Simplificando o Natal

Acho que todos já ouviram falar da célula killer, aquela que dá início ao processo de destruição e morte do corpo humano. Há quem diga que também temos uma célula killer que elimina e aniquila emoções: decisões, sonhos e concepções de mundo. Algo como Complexo de Sabotagem. É quando a gente se ferra porque – consciente ou inconscientemente – escolheu se ferrar, mesmo sem entender porquê. Acredito na célula killer afetiva. A danadinha habita a superficialidade do nosso Ego. Ela acredita que tudo pode, merece e consegue fazer. E ambivalentemente, ela acredita que não merece o tudo de bom que tem, se sente culpada pela própria felicidade, pela sorte, pelas bênçãos conquistadas, por tudo de bom que existe no simples viver.

Tudo isso só pra dizer que às vezes a gente joga contra a gente mesmo.

A gente se sabota.

Se inflige dor, sacrifícios, renúncias.

Há anos recebo amigos por ocasião do Natal. Decoro a casa com o maior prazer e piloto a cozinha como a Dona Benta de Jurerê Internacional. Asso perus deliciosos, preparo molhos e farofas de comer sentado. Literalmente. Pelo menos eu como, pois meus joelhos e pés chegam ao ponto de não conseguir me manter de pé, tamanhos cansaço e dor. Ano após ano, prometo que vou mudar minha atitude e ser mais complacente comigo mesma. Encomendar peru assado de padaria, fazer arroz e maionese. Um trivial básico salpicado com muita uva passa.

No Natal de 2017 uma amiga sugeriu que minha casa comportava um pinheiro maior do que aquele que eu vinha preparando desde os tempos de São Paulo. Com o pé direito 3 xs maior, concordei com ela. E lá nos recônditos do meu ser, comecei a sentir minha célula killer afetiva se movimentando, ganhando espaço e atropelando minha decisão de simplificar a vida e meus Natais. Quando chegou o mês de outubro ela estava pronta pra dar o bote fatal e planejei ir ao Paraguai comprar a árvore dos sonhos da minha amiga, que agora, por tabela, também era a árvore dos meus sonhos. Facilitei a vida e comprei por internet. Em 3 dias,  estava em casa, a colossal caixa do pinheiro dos sonhos.

Montar e decorar o monstro de 3,5m exigiu 3 escadas em torno da circunferência de 1,7m, uma sacola cheinha de bolas, pinhas, anjos, papais noéis, etcetctec, pendurada no pescoço, e um sobe e desce frenético para dispor de forma uniforme, absolutamente tudo que encontrei que pudesse compor minha nova árvore de natal. Suplício foi pouco para definir a dor das pernas e joelhos. Estar fora de forma também. E só não despenquei do topo de nenhuma das escadas por detalhe. Cada nova investida ao topo exigia a conferência de que estava munida com absolutamente tudo que fosse precisar. Chega uma hora que os joelhos não dobram mais e as pernas recusam a empreitada. E apesar de todo esforço e de repetir a meu marido (e a mim mesma) a todo momento: “Como foi possível viver nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho?”, por mais que eu coloque badulaques na árvore, ainda falta muito adorno para que ela fique realmente com a cara da árvore de Natal dos meus sonhos.

Para o próximo ano, aquela viagem ao Paraguai deverá ser melhor planejada, e colocada em prática. Não acredito que vá encontrar na internet um mini-guindaste. Nem uma metralhadora pra eliminar de vez minhas células killers afetivas. Sem contar, nos enfeites de Natal. Ou compro ou faço.

Quanto a simplificar a vida e os Natais? Acho que ainda vou aguentar um tempo. Porque a árvore ficou linda e não sei mesmo como pude viver tanto tempo nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho. São estes pequenos – porém grandes – detalhes que fazem parte da alegria do Natal.

Um Feliz e Abençoado Natal a todos!!!!

Que assim como eu estão sentados de tão cansados; ou estão satisfeitos com o pinheiro de vaso na mesa de canto da sala de estar; ou com o peru encomendado da padaria; ou que vão presentear com vale-presente; ou simplesmente vão assistir o Natal dos outros na telinha da televisão, nos filmes cheios de neve e compras de última hora em New York; ou vão dormir e simplesmente, deixar passar. Porque amanhã é dia 26, a vida segue, e Natal é apenas Natal. Viva-o do seu jeito. Talvez nem todos sejamos vítimas de células killers natalinas.

 

Preparando o Natal 2018

Fazem 5 anos que vivo à beira mar entre o calor e as ondas, entre as gaivotas e as conchas. Desde o primeiro Natal, em 2013, imaginava como seria fazer um Natal bem praiano. Nada a ver com o excesso de vermelhos e verdes e Papai Noeis da Lapônia. Queria os tons de areia e mar vestindo a casa de praia na temperatura de verão em pleno Natal. Como ainda faltam aproximadamente 50 dias para o dia 25 de dezembro, arregacei as mangas e comecei a preparar nosso primeiro Natal Praiano: conchas recolhidas na orla de Jurerê, bolas de isopor antigas (dá pra imaginar que aprendi a fazer bolas de isopor revestidas de tecido? Hora de reciclar!!!) e cola quente. Fácil e rápido. O problema são os dedos: Não tem como, de vez em quando, não encostar na cola quente e fsfsfsfsfsfs a pele ficar sapecada e dolorida.

Bola de concha 1

Além das bolas natalinas, pinheiros, adornos, pingentes e um universo de possibilidades começa a ganhar vida.

Pinheiro conhas

O Natal de uma família diferente

Como se tivessem combinado, chegaram juntos, cada um com um pacote na mão, envolto em papel festivo. Renata, minha filha, beijou Celso e Ricardo, eles entregaram os presentes. Ricardo apresentou os dois jovens que tinham entrado junto.
– São amigos de faculdade, um de minha turma, outro do Celso. Moram fora de São Paulo e queriam conhecer meus irmãos.
Os dois apertaram as mãos, entregaram uma garrafa de vinho cada um, desejaram feliz Natal.
– Ainda que faltem alguns dias, mas vamos lá.
– Faltam sim uns dias, mas o almoço foi programado para hoje por um motivo forte. Único dia em que os irmãos podiam se juntar. Cada um está num lado, foi preciso armar com antecedência. Primeiro Natal que passam juntos!
Expliquei com um sorriso, porque eu sabia o que eles não sabiam.
O almoço foi servido, uma carne tenra de peru com salada de endívias. Os colegas de faculdade estavam curtindo o encontro dos irmãos.
A certa altura, surpreenderam-se quando Celso perguntou à Renata:
– E seu pai? Vem?
– Não sei ainda!
Os dois olharam para a Renata, olharam para Juliana, voltaram-se para mim. Afinal, não era eu o pai? Percebi a perplexidade. Não era uma reunião de irmãos? Almoço vai, almoço vem, Renata virou-se para Celso:
– Perguntou do meu. E o seu pai?
– Sabe que ele nunca vem. Desentendeu de vez com minha mãe, mudou-se de São Paulo.
Os dois colegas de faculdade se entreolharam perplexos como que perguntando: que irmandade é esta? Que pais são esses? Não resistiram:
– É ou não é um almoço de Natal entre irmãos? Que conversa é essa do seu pai, do pai dela? Uma brincadeira, pegadinha, o quê?
– Nada disso, comentou Ricardo, o mais velho de todos. Este almoço é especial Um almoço de Natal, dias antes do Natal, e há muito esperado. Somos irmãos não irmãos. Nos consideramos irmãos e vivemos como irmãos.
– Continuamos sem entender.
Todos riram. Renata entrou na conversa:
– Minha mãe é esta, a Juliana. Casou-se com meu pai aos 24 anos, e nasci. Um ano depois, meu pai se mandou. Dois anos depois, minha mãe casou-se de novo com o Rodrigo, este aqui na ponta da mesa, com quem vivo há 24 anos.
Portanto ele é meu pai, o homem que me criou, educou.
Ricardo pegou a deixa:
– Rodrigo é meu pai. Era casado com a Cássia, minha mãe. Quatro anos depois de eu nascer, eles se separaram. Meu pai ficou anos sozinho, até se casar de novo com a Juliana. Nossos Natais sempre eram esquisitos.
A ceia com minha mãe, o almoço do dia seguinte com meu pai. Então, minha mãe, a Cássia, se casou de novo com o Edu. E nasceram Celso e João.
Celso está aqui, o João está no estrangeiro. Meus irmãos por parte de mãe. Depois, Cássia e Edu se separaram, ele ficou um tempo, casou-se de novo, tem um filho, Marcelo. Que ainda vai chegar porque este encontro foi planejado. Assim teremos pais não pais e irmãos não irmãos. Um Natal diferente, porque nos uniu e estamos curtindo.
Os colegas de faculdade compreenderam, ainda que ressabiados. Porém sentiram o bom astral e ficaram em dúvida. Quem são os diferentes aqui? Nós, ou eles? Quem são os normais? Perguntaram rindo. É, o mundo mudou, mas o Natal continua Natal, unindo pessoas. E foram abertos espumantes frescos e delicados.

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                                                     Por Ignácio de loyola Brandão

Inácio de Loyola Brandão, 74 anos, é escritor e jornalista, tem 35 livros publicados entre romances, contos, biografias, crônicas, viagens e infantis. Cronista quinzenal do jornal O Estado de S.Paulo

Então é Natal

“Então é natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.Então é natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.Então é natal, e o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez.
E entao é natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, o amor como um todo.Então bom natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Harehama, Há quem ama.
Harehama, ha…

Então é natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa …” Simone

Vestindo a casa de Natal

 

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Tem gente que não gosta. Já eu, adoro Natal e Reveillon. Tenho de reconhecer que `a medida que os anos passam, a vida vai puxando o tapete e as pessoas que amamos, e cada vez mais, juntar quem a gente ama pra fechar o ano, brindar, trocar presentes e confraternizar, vai ficando mais difícil. Aquele familiar que faleceu, o que não pode vir, os filhos que fazem uma programação própria, … o ano que passou e levou com ele sonhos e ilusões, a percepção das perdas e fracassos, dos projetos parados ou adiados. Tanta coisa a lamentar. Independente a isso, todos temos algo pra comemorar. A começar pelo simples fato de estarmos vivo em tempos tão violentos, termos o básico necessário para viver, ter a quem amar e ser amado, ter amigos, uma casa pra morar, roupas pra vestir.

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Enfim, alguns mais, outros menos, mas todos temos algo porque se alegrar e fazer valer este período de festas. O espírito natalino pede espaço pra invadir nossos corações e nossas casas. Cabe a nós permitir esta invasao.

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Costumo vestir a casa, de cima a baixo, para o Natal. São mais de 35 anos inovando, aprimorando, reformando e adaptando utensílios e decorações. Cada ano que termina traz consigo uma nova ordem, um outro olhar sobre o velho, o antigo, o desgastado.

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Gosto de reservar alguns dias para decorar a casa. É quando limpo, colo e pinto o que se estragou neste período encaixotado. É quando a cola quente, os sprays dourados, os glitters e as pinhas, renovam velhos arranjos natalinos. É quando a casa vem abaixo e os papais noeis procuram um novo lugar para ficar.

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Tem objetos esperando pelos netos (que ainda são meras promessas). Tem objetos comprados no impulso que nunca encontram onde ficar. Ou voltam para as caixas ou são doados. Tem objetos consagrados que apenas mudam de lugar, quando muito. Tem lugar garantido há anos pois trazem o sagrado do Natal.

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Outros objetos trazem recordações de outros tempos e lugares. No todo, reaproveito quase tudo. E antes de comprar qualquer coisa nova, avalio a real necessidade da aquisição.

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O coringa da decoração de Natal são as pinhas. Elas combinam com absolutamente tudo e são a cara do Natal.

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Gosto delas ao natural. Nada de sprays dourados. As minhas são da época em que morava em Lajeado. Catei elas nas caminhadas que fazia na beira do Rio Taquari – onde havia um pinheiro muito produtivo. Passado o Natal, elas voltam para a caixa de papelão, onde ficam guardadas o ano todo, esperando fazer bonito em novos arranjos, árvores, fruteiras e tantos outros detalhes natalinos.

Um pinheiro de flores

Já comentei em algum post antigo que não gosto de muito fricote, rendas e flores nos meus scraps. Prefiro o estilo clean na arte do papel. Mas, não resisti ao encanto do pinheiro feito com todo tipo de flores. Papel, pano, crochê.

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Os primeiros pinheiros que saíram na aula de scrap foram com 35 cm de altura. Todas as colegas que fizeram, acharam cansativo o trabalho de cortar, modelar e colar entre 60 e 100 flores no pequeno cone.

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Na hora de comprar o cone de isopor, optei por levar duas alturas: dois cones de 35 cm e dois de 50 cm. Ao chegar em casa, achei que o cone mais alto combinaria mais com meus ambientes e com o restante da decoração de Natal que tenho distribuída por toda casa. Nem imagino – nem contei – quantas flores tive de fazer, modelar e colar no pinheiro mais robusto. Ao me verem chegando com o cone de 50 cm, minhas colegas acharam que o pinheiro só ficaria pronto para o Natal de 2016. A dúvida serviu como desafio e me estimulou a concluir no mesmo dia – e noite – a primeira torre de flores.

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Para fazer o pinheiro de flores o primeiro passo é pintar o cone de verde, para melhor disfarçar os espaços em branco que por ventura não conseguirem ser preenchidos. Optei por fazer flores com restos de papeis natalinos (ou com papeis de tons avermelhados, dourados, terracota e verdes) usando furadores de diversas formas e tamanhos. Depois de recortados, o efeito boleado pode ser feito com boleador (ou agulha de tricô). Para cada flor foram usados entre 3 e 4 camadas (de flores) e quase todas receberam, além da cola de silicone, uma bailarina para dar acabamento, e também pra ajudar a fixar melhor a flor no cone de isopor.

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Comecei distribuindo as flores maiores, depois as médias e por último, as menores. Além das flores feitas com furadores da Toke e Crie e Imaginisce, usei uma faca para fazer os gelos dourados, utilizando a Sizzix Big Shot. Para preencher os espaços vazios e fazer o topo da árvore usei stickers natalinos autocolantes colados em tapetinhos de papel, também da Imaginisce.

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A segunda torre (pois a ideia é colocar as duas na mesa da ceia natalina) vai começar a tomar forma a partir de amanhã. Espero conseguir dar a ela o mesmo tom e estilo que adotei na primeira. O que não posso garantir é que ela seja feita no tempo recorde da primeira. A única certeza é que estará pronta no dia 25 de dezembro de 2015.

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Natal/Ano Novo – Emoções contraditórias

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Mais um ano chegando ao fim! Quando crianças, esperávamos esperançosos a chegada do Natal e o Ano Novo. Natal significava Papai Noel, presentes, pinheirinhos com luzes pisca-pisca, presépio, festa. Ano Novo, significava férias e um ano a mais ou a menos na escola. A alegria e a curiosidade eram os sentimentos desta época. Os anos passaram. Amadurecemos e entramos sem querer no complicado mundo adulto e nos tornamos, de repente, pessoas experientes. E, em todo ano que vem e vai, tem um Natal e um Ano Novo. Duas festas separadas por apenas 7 dias e muita contrariedade emocional: início e fim; nascimento e morte. Natal simboliza o nascimento de Cristo, a esperança de um mundo melhor. Deseja-se paz, amor, compreensão, doação e alegria. Como é o nosso amor? É desinteressado, natural e atento a tudo? Ou é um amor interesseiro e obrigatório? É restrito as quatro paredes de casa ou é fraterno e social? É difícil amar nos dias de hoje. Não sabemos mais o que é o amor, confundimo-o com sexo, paixão, comodidade, conformismo, presentes caros e sofisticados. Para muitos o amor vem com etiqueta e preço. E a compreensão? Como podemos ser compreensivos num mundo competitivo, onde o erro é abominado e só existe lugar para a exatidão e a perfeição? E a doação? Se pensarmos no ano que finda, além de pão velho e roupas surradas, o que mais  doamos? Será que conseguimos ter olhos e coração para ver além do nosso umbigo? Ou ficamos alheios à miséria humana que nos cerca, porque a crise econômica nos absorveu de corpo e alma e passamos o ano de calculadora na mão, somando e subtraindo números em nossas vidas? E agora, chegado o Natal, temos a obrigação de dar presentes, nos doar a nossas famílias e à comunidade… Como podemos fazer isso se não treinamos durante os 359 dias passados deste ano quase fechado? Onde fica nossa alegria? Na escolha do presente mais  caro e exclusivo? Na alegria dos outros? Natal é também uma festa coletiva, comercial, cheia de energia. Ficamos sensíveis e vulneráveis. Deixamos de lado a dureza do nosso ser, amolecemos a alma e confraternizamos com nossos irmãos de espécie, mesmo que formalmente. Logo em seguida, passado o Natal, nos preparamos para o Ano Novo. Inevitavelmente, olhamos para o ano que se foi. E, assim como as empresas fazem seu balanço anual, contabilizando desempenho, estoques, lucros e despesas, também nós fazemos nosso balancete pessoal.  Contabilizamos perdas e ganhos. Avaliamos metas atingidas, fracassos, sucessos, relações pessoais e interpessoais. Contabilizamos  e numeramos nossa vida. Quando o saldo é negativo, a tristeza desponta, mas o ano novo renova a esperança de que no próximo ano vai ser diferente. Vai ser melhor. Quando o saldo é positivo, nos alegramos. Sentimo-nos vitoriosos e realizados. Mas, o ano é novo e desconhecido. Surge o medo/receio e apreensão. Esperança também. Somos nós, nossas vivências e ações que faremos o ano novo positivo ou negativo acontecer. Pra mim, Natal é assim. Ano Novo, também. E pra você?

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O texto é 1996.  A reflexão, a mesma.

Boas festas!!!!Um Natal Abençoado e um 2014 promissor!!!

Excentricidades gastronômicas

Há muito tempo reclamo da minha dificuldade de almoçar sozinha, que evoluiu para a dificuldade de preparar almoço só pra uma pessoa: euzinha. Que evoluiu ainda mais, podem acreditar – isso é possível – por não suportar limpar a cozinha pra fritar um bife, picar uma cenoura, uma batata, uma beterraba, lavar um prato, lascar unhas, marinar carnes com alhos, shoyos, mostardas e bugalhos, ressecar as mãos, limpar fogão, chaleira respingada, engordurar os cabelos, perder tempo d+ com a trilogia forno/pia/fogão. Coisa de folgada, dondoca, preguiçosa, relaxada….. sem noção, pode ser. Mas é. Sem contar que, não me seduz nadica de nada, comer a quilo, sozinha, em restaurante. Por conta destas complexidades, estou virando uma “xpert” em excentricidades gastronômicas. Meu almoço de hoje foi pipoca de micro ondas light com espumante Brut. FE-NO-ME-NAL.  E, como hoje é dia de cinema: então, nada mais de pipocas. Estou virando “xpert” também na matemática das calorias. Antes, ou depois do filme, uma caminhada, sem compras pelo shopping, movida apenas à água, e, um cartão de crédito, estourado. Próxima meta (possivelmente utópica): evoluir na matemática financeira dos meus limites bancários. Justificativa para a bomba orçamentária? Sempre existe, of course (assim que se escreve depois de duas taças de Nero Moscatel? Eu mencionei Brut? Engano: prefiro moscatel com pipocas salgadas): Compras antecipadas de Natal. Acho que no próximo ano vou aderir a Carlos Sussekind e adotar as mesmas medidas que ele sugere em seu conto “O anti-Natal de 1951”. Atualíssimo, aliás. Bon apetit e Salud.

Scrap de Natal

Oficina de Natal, 29.11.2011, Scrap Sampa, SP.

Acordei cedo. Fiquei agitada como criança em dia de excursão. Fui uma das primeiras a chegar. Pouco a pouco as colegas foram chegando. Olhamo-nos  estranhas sabendo que tínhamos muito em comum. Um suquinho de laranja e uma água enquanto a sala era finalizada para nos receber. Tínhamos uma proposta audaciosa a cumprir. Um mini-álbum com dez projetos, cartões e embalagens de Natal e uma guirlanda. Horário previsto: das 9 às 19 horas. Para “mim” apenas um dia pra fazer scrap, aprender novas técnicas, relaxar e conhecer gente diferente. Era o que eu buscava. Somente isso. E claro. Veio muito mais.

Na chegada uma bela caixa natalina recheada de materiais. Saco dentro de saco, cada qual guardando partes de partes de projetos. Em cada mesa – duas – 5 scrapeiras.

O agito foi imediato. Bagunça idem. Cada uma no seu ritmo e no seu jeito. Várias professoras ajudando a recortar, colar , explicando o que fazer. A sala ficou pequena, a energia transbordante afogando o ar condicionado que resfolegava tentando nos acompanhar. Sem contar na infinidade de retalhos e sacos pelo chão.

 Finalizado o primeiro projeto, ensaquei meu cartão e projeto inacabados.

Hora do Coffee Break. Droga!!!! Logo agora que desenferrujei os artelhos. E estava quase terminando (faltavam uns 10, 15 minutos de trabalho?). Além do quê: perigo eminente para minha dieta.

Resisti bravamente e fui – novamente – a primeira a retornar. Apenas um taça de café com leite e um sanduiche com tomate seco, rúcula e queijo de búfala. Delícia.

Segundo projeto. Terminado no tempo. Inclusive o cartão. Nada de técnicas,  encaixes ou recortes mirabolantes.

Hora do almoço. Crepes suíços. E muita salada verde. Passei barato com dois crepes vegetarianos. Nenhum crepe doce.  Pressentia o lanche da tarde e reservei minha cota açucarada para aquele momento. As muralhas da resistência davam os primeiros sinais de fragilidade.

Ao retornar, a Swat havia passado pela sala e recolhido nosso estardalhaço, fruto da adrenalina, confusão e ação. Brotou sobre a mesa uma árvore de Natal muito meiga e um doce natalino. A esta altura, fomos comunicadas da maratona da tarde. E dos tempos. Ou melhor: da falta de tempo.

Os projetos iam se sucedendo – alguns finalizados, outros não, encaixotados sem dó nem piedade-  materiais iam se perdendo, a chuva caindo inclemente do lado de fora, e nós – envolvidas até os cabelos  – tentávamos acompanhar as orientações.

Agora, convenhamos!!!!!: 10 alunas, 4 profes num espaço de – aproximadamente – 16 metros quadrados, (o burburinho era tanto com um “Cadê o botão da minha flor?”, e, “Cadê a bailarina rosa?”, e, “Cadê minha árvore de Natal?” , “Alguém pegou, sem querer, minha árvore de Natal?” Parece que alguém – mais bagunceira que eu, fiquei sabendo depois (no segundo tempo) – pegou sim.)

Dá para imaginar a quantidade de produção artística, linguística, sonora, anti-ecológica  que este grupo efervescente produziu?

Hora do lanche da tarde. Ainda bem que segui minha intuição feminina. Hora do doce permitido. Aprovadíssimo. Uma dádiva pecaminosa. Divino.

Retornando à Sala Energética – e energizada – a finalização dos trabalhos. Olho no relógio: 20:15h. E a guirlanda?

A turma das disponíveis se habilita.

O segundo tempo (mais seis horas de oficina, enrolando flor de papel e feltro, finalizando projetos e cartões) é marcado para a tarde do dia seguinte.

A prorrogação (tempo indeterminado) segue noite adentro. Enfim, meu álbum de Natal está QUASE pronto. Faltam as fotos.

Decidi que ficou tão lindo, mas, TÃO LINDO, que vou fazer uma seleção de fotos de vários Natais – acrescentar algumas páginas estilo “bysuzete” – e colocar na mesa de centro da minha sala de estar, como peça decorativa.

Sem dúvida, uma obra de arte!!!!! Obrigada, profes da Scrap Sampa.

Amei. Adorei. Vibrei. Cansei. Relaxei. Me estressei. Brinquei. Ri muito. Falei pelos cotovelos. Recortei um monte, colei outro tanto. E principalmente, saí feliz e realizada.

Como disse uma colega: “Foi meu presente de Natal”.  Meu também.