Café meu de cada dia? Um chazinho, por favor!!!!

Quem me conhece sabe da minha paixão por café. Também deve saber o quanto invento e faço de tudo o tempo todo. Poderiam pensar que sou hiperativa. Um tipo, mais ou menos, assim. Minha agitação essencial tem a ver com ideias e emoções. São elas que organizam minha vida. Meus dias e minhas noites. Se somar café + agitação mental, o resultado – inevitavelmente – vai dar numa estonteante insônia. Ok. À princípio, aproveito as horas sem sono e adianto afazeres e ideias. Gosto disso. A noite seduz e produz. Tudo vai bem até as primeiras crises labirínticas acionarem o alarme. São elas que sinalizam os excessos e exageros. Meu corpo reclama suas horas de sono. É hora de cortar o café. De 7 a 10 dias o que me move são os chás amarelos. Estou no dia 1: chá de capim cidró (cidreira). Então, nos próximos dias, ao invés de contar carneirinhos, ler, escrever e arrumar gavetas em plena madrugada, vou ronronar feito gata e dormir feito bicho-preguiça, noites e dias sem fim. Minhas ideias vão hibernar, minhas leituras, encalhar. Meus escritos vão se perder nas estrelas. E minhas gavetas? Ficarão fechadinhas.

cafe + segunda

 

 

Também não gosto do meu pescoço

Como diria Picasso, se a inspiração chegar me encontrará trabalhando.
Gostei desta idéia sobre inspiração para escrever, embora acredite que a minha deva estar passeando por outro planeta, mas como estou sem sono, vai que ela caia feito meteoro na minha cabeça.
Mas enquanto isto não acontece, meu sono não volta, nem minha inspiração acerta o alvo, resolvi mexer no meu material antigo e alimentar meu blog, tão esquecidinho, tadinho. Escolhi esta crônica e a enviei a uma amiga esta semana às voltas com uma labirintite. Ontem quando a reencontrei ela apenas me falou: Você acertou em cheio. Quem disse que crônicas são anacrônicas? Esta aí também continua muito atual.

TAMBÉM NÃO GOSTO DO MEU PESCOÇO

Talvez alguns percebam que estou parodiando a escritora americana Nora Eprhon, que escreveu um livro intitulado “Odeio meu pescoço”. E pelas críticas que havia lido sobre ele, deveria ser muito divertido. Já li livros muito mais hilários e acabei me decepcionando.
Se bem que estou usando o nome do livro dela meio que emprestado.
Pescoços podem ser odiosos.
Em qualquer idade.
Dias atrás fiz uma maratona de troca-troca, até acertar a malha de gola olímpica para minha sogra, às vésperas de fazer 90 anos. Ela queria algo que escondesse seu pescoço “scrundlich”, ou seja, amassado, enrugado, despencado. Próprio para a idade avançada dela. Mas como ela tem o dobro da minha idade, levei certo tempo para entender, porque ela não gostava das malhas que lhe trazia. Mas afinal consegui entender a questão e acertar.
Entendo aqui pescoço como aquela região que separa a cabeça do corpo. Nosso mundo instintivo do nosso mundo racional e civilizado. Aquilo que na sabedoria popular, é a mulher quem movimenta, ou seja, as decisões do casal. Para quem não conhece o ditado: o homem pode ser a cabeça do casal, mas a mulher é o pescoço. É ela quem indica qual direção a cabeça deve seguir. Ou seja, o homem.
Refiro-me aqui a um pescoço em três dimensões: frente, laterais e fundos. Meu problema está nos fundos do pescoço. Ou seja, na nuca. E, quanto mais me queixo, mais encontro mulheres da minha idade, com a mesma reclamação.
O pescoço dói. Fica emperrado. Contraturado e tenso. Seu ângulo de flexão fica próximo aos 45 graus. Mas o que ele perde em elasticidade lateral ele ganha em ampliar reflexos para cima e para baixo. Quando desce, digo que estou com a “asinha quebrada”. Sim, para quem nunca ouviu a expressão, é quando o omoplata fica tão dolorido que o braço sofre para se movimentar. Quando o reflexo sobe, é que complica de vez. O Comando Central dá “tilt”. Pelo que lembro da explicação dada por meu médico, nestas situações, meu cerebelo fica tão contraturado que estrangula a circulação sangüínea que irriga alguns setores do meu cérebro, e em mim, é meu labirinto quem “paga o pato”. O labirinto fica perdido e eu, com crises labirínticas. Talvez minha explicação seja uma grande asneira, mas foi o que captei quando o médico me explicou. Talvez meu nível de entendimento também fique prejudicado nestas situações. Não duvido. Mas acredito nesta versão. Para mim faz sentido.
Mas porque o meu pescoço e o de muitas pessoas fica assim?
No meu caso, e possivelmente no de muitas outras pessoas, é por causa de cansaço, stress, preocupação, ansiedade, fadiga, estafa mental, depressão, má postura, horas e horas em frente ao computador, insônia. E sabe-se lá quantos outros motivos o pescoço de cada um de nós encontra para protestar.
Estou buscando alternativas para evitar que todos estes sintomas tão comuns na atualidade se instalem e me boicotem. Porque uma deprezinha de vez em quando, má postura, insônia, ansiedade, cansaço e preocupação, não tem como evitar na meia idade. Por que não tem como evitar filhos adolescentes rebeldes, onipotentes e que sabem tudo. Nem filhos formados desempregados que definitivamente não encontram sua cara metade e nem emprego. Nem maridos na famigerada crise da meia idade. Nem pais que começam a adoecer e a nos requisitar cada vez mais. Nem quilos extras, rugas, olheiras, cabelos brancos, TPM, e quem sabe, sinais da menopausa. Parece que o universo inteiro se une para conspirar contra nós. Simplesmente, tudo acontece ao mesmo tempo. E nós mulheres, enfim declaradas o sexo forte, acabamos por absorver tudo, e parece que o órgão que se apresentou para dar conta do recado, às vezes, e em algumas pessoas, é o pescoço.
Querido. Acho que ele não percebeu o próprio tamanho, nem o tamanho de tudo que tem para resolver.Talvez quando ele se dê conta, ele fique “scrundlisch”. Ele acabe não agüentando o tranco e proteste de outra forma: se amassando, despencando, enrugando. Sem saída.
Mas como sou otimista, sigo o que meu médico e vários outros sofredores de pescoço me indicam: remédios, alongamento, pilates, yoga, natação, meditação, massagem, bolsa de água quente. Vou alternando. E vou levando.
Quem sabe um dia, uma simples gola olímpica seja o suficiente.

São Paulo, novembro de 2007.