Cuca Fundida

A noite foi de sono moído e por isso li até quase o dia raiar, mesmo sabendo dos vários compromissos e pendências da exposição Diálogos do Inconsciente, em Lajeado. Enquanto espero pela livreira Stela, meu olhar cruza com o livro “Cuca Fundida” de Woody Allen. A identificação foi imediata.

Do autor li o brilhante “Adultérios”.

“Cuca fundida” é estranho. Literatura fantástica estranha. Estranhamente, é só o que tenho a dizer.

Muito além do inverno – Isabel Allende

Da autora li vários livros: O caderno de Maya, Afrodite, Paula, Zorro, O amante japonês e A casa dos Espíritos. Isabel Allende é com certeza uma das minhas escritoras favoritas. “Muito além do inverno” aborda o tema da imigração ilegal. O relato da travessia e a permanência ilegal de Evelyn, uma guatemalteca, nos USA se mescla com um assassinato e as vidas entrecruzadas de Richard e Lucia. A questão da morte e das perdas dos personagens está presente em toda a narrativa. “Muito além do inverno” é um texto pesado, triste e penoso.

Selecionei este parágrafo que conta um pouco da crença de Evelyn e seu povo da América Central, sobre os rituais necessários para fazer a passagem da vida para a morte.

“Com muita dificuldade, tropeçando nas palavras, Evelyn conseguiu dizer que ao menos seus irmãos Gregorio e Andrés haviam sido enterrados com a devida reverência, embora poucos vizinhos tenham comparecido ao velório, por temor da quadrilha. Na casa de sua avó, haviam acendido velas e queimado ervas aromáticas, cantaram, choraram, brindaram com rum por eles, enterraram-nos com algumas das suas coisas para que não lhes faltasse na outra vida, e haviam sido rezadas missas por eles durante nove dias, como é o costume, porque nove são os meses que a criança passa no ventre da mãe antes de nascer e nove são os dias que o finado demora para renascer no céu. O túmulo de seus irmãos estava em terra consagrada, onde sua avó ia deixar flores aos domingos e levar-lhes comida no Dia de Finados. (p. 200)

Um livro por semana

Pra ler, olhar, sentir …
Que seja para acarinhar poemas, biografias, contos, fotos, receitas, romances, dicas, mapas, histórias, lembranças.
Que seja para ler dinâmica ou atentamente
-ou apenas –
escorregar os olhos por
sumários, epígrafes, agradecimentos, poemas. Frases e citações.
Da tropa aquartelada nas prateleiras da minha biblioteca
Tenho várias vidas para desbravar …
Vou terminar Hilda Hils – da poesia
e Mia Couto – Cada homem é uma raça. Contos.
Passou por minhas mãos
“Tatuagem e Marcas Corporais” da Ana Costa.
Da Casa do Psicólogo.
Da coleção Clínica Psicanalítica.
Exagerada, eu sei.
Assim são as marcas da história.
Tatuam-se nos poros.

“O Segredo da Bastarda”

Não lembro bem o motivo – pois não é meu hábito – mas li sobre um livro que havia comprado numa promoção, do qual nunca havia ouvido falar: “O Segredo da Bastarda”, de Cristina Norton. Acho que foi num blog. Li que o livro era bom, mas complicado de entender, com os personagens misturados, narradores oniscientes, etcetcetc. Com estas informações comecei a ler o romance que conta a história verídica e abafada pela corte portuguesa, do envolvimento amoroso entre D. Joao VI e a dama de companhia de Carlota Joaquina, Eugenia de Meneses. Deste “romance” nasceu a filha bastarda, Eugenia Maria.

Li as primeiras 20 páginas e abandonei o livro. Voltou `a prateleira para ser lido em outro momento. Ontem, por algum motivo, ao ler a lombada do livro, o tomei e comecei a ler. E não parei mais. Foram algumas horas de leitura prazerosa. 319 páginas lidas entre uma caneca e outra de leite quente com melão, num final de tarde chuvoso, de corpo dolorido e sedento por boa literatura. O livro me surpreendeu, e o comentário sobre a confusão entre os diferentes narradores da história, não atrapalhou em nada a leitura do romance, nem a compreensão das diferentes perspectivas. Muito pelo contrário. Como já havia começado a ler o texto anteriormente, prestei muita atenção no início da trama, para entender bem o papel que cada narrador ocupa na história. O fato de haverem dois personagens – de épocas diferentes – com o nome Eugenia, me parece ser a maior dificuldade, que vai desaparecendo aos poucos, na medida em que fica claro quem é quem no enredo. Certamente, uma artimanha usada pela escritora, pra fazer correr no paralelo uma segunda trama, quando a filha bastarda conta sobre sua ascendência, no afã de prolongar a vida de sua própria filha, tuberculosa. “ O Segredo da Bastarda” também me estimulou a ler “1808” e “1822” de Laurentino Gomes, que aborda a vinda da corte portuguesa e a história da independência do Brasil.

Memórias perdidas no período colegial, tão importantes para entender melhor, porque nos tornamos um povo aculturado e quase sem memória, sem contar no país, tão cheio de disparates.

 

3 aninhos de BySuzete – 3 “Segredos de Serena” pra você

O tempo realmente voa e escorre pelos dedos.

Dia 25 de fevereiro: 3 aninhos de BySuzete.

É difícil acreditar que consegui mantê-lo ativo por tanto tempo, já que minha primeira tentativa foi quase, como poderei dizer, um aborto (em algum momento, anos atrás, numa tarde como outra qualquer, lancei-me ao desafio de criar um blog: naveguei na Net, entrei no site, segui o passo a passo, escrevi meu primeiro post, e, esqueci o nome do meu próprio blog, e “never”, jamais, nunquinha consegui localizá-lo. Está perdido e vagando solitário pelo espaço digital). Por isso, e por tudo o que significa no meu dia a dia, o BySuzete já é um presente muito presente na minha vida. Com ele me mantenho ativa e antenada com o ato de escrever e pesquisar, tão importantes pra qualquer forma de literatura. Antes dele, escrevi e publiquei meu primeiro romance “Os segredos de Serena” – um livro escrito por uma simples leitora que se aventurou a escrever algo do jeitinho que gostaria de ler. No http://bySuzete.wordpress.com você vai encontrar o primeiro capítulo na íntegra. É só clicar na capa do livro, na lombada direita do blog.

Mas, se quiser ler o livro todo, participe deste Sorteio Comemorativo.

Basta comentar este post, respondendo a uma pergunta muito simples: qual o nome da gata que perdi no último ano?

Escreva, comente.

“Os Segredos de Serena” podem ser seus.

No dia 25, farei o sorteio, e em seguida, vou divulgar os vencedores. Se você for um dos felizardos, entrarei em contato pelo próprio blog, e enviarei o livro pra você.

Participe!!!!

“O tempo entre costuras”

O tempo entre costurasComo diz uma amiga, li num tapa. De sexta-feira a domingo. Quatrocentas e sessenta páginas bem escritas e bem articuladas. Excelente literatura e uma história mordiscando duas grandes guerras em que a Espanha esteve envolvida. Sira Quiroga – a personagem principal – relata em primeira pessoa, sua paixão cega e obsessiva, a decadência, o renascimento, o amadurecimento e sua transformação de simples costureira espanhola à espiã da Segunda Guerra Mundial. Um texto envolvente e cativante da primeira à última página. Pena que no final faltou fôlego a María Dieñas, a autora. Talvez uma estratégia literária para a continuidade do romance, mas senti falta de notícias de vários personagens que foram sumindo na história: entre eles, o sórdido e canalha Ramiro, personagem crucial na transformação de Sira em Sirah e depois em Arish Agoriuq, que desaparece sem deixar vestígios. Enquanto outros personagens, aparentemente coadjuvantes na história pessoal de Sira, como Beigbeder,  ganham destaque e várias páginas. Talvez por ser um personagem inspirado numa figura real da história espanhola. Que seja, de qualquer forma, senti falta de saber mais notícias dele, de Dona Candelaria, do delegado Vázquez … Mesmo assim, um livro recomendadíssimo.