As conchas de Jurerê

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Quando menina, adorava catar conchas na praia. Cresci, perdi o hábito, passei a comprar conchas – lindas e perfeitas – e agora, mais madura, voltei a catar conchas na praia. Não as mais belas, nem as mais perfeitas. Tenho procurado aquelas com formas, tamanhos e cores diferentes. A diversidade me impressiona! As mais perfeitas chamam pouco minha atenção. As mais deformadas tem me cativado mais. Talvez tenham tido um processo de formação mais caótico, mais sofrido. Imagino-as sobreviventes e resilientes e me identifico com elas.

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Na realidade, “As conchas, que servem de proteção para vários animais, principalmente moluscos, como mariscos, ostras e caracóis, são estruturas complexas formadas basicamente por cristais de carbonato de cálcio (CaCO3). O órgão que forma a concha chama-se manto, um tecido delgado presente no corpo dos moluscos que permanece em contato direto com a parte interna das conchas. Ele secreta uma matriz orgânica, que funciona como liga de sustentação para a deposição dos cristais de carbonato de cálcio. Essa liga é composta, basicamente, por proteínas que são sintetizadas pelo animal a partir de aminoácidos obtidos na alimentação. Mas não é só pela alimentação que os moluscos obtêm cálcio. Essa substância também pode ser absorvida pela pele do animal diretamente da água do mar, rica nesse mineral.” (fonte Galileu.globo.com)

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Ou seja, nada de poesia.

A realidade é dura e pura.

A função básica das conchas – de proteção e alimentação – tem tudo a ver comigo, meu momento de vida, minhas perdas e ganhos.

Assim como elas, já fui mais necessária.

Ainda posso ser muito útil, por isso, nada de dramas.

Assim como elas, pretendo ser luz.

Sou elas.

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Conchas iluminadas

Pra quem gosta de velas e já quer ir sentindo o gosto e o cheirinho de verão!

Foto da internet
Foto da internet

Olha como é fácil de fazer!

Sabia que a melhor época pra fazer velas é no inverno? Com o calor do verão a parafina custa a secar, e, imagina o desconforto que é trabalhar com a parafina quente. Então, porque não aproveitar o frio do inverno e preparar o aconchego do verão?

Eu já comecei!

Velas deprimidas

Depois do casamento da minha filha Fernanda, em março deste ano, fiquei – entre outras sobras – com um saco cheio de restolhos de velas. Sou uma apaixonada por velas que uso sem cerimônia em jantares, bate-papos com amigos, pra namorar, ler, perfumar e iluminar a casa. Uma vela é sempre um bom motivo e qualquer motivo é sempre bom com uma vela.  Assim…….o que fazer com todo este material? Óbvio: reciclar. Primeiro passo: aprender a fazer e reciclar velas. Em junho fiz um curso no Empório das Velas, em Moema, São Paulo, onde aprendi o básico suficiente pra me aventurar na arte das velas artesanais.

Segundo passo: comprar o material. Já aproveitei na saída do curso e com orientação da professora (faltou um mini-maçarico para os acabamentos – uma aquisição futura) Terceiro passo: mãos à obra. A primeira tentativa – depois do curso e do olhar atento da professora – foi no meu fogão de inox LOFRA, no apartamento em Sampa. Caos total na cozinha. Ainda bem que era dia de faxina: enquanto a faxineira arrumava de um lado eu zoneava do outro. Por incrível que pareça, ainda hoje (semanas depois da empreitada) me vejo raspando vela no granito branco polar da bancada ao redor do fogão. E olha que eu cuidei ao máximo!!!!!! Uma meleca. Juntei todo material e decidi que este é o tipo de atividade pra se fazer em lugar adequado – meu atelier de Lajeado-RS.

Nada de improvisos. Valeu a primeira tentativa pra adequar procedimentos e providenciar materiais faltantes absolutamente imprescindíveis.

Chegando em Lajeado, preparei meu atelier: juntei todos restolhos de velas (tanto os do casamento, quanto outras velas usadas no dia-a-dia),

forrei piso e mesa com papelão em rolo, emprestei um fogareiro com um bocal potente (outra aquisição futura), comprei um panelão (para uso exclusivo), recolhi xícaras, potes, formas, etcetcetc. Comecei fazendo velas dentro de recipientes. Adoro usar peças antigas, como esta xícara da minha bisavó.

Dá pra perceber a depressão da vela? É essa “caída” no centro que faz uma vela deprimida. Quem diria!!!!! Mas ela tem remedinho. São estes quadradinhos – feitos da própria parafina – que preenchem o vazio que se cria no âmago de toda vela.

Na forma, quando a vela deprime, a gente recorta – no momento apropriado – à 1 cm da borda, escorre a parafina líquida de volta pra panela e preenche com os quadrados (remedinhos). Depois de preenchida com o remedinho, acrescenta-se parafina a 120 graus pra uniformizar, deixa descansar e espera secar. Se a vela deprimir de novo um simples preenchimento resolve a questão.  

Gosto de velas artesanais com elementos. Escolhi umas sementes velhas (que antigamente tinham um perfume maravilhoso mas que sumiu), comprei umas pimentas, folhas amareladas e grãos de café. Amanhã vou recolher alguns ramos com folhas do plátano na calçada da minha casa e fazer velas outonais.

Neste momento, meu atelier está gestando o trabalho do dia. Durante a noite, espero que minhas velas recicladas e devidamente medicadas e preenchidas, recuperem a beleza e a funcionalidade.

Encerrado este processo noturno, o amanhã reserva a hora derradeira: desenformar as velas e dar o acabamento. Mas este é outro assunto e outro dia. Isso se as velas saírem ilesas e inteiras. O amanhã dirá.

Errada

Hoje foi um daqueles dias em que era melhor ter ficado na cama lendo, dormindo, navegando na NET, Facebook ou olhando filmes. Até que meu dia rendeu, mas estava me sentindo o Ó do Borogodó. Estranha sensação de sentir-se estranha, fora do tempo e lugar. Dia de faxineira e eu acabei matando academia. Inventei de reciclar velas na cozinha. Fiz uma meleca daquelas, 3 velas deram certo e 1 saiu detonada e a forma inutilizada por toda eternidade. Lixo pra ela. Relaxei na dieta e fiz lasanha de microondas  com arroz branco. Pra completar minha indisciplina abri um vinho tinto e uma coca-cola zero. Já que estava me sentindo deslocada e errada resolvi que tinha acordado cedo demais e fui pra cama, mas a lavanderia estava um caos já que fui eu quem pediu que se esvaziasse o armário e limpasse as prateleiras. A cama parecia cheia de pulgas e espinhos e decidi levantar e fazer minha parte. Recoloquei tudo no devido lugar e vi que os armários da cozinha estavam esparramados por todo lado, pelos balcões, piso e mesa da cozinha. Ordens minhas naquela manhã medonha cheia de boas intenções e péssimas sensações. Hora de reorganizar e recolocar cada coisa em seu lugar –e eu ainda errada – inventei de refazer a vela e dar o fora da área de serviço e cozinha. Fui pra bem longe, na sala de estar. Deitei na poltrona e retomei minha leitura já que no computador minha relação com as palavras e as ideias era a mesma que com as velas e as prateleiras. Li, cochilei e acordei. E achei que este dia errado era perfeito para recomeçar a escrever. Tem dia que é assim. Fazer o que. Saiu este texto. Vou ver como ficou a vela. Quem sabe o dia não esteja de todo perdido e a noite aconteça.