Na finaleira

Enfim, depois de quase 3 meses, chegou a hora dos albinhos, fotos soltas, postais e lembranças de viagem … lembranças dos tempos em que as fotos eram analógicas: revela filme + revela foto = poucas fotos boas; muitas fora de foco, fotos preto e branco amareladas, fotos da velha e amadora Instamatic. Sim, eu tive uma!!!!! São fotos e mais fotos. A ideia é olhar todas, organizar e selecionar. Sucatear aquelas que pouco mostram (chãos, verdes, vultos). E depois preencher e completar os albinhos.

Programar a próxima etapa é tarefa para março.

Fotos que contam filmes

Janeiro acabou de terminar, fevereiro mergulha com Iemanjá em pleno dia dois, eu ainda estou às voltas com a faxina de final de ano (o que passou), a lista de metas e providências para 2018 continua se debatendo perdida entre desejos e necessidades, meu tarô embaralhado e posto, com o Diabo apontando como a carta Essência do ano, aguardando interpretação, a agenda com apenas os dados de identificação assinalados … O ano mal começou e já me sinto atropelada. Cantando pneus e levantando a poeira, me convenci de que é verão, o calor baixa minha pressão arterial (e minha energia), 2017 me exauriu com muitas viagens, compromissos, preocupações, decisões e sustos. 2018 que sossegue um pouco. Tudo tem seu tempo e seu jeito. Também eu. Decidi fazer de fevereiro o mês de descanso, férias e organização. Por algum motivo – entre o consciente e o inconsciente – pedi que Carla colocasse todos os álbuns de fotos de toda a vida sobre a enorme mesa da churrasqueira.

img-1193.jpgFui pegando um a um, e aos poucos, observei o amarelado das páginas, o mofo esbranquiçado em capas e contracapas de álbuns de scrap, fotos arrancadas e misturadas, caixas com postais, pequenos e antigos mini-álbuns gratuitos de papelão, uma infinidade de fotos fora de foco, imprecisas e descoloridas, com uma nitidez sofrível de momentos, lugares e pessoas, algumas ainda presentes, outras distantes e agora desconhecidas, perdidas pela vida ou sugadas pela morte.

IMG-1198Rever fotos é rever a própria vida. O tempo que as consome, também nos consome. A vida que se vê nas fotos se desenrola como num filme. A dimensão do tempo que passou redimensiona a própria vida vivida e sentida. De repente, percebo que nunca fui tão gorda como sempre me lembro de ter sido, que meus filhos sempre foram lindos e queridos demais (apesar das incomodações e preocupações), alguns lugares nem eram tão bonitos, algumas pessoas tiveram vidas incompatíveis com aqueles olhares, poses e histórias que sabíamos até então. Muitos morreram, outros tantos sumiram do mapa. Eram amigos de outros tempos. Assim como muitos sonhos e projetos que se perderam pelos mais diversos motivos. A família cresceu. O jeito de viver mudou. Todos mudamos e nos transformamos. A vida apenas seguiu seu rumo e se perdeu em algumas encruzilhadas. Hoje, consigo ver por onde andei, onde me perdi, a que ponto cheguei. Também sei que nem tudo que acontece – ou deixa de acontecer – depende do meu querer ou fazer. Tem coisas que simplesmente acontecem. Simples assim.

img-1196.jpgAos poucos, separo álbuns que precisam de consertos, algum tipo de limpeza ou acréscimo de fotos e informações.

img-1197.jpgMe encanto com antigos álbuns de scrap produzidos com capricho e amor. Preciso voltar a fazê-los e contar a vida através de fotos. Daqui a 10, 15, 20 anos, sei que vou adorar ver pra onde e como a vida me levou.

IMG-1195Por isso, mãos à obra.

Polaroid

É assim que eu sempre conheci estas máquinas fotográficas em que a gente tira a foto, sai um papel em branco e – thanthanthan – em poucos minutos, a foto está nas suas mãos. Tenho a impressão de que eu sempre quis ter uma máquina destas, e sinceramente, não consigo imaginar porque nunca tive uma. Então, quando minha filha me mandou uma de presente, fiquei felicíssima. Minha primeira Polaroid – hoje ela tem um nome mais pomposo –  se chama Fugifilm Instax Mini 8. Tenho que reconhecer que preciso me controlar pra não acabar com meu estoque de fotos. Pra quem faz scrap e smash a máquina é uma perdição. Viu a situação, fotografa, e em 5 minutinhos, a foto – em qualquer lugar que vc esteja – está na sua mão, impressa em papel fotográfico. Amei. Adorei. Além do transado e elegante tamanho mini – 5X7 mais bordas – as fotos certamente ficarão o maior charme em páginas de smash e scrap. Sem contar que é um presente instantâneo sempre muito bem vindo. Estas são as minhas primeiras fotinhas. Fofíííssimas! Este equipamento É ou não é uma perdição?

Primeiras fotinhas
Primeiras fotinhas

Anos 80 – Scrap Extravagance

10x10 ficou assim.
10×10 ficou assim.

Vou participar do Scrap Extravagance 2013 em Campinas/SP, amanhã, do dia 15 ao dia 18 de maio. O tema do evento será os anos 80. Quando me inscrevi imaginava que só precisaria arrumar malas e ir, curtir quatro dias de scrap, conhecer pessoas bacanas, novos equipamentos e ferramentas, aprender novas técnicas, fazer projetos belíssimos, participar de muitas brincadeiras. Desestressar. Na época em que me inscrevi – no meu pós-retoque – era tudo o que eu queria e precisava. Fui uma das primeiras a me inscrever e uma das que mais brindes recebeu neste período. Mês a mês eu recebia minha sacolinha com meus mimos de scraps (revistas, papeis, álbuns, etcetcetc).

Mimos à espera de atividade.
Mimos à espera de atividade.

Depois fui convidada a seguir o blog das Extravagantes onde os materiais (que a gente ganhava de brinde) eram trabalhados pelos designers de scrap do evento. Até aí, somente sugestões. Fazer scrap, assim como escrever, ler, fazer academia e dieta – pra mim – é questão de estado de espírito, então, nem todo dia, é dia. Precisa de inspiração. Postei algo sobre o Scrap Extravagance no meu blog, algumas scrapeiras comentaram, então um belo dia, recebo o recado online de uma delas: você viu que temos tema de casa? Coisa de um mês atrás. Fui ver no blog das alunas e no Facebook. E lá estava. A primeira lição. Anne Sereguetti pedia fotos 5X5, 4X4 e 10X10. Algumas em painel. Outras não. Em minutos entrou outra lição. O designer Betto Cesare pedia fotos 10X10 e 7,5X10. Aí foi a vez de Gil Jussara pedir fotos sobre moda. De novo, tamanhos esdrúxulos como 6,5X18, 12,5X15,5 e outros. Ao todo, dez projetos. Em apenas dois, fotos tamanho padrão, tipo 10×15 ou 13X18. Entrei em pânico.

Curtindo a vida adoidado. O que me deixou feliz nos últimos meses.
Curtindo a vida adoidado. O que me deixou feliz nos últimos meses.

Repeat 4x4. Acho que serão sombras!!!!!
Repeat 4×4. Acho que serão sombras!!!!!

Como eu faria isso? Impulsivamente me inscrevi num curso de photoshop – e já aproveitei pra fazer um curso de fotografia, que saiu na promoção – e comecei a selecionar fotos dos anos 80. Descobri então, que quase não tenho fotos dos anos 80. Quando muito, fotos dos meus filhos bebês, na praia, uma ou outra, naquelas amadoríssimas máquinas Instamátics da Kodac. Naquela época, as fotos eram batidas/tiradas com filmes de 12, 24 e 36 poses, precisava revelar filme e foto, sem garantia alguma da qualidade da foto. Às vezes, entre a foto e a revelação passavam-se meses, e o pacote fotográfico era uma grande surpresa. Havia economia e planejamento na hora de tirá-las/batê-las.  Com as fotos digitais, não gostou, deleta. A gente tira 3000 fotos e imprime 100. Quando imprime.Por isso, agora, ao procurar as fotos de trinta anos atrás, além de poucas, muitas estão esbranquiçadas, amareladas e com pouca nitidez. Uma lástima.

Casei nova, então meu ídolo adolescente me acompanhou na década de 80.
Casei nova, então meu ídolo adolescente me acompanhou na década de 80.

Lembrei então, que nos anos 80 eu casei, pari dois filhos, fiz uma faculdade, lavei e passei muita roupa, ralei barriga no fogão, fiz muita faxina, datilografei muitos trabalhos na minha Olivetti Lettera 32, estudei muito, estagiei, andava de ônibus, carregava filho pra creche, vivi meus anos de vacas magras e grandes saltos, e praticamente não tenho fotos que registrem este período maravilhoso da minha vida.

Photoshop também engorda!!!! rsrsrsr
Photoshop também engorda!!!! rsrsrsr Preciso de mais aulas ou mais dedicação.

Por isso, resolvi improvisar. Usei recursos do photoshop e do meu MAC pra envelhecer fotos e reviver aquela época mágica.

A foto é atual. O efeito, antigo.
A foto é atual. O efeito, antigo.

Também abusei do preto e branco.

É assim que assisto TV: Com as mãos ocupadas.
É assim que assisto TV: Com as mãos ocupadas. Hiperativa? Impaciente?

Tema de casa deixa a gente meio que estressada, então fiz essa seleção ouvindo Shakira.

Rir pra não chorar às xs é a solução.
Rir pra não chorar às xs é a solução.

Bem, agora é preparar a mala – bem grande – e aproveitar ao máximo. Depois eu conto como foi.