viagem

de Araranguá à Floripa a chuva foi companheira.

Seguiu lado a lado conosco. nem à frente, nem atrás. do lado.

sorte a dela não ter dado de frente

com o enorme engarrafamento de sempre em Palhoça.

foi lá que ela se aligeirou e chegou antes de nós.

a bolsa de pano da Giovana Baby chegou encharcada.

as telas umedeceram. um pouco. quase nada. emudeci.

amendoins e cucas foram pro forno, presentes conferidos,

e eu, eu me recolhi. fui pra cama.

imaginei que os diálogos do inconsciente estavam destruídos.

sobrevivemos todos.

Viajar

Viajar é ótimo. É tudo de bom.

(tô chovendo no molhado. sei disso. todos conhecemos e usamos este clichê)

Viajar cansa. Estressa. Irrita.

(e a gente finge que não sabe ou prefere esquecer certos detalhes:

porque tem sempre uma cama desconfortável, um amigo chato,

o pior lugar do avião, a roupa errada,

o café frio e fraco,

a comida trocada,

o tempero enjoado,

o programa de índio, enfim …

todos conhecemos este script inconfesso)

Pernas exaustas, exauridas e doloridas

Pés inchados, machucados e cheio de bolhas.

(um horror.

e quanta dor.

alguns míseros comentários.

porque na volta, tudo vira história

pra cortar e gargalhar)

Quem sabe um creminho de cânfora,

alguns travesseiros extras: pernas ao alto.

(e uma caixa inteirinha de Band Aid

+ a desculpa perfeita pra comprar um novo par de tênis.

Se for do tipo Sketch melhor ainda.

Eu recomendo.

Foi o que me salvou nesta nossa última aventura torturante)

Pra quem pensa que ser turista é fácil

não sabe o quanto o corpo padece.

pra ir e vir, de cá pra lá , de lá pra cá.

(a revista Caras, a National Geographic e tantas outras,

deveriam ser processadas:

comentam sobre mosquitos, subidas íngremes,

estradas empoeiradas e esburacadas,

pousadas e hotéis exóticos do tipo muquifo ¼ de estrela,

comidas e personagens imperdíveis,

dignos do mais amarelo dos sorrisos com os quatro caninos à mostra,

prontos pro ataque.

entre tantas outras extravagâncias,

nem sempre (ou quase nunca)

são do agrado daqueles que querem apenas passear,

conhecer lugares legais, comer bem.

Um simples e honesto programa de turista.)

Ombros e coluna também capengam.

Mochilas e bolsas carregadas de tudo,

amanhecem como passarinhos,

anoitecem feito elefantes.

(aconchegam celular, máquina fotográfica,

água, chicletes, grãos, biscoitos, balas,

chapéu, boné, documentos,

cadernos de anotações, mapas, folders, óculos de soldepertodelonge,

souvenirs, camisetas, lembrancinhas

+ tanta coisa que ninguém acredita que precisa, mas carrega.

Vai que precisa.

E mulher que se preza precisa estar prevenida e valer por duas!!!!

Se não for pra valer por duas,

que seja pra não se sentir pelada)

E a cabeça?

Perdida entre o fuso horário e o admirável mundo novo,

que o dia a dia, de hora em hora, impõe.

(haja neurônios pra lidar com a rotação da terra,

com sono de menos e comida demais,

com um inglês, sorry, can you speak slowly? aulas do yázigi?

tanta coisa pra ver e conhecer e comprar e experimentar .

tem sempre alguém chamando, apressando e fazendo confusão sobre

o que precisa e não precisa,

o que é bonito e o que é feio.

vamos ou não vamos? vai levar ou não?

enfim,

escolhas de manhã à noite + dúvidas, miseráveis de tão idiotas:

porque se arrepender por algo que fez ou deixou de fazer,

comprou ou deixou de comprar,

faz parte de viajar)

Mesmo assim (e apesar de tudo) reitero.

Viajar, sair da rotina e do lugar comum, é ótimo.

Voltar pra rotina do dia a dia, também é ótimo.

Acreditem.

Ir e vir é tão ótimo, mas tão ótimo, que consegue ser maravilhoso.

(mesmo que meu sonho de consumo nos próximos doze meses seja

deixar o esqueleto com a bunda em casa)

 

Sobre a Arte 2

Com o passar dos anos e das viagens, viajar tem sido um excelente exercício para os sentidos. Além de alguns pontos turísticos indicados, um dos programas tem sido a visita à museus e galerias. Na medida certa que é nada de exageros.

Ao visitar o impressionante National Gallery of Vitoria, em Melbourne – AU, pode-se observar a evolução da arte decorrente da própria evolução da raça humana, da arte e dos próprios artistas. Obras de Matisse e Picasso, de início de carreira, me empolgaram (eles também fizeram trabalhos questionáveis). Por toda a galeria, – ela própria um verdadeira obra arquitetônica da arte contemporânea – a exposição “Linguagem dos Ornamentos” mostra a evolução da arte (pinturas e esculturas), roupas, móveis, utensílios domésticos(cerâmicas e porcelanas) até chegar ao momento atual com impressoras 3D, o computador e o cinema 3D.

A mudança no conceito de arte – do século 13 até os dias atuais – exorbita aos olhos: a Arte Sacra, uma Pietá originária da Alemanha, Marco Antônio e Cleópatra, entre tantas outras esculturas, talhadas à mão, em mármore e pedra, evoluindo para os polímeros sintéticos das caveiras de Ron Mueck; a pintura lúgubre de El Greco à coloridíssima de Mark Rothko e Andy Warhol … sem contar a arte dinâmica de Yayoi Kusama (onde todos somos convidados a participar, colando flores adesivas em qualquer espaço do apartamento exposto), além da grande tela formada com espaguetes coloridos de piscina (coloquei a minha lá) … Pela primeira vez, cheirei aromas da natureza em peças de exposição. Sissel Tolaas é uma smell designer. Sua biblioteca pessoal é de 7000 aromas (como será que ela guarda os cheiros? Tipo essência?). Para ela aroma é informação. Quantas lembranças surgem instantaneamente quando algum cheiro familiar é deflagrado? Lembrei de um perfume da Avon que usava quando adolescente: Sweet Honesty: O aroma, ainda hoje, me transporta àquele tempo e lugar. Uma viagem no tempo e no espaço. E sem sair do lugar.

Sobre a arte? Ela mudou. E muito.

À primeira vista, a impressão é de pressa, pouco detalhamento, pouco acabamento, pouco conhecimento, pouco talento. Mas esta é a arte do nosso tempo. Ela, assim como os aromas, transmite quem somos e como vivemos. Nosso tempo. Nossa época. A abstração como forma metafórica de se fazer entender.

 

 

Uma grande viagem

Uma ideia de viagem me assunta.

Nada a ver com a Índia, o Japão ou a Namíbia.

Nem com os Alpes.

Tudo a ver com minha interioridade e meu recolhimento.

Jung – eu sei – foi quem melhor explorou este lugar.

Freud também.

Ando precisada deste meu lugar.

Por ora, minha mala está repleta de mantas e cachecóis.

Legs e blusões. Necessaires e pijamas.

Uma visita à casa de Jung, em Zurique.

E em Viena, à casa de Freud estão programadas.

Lugares onde

– quem sabe –

Encontre ingressos e folders

Para minha grande viagem.

 

 

Moto

“Moto é desapego” (disseram-me na Morada dos Pinheiros, em Bom Jardim da Serra) – Sábias palavras, um lugar encantador –  Desapego de conforto, de segurança, de beleza … Acrescento +:

Moto é viajar nas sensações, nos cheiros, sons e texturas,

– também ouvi isso –

É vento que afaga, acarinha e aranha a pele,

É sol que abrasa, chuva que alfineta.

Cheiros que – vários, insanos, lúdicos, cheirosos – inalam o corpo.

É luz que, por xs, cega e escurece a alma

por xs, clareia e engrandece o dia,

É velocidade que excita e assusta

nas curvas que engolem e se alargam na estrada.

– sinto tudo isso e muito + –

como listar a imensidão de sensações e sentimentos em momentos e instantes que parecem infinitos a dois pés do asfalto quente, rugoso e vertiginoso?

A viagem sobre duas rodas pode ser intensa e perigosa.

Como a vida.

Sobre duas rodas, duas pernas ou não, o perigo transita e espreita a vida.

Viver – disseram-me também – é flertar com o perigo.

Ando indecente.

 

Montanhas Rochosas e Alasca – uma experiência de tempos e momentos

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Avião, moto, carro, navio, trem, ônibus e avião. Uma viagem contemplativa da capacidade humana e grandiosidade da natureza. O primeiro tempo, no lombo das Harley Davidson. Viagem internacional de moto exige uma logística trabalhosa e cara.

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Pra quem gosta vale à pena – mesmo quando o sol tira férias e deixa chuva, vento e frio como substitutos. Depois de 1500Km de curvas e retas encharcadas, dias nublados com pitadas de sol, montanhas escarpadas e nevadas, rios de degelo, pinheiros num degradê de formas e cores, hotéis aquecidos de beira de estrada, pubs barulhentos, fomos conhecer o Alasca de navio.

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Uma cidade flutuante chamada Norwegian Sun passeando pelos largos canais e fiordes gelados. X restaurantes, X lojas e Duty Frees, X elevadores, X quartos, X passageiros, X hidromassagens, piscinas, salas de ginástica, bares, cinema, teatro, decks com espreguiçadeiras, quadras de esportes, biblioteca, mesas de ping pong – e, certamente muita coisa que não vi nem lembro – transformaram a viagem e a semana. Como bem definiu alguém, viajar de navio é levar o hotel a reboque. Prático e cômodo.

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Os primeiros dias foram chuvosos, nublados e ventosos. E, como disse outro alguém – qual o problema? Não temos escolha – saio com a mochila munida de roupa impermeável, luvas, gorros, cachecóis para qualquer imprevisto climático.

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Fico sabendo que os dias estão “amazing” já que em alguns lugares chove em torno de 360 dias por ano. Bom saber que isto é possível. Imprevistos à parte, o cruzeiro começou cheio deles: reservas trocadas, vouchers perdidos, mochilas extraviadas, atrasos. O stress de toda viagem. Depois de acomodados, hora de relaxar e aproveitar.

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São 7 dias com 3 paradas (Ketchikan, Juneau, Skagway) saindo de Vancouver chegando em Anchorage. Depois uma imersão no continente gelado, by train.

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Preferiria que fosse inverno. A primavera mostra-se insípida. Os pinheiros congestionam a paisagem e o Alasca fica com sorriso amarelo. Falta a essência da dureza e da dificuldade dos ambientes inóspitos. No Parque Denali, cadê os ursos? Cadê os salmões? A viagem de trem e de ônibus mostra os pontos mais distantes. E apenas isso. Voltamos a Vancouver, uma cidade maravilhosa que merece ser revisitada.

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Voltando

Não sei se estou

avoada

motoada

mareada

trenzada

caminhada.

A mente continua voando,

o corpo, navegando.

Na cabeça, curvas e retas.

Pernas ressentidas cobiçando mais passos e percalços.

O olhar

– este teimoso –

insiste na paisagem silenciosa e preguiçosa.

Sempre Majestosa.

Voltar pra casa

exige equilíbrio e estabilidade,

sanidade para a realidade.

Da rotina. Do dia a dia.

Hora de apertar o botão OFF.

– fim de linha –

Hora de pegar outro trem, outro voo, outro navio.

Hora de deixar a vida escolher

o rumo e a jornada.

Lake Louise, Canadá. A paisagem refletida e invertida no lago. Inesquecível!!!!
Lake Louise, Canadá. A paisagem refletida e invertida no lago. Inesquecível!!!!

Banho de Beleza

Não deixe para o dia da viagem para fazer seu banho de beleza e sais. Depilação, manicure, pedicure, tintura (se for o caso) e uma bela escova de cabelo é o pacote básico. Mesmo que vc acorde na manhã seguinte toda amassada, tirar a primeira foto e eternizar o momento do embarque com o cabelo ajeitado, vale o gasto e o sacrifício de uma tarde no salão. E nunca, jamais, invente de mudar o visual na véspera. Se for o caso, faça um mês antes. Dá tempo de colocar um megahair, mudar a cor, cortar, comprar uma peruca, enfim. Nada pior do que deixar o país sentindo-se estrangeira de si mesma e passar o resto da vida convivendo com fotos de uma viagem maravilhosa, onde vc nem se reconhece. Sem contar que dia de viagem é dia de entrar no clima. E se houver atrasos inesperados, ou, sua manicure de anos, corta sem querer, um bife do seu dedo? Pode acontecer. Aí, o clima zen vira neblina de ansiedade e dor. Conforme o tipo de viagem – fim de semana, feriado, uma semana, quinze, trinta, quarenta e cinco dias… – escolho o esmalte mais apropriado. Para as viagens longas, prefiro apenas uma base, no máximo, uma “francesinha”. Para viagens curtas, de no máximo cinco dias, e conforme o motivo da viagem, uso “rebus”, “gabrielas”, “laranja elástico”. A cor do momento. Depois o esmalte lasca, perde o brilho e fica um horror. Foi-se o tempo em que eu levava um frasquinho de esmalte para retocar a unha. Ficou lá atrás junto com os saltos altos, os ternos, as pochetes. O que ainda levo comigo é um cortador e alicate de unhas, e uma lixa. Se precisar de removedor de esmalte, compro o menor frasco em viagem, e depois de usado, fica para doação no hotel, assim como restos de shampoo e condicionador de cabelos. Eles não valem o risco de um vazamento na mala ou necessárie. O material cortante vai dentro da mala a ser despachada e prefiro sempre, alicate à tesoura de unhas. Numa viagem, o alicate é mais versátil que a tesoura (e olha, que entendo de tesouras, scrapeira que sou). Depois de dias de viagem, o canto das unhas engrossa, aparecem pequenas peles … A tesoura só vai fazer falta, se precisar cortar tecido ou papel – não imagino situação para isso – e se for o caso, rasgue. Mas, se fizer questão, leve os dois. Ambos, na mala a ser despachada. Agora se vc preferir fazer manicure e pedicure no exterior, vá em frente. Vc vai pagar em dólares/euros/etcetc e perder tempo também em dólares/euros/etcetc. Não lembro de ter feito unha (apenas retoques pessoais) em qualquer viagem. Nunca me importei de voltar pra casa feito “Peposa de Garras”. A ida ao Salão de Beleza se transforma num dos melhores programas para retornar à rotina doméstica e à vida em si. E, caso vc use tintura nos cabelos, vai ficar mais de vinte dias viajando, não quer se aventurar nas mãos de um cabeleireiro desconhecido, muito menos adotar um visual punk, leve uma caixinha de tintura e faça vc mesma (ou leve ao salão) e retoque as raízes. As fotos e o espelho vão lhe agradecer. Quanto à depilação, ou vc volta uma “Peposa”, ou recai na gilete. Questão de escolha.

Roupas, o que levar?

O mínimo possível. Mas não exagere na economia! Faça a conta dos dias de viagem e calcule, realisticamente, o que você vai precisar. Leve o seu dia a dia confortável pra passear com vc. Roupas novas podem ser bonitas, mas você precisará de conforto e praticidade. Com exceção da roupa íntima, não lavo nada enquanto estou viajando e aproveito pra comprar algumas novidades. Dependendo do tempo de viagem, estação climática e da programação, levo no máximo três pares de calçados (um par de chinelos (havaianas ou de pelo), um par de tênis limpo, usado e testado, e um par de calçado social (que pode variar entre um par de tamanco ou um par de botas ou um par de sandálias. Se tiver espaço e o foco da viagem for praia, levo uma rasteirinha); duas leggings, uma bermuda, um jeans, uma calça branca, blusas básicas pretas e brancas (2 de cada), chapéu, lenços/mantas, casaco, blusão …. Se quiser mais detalhes, quantidades e dicas pra viajar de forma elegante, leia “Viajante Chick” de Gloria Kalil. Na minha escolha procuro roupas que coordenem-se entre si. Do tipo, tudo combina com tudo: do sapato ao casaco. Para isso, dou preferência aos tons neutros, deixando para os lenços/mantas/bijus as cores e variações dos meus looks diários. Evito levar bijus, pois é uma das minhas compras certas (adoro bijus garimpadas pelo mundo afora. São lindas e diferentes. Só não compro aquilo que sei que posso encontrar no Brasil). Nas viagens ao exterior, e mesmo Brasil afora, uso joias básicas e não chamativas (quase ninguém mais distingue jóia básica de biju). Se houver um evento e eu quiser levar algo mais suntuoso, levo. E, tão logo entro no quarto do hotel, coloco no cofre. A senha, uma velha conhecida. Em meio a tantas novidades pra que complicar?

Cancún – Nido de Serpientes

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Tem coisa melhor que viajar? Tem. Claro que tem. Mas viajar é uma das melhores coisas que existem. Sair de casa, do bairro, da cidade, do país. Sair de si mesmo e desbravar um novo mundo dentro e fora da gente. Se reconhecer diferente, e ser, de fato, diferente. Sair da rotina, da vida sabida e conhecida. E conhecer este mundão lindo, cheio de histórias, mitos, culturas, pessoas. A Terra – o paraíso redondo – cruzado por linhas retas, angulosas e serpenteantes. Pontos cardeais e colaterais que colidem e se fundem em si mesmos. Cada viagem, uma escolha. O resto são consequências: a preparação, a expectativa, a aventura diária, as fotos, compras, comes e bebes. Vinte e quatro horas inéditas por dia. Pouco importa como e onde. Importa ir, aproveitar, chegar, e se possível, voltar com a viagem impregnada nas células da própria história. Já viajei e fotografei muito. Escrevi pouco. Preciso correr atrás. Cancun foi um marco, a família no paraíso caribenho, comemorando 15 anos de casamento. Bodas de Cristal? Perfeito. Aqui, alguns resgates e scraps de fotos de uma época ainda não digital.

DSC05080No início de agosto de 1997, meu marido, filhos e eu viajamos para Cancun, no México. Foi nossa primeira grande viagem internacional em família (não contando as idas ao Uruguai, Paraguai  e Argentina, por supuesto).

DSC05082O mês de agosto estava insuportavelmente caliente, mas a vontade de conhecer e aproveitar tudo ao máximo, foi primordial para que diariamente fizéssemos um novo passeio, um novo pacote: assim, conhecemos lugares maravilhosos e inesquecíveis como Chichen Itza, Tulum, Cozumel, Xcaret, Xel-Ha e a própria Cancun.

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Chichen Itza – A capital do Império Maia.

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Xel Ha – Aquário Natural. A Lagoa Azul?

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Snorkel nas águas cristalinas de Cozumel.

DSC05084Como em toda viagem, muitas histórias pra contar e relembrar: o primeiro topless, O Zuppa, minha quase viuvez por um cabelo inflamado, “homem não entrega homem”, os dois eternos chocalhos de turista ….. e a certeza de que, Cancun deve ser revisitada. Sempre, agora, já.

Sobre a questão do idioma

Sempre que viajo ao exterior um dos problemas é o idioma. Belisco um pouco do inglês, do espanhol e do alemão. Já fiz cursos, li textos, e cheguei à conclusão de que minha inteligência linguística é lesada e que aprendo mais com os olhos e ouvidos do que com o cérebro e suas funções comprometidas. Assim, sempre que viajo ao exterior, os primeiros dias são como um caça palavras. Vou assimilando, de pouco em pouco, palavras, expressões e frases e, de repente, compreendo 60% do inglês, 80% do espanhol e uns 90% do alemão. Olhos e ouvidos atentos, eis o segredo da memória. Entender, eu entendo. Falar é outra história. Mas, quando viajo, falar não é minha prioridade … me comunicar, sim. E para isso, uso sem melindres, a linguagem internacional dos gestos. Lembro de uma vez, na África do Sul, em que eu precisava de uma colher e não encontrava a palavra em lugar algum (perdida num caça-palavras inglês) e, como já havia chamado o garçom, não me restou senão, fazer círculos sobre a xícara, olhar sorridente e dizer o inesquecível “Please” e olhar da xícara a ele, esperando que suas funções cerebrais não fossem lesadas. “Spoon?”. “Yes, spoon.” Problema resolvido. O que não pode faltar jamais na bolsa de uma lesada linguisticamente é um bloco de anotações, caneta, um minidicionário (desses, bem pequenos), óculos (pra ler as mini palavras do minidicionário) e uma calculadora. Normalmente nestes dicionários tem as frases mais comuns do dia a dia, e uma das que mais uso é “How much is this?” Aí vem a tragédia total: entender números naquelas palavras. Grego total invertido. É por isso que preciso da calculadora! Ou do bloco. O desenho do número é universal, graças a Deus! Depois de conversados, numerados e letrados, a calculadora faz as contas de multiplicação, divisão, adição e subtração. Hora das conversões da moeda. “Thank you” e sigo em frente. Ler mapas é sempre uma incógnita. Primeiro, preciso me localizar e orientar meu GPS interno. Se este primeiro passo é feito com sucesso, leio qualquer mapa e chego a qualquer lugar. Quando este primeiro passo não acontece, fico neurológica e turisticamente labiríntica. Perdida, sem saber onde é frente e atrás, esquerda e direita. O mapa pode estar invertido que não vou perceber. Só identifico  o que está acima e abaixo, o céu e a terra. Raramente acontece, mas, acontece. E quando acontece, o jeito é dar a mão e se deixar levar, acreditando e confiando que meu companheiro saiba pra onde estamos indo. Aconteceu no metrô de NY e nas ruas numeradas da cidade. Fui infectada por um “tilt” inexplicável, já que todo mundo se acha por lá. Fiquei de mãozinha dada. Tão romântico. Não é preciso dizer mais nada.

namorados

Chegando em Bangcoc

Meu sino de preces para 2013 está balançando na Golden Montain, ao som dos sinos, cheiro de incensos e o olhar atento de Buda.
Meu sino de preces para 2013 está balançando na Golden Montain, ao som dos sinos, cheiro de incensos e o olhar atento de Buda.

Já é noite lá fora. Saímos de Perth ao meio dia, via Singapura, e acabamos de chegar a Bangcoc, na Tailândia, às 20:30h. Estamos exaustos da viagem e, ao mesmo tempo maravilhados com o tamanho e a beleza do aeroporto, a gentileza do povo tailandês, a cidade moderna toda iluminada. A táxi anda a uma velocidade de 110 Km no asfalto molhado e em ótimo estado. Ao nos aproximar de um viaduto, o carro entra em nosso hotel **** . Oh Oh! Reserva feita pela internet tem dessas surpresas. Nem bem o carro estaciona, meu marido me olha de soslaio “Acho que economizamos demais no hotel”. “Sem problema. Vamos compensar nos passeios e nas compras.” Na internet, os fotógrafos capricham tanto que tudo fica perfeito. Ao vivo e a cores, nem sempre. Subimos ao quarto, no terceiro andar, e ao sair do elevador tenho a sensação de estar num colégio interno. Pé direito alto e portas num corredor imenso. Ao entrarmos no quarto, um alento: já estivemos em hotéis piores, a Pousada do Aconchego em Porto de Galinhas, no Recife, que o diga. Jogamos tudo pelo quarto e saímos para jantar no Beer Garden, encostado ao hotel. Além de exaustos, estamos famintos. Decido mergulhar de cara na culinária tailandesa e peço uma Gaeng Masaman Gai, uma deliciosa sopa adocicada de galinha ao curry amarelo, com batata e amendoim. Meu marido prefere não arriscar e escolhe um prato com peixe e batatas fritas. Amanhã o dia promete zilhões de atrações. Quanto ao quarto? É limpinho, simplinho, um banho maravilhoso, uma cama passável e um buraco tão grande no ralo da pia do banheiro que proibi meus anéis e brincos de andarem por lá. Se caírem é capaz de aparecerem lá por São Paulo. E vamos dormir.

O Buda atento.
O Buda atento.