Malas fechadas

eu no avião 1

Viajar é bom. Ótimo, diriam alguns. Eu mesma já disse que era uma das melhores coisas da vida. E, em parte é. Mesmo sendo daquelas que adora ficar em casa. Lendo, escrevendo, pintando, bordando, meditando, contemplando, cozinhando, assistindo filmes. Uma menina/mulher caseira. Quando viajo, o pior de tudo é arrumar a mala. Nunca acerto a roupa. Ou levo demais, ou levo de menos. Ou levo roupa pro calor – e fica mais frio do que o esperado -, ou levo roupa pro frio – e fica mais quente do que o esperado. Já desisti de acertar e apenas levo o básico + um pouco. Que às vezes é demais. Tem a roupa de viagem (ir e vir) o mais arrumada possível (já que depois de 2 semanas minha mala se transforma num ninho de gato). Uma roupa social comportada para alguma saída noturna chique. Mais as roupas do dia a dia, essencialmente confortáveis. Acabei de fechar minha mala. Revisei remédios (dor de cabeça, cólica, um fitoterápico pra dormir + cápsulas de amora branca (como diz Dráuzio Varella, de efeito placebo) psicológico que me faz bem), carregadores de celular e computador, pau de self, livros. Sei que estou esquecendo alguma coisa. A gente sempre esquece. Documentos, passagens + dinheiro = OK.

Bom mesmo é voltar. Encontrar tudo em ordem, a rotina, a casa, a família.

Para os próximos 18 dias muita energia, sol, frio, neve, lindas paisagens, boa comida, bebida e companhia, fotos, fotos e mais fotos.

O roteiro da viagem passa por onde passamos há 25 anos. De Floripa para Frankfurt, passando por Viena, Veneza, Mônaco, os Alpes, Montblanc, Frankfurt, Floripa. Serão + ou – 4000Km de carro, entre 6 casais, 3 carros, estradinhas do interior, pousadas e guestshouses.

Se tudo der certo, vou continuar escrevendo e fotografando. Quem sabe saem alguns posts.

Até mais.

Para os que ficam em casa

Sou ambivalente quando o assunto é viajar. Amo e odeio. Amo sair de casa, respirar novos ares e hábitos, conhecer novos lugares e pessoas, desbravar culturas e costumes, fazer compras, comer e beber novidades, ou simplesmente, sair da rotina. Odeio porque adoro ficar em casa. Odeio porque detesto preparar malas de viagens – invariavelmente erro no que levar e não levar. Odeio porque adoro o café de casa, o conforto, minhas rotinas.

Então, o que fazer?

Viajar sempre que possível.

No fim das contas, o que conta é o bem que a gente se faz. Ficar em casa – por estes, e por tantos outros motivos possíveis – limita nossa visão de mundo e nosso estar neste mundo. Tenho uma amiga – que assim como eu – adora ficar em casa. Ambas adoramos nosso canto, hobbies e rotinas. Disse-me ela que se obriga a sair de casa, pelo menos dois dias por semana. Pouco importa o motivo: que seja para visitar uma amiga, ir ao cinema, supermercado, costureira, shopping. Importa sair do ambiente carregado de afetos em que vivemos. Quantas vezes ja estivemos em casa ruminando assuntos, se desesperando e se deprimindo, e quando, ao sair e respirar novos ares, ver outras pessoas, pensar outras coisas, o tal assunto ganhou nuances de um novo colorido, não tão cinzento e desesperador? As vezes, sair de casa, e principalmente, sair de si próprio, nos permite ver mais longe, mais aberto, mais leve.

Enquanto minha rotina profissional não se instala,

ir na academia tem sido uma das minhas saídas obrigatórias.

Faz bem pro corpo. Faz bem pra mente.

?

Tem coisa melhor que viajar?

Claro que tem. Mas viajar é uma das melhores coisas que existem. Sair de casa, do bairro, da cidade, do país. Sair de si mesmo e desbravar um novo mundo dentro e fora da gente. Se reconhecer diferente, e ser, de fato, diferente. Sair da rotina, da vida sabida e conhecida. E conhecer este mundão lindo, cheio de mitos, culturas e pessoas. A Terra – o paraíso redondo – cruzado por linhas retas, angulosas e serpenteantes. Pontos cardeais e colaterais que colidem e se fundem. Cada viagem, uma escolha. O resto são consequências: a preparação, a expectativa, a aventura diária, as fotos, compras, hoteis, restaurantes, passeios. Vinte e quatro horas inéditas por dia. Pouco importa como e onde. Importa ir, aproveitar, chegar, e se possível, voltar com a viagem impregnada nas células da própria história. Já viajei e fotografei muito. Escrevi pouco. Estou correndo atrás.

Montagem com fotos da internet
Montagem com fotos da internet

Viajo hoje, volto na metade de junho, espero que cheia de histórias pra contar. Neste meio tempo, o blog vai se manter ativo – dia sim, dia não – graças ao pré-agendamento. Com exceção dos três primeiros textos (Preparando as malas; Roupas, o que levar; e, Banho de Beleza) todos os outros textos são curtos, reflexões e miniaturas.

Arrivederci! Bye Bye! Auf Wiedersehen! Hasta pronto! Até a volta!

Indo

Acordo cedo

Finalizo ou preparo a mala.

Esquecer jamais:

–       Escova de dente e de cabelo

–       Tintura de cabelo

–       I pod-mac-phone

–       Palavras cruzadas, retas, oblíquas e diagonais. Todas.

–       Baralho de copas, ouros, espadas e paus.

O resto é resto.

Sobra. Se compra: Souvenirs.

Rego meus verdes.

Confiro fogão, cafeteira… Elétricos.

Luzes, portas, janelas… Casa.

Fecho a mala.

Ah, a máquina fotográfica.

Acomodo a mochila. Documentos. Chaves.

Um lenço.

Reprise nas últimas quinze linhas.

Vou indo.