A última morada

Ela sempre gostou de flores.

Na morte,

o jardim a acompanhou.

No catre da grande passagem

guirlandas de flores fizeram-se de cabeceira.

Uma despedida coroada de

crisântemos, cravos, rosas, flores do campo,

antúrios, margaridas, astromélias, lírios …

Embalada na suavidade do tule.

Embalsamada em crisântemos brancos e lilases.

A expressão serena e altiva

adornaram seu berço de morte.

A dor, enfim, banida.

A agonia, enxotada.

Na necrópole, para onde a conduzimos a seis braços,

“sete palmos de fundura”,

ramalhetes foram despedaçados,

jogados e sepultados.

O sol como testemunha

As lágrimas do derradeiro e último instante.

Amiga,

segura na mão de Deus,

e vai.

 

 

 

Flores

Gosto de todas.

Mas minha companheira

de muitas eras,

que embeleza minha casa e minh’alma,

é uma guerreira

que seca,

fica mais linda e atrevida:

“Estatices”

brancas, roxas, rosas, brancas, amarelas.

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Quando ela chega

embrulhada em jornal velho,

é aquela festa.

Ela vem da roça,

não é madame cheia de melindres.

Quer ser banhada e

mergulhada em água.

Depois de um pouco,

almeja outro elemento:

ela quer a secura e a crueza

do ambiente e da vida.

Então ela resplandece,

viceja e floresce.

Endurece na cor

e se cristaliza como flor.

Queria ser como ela.

Primavera-flores-beleza-vida

É assim, quando os dias

Comungam chuva e sol,

Pólen e gorjeios

Casamento de viúva

Nascimento e vida.

Flora e fauna

Adormecidos e hibernos

Desabrocham.

Florescem e chilreiam.

Avivam.

Primavera é prima flores

Prima beleza, cheiros e odores.

O sol aquece, o verde aparece

Os pássaros se agitam.

Cantam. Namoram. Acasalam.

Prima fecunda a natureza.

Inunda de cores e sabores.

O cinza azula. O branco amarela.

O seco renasce.

O gelado aquece

E amanhece

Radiante ensolarado.

O dia promete

Brisa suave e perfumada.

A pele alvejada de frio

Desnuda e colore

Morre o que passou

Nasce o que chegou.

Pura Prima

Vera, flores, beleza.