Quem diria!!!!

Anos atrás me falaram sobre o Facebook: tô fora, foi a minha reação inicial. Hoje, minha companhia diária, minha conexão com outros mundos e outras pessoas. Um portal. Também me falaram sobre criar um blog e anotar minhas ideias e escrevinhações, sei não, acho que não, sou indisciplinada e vou escrever sobre o quê? Eram minhas caraminholas. Hoje, meu compromisso diário, meu registro dos dias, emoções, percepções e insights. Anos atrás eu não me imaginava sem uma agenda cheia de compromissos. Hoje, sequer tenho uma (transformei meu blog numa agenda invertida: faço, depois registro o que vale a pena). Nada que bloquinhos, recados na geladeira e papeizinhos não deem conta. E vivo muito bem assim. Aliás, como eu vivia com uma agenda daquelas? Não vivia, sobrevivia. A vida é muito mais que uma agenda lotada. Na época também tinha horário fixo no cabeleireiro e na manicure – senão como faria pra dar conta daquela agenda medonha? – e vivia com as unhas impecáveis, nada de raízes brancas aparecendo ou o cabelo fora de corte. Hoje, até faço unha e cabelo, sempre e quando tenho vontade ou algum evento exige: que seja uma noite a dois. Aprendi a usar – e amar – as unhas ao natural. E se as raízes brancas derem o ar da graça? Invento penteados, sobrevivo e retoco, sem stress ou neuras: são só meus cabelos brancos, nenhum ET. Quem diria que eu sobreviveria sem meus filhos debaixo do mesmo teto. Afinal, minha vida e agenda giravam em torno deles. Aprendi a viver vendo-os viver a própria vida. E vivo muito bem e feliz assim. Anos atrás … muita coisa era diferente: ideias, conceitos, expectativas, necessidades, … Tudo mudou. Também mudei. Não existe outra alternativa pra seguir em frente. Hoje, não abro mão do tempo livre, das noites em claro devorando livros, do cinema semanal, da minha vida virtual, de estar com minha metade da maçã de segunda a segunda, de curtir almoços e jantares com amigos, de viajar … Mas, se precisar, mudo de novo. De novo, e sempre.

Por que sair de casa

As novas gerações pouco brigaram com as gerações mais velhas. Pouco precisaram conquistar! Estão ganhando tudo de mão beijada. Quem não ouviu estas expressões? Afinal, com toda a liberdade e mordomias que tem na casa dos pais, por que sair de casa? A pergunta é simples. A resposta mais complicada. A realidade é esta em muitas famílias que também se questionam: Porque nossos filhos devem sair de casa, quando é mais econômico, seguro e afetivamente mais tranquilo que eles permaneçam em casa? Antigamente, se é que se pode ir tão longe no tempo, sair de casa era uma conquista. Com ela vinham outras: o primeiro emprego, a primeira casa (quem se importava em viver num muquifo sujo e desconfortável?), a liberdade de ir e vir sem dar explicações a ninguém, as primeiras experiências sexuais. Era ter a vida nas próprias mãos. Com todas as mudanças sociais e culturais, estas deixaram de ser conquistas e passaram a ser garantias que muitos desfrutam sem qualquer esforço: o emprego é servir de motorista, de companhia ou de cola para o relacionamento conjugal. O que dizer sobre sexo e liberdade para ir e vir? Conforme a classe social, tanto uma como outra, começam cedo demais, quando nem corpos, nem cabeças estão prontos. Os pais não apenas permitem, como estimulam estes comportamentos. Justificativas explicam o inexplicável. Mantemos nossos filhos infantilizados e agarrados a nós até não os aguentarmos mais. Permitimos que fiquem conosco, enquanto nos convém, enquanto não estamos prontos para jogá-los do ninho e lançá-los ao mundo. Temos medo da nossa cria. Estará ela pronta para os desafios da vida? Saberá sobreviver sozinha? Não suportamos a dor deles. E assim, covardemente, delegamos a eles o sofrimento do corte do cordão umbilical. Esta necessidade um dia surgirá. Para muitos o corte derradeiro será a morte dos pais protetores. E assim, pela primeira vez sozinhos, tornam-se duplamente desamparados: perdem ao mesmo tempo os pais e a vida vivida até então. Sobra pra eles a árdua tarefa de viver e sobreviver por conta própria – sem estarem preparados – já que não poderão mais desfrutar da sombra fresca patrocinada pelos pais.

Quando meus filhos chegaram nesta fase, meu lado mãe falou mais alto que o lado psicóloga. Não fosse o pai, talvez nossos filhos ainda estivessem em casa conosco. Segundo ele, na natureza os pais jogam os filhotes dos ninhos para que eles aprendam a voar. Deveríamos fazer o mesmo. Eu alegava que eles ainda não estavam prontos. Com mais ou menos traumas ambos saíram de casa e ganharam o mundo. Meu lado psicóloga acabou falando mais alto, permitindo que meus filhos se tornassem adultos livres e responsáveis. Prontos pra agarrar a vida com as próprias mãos.

 

 

 

Ninho Vazio

Etimologicamente falando, ninho é a habitação das aves, feita por elas para a postura de ovos e criação dos filhotes. Pode ser refúgio ou abrigo, e, por conseguinte, a casa paterna. Nosso lar. Imagina quantos outros ninhos existem! Vários. Inclusive alguns ninhos de cobras! Infelizmente. Ninho de cobras, segundo o Aurélio, é o lugar onde há pessoas de índole má e traiçoeira. E o ninho vazio? Psicologicamente falando, é quando os pais estão entre os quarenta e os sessenta anos e os filhos estão saindo de casa. Um ciclo natural. Vejo em muitos National Geograph e Discovery Chanel os pais jogando seus filhotes dos ninhos, literalmente expulsando-os. Não é o que nós, humanos, normalmente fazemos. Não vejo – na natureza – nenhum sofrimento neste comportamento animal, apenas a certeza instintiva e inata de lançar filhotes prontos ao mundo.

Será que nosso sofrimento reflete a incerteza sobre os filhos que lançamos ao mundo? Será que sobreviverão em meio aos ninhos de cobras, às intempéries e à vida em si?

Pesquisas mostram que a dor e a angústia típicas do ninho vazio duram em torno de dois anos. No máximo. A exceção se cria quando existe patologia materna, conjugal, familiar, ou, no próprio rebento. Além da saída dos filhos, outras características marcam este período. O relacionamento conjugal muda, porque marido/pai e mulher/mãe mudam; o relacionamento não se faz mais necessário para a sobrevivência da prole, a esta altura, pronta e lançada para o mundo/vida; assoma-se a isto uma nova forma de relação entre pais e filhos – agora adultos – de gerações, hierarquia de poder e idéias diferentes; nossa relação como filhos de nossos pais também passa por um momento único – a resolução de antigas farpas e desentendimentos encontram o melhor momento para serem solucionadas – frente a seu envelhecimento percebemos que não temos, nem eles têm, todo o tempo do mundo. A meia-idade fica espremida entre a terceira idade e o adulto jovem. Ficamos no meio do sanduíche. Espremidos dos dois lados. Vivemos esmagados tentando encontrar alternativas para estas três gerações: nossos pais, nós e nossos filhos. Vemo-nos sem saída! A sensação é de que nosso ninho começa a desmoronar. Afinal, para abrigar tanta novidade ele precisa de novos contornos e muito mais espaço. Nosso universo familiar precisa se expandir. Acaba explodindo muitas vezes! Rasgamos contornos familiares para integrar nossos próprios pais, noras, genros, netos…… E a nós mesmos. Assim, esmagados pelas necessidades e peculiaridades de ser jovem demais ou velho demais, precisamos seguir em frente. É o único caminho possível.

Boa companhia à mesa

De várias coisas tenho sentido falta neste momento de minha vida. Num período muito curto tenho procurado me adaptar à parada temporária de minha atividade profissional, a adaptação a uma nova cultura, nova casa, novos móveis, novo idioma, o distanciamento de filhos e demais familiares. É uma lista enorme de mudanças que viraram minha vida e minha rotina de pernas para o ar. Estou sobrevivente, e procuro me adaptar a esta nova fase, ou seria melhor dizer, a este novo papel. Mas o que tem me deixado um tanto aborrecida, tem sido a hora do almoço. Após uma vida acompanhada neste momento do dia, primeiro na casa de minha família com pai, mãe, irmão, avô, avó, bisavô e tia-avó, sempre com comidinhas caseiras feitas com todo o amor e dengo de avó; depois, recém casada, às voltas com panelas, receitas e falta total de experiência na cozinha, mas com todo amor e colaboração do maridinho; passei para os memoráveis almoços com filhos que brincavam com a comida, não gostavam de cebola, alho, verduras, feijão e de mais uma lista enorme de não gosto, aviõezinhos, sermões e chantagens. Evoluí para o papo-cabeça adolescente, das notas boas e das explicações para as notas não tão boas, insinuações quanto a namoros e baladas, agora já acompanhadas com a comida gloriosa de minha assistente doméstica. De repente os filhos saíram de casa, cada um no seu tempo e sobramos apenas eu e minha fiel escudeira. O primeiro golpe foi nas compras de supermercado, quando a melhor parte (mas não tão saudável) foi cortada. Ou seja, tudo que os adolescentes e jovens adultos magros podem comer sem moderação: guloseimas, biscoitos recheados, salgadinhos, chocolates, sucrilhos, danones, etc, foram banidos a favor da balança e de um corpo mais esguio e mais saudável. As quantidades também foram reduzidas, bem como as receitas adaptadas às novas moradoras da casa. Isso sem mencionar a falta do que oferecer quando surgem visitas inesperadas.  Nestas semanas já experimentei diferentes modalidades: comida requentada do jantar, comidas rápidas para uma só pessoa, ou então um lanche substancial. Todos com suas vantagens e desvantagens: comida requentada no almoço sugere jantar fresquinho, noite mal dormida e calorias além do esperado; fazer comida para apenas uma pessoa requer panelas pequenas, pratos únicos, saladas, grelhados, muita sujeira na cozinha para pouca comida, acaba ficando sem graça; lanches no almoço levam o corpo a pedir comida o resto do dia, o que leva a muitos lanchinhos e a um enorme jantar. Dia após dia tenho experimentado diferentes maneiras para almoçar. Passei a invejar minha mãe e minha sogra que já fazem isso há anos e não parecem se importar, ou é assim que penso. Aliás, pessoas ao redor do planeta fazem isso sem maiores problemas. Fui me dando conta de que talvez seja na hora do almoço o melhor momento (ou o pior) do dia para perceber meu “ninho vazio”, as mudanças da rotina e da vida, do novo. Aos poucos, tenho almoçado com a televisão, com livros e revistas ao meu lado, com o computador, com as palavras cruzadas em espanhol, com os pensamentos divagando por sobre a vista fantástica da minha varanda. Percebo que o problema não é a comida: é a companhia. É da vida em movimento que desfilava durante as refeições, e que agora está por minha conta. Este tem sido meu desafio diário. Entrar num acordo entre a fome do corpo e a fome do coração. O problema é aplacar a fome do coração com a comida do corpo. Percebo cada vez mais, pessoas sozinhas. Comendo sozinhas. E cada um encontra a melhor forma para isso. Aos poucos começo a me familiarizar com meus novos companheiros de almoço( TV, livros, micro, som, etc.). Quanto ao jantar? Volta pro começo. Jantar à luz de velas, vinho, música romântica, muita conversa com o maridinho 100% meu (sem filhos, sem empregada, sem mãe, sem sogra, sem preocupação, sem….) A vida não é absurdamente bela?!!!!

                                                     Los Canales, setembro de 2006.

O começo de tudo

 Difícil precisar quando surgiu a idéia de escrever. Desde menina as palavras e os livros sempre me encantaram e fascinaram. Eles sempre me transportaram para lugares exóticos, tempos distantes, realidades futuristas, culturas e costumes diversos, sem jamais precisar sair do lugar. Vivi suspenses e romances como se fossem meus. Fui estimulada e desestimulada, aticei minha curiosidade e minha imaginação. Muitos livros me fizeram rir e chorar. Outros ampliaram minha visão de mundo, alargando meus horizontes, desejos e anseios. Cada um, a seu modo, fundiu-se em mim tornando-me em parte quem sou.

Quando menina sonhava ser escritora. Mas a escolha profissional se deu entre ser psicóloga ou jornalista. Por algum motivo, o conhecimento pela alma e pelo comportamento humano foi mais forte e fui ser psicóloga. Desbravei antes o território feminino. Fui ser namorada, amante, esposa, mãe, dona de casa. Tornei-me mulher cedo demais.  Aos 17 anos. Obra do destino? Da casualidade? Do descuido? Ou, uma simples escolha inconsciente e inconsequente? Como tantas meninas adolescentes do final da década de 70, fui uma grávida jovem cheia de planos e sonhos.

Minha primeira filha nasceu cedo demais, com seis meses e meio de gestação. Ambas sempre fomos precoces, impacientes e apressadas. Aos 26 anos, nasceu meu segundo filho. Sentia-me realizada com o casamento, dois filhos e a formação acadêmica concluída. Mas, com o passar dos anos e as conquistas pessoais e profissionais na bagagem, algo começava a me inquietar. Sentia novamente nascer o desejo de criar, de gerar algo novo, com minha cara e meu jeito de ser. Um novo filho. Só que diferente. Minha criação deveria englobar tudo que era importante para mim. Minha vida, meus relacionamentos afetivos, minha experiência, meu conhecimento técnico e teórico, minhas opiniões e percepções. Sentia que estava concluindo uma etapa e iniciando outra. Continuar lendo “O começo de tudo”

Ninho

A primeira versão de “Um ninho para chamar de seu – reflexões na meia idade” já se perdeu faz tempo. Tenho a vaga lembrança de que tudo começou em 2007. De lá para cá cada linha foi repensada e reformulada. Até o título foi mudado. Mas felizmente, de todas as tesouradas e deletadas, o nome do livro prevalecerá.
Este é um pedaço de um grande mosaico que se chamava “Afinal, que ninho é este?” Ganhou nova forma, reduziu seu tamanho e acho que ficou didático e introdutório. Gostei.

Ninho

Ninho, etimologicamente, é a habitação das aves, feita por elas para a postura de ovos e criação dos filhotes. Pode ser um refúgio e um abrigo, e, por conseguinte, a casa paterna. Nosso lar.
Poderíamos dizer: uma casa, um ninho? Uma família, um ninho? Amigos, outro ninho?
Sim. Todos são ninhos. Melhores ou piores, todos acolhem.
Imagina quantos outros ninhos criamos ao longo de nossas vidas?
Vários. Inclusive alguns ninhos de cobras! Infelizmente.
Etimologicamente falando, cobra designa ofídio venenoso ou não. Ou uma figura de má índole e/ou de mau gênio. Ninho de cobras, segundo o Aurélio, é o lugar onde há pessoas de índole má e traiçoeiras.
E o ninho vazio. O que é?
Psicologicamente falando identificamos o ninho vazio quando os pais estão entre os quarenta e os sessenta anos. Ou seja, na meia-idade. E a característica mais marcante é a saída dos filhos.
Assim, ou seja, depois de criados, nossos filhotes ganham o mundo!!!!
Como na vida animal.
Suspeito que não seja exatamente “como”. Vejo em muitos National Geograph e Discovery Chanel os pais jogando seus filhotes dos ninhos, literalmente expulsando-os. Não é o que humanos fazem. Pelo menos, não normalmente. Não vejo nenhum sofrimento neste comportamento animal. Vejo apenas a certeza instintiva e inata de lançar filhotes prontos ao mundo.
Será que nosso sofrimento reflete a incerteza sobre os filhos que lançamos ao mundo? Será que sobreviverão em meio aos ninhos de cobras, às intempéries e à vida em si?

Os pontos Y

Acredito que na vida existam muitos pontos Y.

(Diferentemente do ponto G, que ainda não encontrei. Também não conheço ninguém que tenha encontrado).
Se traçarmos uma linha indicativa de nossa vida e nela colocarmos pontos marcantes poderemos entender a definição daquilo que entendo por ponto Y. São aqueles pontos, aqueles momentos em que chegamos a uma encruzilhada: podemos ir pela direita ou pela esquerda.
É quando fazer ou não fazer faz toda a diferença.
Todos passamos por estes pontos em nossa trajetória de vida. Querendo ou não!
Mesmo decidindo não fazer nada, o não fazer já é uma decisão: Quando escolhemos casar ou não, ter filhos ou não, aceitar determinado emprego ou não, exercer determinada profissão ou não, se mudamos de casa ou não, se nos divorciamos ou não, se seguimos o que o médico disse ou não, se pedimos demissão ou não. São decisões de pontos Y. Podem fazer toda diferença nos rumos de nossa história pessoal.
Às vezes não sabemos qual direção seguir. Deixamos que alguém faça a escolha por nós ou deixamos a vida nos levar. É como se soltar na correnteza do rio. Ela nos levará para onde quiser, não necessariamente para o melhor lugar. Por isso, existem decisões que podemos deixar a correnteza levar, outras não.
Assim quando olhamos para trás, veremos que nossa vida está marcada por muitos pontos Y. São pontos de decisão. Cada um tem seus próprios pontos pelo caminho. Talvez se tivessem feito escolhas contrárias das que fizeram, a vida seria muito diferente agora.
Possivelmente. Não necessariamente.
Ao longo dos anos em que trabalhei como terapeuta, tentava descobrir, em conjunto com meus pacientes, o padrão de funcionamento de cada um. Este saber é fundamental para nossa vida, porque quando conheço meu padrão de funcionamento, consigo prever o tipo de decisões que possivelmente vou tomar ao longo da vida. Consigo antecipar a direção a ser tomada. Quando me conheço sei como costumo decidir e agir.
Se sou audacioso, se gosto de mudanças radicais, se sou cauteloso, temeroso, se sou acomodado, irresponsável do tipo “depois vejo o que fazer”.
Nossas escolhas não acontecem por acaso, acontecem por padrão. Muitas vezes são padrões de repetição.
Insistimos em nos repetir. Inclusive nos erros.
Mas nem sempre nosso padrão de funcionamento é o responsável pelos nossos sucessos e nossos fracassos. Afinal, nem sempre estamos prontos na hora certa e no lugar certo. É importante nos darmos conta disso.
Na meia-idade temos muitos pontos Y, e é quando costumamos olhar para nossa linha da vida, localizar nossos pontos Y e avaliá-los. Será que fizemos as escolhas certas? O que poderíamos ter feito de diferente ou o que fazer agora para mudar?
É neste momento que nos deparamos com muitas esquisitices, com muitas guinadas acertadas e com muitos desastres pessoais.
Muitos tentam ir do 8 para o 80. Fazer tudo o que ainda não tiveram coragem de fazer. Trocar a água pelo vinho.
Muitos acertam, outros tantos erram.
Não existe um parâmetro seguro e confiável a ser seguido.
Vi pessoas mudando o que estava bom e mantendo o que deveria ser mudado. Vi pessoas renascendo, escolhendo coisas que pela primeira vez na vida se permitiram viver e ter.
Vi pessoas saírem de tempestades para uma vida ensolarada, e outras entrando em tornados e saírem destroçadas, sem nada. Apenas pela experiência de passar pelo turbilhão e ver de dentro no que podemos transformar nossas vidas.
Vale o risco? Penso que vale!
Olhando para trás, vejo que houve decisões para as quais eu não estava pronta. Deixei rolar ou deixei que decidissem por mim.
Aprendi a duras penas que pode ser muito custoso. Quando finalmente estava pronta para decidir, tinha que correr atrás, e fazer um re-trabalho. O que nem sempre é possível, pois nem sempre existe uma segunda chance.
Assim como nem sempre estamos prontos para as situações que a vida nos apresenta.
No decorrer da vida aprendi que têm coisas que precisam ser decididas para ontem, outras para hoje e outras para amanhã.
As mais difíceis são para ontem, são as emergências. O risco de nos enganarmos é alto. Para estas, além da experiência, o sexto sentido e a intuição podem ser muito úteis. Ouvir o que vem de dentro, o que vem da alma, o que vem de não sei onde, mas sei que vem. A margem de erro cai sensivelmente.
As decisões para hoje costumam exigir prática e objetividade. A falta de um tempo mais longo para pensar nos obriga a decidir com maior precisão e rapidez. Muitas vezes pensamos que se tivéssemos mais tempo faríamos diferente. Talvez não tão diferente, mas diferente.
E as decisões para amanhã, nos dão o tempo necessário para a reflexão. Parecem ser as mais fáceis, mas não são. Perdemos tempo, desviamos da meta, perdemos o foco e, muitas vezes, por pensar demais, passamos do ponto.
Sinceramente não sei qual delas prefiro. Já me enganei em todas e já acertei em todas.
Pelo que vivi, a vida sempre nos leva a um novo ponto Y, a uma nova chance, a uma nova decisão.
Pode ser por padrão de repetição, pode ser por ousadia.
Mas que seja por escolha nossa.
Los Canales, outubro de 2006.