Jardim interior

Esta arvorezinha graciosa dá as boas vindas a todos que chegam em nossa casa, em Lajeado – RS. Ela está vermelha assim, desse jeito, porque adora o frio. E como nas duas últimas semanas fez um friozão por aqui, ela está toda exibida. Eu a chamo de miniplátano.
Nossa bergamoteira é uma fartura só. Todo ano ela fica tão carregada que para não quebrar mais e mais, amarramos todos os galhos a seu vizinho palmito. Que nunca reclama desta exploração. Já a jabuticabeira é uma miséria. Nunca deu um fruto sequer. São 17 anos na maior moleza. Sobreviveu a todas as ameaças, pregos e cortes. Hoje ninguém espera mais nada dela. Apenas sua beleza e sua função de cerca viva a mantém de pé. Enquanto as bananeiras continuam imbatíveis em fertilidade e produção. Tanto quanto a bergamoteira. São cachos e mais cachos abastecendo a vizinhança, virando bananada, schimier, bala e vitamina.
Os kaizucas são divinos. Ano a ano eles ficam mais bonitos, exuberantes e cheirosos. Eles dão o toque europeu à nossa casa tupiniquim gaucha. Já os palmitos dão um ar tropical à área da piscina. Quem pensa que eles dão pouco trabalho, está muito enganado. De tempos em tempos eles dão cachos infernais de coquinhos, que na fase flor, intoxica a piscina e suas tubulações. O jeito é ficar atento e, assim que o cacho aparece no envelope de palha que se abre, o jeito é decepá-lo sem dó nem piedade, a facão.

Adoro nossos buganvilles. A primeira árvore foi arrancada pelo vento anos atrás. O jeito foi plantar uma nova. A antiga era lilás. A nova é cor de rosa. Nas duas vezes comprei gato por lebre. O que eu sempre quis foi um buganville com flores vermelho carmim. Espero não ser enganada na próxima vez que for repô-lo.
Nestes 17 anos vivendo em casa, nosso jardim já passou por três adequações. Aprendi muito com os jardineiros e paisagistas que me serviram.
Planta é como gente. Precisa se adaptar ao lugar em que é plantada. E nem sempre o lugar escolhido é o certo para ela. Perdi plantas caríssimas ao desrespeitar esta regra básica. Ela mingua, perde o viço e a cor. E por fim, morre.

Cuido para não perder nem o viço, nem a cor. Jamais minguar ou morrer. O jeito é se adaptar. Assim como perdi muitas plantas, recuperei outras tantas e hoje estão mais lindas do que nunca. Que o digam nossas fênix, cicas, dracenas, buxos, bromélias e outras tantas, que renasceram ao ser relocadas e transplantadas. Hoje reinam majestosas cheias de cor e luminosidade.
Também estou me relocando e me transplantando. Assim como minhas plantas estou procurando o meu novo lugar.
Assim como elas, pretendo me adaptar e reinar majestosa, cheia de cor e luminosidade.

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