Vestindo a casa de Natal

 

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Tem gente que não gosta. Já eu, adoro Natal e Reveillon. Tenho de reconhecer que `a medida que os anos passam, a vida vai puxando o tapete e as pessoas que amamos, e cada vez mais, juntar quem a gente ama pra fechar o ano, brindar, trocar presentes e confraternizar, vai ficando mais difícil. Aquele familiar que faleceu, o que não pode vir, os filhos que fazem uma programação própria, … o ano que passou e levou com ele sonhos e ilusões, a percepção das perdas e fracassos, dos projetos parados ou adiados. Tanta coisa a lamentar. Independente a isso, todos temos algo pra comemorar. A começar pelo simples fato de estarmos vivo em tempos tão violentos, termos o básico necessário para viver, ter a quem amar e ser amado, ter amigos, uma casa pra morar, roupas pra vestir.

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Enfim, alguns mais, outros menos, mas todos temos algo porque se alegrar e fazer valer este período de festas. O espírito natalino pede espaço pra invadir nossos corações e nossas casas. Cabe a nós permitir esta invasao.

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Costumo vestir a casa, de cima a baixo, para o Natal. São mais de 35 anos inovando, aprimorando, reformando e adaptando utensílios e decorações. Cada ano que termina traz consigo uma nova ordem, um outro olhar sobre o velho, o antigo, o desgastado.

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Gosto de reservar alguns dias para decorar a casa. É quando limpo, colo e pinto o que se estragou neste período encaixotado. É quando a cola quente, os sprays dourados, os glitters e as pinhas, renovam velhos arranjos natalinos. É quando a casa vem abaixo e os papais noeis procuram um novo lugar para ficar.

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Tem objetos esperando pelos netos (que ainda são meras promessas). Tem objetos comprados no impulso que nunca encontram onde ficar. Ou voltam para as caixas ou são doados. Tem objetos consagrados que apenas mudam de lugar, quando muito. Tem lugar garantido há anos pois trazem o sagrado do Natal.

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Outros objetos trazem recordações de outros tempos e lugares. No todo, reaproveito quase tudo. E antes de comprar qualquer coisa nova, avalio a real necessidade da aquisição.

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O coringa da decoração de Natal são as pinhas. Elas combinam com absolutamente tudo e são a cara do Natal.

LAREIRA NATAL

Gosto delas ao natural. Nada de sprays dourados. As minhas são da época em que morava em Lajeado. Catei elas nas caminhadas que fazia na beira do Rio Taquari – onde havia um pinheiro muito produtivo. Passado o Natal, elas voltam para a caixa de papelão, onde ficam guardadas o ano todo, esperando fazer bonito em novos arranjos, árvores, fruteiras e tantos outros detalhes natalinos.

Festa decorada

Toalhas, “sousplats”, talheres, copos, guardanapos, velas, flores, castiçais, cristais, vasos, transparências. Arranjos pequenos médios grandes altos e baixos. Cadeiras escuras claras ou douradas. Mesas longas redondas ou quadradas.  Padronagens texturas cores tipos e preços. Extremos exorbitantes ou a modesta simplicidade. Engana-se quem pensa que “menos é mais” é menos. Definitivamente, casar custa caro. Pagando o preço, qualquer sonho vira realidade e a noiva pode ter seu dia de Cinderela. Basta listar, pesquisar, providenciar, pagar e o sonho se realiza. Um conversível último tipo e um requintado salão de festas decorado com esmero e bom gosto colocam a carruagem da Cinderela e o palácio do Príncipe Encantado no sapato. Fácil, fácil. Materiais vistos, várias sugestões e ideias. Algumas pé no chão, outras siderais. Lá pelas tantas, sentei-me num dos sofás – do espaço “lounge” a ser alugado – folheei revistas e aterrissei:  “De quantos precisa?” Muitos. “Quanto custa?” Um absurdo. “E este?” HaHã. Duas horas voaram e não decidimos nada. Tudo ficou suspenso e são infinitas as possibilidades. Lembrei de fazer um “Making Off” da manhã. Ideias.

Ainda manobrando o carro, no estacionamento da loja, vem a pergunta à queima-roupa: “Por que você não opinou? Devia ter falado mais.” “Eu? Mas eu montei duas mesas completas e já tinha gente demais, falando demais, e opinando demais.”(Mãe está sempre errada ou devendo algo. Ou monopoliza a conversa ou se omite, dá opiniões esdrúxulas ou maravilhosas, não precisava ter ido junto ou onde estava que não estava junto, gafe imperdoável ou comentário inteligente. Mãe é culpada ou responsável por quase tudo. Coisas de Freud!!!!) Fui convidada a falar? Soltei o verbo. Pra que fazer uma guirlanda de 450 reais se uma de 80 é quase a mesma coisa? Mandar fazer duas toalhas de brocado exclusivas ou alugar duas mesas. O que vale mais a pena? Alugar taças de espumante verdes apenas pra realçar a mesa? Depois de várias interrogações, a certeza de que é hora de colocar tudo na ponta do lápis e ver o que é prioridade. Porque além da decoração – da igreja e do salão – tem a comida, bebida, docinhos, bolo, garçons, fotógrafo, DJ, iluminação, convites, roupa, cabeleireiro, documentos e um tanto de outras providências. Tudo passa a ser  prioridade. Sei que dinheiro não é tudo, mas limite tem que existir. Bom senso também. Uma festa de casamento pode custar um carro ou um apartamento!! E não estou exagerando. É neste momento que a criatividade e o bom gosto são fundamentais, porque nem sempre o melhor é o mais caro. O simples é muitas vezes o mais sofisticado e chique. Frase da Glória Kalil? Se não for, é minha. Posso não ter falado e comentado muito, mas estou atenta a tudo. E mesmo estando – quase sempre – errada, tenho lá minhas ideias e opiniões. Que habitualmente são bem-vindas. Senão, porque preciso abrir mão dos meus programas e participar de reuniões, degustações e audições, a qualquer hora do dia ou da noite?

PS: Fernanda não gostou e não concorda com minha crônica, pois deu a impressão de que ela não gosta das minhas sugestões. O que, segundo ela, não é verdade. Minhas ideias e sugestões são sempre bem-vindas. Ainda bem. Errada??????