Fisgando Nemo

Só mesmo um louco esperançoso e “non sense” pra querer ganhar a vida e sobreviver com literatura. Livrarias, ao mesmo tempo em que me seduzem, me deprimem. Sinto-me pequena e insignificante em meio a tantos títulos, nomes e enredos. Formatos, gêneros e ideias. Sumo devagar por entre as prateleiras e as palavras. Desisto de olhar os mais vendidos, passo a mão sentindo as texturas das capas e saio sem levar nada. Nada não. Saio, levando sentimentos conflitantes e um questionamento inquietante: como este povo consegue editar, ser reconhecido e tornar-se um sucesso literário? Qualquer livro, me parece ser Nemo no cardume. Como ser fisgado? O primeiro livro cheira à teimosia, obstinação, ilusão de crente. Como disse um amigo, escritor como eu, “pensei que meu livro fosse a sensação nas praias de norte a sul neste verão.” A realidade, para quase 100% do cardume, passa longe deste verão.