Escolarize-se.

“Escola é uma coisa. Educação é outra. As duas nem sempre se sobrepõem. Estando ou não na escola, é sempre sua tarefa melhorar a sua educação.

Você tem de ser curioso com relação ao mundo em que vive. Confira. Investigue cada referência. Vá mais fundo do que qualquer outro – é assim que você irá em frente.

Dê um Google em tudo. Mesmo. Dê um Google nos seus sonhos, nos seus problemas. Não faça uma pergunta antes de você dar um Google nela. Você vai encontrar a resposta ou vai acabar esbarrando numa pergunta melhor.

Leia sempre. Vá à biblioteca. Há magia em estar rodeado de livros. Perca-se pelas estantes. Leia bibliografias. O negócio não é o livro com o qual você começa, mas o livro ao qual aquele livro te levará.

Colecione livros., mesmo que não planeje lê-los no momento. O cineasta John Waters falou: “Nada é mais importante que uma biblioteca não lida.”

Não se preocupe em fazer pesquisa. Apenas busque.” (KLEON, Austin – “Roube como um artista” p.27/28)

Psicodinâmica Escolar

A escola tem papel importantíssimo no aprendizado e desenvolvimento global da criança e do adolescente. Quando a criança ou o adolescente chegam à escola, além dos aspectos constitucionais e vivências familiares, outro fator importante para seu processo da aprendizagem e desenvolvimento pessoal é o ambiente escolar em que ela se encontra.

Portanto o tripé do processo de aprendizagem é formado por 3 elementos:

  1. Aspectos Constitucionais individuais;
  2. Vínculos Familiares;
  3. Ambiente escolar.

As escolas são instituições com “culturas próprias” e significados diferentes para diferentes alunos. A escola e a sala de aula são um “lugar imaginário” muito além do espaço real de cadeiras, classes e salas. Ela é aquilo que o aluno percebe a partir de sua história, seus desejos e medos. Na escola acontece um interjogo de forças inconscientes que se cruzam, se opõe, entram em conflito e se reforçam através de situações manifestas (claras e evidentes), ou de forma oculta, latente e inconsciente – e nem por isso – menos significativas. Cria-se uma dinâmica (comportamento grupal) próprio daquela escola. É a Identidade Escolar” (= Identidade Familiar).

Algumas escolas tem seu processo educacional mais dirigido, com limites mais estreitos. Ao contrário de outras, mais liberais e abertas. É o que chamamos de filosofia escolar.

As escolas tem um “currículo manifesto” e “currículo oculto”, ou seja, aquilo que é manifestamente dito e/ou escrito, e a verdadeira prática do cotidiano escolar e da sala de aula.

A escola é constituída por pessoas – professores, diretores, orientadores, funcionários, pais alunos – que lidam de maneiras diferentes com os mesmos fatos. Alguns lidam bem ou mal, conforme as circunstâncias.

Qualquer manual de educação moderna aponta para a necessidade de respeitar as características individuais dos alunos, entretanto na prática, vê-se um ensino massificado em grandes escolas, com turmas grandes, mais ao estilo de uma linha de montagem. Como exemplo, observa-se a dificuldade que professores e escolas tem de reprovar um aluno quando este não conseguiu dominar quantidade X de conhecimento em tempo Y, e acabam projetando na família ou no próprio aluno, sua dificuldade em aceitar a reprovação do aluno, sentindo sua incapacidade de ensinar como uma ferida narcisista.

É importante que tanto pais quanto professores saibam, que dentro de uma visão psicodinâmica, os professores serão recipientes de impulsos, ansiedades, fantasias, emoções, paixões, pensamentos – mais ou menos conscientes – que crianças e adolescentes tem em relação aos próprios pais. Amor e agressividade, originalmente, dirigidos aos pais são transferidos (ou projetados) para os professores. E não são apenas os sentimentos agressivos que serão transferidos, os amorosos também. Muitas dificuldades escolares se organizam em torno destas projeções.

É interessante lembrar também, que trabalhar com crianças e adolescentes, desperta aspectos infantis e adolescentes nos próprios adultos. Professores podem desenvolver sentimentos por determinada criança ou adolescente, que lhe evoque situações de vida (memórias, fantasias, sentimentos infantis ou adolescentes) vividas em etapas do seu próprio desenvolvimento.

A escola serve como simulador de vida, onde existem regras a ser seguidas, mas que podem ser transgredidas sem sofrer as consequências impostas pela sociedade, e ser esta a oportunidade de aprender com a transgressão.

Além do aprendizado, a escola tem função de socialização. Em busca de sua identidade, o jovem encontra na escola um sistema de forças que atuam sobre ele – reedita seu ciúme fraterno, compete, divide, rivaliza, oprime e é oprimido – ou seja, ele reproduz dentro da escola o sistema social e familiar onde vive.

Muitas vezes a família e a escola dissociam suas funções. É frequente pais criticarem a escola, projetando nela todos os aspectos negativos do ensino-aprendizagem, como também a conduta dos filhos. A escola também dissocia, projetando nos pais todas suas incompetências (falta de limites, participação, etc).

É fundamental que família e escola se aliem e se tornem parceiras no desenvolvimento global de seus membros.

Escola, família e sociedade atuam em conjunto no processo educacional. A visão espacial é considerar a escola como o meio do caminho entre a família e a sociedade, quase um espaço de transicionalidade (Winnicott); não é mais o conhecido e protegido “espaço familiar” nem tampouco o temido e desejado “mundo adulto”.

A escola é o lugar onde a criança e o adolescente exercitam seus passos em direção à independência, à individuação e à separação do seu grupo original. Evidentemente, também a escola sofre importantes pressões, manifestas ou latentes, tanto da família como da sociedade, pois ambas esperam que a escola cumpra sua função educativa.

Acreditando na Educação

Sigmund Freud (1937) já dizia que educar, ao lado de governar e psicanalisar, era uma profissão impossível. Mesmo assim, ainda hoje, de um jeito ou de outro, acreditamos que podemos educar, governar e psicanalisar.

Vista através de um caleidoscópio, a arte de educar exige que nos posicionemos em pontos distintos para ver sob diferentes prismas o espaço que ocupamos e habitamos: um mundo mutante, onde a violência, os limites, a liquidez dos relacionamentos e sociedade são pontuais e cruciais; onde a estrutura familiar, a infância e a juventude cambaleiam em busca de rumo; onde os valores, princípios e crenças vivem uma crise sem precedentes, bombardeados diuturnamente por informações, conceitos e bizarrices. Nestes tempos líquidos precisamos de um porto onde ancorar nosso mal-estar e nossas inquietações.

Criar um espaço de escuta e troca dentro da escola, pode parecer pouco e fadado ao fracasso. Mas, é dentro da escola que percebemos os três lados do caleidoscópio formarem as mais diversas, estranhas e interessantes imagens. Quando professores, pais e alunos convergem em busca de soluções e respostas, o resultado aparece: relações mais harmoniosas, resultados promissores, conhecimento, diálogo, respeito, satisfação e bem-estar.

Vamos acreditar juntos?

A família como estimuladora da aprendizagem

http://www.flickr.com/photos/johncarleton/33052669/

A família é parte de um contexto amplo, moldada pela sociedade e pelo legado familiar. Ela cumpre com duas funções básicas:

– Garantir a sobrevivência (proteção psicossocial, afeto, carinho, comida, casa, vestimenta, etc.);

– Transmitir o legado familiar (crenças, costumes, tradições, etc.) Famílias de médicos, traficantes, professores, etc.

Como em qualquer organização social, também na família existem regras, políticas e padrões de funcionamento. Nem sempre claras e verbalizadas. O silêncio diz muito. Nossos comportamentos, pensamentos e atitudes transmitem crenças e valores: valor do ensino, transmissão da violência, mentiras, racismo, etc. É a chamada linguagem familiar, que se inicia tão logo ingressamos na família. O que acontece por nascimento, adoção ou casamento. A interação inicial com o mundo é feita através da mãe, depois pela família. A forma de agir, pensar e viver são introjetados como certos, copiados e repetidos. A criança se adapta ao funcionamento familiar assim como a família se adapta à sociedade na qual está inserida, flexibilizando-se para acomodar mudanças sociais (telefone celular, internet, questionamento de autoridade, etc.) e mudanças inerentes ao ciclo vital familiar e pessoal. Quando a criança sai do meio familiar e ganha o mundo, inicialmente através da escola, noções de limites, regras, respeito e moral já estão introjetadas. Se em casa ela não aprendeu estas noções , esta dificuldade repetir-se-á fora de casa. Quanto mais claras e explícitas forem as regras, mais fácil a educação e as relações intra e inter familiares.

Cada família é única. Pais e filhos não são iguais em termos de autoridade e responsabilidade. Quando o papel dos pais não está bem definido, é provável que busquem na força física ou psicológica uma forma de controle e dominação, para deixar bem claro quem manda em casa, demonstrando assim, insegurança para exercer a paternidade, disputando com os filhos o controle e poder familiar. Continuar lendo “A família como estimuladora da aprendizagem”