Recomeço

Depois do último post do blog, datado em 30/04/2019, um imenso vazio atribulou meus dias. Por mais motivos que tivesse para interromper ou finalizar o bysuzete.com, a grande verdade era que ter o espaço do blog para escrever e divulgar, era importante demais para mim. Uma mistura de diário e escrevinhações … meu mundo corriqueiro e rotineiro, registrado semanalmente. Um lembrete sempre à mão da vida vivida diariamente. Tipo Susan Sontag.

Quando decidi dar um tempo no blog, a decisão me pareceu perfeita. Precisava de um tempo para um projeto de maior fôlego. Até o momento, escrevi 292 palavras de um romance ainda sem nome. Escrevi alguns textos, poesias, li bastante, reli um romance   inacabado … Fiz muito, eu sei. Poderia ter feito mais. Muito mais. O blog fez falta. Porque fazer anotações em cadernos e arquivos de computador não é a mesma coisa. Precisava ver e sentir meus textos e fotos. Um diário com a cara de século 21.

Por isso, estou retomando o bysuzete.com.

No exato momento em que renovei meu contrato com o wordpress – 15 minutos atrás – a sensação de renascer para a escrita me envolveu inteiramente. Sim, estou meio enferrujada. As palavras e as ideias andam dispersas. Mas, o projeto de escrever no mínimo cem palavras por dia, está valendo.

Bora recomeçar.

Minha relação com a escrita e a leitura 2

Sempre soube que quanto mais leio, melhor escrevo.

E ler, sempre foi uma paixão. A escrita, um momento de reflexão.

Quando comecei a me dedicar à literatura comprava livros recomendados por amigos e pela lista dos mais vendidos das revistas Veja e Claudia. Depois vieram os livros recomendados pelos professores e colegas entendidos das Oficinas Literárias. Tenho meus “abacaxis” numa prateleira que chamo de “Livros para os quais não estou pronta”. Qualquer indicação, por melhor que seja, é totalmente subjetiva. A possibilidade de unanimidade não existe. Sem contar o gosto pessoal, o estilo, o momento de vida, a evolução da própria maturidade literária. Tenho colegas que dizem não ler Paulo Coelho. Tenho todos os livros dele e adoro. Também leio livros de autores consagrados. Ernest Hemingway é um dos meus favoritos. Mia Couto, também. Tem os russos, que aprendi a amar. Rosamunde Pilcher, Saramago, Irvin Yaloon, e outros tantos. Isabel Allende, Anais Ninn. Tem os novos nomes, elogiados por alguns, desprezados por outros. Tem os que gosto mais, os que leio dormindo, os que apenas leio. Cada um tem seu momento e seu tempo no meu tempo que também tem seus momentos.

Com algumas exceções, tenho lido livro bom e barato. Autores desconhecidos, baixas tiragens, livros de amigos, livros que não figuram nas listas dos mais vendidos e novidades. Compro o passado literário. Colho outros “abacaxis” que vão para aquela mesma prateleira. Aquela … Um dia estarei pronta para eles.

Interessa o prazer de ler, aprender palavras novas, fixar a nova ortografia. Descobrir novos jeitos e estilos. Circular pelas possibilidades que todo livro oferece. O máximo que pode acontecer é “aquela” prateleira virar duas prateleiras, e alguém ficar muito feliz, num futuro ainda bem distante. Sou generosa com livros e autores. Dou-lhes inúmeras chances de mostrar a que vieram.

Uma coisa interessante na literatura é que você vai descobrindo um universo literário rico e diversificado. Quase todo livro indica ou cita outro livro, filme ou artigo. E assim, como num rosário de contas, você vai mergulhando e viajando nas ideias e mundos de pessoas interessantes e inteligentes. Tempo e espaço se expandem e sua visão de mundo se agiganta.

A escrita vem no paralelo. Além do livro publicado “Os segredos de Serena” e vários outros projetos literários, a criação do blog bysuzete.com há oito anos, me obriga a escrever sempre. E escrevo de tudo um pouco: poesia, contos, crônicas, receitas, ensaios, textos técnicos. Tem texto bom. Texto nem tão bom. De tempos em tempos dou uma revisada e melhoro a forma de alguns escritos que me parecem de harmonia duvidosa. Normalmente corto pronomes, advérbios, artigos e adjetivos. Mas tem texto que precisa de uma repaginação total.

Ao me inscrever no curso online de Escrita Criativa o desejo é de aprimorar e consolidar técnicas aprendidas em oficinas literárias realizadas anos atrás. Aprender a escrever sem depender de inspiração, me parece ser uma forma de dominar o ofício da escrita.

O que nos move

Tem texto que começo pelo título, depois desenvolvo a ideia. Engraçado que ela – a ideia – é o título, que por si só, dispensaria o texto. Ou seja, um texto com título, sem texto. No mínimo, estranho. Em tempos orgânicos, dinâmicos e objetivos, estranhezas assim acontecem. Tem outros textos paridos pela ideia. Escrevo, escrevo, desenvolvo, desenvolvo, concluo. Às vezes, apenas escrevo e … a ideia – de tão boa, grande ou inacabada – não cabe no título.  Este, vira uma fútil peça decorativa. Dispensável e insignificante. O título – “O que nos move” – era para outro texto. Aconteceu que, depois do título escrito, outra ideia nasceu de improviso e total independência. Este desencontro – entre o título e texto – gera um todo desconexo, insano, psicopata. Vou tentar de novo. Começando pelo título. A ideia é boa, o título também. O que nos move ….