Estremeço

Venta lá fora

As portas tremem, balançam as palmeiras.

O uivo lareira abaixo é fantasmagórico.

Vento odioso e tenebroso, estremeço.

O corpo se contrai, pressente o perigo.

Imprevisível e rabugento, ele arrasta tudo,

sem dó nem piedade. Me afundo na cama.

O frio vem misturado nele. A noite gela.

Antes dele, dormi com a noite de trovoadas e raios.

Amo os dois:

O ronronar das nuvens que se chocam,

a claridade que explode.

A infância me inunda misturada de chuva.

Um misto de fascínio e exultação é o que sinto.

Uma força maior rege a todos:

O vento, raios e trovões, a chuva e, eu.

Será que São Pedro está fazendo faxina lá no Céu?

O vento

Da sala que vive em mim

vejo o capim elefante se agitando.

Nina adorava comer do pasto que nasce solto e esvoaça ao vento.

Vento que leva e traz.

Que açoita e tanto faz.

Seria este agito um convite?

O vento que me guie num adeus pra não mais voltar.

Da sala que vive em mim uma visita inesperada.

Outros gatos se avizinham.

Avizinharei com eles.