Não vai dar tempo

Toda vez que organizo os livros da biblioteca de casa tenho a sensação de que não vai dar tempo de ler e reler todos os livros distribuídos pelas prateleiras e mesas de casa. Tem livros recomendados e anotados numa lista gigantesca de possibilidades para comprar. Tem livros que ainda nem foram lançados.

E aí me lembro de todos os cursos e coisas que quero fazer e lugares pra conhecer; de vidas que gostaria de experimentar, pessoas pra rever, trabalhos pra concluir. São coisas demais.

Certeza de que não vai dar tempo. Quando chegar a hora, o que tiver de acontecer, o tempo simplesmente deixará acontecer.

Influências Literárias

Quando 2018 começou, dei-me conta de quão poucos posts havia escrito sobre os livros lidos em 2017. Daí surgiu a ideia de relacionar todos os livros lidos (de cabo à rabo) no decorrer do ano que se iniciava. Ler e escrever, foram metas prescritas para o ano. E, como bem afirmou Austin Leon, em seu criativo livro “Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade”: “Assim como você tem uma genealogia familiar, possui também uma genealogia de ideias. Você não pode escolher sua família, mas pode selecionar seus professores e amigos e a música que escuta e os livros que lê e os filmes aos quais quer assistir. Você é de fato um mashup do que escolhe deixar entrar na sua vida. Você é a soma das suas influências.”(p.19)

Sobre as influências literárias do ano, segue a lista abaixo:

  1. A Origem – Dan Brown
  2. A amiga Genial – Elena Ferrante
  3. História do novo sobrenome – Elena Ferrante
  4. História de quem foge e quem fica – Elena Ferrante
  5. História da Menina Perdida – Elena Ferrante
  6. Uma noite na Praia” – Elena Ferrante
  7. A filha perdida” – Elena Ferrante
  8. A mulher que roubou minha vida – Maryan Keyes
  9. Mentes Depressivas – Ana Beatriz Barbosa Silva
  10. Vou chamar a polícia – Irwin Yallon
  11. A química – Stephenie Meyer
  12. O amante japonês – Isabel Allende
  13. Roube como uma artista, 10 dicas sobre criatividade – Austin Kleon
  14. Faça boa Arte – Erros Fantásticos – Neil Gaiman
  15. Loucura – A busca de um pai no insano sistema de Saúde – Pete Earley
  16. A mágica da Arrumação – a arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida – Marie Kondo
  17. Presente do mar – Anne Morrow Lindberg
  18. Minhas Vidas – Shirley MacLaine
  19. Dançando na luz- Shirley MacLaine
  20. O Caminho – Uma jornada do espírito – Shirley MacLaine
  21. Floripa, sua linda – Maria Gabriela Cherem Luft
  22. Ansiedade 3 – Ciúme, o medo da perda acelera a perda – Augusto Cury
  23. Senhora Einstein – a história de amor por trás da Teoria da Relatividade – Marie Benedict
  24. Telegramas 140 X 180 mm – Lucão
  25. Brigitte Bardot – Lágrimas de Combate
  26. Hippie – Paulo Coelho
  27. Cuide dos pais, antes que seja tarde – Fabrício Carpinejar
  28. Um cartão, sentimentos cotidianos – Pedro
  29. A mulher na janela – A.J. Finn
  30. Prisioneiras – Dráuzio Varella
  31. Tempos Extremos – Miriam Leitão
  32. Karen – Ana Teresa Pereira
  33. Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro

E aí desandei.

Há quase 3 meses do final do ano, a pilha dos livros inacabados aumentou; me vejo roçando os dedos pelas lombadas dos mais diversos temas, enveredei por livros para os quais não estava pronta … comecei a estudar e pesquisar temas específicos para o trabalho e posts futuros.

Perdi o foco.

Resolvi fechar todos os livros, e brincar com As Cartas do Caminho Sagrado, de Jamie Sams. Brinco de ler, meditar e relaxar. Um pouco cada dia. E assim, vou descansando dos meus excessos literários do ano.

A pilha dos livros inacabados segue firme e forte.

Passiva/Ativa

E meu blog anda meio muito devagar. Quase parado. Tem dia que as ideias desfilam numa passarela imaginária de contos, crônicas ou poesias. Me encaram fazendo beicinho, acenando temas inéditos, engraçados, inteligentes. Perco o timming quando a estrutura gira e retorna por detrás de véus de tules e organzas, sumindo atrás das cortinas de veludo que separam a plateia do palco e da passarela. Nesse rodopio perco a inspiração. O desfile fecha. E não escrevo. Pelo menos estou agarrada num novo romance. “Ele e eu” está se desenrolando e se desenvolvendo em primeira pessoa. O texto pretende ser divertido e sensual. Leio e releio o texto e corto e recorto tanto o tempo todo, que preciso ler e reler de novo, mais uma vez. Agora o texto está descansando. Precisamos dar um tempo na nossa relação. Os caminhos que se apresentaram, parece, foram trilhados com carroça. Talvez haja um melhor jeito. Quem sabe na próxima semana uma Ferrari se apresente pra trilhar melhor a partir do capítulo 12. Foi onde perdi a direção e a conduão e segui em frente até o capítulo 20. Resolvi então, olhar pra trás. Não sei ao certo se o que vi foi neblina, serração ou um dia nublado e escuro. Era pra ser divertido, focado e sensual. Ficou novelesco, burlesco demais. Nesse meio tempo, li John Katzenbach (E o que vem depois) e “Caixa de Pássaros” de Josh Malerman. Dois thrillers psicológicos de tirar o fôlego e o sono. Como ainda tenho alguns dias pra reatar meu relacionamento com “Ele e eu”, baixei da prateleira “O analista”, também de John Katzenbach. Dele também li “A história de uma louca”. Livros – todos – recomendadíssimos.

Comprando livros: qual livro comprar?

Sinceramente, não tenho resposta para esta questão, aparentemente fácil. Quando menina, fazia parte do Clube do Livro (guardo até hoje alguns exemplares, implorando restauração). Entre comprar uma calça jeans ou um livro, pelo que me lembro, raras vezes era extravagante o suficiente para optar pelo livro – e é por isso que tenho míseros 5 exemplares estropiados. Na época, os livros da biblioteca do colégio de freiras onde eu estudava, me atendiam muito bem. Eram tempos de livros recomendados pela professora de Língua Portuguesa, tipo Dom Casmurro, Escrava Isaura, O Cortiço, etcetcetcetc . Até que um dia, descobri Sidney Sheldon … lá no fundo escuro e não recomendável da biblioteca das freiras.

Depois veio o período da faculdade de Psicologia. Livros técnicos, preços técnicos. Foi a era dos xerox e das apostilas, e, de quando em quando, um ou outro livro, que não comprometesse o apertado orçamento doméstico. Depois de formada e trabalhando na área, montei minha tão sonhada – e possivelmente desatualizada – biblioteca.

Quando comecei a escrever e a me dedicar `a literatura, toda minha folga orçamentária e desejo de leitura migraram para outras vertentes de temas, autores e interesses. No começo comprava livros recomendados por amigos e pela lista dos mais vendidos das revistas Veja e Claudia. Depois vieram os livros recomendados pelos professores e colegas entendidos das Oficinas Literárias que frequentei. Tenho meus “abacaxis” numa prateleira que chamo de “Livros para os quais ainda não estou pronta”. Qualquer indicação, por melhor que seja, é totalmente subjetiva. A possibilidade de unanimidade inexiste. Sem contar o gosto pessoal, o estilo, o momento de vida, e porque não falar, a evolução da própria maturidade literária. Tenho colegas que dizem se negar ler Paulo Coelho. Tenho todos os livros dele, e adoro. Assim como tenho – e adoro – outros livros tidos como literatura medíocre, ou popular, tipo a Saga Crepúsculo, Cinquenta Tons de Cinza, Harry Potter, etcetcetc. Tambem tenho livros de autores consagrados ao longo dos séculos e criticas literárias. Ernest Hemingway é um dos meus favoritos. Mia Couto, também. Tem os russos, que aprendi a amar. Rosamunde Pilcher, Saramago, Irvin Yaloon, e outros tantos. Isabel Allende, Anais Ninn. Tem os novos nomes, elogiados por alguns, vistos pelo rabo do olho por outros. Tem os que gosto mais, os que leio dormindo, os que apenas leio, cada um tem seu momento e seu tempo no meu tempo que também tem seus momentos.

Agora, estou na fase das pechinchas. Livro bom e barato. Autores desconhecidos, baixas tiragens, livros de amigos, livros que não figuram nas listas dos mais vendidos e novidades. Compro o passado literário. Colho outros “abacaxis” que vão para aquela mesma prateleira. Aquela … Um dia estarei pronta para eles. Nem que seja para doa-los para a prateleira de outro alguém.

O que tem me importado neste momento é o simples prazer de ler, aprender palavras novas, fixar a nova ortografia. Descobrir novos jeitos e estilos. Circular pelas possibilidades que qualquer livro oferece. O máximo que pode acontecer é “aquela” prateleira virar duas prateleiras, e alguém ficar muito feliz, num futuro ainda bem distante. Sou sempre generosa com livros e autores. Dou-lhes inúmeras chances de mostrar a que vieram.

Acredito que cada livro tem seu tempo. Assim como o bom vinho. E, nós também.

Onde encontro as maiores pechinchas? No site das Lojas Americanas e nas Livrarias Catarinense. Estipulo o valor máximo que vou gastar por livro e o total geral da compra. Na ultima compra foram seis livros por R$ 84,00. Seleciono pelas orelhas os livros mais interessantes, e me deixo levar.

O que posso dizer deste meu novo método mão de vaca para escolher livros? Minha biblioteca literária tem aumentado exponencialmente, tenho lido textos interessantes (o segredo é dar um ou dois dias entre um livro e outro, algo como se desintoxicar pra se deixar impregnar com outra novidade), alguns ficam Naquela prateleira, esperando seu tempo chegar (e este tempo, sempre chega. Basta ter paciência e perseverança: Proust e Cortázar que o digam). E, de quando em quando, comprar aquele livro que todo mundo está comentando nas redes sociais, revistas e jornais.

Uma coisa interessante na literatura é que você vai descobrindo todo um universo literário rico e diversificado. Quase todo livro indica ou cita outro livro, filme ou artigo. E assim, como num rosário de contas, você vai mergulhando devagarinho nas ideias e mundos de muitas pessoas interessantes, inteligentes e antenadas com a contemporaneidade. O mais importante é ler, exercitar a memoria e a imaginação, incrementar a cultura, as ideias e o vocabulário. Experimente seu jeito. E não se frustre pelos abacaxis que você – ocasionalmente e certamente – for comprar. Guarde-os e espere o momento certo chegar.

Retrospectiva Literária

Quase um ano sem postar sobre os livros que tenho lido. Não saberia relacionar os títulos lidos. Foram muitos, de variados estilos e gêneros literários e escritores diversos. Adoro os romances. Jane Austen, Paulo Coelho, Virgínia Woolf, Maryan Keyes, os russos, entre tantos outros. As histórias longas continuam sendo minhas favoritas. São verdadeiros estudos de casos psicológicos e sociais. Os poemas e as crônicas até tem seu espaço na minha biblioteca. Tem dia que adoro. Tem dia que não suporto: bato a capa no livro e jogo na prateleira pra ler mais adiante. Mário Quintana é quem sempre me acalma. Li a biografia da Maitê Proença, sem querer, dias atrás: “Uma História Inventada”, que comprei no site das Lojas Americanas por R$3,80. “Quase Tudo” de Danuza Leão me empolgou mais. Madonna me espera para outro momento, Hittler também. Conto é meu gênero literário pouco conhecido e querido. Leio pouco porque parece que não gosto. É meio “fast” pro meu gosto. Ainda assim, Mia Couto e Luis Fernando Veríssimo sempre me capturam. São contos sem cara de conto. Mia é profundo com seu português poético, quase profético. Luiz Fernando é leve e divertido. Leio e nem noto que são contos. Já Clarice Lispector e Lygia Fagundes Teles aguardam impacientes junto com Machado de Assis e “Os cem melhores contos do século”. O que tenho feito e adorado são as maratonas literárias. Foi assim que li os russos, Dostoiévski, Tostói, Leskov e Tchekhov. Agora estou na maratona Jane Austen. “Orgulho e Preconceito” e “Persuasão” me encantaram. Na cabeceira está “A abadia de Northanger” e na mala vai “Razão e Sentimento”. Todos livros pocket, perfeitos pra viagem. No meu retorno, a maratona será com Virgínia Woolf. Uma promessa antiga. Virgínia tem um estilo difícil, mas os livros estão me intimando da prateleira. Às vezes, intercalo um ou outro texto durante a maratona. Penso que este é um jeito de assimilar melhor o estilo dos grandes nomes da literatura mundial. Das releituras que fiz, recomendo: “Olga” de Fernando Morais e “O xangô de Baker Street” de Jô Soares.

O que eu tenho lido

Em meio a tantas mudanças, a leitura tem sido companheira e confidente e – como cada livro tem seu momento, sua função e seu leitor – desencantei os russos. “A morte de Ivan Ilitch” e “Felicidade Conjugal” de Lev Tolstói; “Noites Brancas” e “Memórias do Subsolo” de Fiódor Dostoiévski ficaram na primeira fila. Khaled Hosseini e seu emocionante “A cidade do Sol” acompanharam o coro, e porque não falar de “O Beijinho e outros crimes delicados” – um saboroso livro de contos – do querido Santana Filho.

Todos, literatura de primeira.

Também li “Los Angeles” de Marian Keyes, o oitavo livro da escritora – e sempre uma ótima pedida para relaxar. Já o livro “Jane Austen, A vampira” de Michael Thomas Ford, comprado pela internet, decepcionou: a trama é ótima, mas faltou profundidade e um enredo melhor costurado. Pensei na escritora chilena Francisca Solar que escreveu sua própria versão final para Harry Potter, fez sucesso na internet e está lançando sua própria Trilogia. A trama proposta por Ford – escritores famosos de séculos passados, vivendo no universo literário atual – poderia render um excelente texto. Quem sabe,  uma versão própria, uma ideia para mais adiante!

Sou daquelas

“… que mastiga e palita livros: risca, rabisca, dobra, amassa, marca, sublinha, páginas e linhas. Daquelas que acarinha o livro da capa à contracapa. Nada passa desapercebido. E é por isso que não empresto livros. Perderia um amigo ou o prazer de dissolver-me na leitura. O zelo e a vigilância me desensinariam a ler.”