Bye bye São Paulo

Tenho uma amiga que mantém uma relação de amor e ódio por São Paulo. Acho que ela ama demais a cidade e não quer admitir tamanha insanidade. Já a minha relação com a metrópole é de tolerância, respeito e agradecimento. Um filho paulista, uma carreira de sucesso, o descortinar de um novo mundo e meu diploma de psicóloga fazem jus a meus sentimentos. Nada de paixões, arrebatamentos ou declarações de amor. Vira e meche, a cidade me fisga. Resisto, e meio que venho. Dificilmente me entrego inteira pois conheço o preço. Nesta segunda temporada, elegemos o Brooklin, entre a Nova York, a Geórgia, Califórnia e Nebraska, como refúgio. Sim, São Paulo é internacional. Mas, não é meu lugar. Venho quando é preciso e, se não preciso e tenho escolha, volto às origens. Tenho amigas e amigos – paulistas – muito queridos, que amam Sampa. Respeito este amor. Quanto a mim, aprendi a gostar da cidade essencialmente masculina e cara. Terra de oportunidades e temperaturas amenas. De vida cultural e noturna incomparáveis, com seus restaurantes chiques e alta gastronomia. As poucas linhas de  metrô levam ao que importa. Pra mim, a José Paulino, Estação da Luz e Pinacoteca; o Mercado Público de frutas exóticas, temperos picantes, sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau, ali, do ladinho da 25 de Março; a Avenida Paulista e o Parque Trianon, via Consolação e Augusta. O centro antigo. Meu shopping é o Morumbi. Meu parque, o Ibirapuera. Minhas lojas favoritas, a Shoulder, TVZ, Scrap Sampa, Casa da Arte, Saraiva e Cultura. Meu restaurante, o Moema Natural. O Pão de Açúcar da Padre Antônio, meu supermercado. Maria Helena, Jô e Carmen minhas ninfas da beleza no Ville Blanc. Tem também o MASP, o MAM e o Shopping D&D. Meus destinos frequentes na metrópole, além dos cinemas, livrarias e cafés, descobertas constantes. A cidade fervilha de cursos e congressos e cumpri o que prometi: encher a mochila com aprendizados, hobbyes, cursos técnicos, a convivência na pluralidade de culturas e pessoas. A cidade sabe ser generosa.

Livre do anzol, volto à minha essência brejeira e tranquila. Volto pro lugar de escolha. Gosto do sol claro e radiante. Dos dias luminosos. Do pé na terra. Da liberdade dos pássaros e das pessoas.

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Do ar puro perfumado de mar, mato e flor.

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Do céu azul com nuvens brancas de algodão. Adoro ouvir o barulho da grama crescendo, das estrelas faiscando, sapos coaxando, a chuva caindo. O silêncio é o barulho predileto de ouvidos cansados. Gosto de conversa serena, café sem pressa, do contato com a natureza, de ajudar quem precisa, de trabalhar psicologia, fazer arte, ler e  escrever de tudo um pouco, de sair e chegar logo. Gosto das coisas simples do dia-a-dia, principalmente de estar com quem amo e prezo. Morar em SP, em dois momentos distintos, acidente de percurso. Trânsito, fuligem, stress, superpopulação, buzinas, aviões, congestionamentos, preços abusivos, interesses e competição, definitivamente, não são a minha praia. Saindo, ficarei atenta e precavida com fisgas e anzóis. Por enquanto, apenas o que o mar mandar e a vida permitir.

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O centro impressionista de São Paulo

Depois de ter agendado, desmarcado e remarcado a ida ao CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), algumas vezes, para ver, entre outros, Claude Monet, Renoir, Paul Cézanne, Gauguin, Van Gogh, hoje, enfim, quebrei o encanto e fui. Mas não entrei. Tenho certeza (como mostra o vídeo abaixo) que a exposição era fabulosa, mas não perderia horas numa fila.

Quando cheguei encontrei uma das coisas que mais detesto: uma fila gigantesca contida em quatro gaiolas com um imenso labirinto de canos, onde as pessoas aguardavam como “boi no brete” a hora de entrar no prédio e se encantar com as famosas obras primas impressionistas.

Decidi na hora, dar meia volta. E me encantei com o que vi.De bota, bolsa cheia de livros, textos, MAC, água, barrinhas de cereal, tranqueiras mil, uma tonelada no ombro. Mas, como me propus a ver arte nesta sexta-feira….

Fui ver a exposição a céu aberto:O Centro da cidade de São Paulo.

Não me perguntem o nome das obras. Não tinha nenhum folheto, nem as obras estavam etiquetadas.

É só andar e olhar, pra direita, pra esquerda, pra cima ….. Prédios lindos, detalhes impressionantes….. e cuidar pra não ser, nem assaltada, nem atropelada.

A fachada da exposição. Uma verdadeira obra de arte.

Belas obras do passado contrastando com o agito da cidade, com prédios novos, cafés charmosos, que eu nem imaginava existirem nesta cidade cheia de contrastes.

Seguindo em frente. O centro parece um coração palpitante e empolgante.

Detalhes de outros tempos. OPS! De onde surgiu este mastro na sacada?

Decidi que vou ver as obras impressionistas desta exposição em Paris, no Museu d’Orsay – que é de onde vieram – no dia que eu for, quando eu for, se eu for…… se eu quiser ir.

Pena que alguns prédios não estão conservados como deveriam.

Muitos prédios abrigam instituições,outros abrigam lojas de tudo quanto é coisa, lanchonetes, mercearias, restaurantes, bares. Enquanto isso….

A garoa paulistana deu o ar da graça pra infernizar ainda mais quem se sujeitou à fila. Fazer o quê.

Adoro este mix do antigo e o moderno. E o centro de São Paulo é exatamente isso.

E a garoa virando chuva…. o pessoal da exposição ajeitando a quinta gaiola. Grupos de escolares chegando pra engrossar ainda mais a fila que deixei pra trás.

A esta altura, sem guarda-chuva, o pé virando bola, o ombro despencando…

Decidi ir embora e deixar pra outro dia – tomara que ensolarado – pra ver mais da exposição impressionante que é o centro da cidade. Tem o Mercado Público, o Teatro Municipal….. e tantas outras obras pungentes e marcantes.

 Passando pelo Mosteiro de São Bento, sinal da cruz e oração. Nenhum contratempo.

E záz. Metrô e casa. Valeu a exposição e recomendo.