Convalescendo II

Hoje fazem exatamente 3 semanas que deixei minha insanidade temporária me dominar. É assim que entendo minha coragem e ousadia para o verdadeiro massacre a que expus meu corpo. Massacre pela dimensão dos procedimentos. O resultado parcial, mostra que valeu a pena cada ponto e corte. Até os pontos abertos, o umbigo remelento e os cortes maiores do que o previsto. Ou seja, minha total insanidade mental. Nada que a estética e a medicina não deem jeito. Que assim seja!!!!!

O que posso falar deste período? A primeira semana foi melhor do que o esperado, a segunda melhor ainda. Aí, veio a terceira semana e ferrou com tudo. Com tudo exatamente não. Apenas com alguns pontos do meu peito novo – inchado e banhado em líquidos – que não aguentou a proporção e, assim como uma represa, transbordou. Fluidos demais para um ser novo e imaturo conter e distribuir. Rompidas as bordas o jeito foi deixar fluir. Pânico geral: Como assim? O que foi que deu errado? Tava inchado demais. A drenagem não funcionou? Será que atrapalhou? Era pra acontecer, tava bom demais. Olho grande, gente demais elogiando e querendo um igual. Eu avisei, sabia que alguma coisa não ia dar certo. O importante é não infectar, o resto é nada, se comparado. E se der febre? Será que não é rejeição ao corpo estranho? Às vezes acontece, sabe como é, tava bom demais pra ser verdade. E a cicatriz? Vai ficar um rombo horroroso? O médico me tranquiliza. É normal acontecer? Usualmente não, mais comum é vazar na primeira semana. O jeito é ter paciência e fé, esperar cicatrizar de dentro para fora, e depois refazer os pontos. Não olha no espelho, dizem que não é bom. Tá ficando bonito, tá melhorando. Odeio sentir a umidade na curva mágica, é por lá que minha semana se esvai de tantinho em tantinho.  Elucubrações, desvarios, fantasias.

Assim foi a terceira semana. A mais intensa em dor, insegurança, medo, opiniões, olhares e incertezas. Felizmente amanhã, entro na quarta semana e com ela, no consultório médico. De todos, o único capaz de me acalmar ou me enervar de vez. Como a única coisa que posso fazer é me abrandar e esperar, tenho tido altos papos com meu peito novo e frágil. Tenho arregimentado meu exército de anjos para dar força  ao novato. Ele vai precisar.

Afinal, não é no peito que guardamos nossos amores, amigos, sentimentos? Não é lá que amortecemos os problemas e depois chutamos em frente? Não é lá que a vida acontece? Ele há de crescer mais, muuuuuuuuito mais. Terá que ser um continente maior que o planeta. Pois há muito a conter, acomodar, acarinhar. Uma galáxia inteira.

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