Saturnada

Quando alguém tira a gente do sério, fica coisado mesmo.

Gente sem noção, sem vontade. Gente egoísta focada no próprio umbigo.

Surtei. Chorei. Choro até agora.

Quero distância desta incoerência.

Se não queria, era só falar.

E não enrolar, enrolar. Um velho mantra.

Deu. Não quero mais.

Petulância me irrita. O rei na barriga me empanzina.

Saturei. Pra Saturno eu vou.

Deveria ir e já estar lá.

A decepção, mais uma vez, tirou meu chão.

Saturno, me aguarde. Um dia eu vou.

Por enquanto,  às voltas com os Diálogos.

Do Inconsciente.

viagem

de Araranguá à Floripa a chuva foi companheira.

Seguiu lado a lado conosco. nem à frente, nem atrás. do lado.

sorte a dela não ter dado de frente

com o enorme engarrafamento de sempre em Palhoça.

foi lá que ela se aligeirou e chegou antes de nós.

a bolsa de pano da Giovana Baby chegou encharcada.

as telas umedeceram. um pouco. quase nada. emudeci.

amendoins e cucas foram pro forno, presentes conferidos,

e eu, eu me recolhi. fui pra cama.

imaginei que os diálogos do inconsciente estavam destruídos.

sobrevivemos todos.

Registros

Muita coisa aconteceu nestes 6 meses out bysuzete.

Em tempos de selfies e fotos de celular, uma série de instantâneos retratam bem o que foi o agito destes meses: passeios, exposição, lançamento de antologias, aniversários, o atelier de uma grande artista, o felino Aipin, a retomada da cerâmica, do crochê e do tricot. Uma santa terapia. Sem contar a restauração de móveis e utensílios desgastados. O outono, o inverno, a primavera e o verão; as quatro estações distribuídas em 6 meses  mega produtivos e cansativos. E tem mais, muito mais.

Como eu poderia deixar de registrar tudo isso?

 

Diálogos do Inconsciente – como tudo começou

Difícil acreditar que não houve programação nem para a pintura das telas, nem para a exposição Diálogos do Inconsciente. Aquele tipo de coisa que simplesmente acontece porque tem de acontecer.

Havia feito releituras de pintores famosos de 1996 à 2000 com professores, pinceis, técnicas e escolas. Abandonei os cursos porque não conseguia dar aquelas pinceladas marcantes e fenomenais. Era boa nos fundos, nos preenchimentos, uma ou outra sombra, algum reflexo. Meu tempo era escasso. A dedicação também. Fechei a maleta de tintas, limpei os pinceis, emoldurei as últimas telas. Me recolhi. Não queria mais aquela obrigação de mostrar um trabalho que não me satisfazia. Voltei aos crochês e ao bordado arraiolo. Me dediquei à família e à carreira. Brinquei com paisagismo e, jardinagem. Fui ler e escrever. Viajei.

E um dia, passados 15 anos, renascia o desejo de trabalhar com as tintas. Encomendei uma tela. Grande até para meus padrões anteriores. Como dizia minha professora Anelise Dessoy, uma telinha era como um cocô de mosca na parede. Uma tela de 1,00 X 1,50 era outra coisa. Um espaço todinho meu. Pintei, lambuzei, repintei, colei, raspei, pintei de novo e de novo. Um trabalho de persistência e experimentação. O resultado agradou. “Mudança”, a tela da adega, reflete exatamente meu momento de vida.

Depois dela, vieram outras.

Durante quatro anos, uma ou duas vezes por ano, quando sentia aquela necessidade de pintar, encomendava telas, providenciava tintas, e, chegada a hora, forrava a garagem com lona plástica preta e organizava todo material. Abria uma garrafa de vinho e convidava Beethoven, Mozart, Schubert, Brahms e Strauss a dar ritmo e movimento. O incenso aceso me conduzia a um estado onírico de entrega total. As telas iam ficando prontas e eu as colocando nas paredes. Elas conversavam comigo e eu com elas.

Chegou o momento de apresentar o artigo científico para a conclusão da minha formação em Arteterapia. Depois de aventar sobre diversos temas, escrever sobre meu processo arteterapêutico, me pareceu o único tema possível. Nascia assim os Diálogos do Inconsciente. Meu artigo arte-científico ganhava contorno e forma com teoria, técnica e vivência pessoal. Nesse meio tempo, um amigo entendido em arte e nos trâmites para expor, descobriu minhas telas e agendou minha primeira exposição no Espaço Cultural BRDE, em Florianópolis, em 2018.

A partir daí a coisa ficou realmente séria. Expor minhas telas era me expor. Era expor meu inconsciente e meu processo terapêutico. Era arte. Era terapia também. Era Arteterapia pura.

Passado o susto, foquei na exposição: a finalização e acabamento das obras; a burocracia do espaço cultural; a contratação do coquetel e garçom; a curadoria e o projeto da exposição; o transporte e a montagem e o mais difícil de tudo: colocar preço nas obras. A terapia virou negócio.

Depois da primeira mostra, uma certeza: o inconsciente coletivo é bárbaro.

O meu, o teu e o nosso inconsciente se revelam entre cores e formas.

Os Diálogos do Inconsciente prometem uma conversa interessante.

Venha também.

Eu e Sinapses

Eu e a tela Sinapses (vendida em Florianópolis)

 

2018 – um resumo

Quem diria!

Mais um ano chegando ao fim e com ele tantas percepções, decepções e conquistas. Revendo fotos postadas no Facebook fiz uma espécie de inventário do que aconteceu em 2018. Iniciei o ano viajando. Só no dia 08 de janeiro aportei na terra que tanto amo: meu Brasil brasileiro. 35 dias viajando pela Oceania e a sensação, ao voltar, de ter iniciado o ano arrebentada. Aliás, se não fossem as fotos, diria que meu ano foi um cansaço só. Movido a café e chá.

As grandes metas para 2018 foram a exposição Diálogos do Inconsciente, meu retorno ao consultório e a assistência mais pontual à minha mãe quase octogenária. A exposição foi um marco que ainda retumba nos meus sonhos futuros. Voltar ao consultório apenas sacramentou uma antiga decisão. A vida pede que se olhe para frente. Ir e vir a Lajeado e Colinas no RS, nortearam meus meses, minhas decisões e possivelmente meu futuro. Li muito, mas o livro que mais marcou e serve de inspiração para o que eu mesma pretendo escrever em 2019 é o triller psicológico “A mulher na janela” de A.J. Finn. Recomendadíssimo. Conheci Inhotim, Ouro Preto, BH e fui pescar no Rio São Francisco. Uma viagem há muito querida. Conheci novos amigos. Revi gente há tempo sumida. Fui ao cinema, teatro, jantares, fins de semana e noitadas de cassino com velhos e eternos amigos. Me decepcionei com alguns outros tantos. Perdi mais uma cunhada. Faz parte. Fiz política pela primeira vez na vida. Costurei minha primeira cortina para meu atelier. Desenhei meu primeiro abajour usando a base de quariquara. Pintei telas que me surpreenderam. Finalizei várias peças de cerâmica, e acho que o que aprendi, foi estimulante. Terminei minha nona manta de crochê. São 22,5 Kg de lã crochetados ao longo de nove anos. Curti as plantas que nascem ao meu redor. Helicônias e Strelitzas tem sempre um lugar de destaque na minha casa. Assim como a família e os amigos. O ano foi de reflexões e decisões. Escolhas e desistências. 2018 foi um ano bom.

 

Que venha 2019!!!!

Making Off – Diálogos do Inconsciente

Contagem regressiva!

21731412_1707496069262087_1140253206231667512_oPra quem pensa que vida de artista é fácil!!!!

 

Haja trabalho e dedicação. Se além de criar, resolver estudar e entender teoricamente a criação, prepare-se e se surpreenda.

 

Por enquanto, apenas imagens e primeiras impressões.

http://www.bancadasulista.com/noticia/2845-mostra-dialogos-do-inconsciente-traz-expressionism/

https://ndonline.com.br/florianopolis/plural/artista-suzete-herrmann-abre-exposicao-dialogos-do-inconsciente-em-florianopolis

http://www.deolhonailha.com.br/florianopolis/noticias/mostra-gratuita-traz-expressionismo-abstrato-a-espaco-cultural.html