Freud explica

Sei das minhas defesas,

das portas e janelas que se fecham,

das muralhas que se erguem e dos escudos que baixam.

Observo meus flancos e minha retaguarda.

Com o canto do olho e do coração. Abertos.

Atenta, sobrevivo,

às emoções e tentações.

Os germes da vida

– esses invasores indelicados e atrevidos –

esses sentimentos e medos mascarados,

essas intuições nuas,

charadas inconscientes pra lá de consistentes, alertam.

Soam sinos e gongos, sirenes e apitos,

acionam botões, válvulas e manivelas.

O que vem de frente, amorteço no peito,

fecho os olhos, aquieto o coração.

Ou abraço o capeta,

ou enforco o anjo.

Freud explica.