Nina e a coleira

Odeio coleiras porque dão ideia de prisão e escravidão. Mas tive de me render a elas. Depois do que aconteceu com meu Lolinho (desaparecido e sumido, possivelmente trucidado e morto), depois de ver minha Nina perambulando pelos terrenos baldios em volta de casa, fazendo de conta que meus chamados  não eram com ela (tipo “O que foi?”, “Falando comigo?”, “Hã?” “Que?”, “Como?”, “Devo estar ouvindo coisas!!!!”), depois de refletir e avaliar seu provável destino sombrio, cheguei à conclusão mais óbvia e objetiva: precisava comprar uma coleira urgentemente e gravar nela nome e telefone. Se um carro não a encontrar primeiro mas uma boa alma, esta saberá a quem chamar quando encontrar Nina. A coleira poderá ser nosso único elo de ligação e contato. Por isso abri exceção. Do que não abro mão – nem exceção – é da liberdade dela ir e vir. Certamente, ela odiou a novidade. Depois de bancar a “gata elástico” na tentativa inglória e inútil de retirar a coleira verde (foi o melhor que pude encontrar) vejo-a desfilando pela casa, jardim e arredores, tilintando abnegadamente. Olho-a compadecida mas aliviada. O timtimtim da sinetinha – presa na coleira – avisa a todos por onde a danadinha anda. Agora, com calma, vou procurar uma coleira que combine com seu jeitinho panterinha Nina Chanel.

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