração, sua própria coerência interior. Dentro de um estilo o indivíduo desenvolve sua personalidade, se estrutura e estrutura sua obra. Dentro de seu estilo, pois, o indivíduo cria. Transformando-se quantas vezes for necessário, poderá renovar as formas e renovar a si próprio, sem jamais se violentar.”(OSTROWER, Fayga, Criatividade e Processo de Criação, pg 141)

Em branco

Todo dia é como se fosse uma “Tábua Rasa”. O que o dia nos reserva é surpresa. Uma página em branco. A semana, o mês, o ano. A vida em si vivida diariamente. E cada dia, um Novo a ser preenchido. Pode ser um vazio ou um cheio transbordante. Inéditos e surpreendentes. Ao abrir a janela, a porta, a geladeira, o balcão da despensa, a gaveta da cozinha, um livro, o jornal. Ao ligar a televisão, o micro ou o rádio. Ao entrar no carro, no ônibus, no metrô. Algo novo a ser desbravado e reconhecido sempre nos espera. Surpresas. O bem e o mal. O bonito e o feio. A vida e a morte. O tempo todo e em tempo algum, tudo se transforma, tudo se renova. Até o nada de ontem é um novo nada hoje, um novo nada amanhã. O vazio igualmente. Sempre evoluindo ou involuindo, sempre mudando. Toda vez que abro meu micro, a página em branco do WORD me ofusca. As primeiras letras podem criar vida ou sumir com o toque das teclas, pra voltar a serem escritas. Tantas vezes quantas forem necessárias. O dilema: sobre o que e como vou escrever. `As vezes, o desafio é manso. Noutras, um touro bravo. Sobre o viver, igualmente. Tem dias amenos, sensatos, alegres. Fáceis. Tem dias turbulentos, agitados, cabeludos. Difíceis. E nós, sempre os mesmos, em ebulição constante. Num eterno vir a ser. Cadê as palavras? Cadê as ideias? Bulindo por aí, esperando ser resgatadas.

Sapinho Sapeca

Debruçada sobre o computador fico pensando em tudo que quero e preciso escrever. São tantas ideias interessantes que me agito e me inquieto e fico sem saber por onde começar. Criei várias categorias de temas no meu blog – blogs,  neste momento de migração – que meu trabalho, no mínimo, duplicou. Os textos pipocam na minha cabeça mas quando olho para a tela do computador e estico os dedos para aquecê-los a serem ágeis na digitação, surge aquele sapinho verde fosforescente, de olhos simpáticos e esbugalhados me convidando para novos temas e assuntos. Hipnotizada pelos olhos salientes e seduzida pela carinha sapeca e brincalhona do sapinho verde, o sigo sem pestanejar. Fico zanzando pelo Facebook, abrindo e respondendo e-mails e olhando mensagens lindas, navego em sites de compras e encomendo mais livros em promoção, pesquiso no YouTube  músicas, trailers de filmes e vídeos que quero compartilhar com meus amigos, retorno e tento novamente usar ferramentas para adicionar links, fotos e vídeos  nas minhas postagens, retomo textos inacabados e inicio novos textos estimulada com novas ideias, sempre com o olhar  plugado do meu sapinho verde, agora já empoleirado nos meus ombros e olhando de frente, lado a lado com meu olhar, a grande dispersão e diversão que ele provoca na minha vida expressa na tela do computador. Não consigo entender porque um sapinho! Sapos são asquerosos e gosmentos e morro de medo deles. Mas este sapinho tem sido minha companhia diária. Talvez ele seja um príncipe disfarçado ou um amiguinho imaginário. Talvez a exteriorização da minha criatividade e imaginação. Certeza é sua presença divertida e leviana em cada hora do meu dia. Até quando saio de casa para outros compromissos sinto ele presente. Na bolsa, no ombro, no banco ao lado, flegado nos vidros bisbilhotando o mundo desfilar do lado de fora do carro. Ele fica vidrado nos chafarizes, nos minhocões, nas vitrines de roupas elegantes. Sapequinha este sapinho curioso. Quando volto para casa, sinto ele saltitar a minha frente, feliz com as novidades. Ao retomar minha escrita, ele me olha de frente com aquele olhar esbugalhado e sedutor, pega meu rosto com aquelas patinhas alienígenas e me perco novamente. Mas tenho um palpite: sapinho sapeca, a exteriorização da falta de foco? Ou apenas uma companhia alegre, divertida e criativa. Talvez, meus olhos ao todo à minha volta.  Apesar de adorar sua presença, o danadinho está causando um caos na minha agenda. Tudo atrasado. Até meu tema de casa. O culpado? O sapinho sapeca.

Why I'm Going to Work for Zooomr