Terceiro – e último – dia no Kruger. Por enquanto.

kruger gate

Café no saco pardo, malas no carro, check out do hotel feito e mais algumas horas pra compensar o dia de ontem. À noite, mais dez horas de voo para Perth, Austrália. Decidimos por intuição o rumo a tomar. Nada de placares, nem “moturistas”. Escolhemos de novo uma estrada de terra e chegamos à conclusão de que os animais gostam de aparecer é na beira das estradas asfaltadas. Acho que o pasto tem outro gosto, menos poeira, mais gente, vai saber. Depois de um “strezinho” básico matinal e muitos quilômetros rodados entre pastos, matos, campos e capoeiras e nadica de nada dos seres mágicos, vemos enfim, nosso primeiro rinoceronte negro a poucos metros do carro. Click, click, click. Depois vieram zebras, kudus, gnus, click, click, gazelas, gazelos, click, click, hipos e então um esturro no savana: um leão e seu harém. E muitos carros de turistas… click, click, click, clik … mais zebras, mais gnus, mais click, click, click, gazelos e gazelas, impalas, click, click, click, os primeiros elefantes do dia, arbustos espinhosos, um risco no carro, click, click, click, um filhote de impala atropelado e chegamos na S1 rumo a Crocodilo Gate – próximo à fronteira com Moçambique – passando por Lower Sabie. Até parece que a os seres mágicos resolveram descer do Olimpo dos Deuses e confraternizar, e eis que nos deparamos com uma fileira enorme de carros parados e uma manada de elefantes cruzando a pista. Click, click, click, click, click, click, click. Ufa. Demais. Meu presente de Natal. Crocodilos e hipopótamos, click, click, click. Depois vieram as girafas. Muitas, mais de dez. Depois o feijão com arroz do parque: impalas, gazelos, gazelas, zebras. Click, click, click. Crocodilo Gate à frente. Já? Hora de prosseguir viagem. Hora de acelerar nosso Baby que avião não espera. Dica de hotel no Kruger. Pode anotar: Elephant Walk Retreat. Ou então, qualquer um nas imediações do Lower Sabie. O Olimpo dos seres mágicos deve estar nas imediações.

Confraternizando alguns clicks:

girafas 3

rinoceronte

manada cruzando o asfalto

leão

Um gazelo

kudu

Segundo dia: Kruger Park e Santuário dos Elefantes

Antes de babar no travesseiro, e se jogar de vez nos braços de Morfeu, encomendamos nosso café da manhã. Como da primeira vez em que fomos ao Kruger, saímos do hotel no clarear do dia,  com o café da manhã numa sacola de papel pardo. Dizem que o melhor horário para encontrar os animais em atividade é nas primeiras horas da manhã. Retiramos duas sacolas bem abastecidas (nosso café era um “brunch” bem diversificado, que incluía chocolates, balinhas de goma, amendoins torrados, queijos, maçãs, sanduiches, croissants, geleias, água, suco, etcetcetc, mas nada de café preto. Uma falta imperdoável) e rumamos ao Numbi, onde chegamos às 5:30h da matina e nos habilitamos para nosso safári fotográfico do dia. Nas portarias de cada Gate existe um placar que indica onde os “Big Five” foram vistos yesterday e today. Acreditar ou não nestas informações é por conta e risco de cada um – até porque os animais estão livres naquela imensidão toda. Particularmente falando, o melhor é fazer sinal, parar e pedir para outros “moturistas” se, quando e onde  eles viram determinados animais. Pois, naquela manhã, resolvemos seguir o Placar e nos ferramos. Pegamos a estrada de terra S3 – onde no dia anterior foi avistado um leopardo – e seguimos em direção a S1 – rumo à Skukuza. Vimos quase nada. Rodamos por inúmeras estradinhas de terra na direção de lagos e montanhas de pedras. Apenas olhos de hipopótamos à distância. Mesmo as gazelas – que são o feijão com arroz do parque, agradável a todo tipo de predador, inclusive a nós, turistas – estavam mais pra caviar no deserto. Paramos em Skukuza e misturamos sono, calor, decepção e cerveja. Como diz um amigo: “cagada, cagada, cagada”. Quando vimos, perdemos nossa hora no “Santuário dos Elefantes”, em Hazeview, distante uns 40 km. À 50km por hora, por estrada de terra, chegamos atrasadérrimos, esbaforidos e sonados. Fomos  informados que o próximo grupo sairia em noventa minutos. Fazer o quê: depois de encaixados no grupo, assaltamos o café, devoramos as últimas guloseimas da sacola parda, bisbilhotamos a lojinha, nos refestelamos nas desconfortáveis cadeiras plásticas brancas da recepção do Santuário, e esperamos nossa vez de curtir e ver os primeiros elefantes do dia, às 15:00h. (Post mais adiante). Depois de duas horas em contato direto com os dois paquidermes – Kaspa e Kitzua – do local, retornamos ao Kruger, via Baphendi Gate. Por conta da hora, voltamos pela mesma S3 da manhã. O cenário pouco mudou: apenas alguns “Pumbas” e saímos pelo Numbi, em direção a Whitriver, cansados e decepcionados. Nada que uma boa noite de sono e um vinho sul-africano não minimizasse.  O escolhido da noite foi um cabernet Meerlust. Médio.

Kruger National Park – África do Sul

A primeira vez que fui foi em 1999. Depois de quase treze anos, a emoção e o encanto permanecem os mesmos da primeira vez.

Pena que não existe mais. Uma viagem inesquecível.
Pena que não existe mais. Uma viagem inesquecível.

Em 1999, fomos na excursão “Um Ônibus Brasileiro na África do Sul”, durante  catorze dias, um grupo de quinze pessoas, pela falida e extinta SOLETUR. O programa foi divino, e certamente o Kruger Park foi um dos destaques daquela viagem. Mas, com um itinerário de dezesseis lugares fantásticos pra conhecer – sim, amei e amo de paixão a África do Sul – tínhamos apenas um dia para fazer o Safári Fotográfico no parque de mais de dois milhões de hectares.

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Olhando as fotos – ainda não digitais – daquela viagem e as de agora, vê-se que alguma coisa mudou: a quantidade de carros e turistas. Talvez a quantidade de estradas asfaltadas e a infraestrutura dos hotéis, resorts e “Main Restcamps” (paradouros tipo Skukuza e Lower Sabie) do parque.

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(Se bem que agora, fomos na alta temporada – dezembro – e da outra vez, na baixa temporada – março.) Os seres mágicos continuam todos por lá. Os Big Five – elefantes, rinocerontes, búfalos, leões e leopardos – são os mais procurados e assim reconhecidos pelo perigo do contato e caça.

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Lá estão também as elegantes girafas, as curiosas zebras, os aquáticos hipopótamos, manadas de kudus, gnus, gazelas, pumbas (javalis), capivaras, pássaros, esquilos, crocodilos, a savana, os lagos, as árvores retorcidas … o Reino dos Animais Mágicos. Desta vez, em três dias.

Primeiro Dia:

Voo SA 223 da South African Airlines. Dez horas de voo de SAO a JNB. Três horas de fuso horário. Chegada ao Aeroporto O.R.Tambo, retirada do SPARK – nosso Baby – na Hertz Rent a Car. E começa nossa viagem de carro, quatro horas e meia, quatrocentos e cinquenta quilômetros. Mão inglesa e fico totalmente errada, meu cérebro dá “tilt” e rebobina: odeio estas surpresas que não são surpresas. Eu sabia e esqueci. Vou no banco do carona atrapalhada e perdida, sem saber pra onde olhar ou andar. Tudo está invertido e evito palpitar, acreditando que dois errados só pode dar besteira. Fico imaginando como funciona o cérebro de alguém que usa a outra metade pensante pra dirigir. Tem que ser diferente: sinto que estou fazendo “Spinning” cerebral na velocidade máxima. Chegamos ao Greenway Woods Resort – White River, distantes ainda 35 Km do Numbi Gate, o portão de entrada mais próximo do Kruger Park. Como é alta temporada, ficamos no entorno do parque onde as diárias de hotel são até 75% mais baratas. No problem. O Resort é aconchegante e o atendimento, maravilhoso. Um cochilo flash e às 15:00h já estamos no Numbi Gate, preenchendo formulários, pagando taxas e ingressos. Assumo o volante errado. Como a velocidade dentro do parque é de 50 Km/h, topei. Da primeira vez que fomos, andamos num Jeep Land Rover, alto e seguro, preparado para a aventura, com um guia gato sul-africano: Werner. Nosso pequeno “Baby” acomodou apenas uma mala no bagageiro. A outra ficou em pé e parecia que a traseira era logo ali onde o olho botava os olhos. Mas fomos, tranquilos e confiantes. E queríamos acreditar, seguros. O parque abre diariamente às 5:30h da matina e fecha às 18:30h no entardecer, pra quem não está hospedado nos Lodges e Acampamentos de Luxo, dentro do Kruger. O que foi o nosso caso, desta vez. Na próxima, estaremos dentro. Andamos, andamos, andamos, o sono de turista de classe econômica se abatendo e, nada. Só capoeira crescida que quase engolia nosso Baby. Turistas rodando, pássaros voando e o Guia do Parque esquecido dentro da mala, no hotel, a 35 Km. Felizmente o parque é bem sinalizado e de tempos em tempos aparece um “totem” sinalizando direções e distâncias a seguir para os Gates. Ao todo, onze em todo o parque. E, assim do nada, de repente, quase dormindo, eis que surge uma linda e tímida girafa que atravessa a pista de forma gentil e elegante.

girafa

A felicidade acorda. UAU, sim, estamos no Kruger. Chegam as zebras.

zebras

Depois avistamos ao longe, papai, mamãe e filhote rinos. E a objetiva no armário em SP.

rinos

Elefantes, impalas, impalas.

elefante

Chegamos pontualmente ao Numbi Gate às 18:30h. Velocidade impublicável.

gazelas

Vistoria no carro. Sim, vai que alguém resolve levar um filhote de elefante ou uma gazela atropelada no porta malas. Tem que vistoriar mesmo. Check out no parque: limpos e lisos. Check in no restaurante do hotel: batalha sanguinária entre a fome e o sono. O jantar é simples, o vinho sul-africano divino – um Sirah Boekenhoutskloof fenomenal que precisa estar em qualquer adega que se preze, pode confiar – e um Petit Gateau com um intrometido maracujá doce australiano, partido ao meio, que fez um “up grade” na simplicidade da sobremesa. Hora de babar no travesseiro, já que o segundo dia vai começar às 4:30h e se estender até muito depois das 18:30h.