Dia de viagem

A noite anterior normalmente é uma droga: ansiedade e medo de não acordar e perder o avião. A certeza de estar esquecendo algo, idas e vindas para conferir e acrescentar itens lembrados de hora em hora. Ao acordar, mas ainda dormindo, verificação final de portas, janelas, fogão e ferro elétrico. Tudo certo. A certeza de que algo vai ficar para trás. Congestionamento na chegada ao aeroporto, filas quilométricas para fazer o check in, excesso de peso na mala de mão, turbulência no voo, biscoitinhos sem graça no lanche, mala destruída na retirada da esteira. Fila de táxi, mala esculhambada sem alça e emperrada. Céus, acho que despachei uma saco de bigornas, ao invés de roupas. O que será que pesa tanto?
Mas cheguei. Esbodegada, sonada e dolorida.
Feliz.
Adoro estar em casa.
E Lajeado é minha casa. E minha casa é em Lajeado.

Estado de Espírito!!!!!

Tenho pensado nisso.
Estado de Espírito, Inspiração, Vontade ou Lua. Funciono bastante por estes humores e caminhos.
Tirando tudo que é obrigatório rotineiro e diário, o resto vai conforme a lua e a vontade. Tenho dias mais inspirados no trabalho, mas inspiração inspiração propriamente dita, varia conforme………a lua, a vontade e o estado de espírito. Pra fazer dieta, atividades físicas, escrever, fazer scrap, ir ao shopping, arrumar gavetas e armários, visitar amigos, ir ao cinema ou teatro, ler determinados livros, organizar o micro, bordar, etcetcetcetc. O que me leva a concluir que grande parte dos meus dias é influenciada pela lua. E não pelo sol.
Mas com sol é muito melhor de fazer.
Hoje, sexta-feira, foi o primeiro dia de sol numa semana sem sol.
Minha lua ficou cheia e desci todo guarda roupa: roupas pra lavar na máquina, pra dar na sacola, pra costureira noutra sacola. Sapatos, idem. Bolsas e bijus também. São Paulo é um caos em matéria de fuligem, então, sapólio nas gavetas e prateleiras. Cabides é uma neurose. Todos virados pra dentro, da mesma cor e material, as roupas num padrão dégradé de cor. Do branco ao preto. Mangas curtas numa ponta, longas na outra. Roupa de balada numa repartição e gaveta, roupa do dia a dia noutra, de academia noutra, blusas de verão noutra, de inverno, de meia manga, noutra. Saias e bermudas. Pijamas, camisolas, lingerie, meias. Outro inferno. Dia a dia, confortável, bonita ou sexy. O que serve e o que não serve, mas ainda vai servir. Lenços, cintos, mantas, chales e luvas. Vestidos e Casacões. Longos, 3/4, 7/8, médios e curtos. Com capuz ou sem. De linha, lã, malha ou tecido. Listrados, lisos e floreados. Ternos, jeans e tailler.
Sapatos com salto, sem salto, sandálias, chinelos, tênis, botas longas e curtas. Cada uma na prateleira seguindo o padrão de cor e estação. Couro e tecido. Dia a dia ou social. Confortável ou bonito.
Toda vez que me inspiro e arrumo o armário chego à várias conclusões: falta espaço e repartição pra tudo que precisa ser organizado; descubro maravilhada quanta coisa eu tenho e não uso, simplesmente por não lembrar ou não achar tudo dentro do armário, que parece engolir roupas e acessórios; tenho roupa suficiente pra vários anos, mas se precisar sair daqui há pouco, não tenho nada; a moda vem e vai; 10 kg a menos e meu guarda-roupa seria divino (guardo roupas há mais de dez anos, na esperança de um dia voltar a entrar em todas minhas preciosidades. Tenho roupas P, M, G e GG; 42, 44 e 46. Guardadinhas. Só esperando a fase certa chegar ); sou muito criativa e ousada na hora de comprar, e conservadora na hora de vestir; preciso reservar mais tempo na hora de me produzir para não correr o risco de sair sempre de uniforme (ou seja, usar sempre as mesmas coisas). Todas estas e muitas outras conclusões me acompanham a vida toda. Vira e mexe, repito tudo, ano após ano. Compras, arrumações e conclusões.
Talvez seja por causa da inspiração ou estado de espírito.
Às vezes, desconfio que o problema não é nem vontade, nem lua.
Nem repartições ou espaços melhores no armário.
Apenas uma questão de vaidade.

“Borralheiro – Minha viagem pela casa”

Acabei de ler o livro “Borralheiro – Minha viagem pela casa”, de Fabrício Carpinejar. O autor, gaúcho de Caxias do Sul, foi uma agradável surpresa. Quem indicou o autor, independente do livro, foi minha professora de Escrita Criativa, Noemi Jaffe.
O livro de crônicas me pareceu a versão masculina de Martha Medeiros. Nas 90 crônicas do livro a marca é a perspectiva masculina para as mais diferentes e engraçadas situações, como por exemplo, a dificuldade de mirar certo no vaso sanitário. A crônica é simplesmente hilária. O meu exemplar já está no criado mudo do maridão. Algumas crônicas foram devidamente marcadas com caneta marca texto, pois acredito que quando um homem fala – quando escreve é ainda melhor – outro homem tende a acreditar que o dito e escrito é verdadeiro.
Carpinejar mostrou ser um poeta sensível também na prosa, demonstrando conhecer o universo e a psique feminina como poucos.

Minha amiga Cleusa

A vida é surpreendente. Fico cada vez mais encantada e surpresa com o que ela nos reserva. Conheci a Cleusa há 25 anos. Nos tornamos grandes amigas, meio amigas, pouco amigas.
Ela adorava os filhos, a piscina e os shoppings centers. Adorava dormir e acordar cedo. Adorava o sol, a natureza e os doces. Odiava o barulho e as injustiças. Lembro de uma Cleusa que certamente mudou com os anos e com a distância. Ficaram as lembranças dos acampamentos em Parati e Campos do Jordão. Ficou o apelido “paizinho”, que até hoje uso de forma carinhosa para chamar meu marido.
Primeiro a vida, depois a morte se incumbiu de nos separar.
Há 8 anos ela morreu de câncer. Fiquei sabendo da sua doença no mesmo instante em que soube de sua morte. Ela preferiu morrer assim. Longe do olhar dos amigos. Aos 46 anos. Na época, seus dois filhos tinham nove e dezesseis anos.
De novo a vida se incumbiu de nos aproximar.
Decidimos passar o fim de semana chuvoso com o viuvo e os filhos no Guarujá. Um belo apartamento de frente para o mar . Entre o ap. e o mar, apenas um shopping center.
Sempre que olho para os filhos imagino o quanto ela gostaria do meu olhar. Agora também o mar e o shopping.
Saudades da minha amiga.

Minha quinta-feira

Propus-me escrever um pouco a cada dois dias e alimentar meu blog com mais regularidade. A ideia é escrever quatro horas diárias e ler outras tantas. Pelo menos enquanto não surge O NOVO PROJETO, ou meu consultório comece a bombar. E como ontem e hoje (último dia de aula na minha especialização. Hiphip, urra…..) foram corridos, resolvi falar um pouco da minha quinta-feira. Tipo diário mesmo. Ou pelo menos, o diferente na mesmice do dia a dia de uma quinta-feira.

Fui pela primeira vez na Mega Artesanal. Para quem não conhece é a maior feira de artesanato do Brasil (assim me pareceu). Além de expositores e lojistas, o imenso Centro de Exposições Imigrantes foi tomado por toda sorte de artesãos e artesanatos. Velas, sabonetes, patchwork, scrapbooking, tricô, crochê, tear, bordados, trabalhos em ferro, madeira e argila. Máquinas de costura, de corte, do bordado. E tudo que se pode imaginar que mãos hábeis possam confeccionar. Meus bySuzete receberam um reforço considerável.
Como marinheira de primeira viagem não fui a caráter para a ocasião. Tadinhos dos meus pés. Lindos e trucidados nas belas botas escolhidas para a maratona do dia. Além de nós – eu e minha amiga Ciana – centenas, ou melhor, milhares de outras mulheres (em sua grande maioria) circularam curiosas pelas novidades e promoções que se espalhavam pelos 240.000m2 do gigantesco pavilhão. Acredito que as 5.000 vagas de estacionamento estavam totalmente preenchidas. Sem contar nas dezenas de ônibus que cuspiam levas e mais levas de mulheres prendadas e arteiras.
Retornando ao silêncio e ao conforto do lar – algumas horas e quilômetros rodados depois -, uma breve pausa e descanso para meus pezinhos esgualepados. A noite se estenderia na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompéia. Fomos ao lançamento de um livro sobre consumo consciente e fiquei encantada com a quantidade de homens engravatados que compareceram em peso ao evento. Quem mandou querer ser romancista??????
Mas, a cereja do bolo ainda estava por vir. Compras de supermercado. Normalmente meu programa odioso da semana. Imaginem que em São Paulo descobrimos um Supermercado Zafari , e dentro dele tudo que encontramos nos Zafaris do RS. Cucas, pinhões, nata, pão preto Nutrella e as carnes. Únicas no mundo. Minhas preferidas são as picanhas.
E minha cara metade gaúcha veio com uma de paulistano: é picanha de Red Angus? Hã? Como? É picanha de Red ou Black Angus? Ora, sei lá se é Red, Black, White, Green ou Yellow Angus.
É picanha do Rio Grande do Sul.
Sacrilégio questionar sua procedência. Ora, ora, ora.

Bingueira, eu?????

A vida em São Paulo reserva várias surpresas.
Em menos de um mês fui a dois Bingos. Quem diria, desse jeito viro bingueira profissional! Do primeiro ao segundo já houve uma considerável evolução. Nossa mesa ganhou vários prêmios: bingos e sorteios. Cafeteira, panelas, travessas, corte de tecido, pulseira, vela, livros.
Estávamos orgulhosas por conhecer as regras e poder ensiná-las a duas novatas do grupo. Felizmente pé quentes no jogo.

A patrocinadora e desta vez também organizadora do evento, Márcia – mais uma vez, obrigadão pelo convite, amei de novo – era só sorrisos de satisfação e realização.

O Bingo beneficente aconteceu na paróquia de Nossa Senhora da Alemanha – Shoentatt, de quem minha amiga é devota fervorosa. E como da primeira vez, a tarde foi de sorrisos, brincadeiras, palmas e animação. De contribuição também.

Pelo que soube, acontece apenas 1 Bingo por ano, naquela comunidade. Então imagino, que para este ano, chega de Bingo. Se bem que, se eu receber outro convite, certamente vou aceitá-lo.
A tarde entre amigas vale o que se joga, perde ou ganha. Ela vale por si só.
A brincadeira, a expectativa e a torcida pela cartela preenchida é lúdica e terapêutica, independente dos prêmios, que igualmente merecem um parágrafo à parte. Além das doações de empresas, lojas, etcetcetcetc., muitas pessoas confeccionaram trabalhos manuais que abrilhantaram o BINGO desta tarde. Assim como o outro, o maior prêmio foi a solidariedade. E a solidariedade, certamente é um vício que não me importo em alimentar.

“Conversas Iradas com Deus”

Ontem foi nossa última aula do curso de escrita criativa. Depois da aula fomos a um pub jogar conversa fora e sobre o semestre que passou e o que virá. Em agosto, retomamos a escrita na versão intermediária. Todos sentimos que crescemos e melhoramos como escritores. E cada um comentou a importância de escrever em sua vida. Foi uma conversa diferente e interessante. Assim como eu, outros estão em transição, buscando novos caminhos e novas paixões. Entre elas, a literatura.
Falar e escrever tem um poder fantástico. Ao fazê-los, damos vida ao que é apenas pensamento ou sentimento. Muitas coisas circulam em nós como insetos e borboletas. Ora inquietas e irritantes, ora leves e silenciosas. Ambas zunem e perturbam nossas certezas e nossas vidas.
Estou terminando de ler o livro “Conversas iradas com Deus” De Susan E. Isaacs. O livro é uma divertida comédia espiritual que insiste em questionar Deus pelas coisas que acontecem e pelas que não acontecem em nossas vidas. Comecei a gostar do livro quando me vi identificando sinais do além para minhas dúvidas. É tão reconfortante pensar que o universo se preocupa com a gente e nos manda, magica e milagrosamente, mensagens cifradas sobre decisões a tomar e escolhas a fazer. Só é reconfortante, porque verdadeiro não é. Pelo menos, nem sempre. Ou, quase nunca. Sei lá. Os junguianos e psicanalistas que não me leiam.
Coisas de transição. De escolhas a fazer. Apenas isso.

Vida incompleta

Passei o feriado de Corpus Christi em Lajeado – RS. Foram poucos dias – de quarta a segunda feira -definitivamente é muito pouco tempo. Adoro minha casa, minhas rotinas, amigos, família, enfim, a vida que criei lá. Sinto-me reenergizada, preenchida e completa. Não totalmente completa. Tanto no RS como em SP, sempre falta algo para a perfeição. Lá tenho coisas que em SP não tenho. Em SP tenho coisas que no RS não tenho. Procuro ser o mais feliz e completa dentro desta vida incompleta e imperfeita.

“Água para elefantes”

Tenho ido pouco ao cinema e acho que o último filme que assisti foi “Água para Elefantes”. Além do filme, li o livro também. A história dos circos, de certa forma, meche muito comigo. Hoje, de todos os entretenimentos é do que eu menos gosto, e se puder, evito ir. Odeio o retumbar dos tambores. Fico aflita e ansiosa ao ver malabaristas e trapezistas fazendo números difíceis, e aquele som nervoso e estridente, parece anunciar a eminência de uma catástrofe. O fracasso ou o sucesso. Acho que minha pressão sobe às alturas!!!!!
Quando menina, os circos eram um grande acontecimento na pequena vila em que me criei. Lembro do agito, dos artistas, do retumbar dos tambores e de vários fracassos. Artistas derrubados por uma bola, corda, vara ou bicicleta. A rede de segurança sempre os protegeu de se espatifarem no chão, mas não da sensação de derrota e do trabalho mal feito. Normalmente o fracasso era contemplado com brincadeira de palhaços, mas aquela palhaçada me deixava mais nervosa ainda. Cheiro de grama pisoteada e molhada misturada ao esterco de animais ainda são muito presentes em minhas lembranças, e mesmo depois de mais de quarenta anos, ainda são muito intensos.
Durante o filme “Água para Elefantes”, sentada confortavelmente na sala de cinema, foi aquele cheiro que me invadiu e me transportou àquela época tão distante e de repente tão próxima. Por pouco não levantei e saí. Mas a promessa de uma grande história de amor me fez ficar e assistir ao “maior espetáculo da terra” até o final.
O filme foi baseado no livro de Sara Gruen. E, apesar das sensações e lembranças gostei tanto do livro como do filme. Jacob é o narrador da história que intercala capítulos de lembranças da vida no circo com capítulos sobre a dificuldade de ser um velho de 93 anos, vivendo longe da família, num lar geriátrico.
Aliás, memória é coisa estranha. Dizem que nossa memória é o arquivo de nossa história. Fico imaginando quanta coisa já se perdeu nas catacumbas e quantas ainda vão se perder. Felizmente algumas são sobreviventes. São aquelas situações que ficam gravadas a ferro e fogo (o circo na minha infância) enquanto outras simplesmente desaparecem, como se jamais tivessem acontecido (minha primeira viagem a Itu há 25 anos).

Itu!!!!

Passamos o fim de semana em Itu, na casa de campo de um casal de amigos, a noventa e poucos quilômetros de São Paulo. Gostei da cidade antiga e histórica, mas fiquei chateada ao lembrar que estive em Itu há 25 anos e não lembrar de nada. Apenas de ter estado lá há tantos anos atrás. Não lembrava do famoso orelhão nem do semáforo enorme. Marca da cidade, em que tudo pretende ser de bom tamanho. Enorme.

Para não correr este risco, comprei este baralho de cartas. Espero que daqui há 25 anos, lembre ao menos que foi lá que o comprei. Afinal, os lápis e borracha tamanho GG que comprei para minha filha – há 25 anos – sumiram tanto de casa como da minha memória.

Cinco quilos mais gorda, cem quilos mais leve!!!!

É esta a sensação. Depois de mais de 45 dias envolvida na escrita e conclusão do livro “Longe de tudo e de todos”. Ainda não tive coragem de subir na balança, mas meus jeans não enganam. Apertadéééeésimos.
Quando comecei a escrevê-lo em fevereiro de 2010, tinha me proposto escrever com calma, sem pressa e prazo. Escrevi as 50 primeiras páginas. Em julho, retomei o livro e escrevi mais 60 páginas. A ideia de inscrevê-lo num concurso literário me colocou frente ao dilema de escrever com calma ou acelerar o ritmo e finalizá-lo com data determinada. Optei pela data determinada. Em 45 dias escrevi mais de 160 páginas. Longe de tudo e de todos ficou com 280 páginas, na versão WORD,1,5 de espaço entre linhas, fonte Arial 12. Possivelmente, mais de 400 páginas se for impresso. Tomara que seja.
Ele é a versão em romance de “Um ninho para chamar de seu – reflexões na meia idade” meu livro de crônicas sobre a mulher de meia-idade – inédito e tão mexido e remexido – que resolvi deixá-lo como banco de dados para meus escritos futuros.
Muitos me perguntam como é escrever um romance. Cada um tem suas curiosidades e eu mesmo as tenho. Gostaria sinceramente de saber como esta experiência é vivida por profissionais com anos de estrada, já que eu me enclausurava, não via graça nenhuma do lado de fora do apartamento, acabei com meu estoque de Lexotan (3mg) e com os chocolates da Páscoa, comia pizza e lazagna Sadia intercaladamente semanas a fio, dormia com um bloco e uma caneta na cabeceira e parecia um zumbi caminhando, no meio da noite, acordada por aquela palavra, aquela expressão, aquela ideia que fugiu o dia inteiro e que me obrigava a levantar e escrever. Por isso o Lexotan 3 mg. Precisava desligar. E por mais que eu escrevesse parecia não chegar nunca ao final. Consegui perder três dias inteiros de trabalho ao não salvar minhas anotações – até hoje custo a acreditar que fui capaz disso – mas o sumiço delas não encontra outra explicação lógica. Prefiro acreditar que não era a versão correta. Acabei mudando o capítulo, e agora, concluída a tarefa, posso afirmar que foi isso mesmo. Gostei do novo rumo e do ritmo que consegui dar ao romance.
Agora só resta esperar e torcer.
Voltar à dieta, às atividades físicas, às leituras.
Voltar à vida. Sem me sentir prisioneira de uma cadeira e de uma história
Será que ser escritora é assim?

Yes, yes, yes!!!!!!

Nada que um banho quente e uma taça de vinho não deem conta.

Depois de ficar o maior tempão esperando o carro chegar do estacionamento (só para esclarecer) e ser uma das últimas a sair do BINGO, felizmente não bati até chegar em casa (felizmente até azar tem que ter limite), não conseguir postar as fotos do meu celular, eis que, bingo: decifrei o enigma da impossibilidade de baixar fotos do meu celular. Como eu poderia baixar minhas fotos se estou usando o chip de São Paulo que não tem 3G ainda? O 3G está no chip do celular do RS. Um ano de fidelidade. Poucos dias ainda e começo a navegar na wibe de SP. Até parece!!!!!

Tenha lá minhas pendengas com WIFI, 3G, LAN, Bluetooth, PDF, chip e tantas outras siglas e tecnologias.
Nestas horas sinto-me tão órfã dos meus filhos!!!!!
Mas deixei de ser uma BIOS (Burra Ignorante Operando o Sistema) e troquei o chip. Olha as fotos do nosso BINGO.
Nem precisou dormir!!!!!

O primeiro BINGO a gente nunca esquece

Em grande estilo, então!!!!!!
Nesta quarta-feira fiz um programa fantástico. Junto com algumas amigas fomos a um bingo com chá beneficente da APFCC (Associação Paulista Feminina de Combate ao Câncer), em prol dos pacientes da Oncologia Pediátrica. Ganhei o convite da amiga Márcia. Obrigada Marcinha! Amei.
Sempre que pensava em bingo, pensava em bingo!!!!!!! Mas este foi O BINGO.
Desde a chegada até a saída tudo foi alegre, colorido e muito, muito divertido. Sempre via bingo como passatempo de vovozinhas em encontro de senhoras. Claro que foi um encontro de senhoras, mas de todas as idades: crianças, moças, mulheres e senhoras de idade. Além dos garçons, vi apenas dois homens – de idade – pelo imenso salão vestido de rosa.
Imagino que devíamos ser um grupo entre 400 a 500 mulheres (sou péssima nessa coisa de calcular número de pessoas, mas uma disse que eram 400 outra 500, então, entre 400 e 500 tá de bom tamanho) disputando a canetadas todos os prêmios. Os prêmios merecem um parágrafo à parte:
Desde a minha tão desejada cafeteira Nesspresso com Kit completo, até uma viagem ao Chile (passagem aérea, 3 noites de hospedagem, translado, city tour, seguro viagem, off course, as senhoras de idade!!) passando pela geladeira, TV de LCD, microondas, máquina fotográfica digital Sony, notebook, adega climatizada, passando por vários dias de spas, almoços, jantares, cestas, etcetcetcetc. Tinha também uma viagem a Buenos Aires (com os mesmos acessórios, off course). Liquidificadores, batedeiras, grills, colares de pérolas, celular, casaco de couro, etcetcetcetc. Além de muitos prêmios sorteados pelo número do convite. Muitos, muitos prêmios, doados por empresas, restaurantes, hotéis, lojas, agências.
Jogamos 11 bingadas. A vermelha, a amarela, a rosa, a verde, a azul…….enfim 11 bingadas, com 4 prêmios em cada (uma tinha 5 prêmios, e muitos prêmios eram vários itens. EX: máquina fotográfica + secador profissional + cesta Pati Piva (????). Teve até a rodada do azarão. Aquela em que nenhum número da sua cartela é sorteado.
Só não teve a mesa azarão. A nossa.
Ficamos tentadas a participar do leilão da camiseta autografada do Santos, arrematada pela bagatela de R$ 600,00. Mas como nenhuma do grupo era santista tentamos nos números do bingo até o último prêmio, e nada. Nadica de nada.
Na saída do evento, bem que pensamos em dar uma esticada no shopping e aplacar nossa frustração de voltar para casa de mãos abanando. Mas estávamos sorridentes e felizes. Mesmo que de mãos abanando. Além do dia maravilhoso entre amigas queridas, música e comida de qualidade, a energia contagiante daquele grupo solidário foi mais forte que o resto. Ríamos até daquela mesa que levou váááários prêmios.
Saber que em meio a tanta opulência, um grupo de crianças terá sua dor amenizada foi o prêmio maior de todos. Podíamos estar de mãos abanando, mas o coração e o peito estavam estufados e cheios com a única certeza do jogo: a de poder ajudar crianças com câncer.
Com certeza, o maior de todos os prêmios.

Queria poder concluir a crônica aqui. É o ponto certo. Mas, quando o dia não é de sorte, ele é de azar. Certo? Certíssimo. Pra completar, além de ser uma das últimas a receber o carro (lembram, eram entre 400 e 500 senhoras!!!)não consegui anexar as fotos tiradas do meu celular, já que a máquina fotográfica estava sem pilha e ficou em casa.
Agora vou dormir. Quem sabe amanhã.