“A espiã” de Paulo Coelho entre outros

Pra ler num vapt vupt ou num piscar de olhos, como disse uma amiga sobre os tais micro-contos. A vida da espiã Mata Hari é o tema do mais novo romance do nosso mais famoso escritor. Particularmente gostei muito do relato histórico da vida de uma mulher que ousou viver sua liberdade sem limites nem convenções.

Minha última coletânea literária foi bem eclética, e certamente deve estar incompleta. Não acredito que tenha lido tão pouco desde o último post. Se bem que … ando patinando há semanas no clássico “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, tido como “o maior de todos os romances”. Antes dele li dois textos do guru indiano, Osho: “Vivendo perigosamente” e “Meditação para Ocupados”.

Duas releituras muito interessantes: “Homens que odeiam suas mulheres e as mulheres que os amam”, de Susan Forward e, “Perdas Necessárias”, de Judith Viorst. Livros de auto-ajuda que costumava recomendar para pacientes onde os temas violência doméstica e perdas/adaptação ao novo, faziam parte do seu momento de vida.

“O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs; “O senhor das moscas” de Willian Golding e “Poder, Estilo e Ócio” de Joyce Pascowitch, animaram algumas noites e tardes chuvosas de inverno.

Não poderia deixar de citar o livro “Tomar a vida nas próprias mãos” de Gudrun Burkhard, que aborda a questão dos setênios e mostra como nossas vidas vão mudando(em períodos de 7 anos) conforme nossos objetivos, ritmos e necessidades.

 

Adultério

“… Olho as folhas mortas no chão. Penso que, em Paris, já teriam sido recolhidas.Mas, estamos em Genebra, uma cidade muito mais rica, e elas ainda estão ali.

Algum dia estas folhas fizeram parte de uma árvore, que agora se recolheu e se prepara para uma estação de repouso. Por acaso a árvore teve consideração com aquele manto verde que a cobria, a alimentava e lhe permitia respirar? Não. A árvore só pensa em si: certas coisas, como folhas e insetos, são descartadas, quando necessário.

Sou uma dessas folhas no chão da cidade, que viveu achando que seria eterna e morreu sem saber exatamente por quê; que amou o sol e a luabe durante muito tempo assistiu àqueles ônibus passando, àqueles bondes fazendo barulho, e ninguém jamais teve a delicadeza de lhe avisar que existia o inverno. Elas aproveitaram o máximo, até que um dia foram se tornando amarelas e a árvore lhes disse adeus.

Não disse até loga, mas adeus, sabendo que elas não voltariam nunca mais. E pediu ajuda ao vento para soltá-las de seus galhos o mais rápido possível e levá-las para bem longe. A árvore sabe que só poderá crescer se conseguir descansar. E se crescer, será respeitada. E poderá gerar flores ainda mais belas”.

 (Coelho, Paulo – Adultério  Rio de Janeiro, Sextante, 2014 pg. 193/194)

“Manuscrito encontrado em Accra”

Depois de muito tempo voltei a ler Paulo Coelho. Li a maioria dos livros do nosso mais famoso escritor que continua sendo o guru de sempre. “A mais destruidora das armas não é a lança ou o canhão – que podem ferir o corpo e destruir a muralha. A mais terrível de todas as armas é a palavra – que arruína uma vida sem deixar vestígios de sangue, e cujas cicatrizes jamais cicatrizam. Sejamos, portanto, senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras.” É com frases assim que ele debate questões como o perdão, o futuro, a lealdade, o amor, os milagres, a beleza, os amigos, inimigos, o medo, a mudança, o sucesso, a elegância, a vida, a morte. Pode-se considerar um livro de autoajuda. Pra quem tem paciência e gosta do gênero é um excelente texto pra meditar e rever escolhas e opiniões.