Ele e eu … decolando.

Passei a deixar o celular com a secretária, pelo menos durante o horário de consultório. Era ela quem me passava qualquer recado deixado no celular. Nem sinal de Nathan. Voltei a caminhar na praia, passar horas na academia. Procurava me manter ocupada o tempo todo. Comecei a beber mais e comer e dormir de menos. Meus dias começaram a ficar prejudicados. Estaria eu sofrendo de algum tipo de compulsão? Uma paixão doentia? Marquei horário com um amigo psiquiatra. Óbvio que ele me receitou um antidepressivo e outras boletas. Do que eu estava sofrendo? Ele ainda não sabia. Preferiu não arriscar nenhum diagnóstico. Por enquanto, deveria seguir o tratamento e retomar minha terapia. Nem morta, tenho mais o que fazer, não quero, não preciso. Marquei horário com ele para a semana seguinte. Não fui. Inventei uma desculpa. Sabia que ele sabia. Remarquei. Faltei de novo. Eu estava atuando. Ambos sabíamos disso. Eu precisava de ajuda. Precisava de Nathan.

Nós dois

Perfeitos na imperfeição,

complementares na inteireza.

Almas gêmeas?

definitivamente, não.

Caras metades?

quem sabe!

Ele, uma explosão.

Eu, ventania.

juntos, um Armagedom

de sensações e luz,

ritmos e emoções,

cores e sons.

O paraíso dos sentidos.

Um amor eterno,

 refúgio do coração.

Talvez, um dois em um,

onde cada um é um.

Juntos, uma unidade.

Nós dois.