Moto

“Moto é desapego” (disseram-me na Morada dos Pinheiros, em Bom Jardim da Serra) – Sábias palavras, um lugar encantador –  Desapego de conforto, de segurança, de beleza … Acrescento +:

Moto é viajar nas sensações, nos cheiros, sons e texturas,

– também ouvi isso –

É vento que afaga, acarinha e aranha a pele,

É sol que abrasa, chuva que alfineta.

Cheiros que – vários, insanos, lúdicos, cheirosos – inalam o corpo.

É luz que, por xs, cega e escurece a alma

por xs, clareia e engrandece o dia,

É velocidade que excita e assusta

nas curvas que engolem e se alargam na estrada.

– sinto tudo isso e muito + –

como listar a imensidão de sensações e sentimentos em momentos e instantes que parecem infinitos a dois pés do asfalto quente, rugoso e vertiginoso?

A viagem sobre duas rodas pode ser intensa e perigosa.

Como a vida.

Sobre duas rodas, duas pernas ou não, o perigo transita e espreita a vida.

Viver – disseram-me também – é flertar com o perigo.

Ando indecente.

 

Da poética da pontuação

Vírgula ou ponto final?

Depois de dois pontos, letra maiúscula ou minúscula?

Aliás, quando usá-las?

E travessões e parênteses?

Opto pela estética.

Reticências ou exclamação!

Nuances que o ponto e vírgula decepa.

Aspas e acentos:

Pelo pode ser de gato, ou não;

Para pode ser extinção ou passagem, ou não.

Evito o circunlóquio.

Acredito que a dúvida seja dirimida ao ler.

Mais ou menos como os pontos.

Tem alguns, teimosos,

Que insistem na mudança, de tempo em tempo.

Cada leitura, uma pontuação.

Um ponto de vista para cada ponto alterado.

Seria esta a poética da pontuação?

Brainstorming Poético

Quando vozes

Se encontram

Numa constelação

Num arquipélago

Filtram a luz na poeira,

Peneram a água nas chamas,

Ouvem murmúrios de poesia.

“não nascemos para saber. nascemos para acreditar… a Grécia pavorosa de Péricles… tudo gira em torno do ato frustrado… uma coragem incendiária… um copo de cólera… paisagem mental do poeta… escrita fragmentada… escrever poesia e viver em prosa… sublime terrível… impregnação filosófica… claros enigmas… luminosidade do cotidiano… estrelado céu dentro de mim… marginal de luxo… Orides Fontela … aristocrata selvagem… pintores escrevem. poetas pintam… o tempo ajusta a expansão da criação… a revolução é erótica e libertária… desonestidade intelectual: escrevo sobre o que conheço escrevo sobre o que vivi… ecos e xavecos… Heitor Ferraz. foram tantos que me mataram, não tenho bocas para agradecer. Tarso de Melo. momento kodak ontem, momento instagran hoje…linguagem fotográfica. poesia marginal, nostalgia esquisita… poesia é fúria e renúncia…Imagética… Jorge de Lima, Francisco Alvin, Cacaso… poesia provençal, contemporânea… poesia é música?um poeta desigual: direito de errar

e

experimentar

formas

novas

.

poesia esvaziada… olhar prozaquiano… palavra maldita: diversidade… vanguarda e neovanguarda, modernismo. Marcos Antônio Siscar… conteúdo produzido… ideia de fim e ruptura… poeta esquizofrênico… cápsulas de letras mortas… faxina na louçania de linguagem… concretismo… Joseli Viana Batista… palavra e expressão profunda do sujeito torturado… verso livre: estereotipado… o mundo se deposita na palavra… não existe inocência na poesia, existe ironia… alumbramento. balbuciamento. telepatia. contemplação… híbrido e fronteiriço… a realidade é plural. plural é o mundo… utopia redentora… pensar-me ainda ser diferente… a vida balança ao léu… agora, homens são coisas. badulaques, penduricalhos… desacelerar as sílabas…terreno baldio: transtorno de vísceras, presságios. a cadeira quebrada. as molduras vazias. ervas daninhas. restos de afetos. desarranjos. o dia perde sua luz. arruína-se. Donizete Galvão”

Drumond, Vinícius,  Quintana,  Murilo Mendes, Cecília Meireles, Mário de Andrade, Eduardo Sterzi, Noemi Jaffe, Frabrício Corsaletti….

uns, reviraram-se?

outros, arregalaram olhos?

que nada!!!!!puxaram a cadeira.