A gente nunca lê o mesmo livro …

Não importa se é a segunda, terceira, quarta vez … Tenho relido livros e, nem parece. A impressão é de ser um livro inédito. Como se fosse a primeira vez. Tenho visto também, o mesmo filme, várias vezes. Como se fosse a primeira vez. Sempre vejo algo novo. Algo que  – eu poderia jurar – nunca esteve lá. Já fiquei apavorada imaginando tratar-se de uma senilidade precoce, um Alzheimer qualquer. Me rendi à repetição. As crianças convivem maravilhosamente bem com ela. Ela tranquiliza e acomoda numa rotina conhecida e segura. Sem contar que, eu ontem sou diferente do eu hoje, mais diferente ainda do eu amanhã. Como poderia estar lendo o mesmo livro ou assistindo ao mesmo filme se nem ao menos sou sempre a mesma?

Livros do momento

Na minha cabeceira estão: “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Däniken, uma releitura; “Tristes, loucas e más – A história das mulheres e seus médicos desde 1800” de Lisa Appignanesi, e, “Caderno H”, de Mário Quintana. Tenho praticado a leitura múltipla com algum sucesso, misturando estilos diferentes: poesia, crônica, romance, suspense, livro técnico, etcetcetc. Quando canso de um, leio outro. Assim como os livros, também temos dias de estilos diferentes e necessidades, idem.

Variar livros entre si, é permitir a variação de si mesmo.

Acabaram de voltar para a prateleira “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski; “Cinco Marias” de Carpinejar; “Clarice Lispector – Clarice na cabeceira – jornalismo, e a Trilogia “Cinquenta tons de cinza”, “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade” de E.L. James. Todos lidos. Nenhuma resenha, apenas este registro. Fase de outras necessidades.

Leituras

A meu lado estão “A vida como ela é … em 100 inéditos” de Nelson Rodrigues, “A disciplina do amor” de Lygia Fagundes Telles (uma releitura) e “Uma confraria de tolos” de John Kennedy Toole. Três estilos e ritmos diferentes. Estou aprendendo a ler vários livros ao mesmo tempo. Próximo passo – uma dúvida – é aprender a abandonar livros de que não gosto. Por enquanto, conciliar um bom e um ruim resolve meu problema e chego ao “The End” sem grandes frustrações. Por mais que concorde com uma amiga que diz não ter tempo pra desperdiçar com livros ruins, sou daquele tipo que sempre dou uma chance ao autor: quem sabe na página seguinte … quem sabe no próximo capítulo … e assim, termino todos livros que começo a ler. Reli, semana passada, o livro “A vida íntima de Pippa Lee” de Rebecca Miller, após assistir o filme. Acho que foi a primeira vez que o filme me fez entender o livro, e por isso, fui relê-lo.

 

Tenho vários nesta categoria de lidos, precisando ser relidos. Nem sempre estamos preparados para o livro que cai em nossas mãos. Por isso, acabei de baixar da estante “A metamorfose”de Franz Kafka. Uma releitura urgente. Outros lidos e não comentados: os infanto-juvenis “Marina” de Carlos Ruiz Zafón, as versões resumidas de “Moby Dick” de Herman Melville e “Robinson Crusoé” de Daniel Defoe.

O livro de poesias de Heitor Ferraz Mello “Um a menos” me fez repensar a poesia. Uma indicação fenomenal é o romance “Minha querida Sputnik” de Haruki Murakami. Por fim,  um texto teórico “Como funciona a ficção” de James Wood. A safra de dois meses.

Ando rodeada de livros, lendo muito, escrevendo pouco. Ossos do ofício.