Na minha caminha

Passou. A consulta, o dia, o nervoso, a ansiedade. Assim como eu, meu médico também estava aflito e apreensivo com o que havia por trás do meu Rorschach. Profissional renomado e internacionalmente reconhecido, confidenciou-me que nunca havia apanhado tanto de uma cicatriz!!! “Menina, tu é difícil”. Pois é, eu sempre soube. “Vamos ver. É só pele, é algo bem superficial.” Imaginei a tortura que seria remover o mini-gesso, estava toda dolorida. No entanto, foi rápido e delicado e surpreendentemente melhor do que o imaginado. Nada que me livre de um novo retoque em seis meses. Tempo necessário para minha pele, meu corpo, minha alma e minha essência descansarem e se recuperarem. Do que foi feito, 50% foi mantido. A trincheira erguida pelo plástico foram duas linhas de sutura (uma com fio grosso e outra com fio fino de cirurgia plástica) mais uma linha de cola. A linha de cola e a linha fina foram varridas impiedosamente, mas a linha do fio grosso se mantém firme. Ainda bem. Agora só pomadinhas e gaze até o completo restabelecimento da pele. No máximo duas semanas. Depois, prepará-la para em outubro finalizar e afinar ao máximo a cicatriz. Por enquanto, só paciência e a volta a uma normalidade com data marcada. O que, por ora,  já me basta. Dizem que devemos ter cuidado com as palavras. O universo nem sempre interpreta corretamente pedidos ou desejos. Em meu planejamento anual, o primeiro semestre seria para ficar mais com meu marido, viajar e cuidar das minhas cicatrizes. Bem, daqui há um mês começo a viajar, viu universo? Depois da Rota 66, tenho ainda três outros destinos a visitar e já estamos em abril, mês quatro.  Em junho fecha o primeiro semestre, viu universo? E eu ainda tenho outras coisas na fila de espera, e aquela coisa de cuidar de cicatrizes já deu, viu universo? Está bem entendido? Cicatrizes, só em outubro, entendeu universo? Fui suficientemente clara?